Translate

sábado, 12 de julho de 2014

A CARA DO MORTO


A CARA DO MORTO
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                Mais um Conselho de Classe. Vira e mexe, é quase sempre a mesma história. Discute-se a “cara” do morto e não sua causa mortis. Desloca-se o foco da discussão para o vértice do iceberg (a ínfima pontinha que emerge do oceano) e não para o imenso e complexo bloco escondido sob as águas geladas e profundas. Por quê? Talvez por ser mais fácil e menos incômoda a observação. Qual é o sentido de discutir aquilo que é óbvio? Ora, que o morto está ali, estirado sobre o ataúde, todos sabem. Vã é a tentativa de melhorar a cara do finado. Apor um asterisco aqui ou acolá, objetivando diminuir o número de reprovados em favor dos “evadidos”, é como passar blush no “presunto”, não resolve o problema e pouco serve para mascará-lo. O corpo segue gelado, o cheiro típico permanece e, para piorar, aquelas mosquinhas insistentes fazem lembrar tratar-se de um velório. Por que o aluno reprovou ou, usando um (mais um!) eufemismo, “permaneceu”? Por que desistiu e quem o fez? Terá sido o aluno a abandonar a Escola ou esta (nós!) o largou de mão? Quem sabe, ambos? Quais as razões para tamanha fuga? Urge deixarmos de lado o amadorismo e a superficialidade. O esforço hercúleo e louvável de sair em busca de adolescentes e adultos para ocuparem as classes na EJA será em vão, caso não consigamos estancar a hemorragia discente. Qual é o caminho? Acredito inexistir um, já dado e pronto. Precisamos, coletivamente, buscar uma ou mais saídas para o problema. Ela(s) passa(m), obrigatória e necessariamente, primeiro, pelo “querer” de cada profissional, pela disposição individual em pesquisar, repensar, planejar e trabalhar com vistas ao interesse coletivo. Este último, diga-se de passagem, extrapola qualquer espécie de corporativismo funcional doentio e, a priori, deve estar consubstanciado na Proposta Político-Pedagógica, bem como no Regimento Escolar. Todos, em especial os educadores, devem conhecer os documentos norteadores da Instituição. Como é a comunidade no entorno da Escola? Qual o perfil “médio” do público que busca matrícula na EJA? Qual é a “cara” que desejamos dar à EJA? Qual a formação mínima que o educando deve ter ao finalizar o curso? O que defendemos enquanto princípios de convivência? Enfim, inúmeras são as perguntas que a Escola deve elaborar e buscar responder antes de simplesmente sentenciar o “avanço” ou a “permanência” do aluno. Tão irresponsável e perigoso quanto “reprovar” um educando sem ter-lhe garantido a oportunidade de “avançar” é, por outro lado, “aprová-lo” sem justificativa plausível. Tem sido muito comum o discurso que faz do educando um perfeito idiota, como se o mesmo fosse incapaz de aprender e/ou assumir responsabilidades. Cabe à Escola, sim, posicionar-se contrária à indolência e à indisciplina, por exemplo. Uma educação de qualidade passa pela valorização das práticas e iniciativas positivas, entronizando-se valores universais, como o respeito, a ética, a honestidade, o empenho e a responsabilidade. Esforços não devem ser medidos no intuito de resgatar o sujeito, valorizá-lo e incluí-lo. O “fracasso” (reprovação, evasão, etc.) de cada aluno, em regra, deve ser visto, também, como o fracasso da família, do Estado, do diretor, do professor, do orientador, do supervisor... Trata-se de um fracasso coletivo, de uma tragédia sem “culpados”, mas com múltiplas responsabilidades. A Escola – assim como os hospitais e os fóruns, por exemplo – não deve ser espaço para amadorismo. Requer muito trabalho e profissionalismo. Não deve haver lugar para “jeitinhos” e fórmulas mágicas. Exige-se conhecimento, coerência, planejamento, resiliência... Acreditar na EJA é apostar na possibilidade de construirmos uma sociedade melhor. Urge a necessidade de debatê-la, confrontá-la, eviscerá-la. Seja a Educação de Jovens e Adultos terreno fértil para transformações individuais e coletivas. Iniciativas como a do EAD, abrindo-se um leque de possibilidades, são muito bem-vindas, contudo insuficientes se nossas práticas continuarem sendo as mesmas. Assim como Lázaro, quem sabe ressuscitemos até mesmo os aparentemente já “mortos”? Para tanto, mister é que façamos uso do poder do amor e da cumplicidade com a sorte alheia, e não dos “cosméticos” preconizados por alguns.  

Veja também:
http://institutosaofrancisco.com.br/site/artigos_visualizar.php?artigo_autenticacao_=3b66e6fdd9230d3b1c09e9f70408aefa


terça-feira, 1 de julho de 2014

AS PEDRAS DE DAVI


AS PEDRAS DE DAVI
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Certa feita, tive o privilégio de ouvir numa reunião de escola alguém falar das pedras de Davi. Quais são as “pedras” que temos escolhido para lançarmos em direção ao “Golias” que, a todo instante, atravessa nossa vida? Têm sido as pedras certas? Têm sido as pedras apropriadas? Temos assistido levas e levas de homens e mulheres, de todas as idades, condições socioeconômicas das mais diversas, instruídos ou não, religiosos ou agnósticos, enfim, miríades e miríades a usarem de pedras que mais parecem bumerangues, onde a grande vítima acaba por ser aquele que as lançou. Enquanto isso, o algoz se fortalece. Ao invés de um, passam a ser dois, três, quatro incontáveis e intermináveis problemas... A seiva que, talvez, já não fosse intensa, esvai-se ainda mais. O inimigo se fortalece. Por que há tantos que lapidam a si mesmos? Apedrejam-se? Voltam-se contra as próprias entranhas? Alimentam tumores do corpo e da alma? Espantam o sono e afugentam os sonhos? Homens e mulheres tristes e entristecedores. Contam nos dedos os momentos de felicidade e fazem vistas grossas à vida que brota a cada instante, em cada canto, em cada sorriso, em cada abraço. Pais que sofrem e fazem sofrer a prole, negando a esta o norte ou fazendo da paternidade uma espécie de roleta russa, onde – salvo os poucos lampejos de sorte – a droga, a indolência, a indisciplina e a morte espreitam e comprometem o futuro. Homens e mulheres que fazem da depressão uma espécie de moda, garganteando a dependência terapêutica e farmacológica. Entregam-se a um mundo de “faz-de-conta”, marcado pelo consumismo doentio e árido de valores perenes. Homens e mulheres que esperam do Estado, dos “outros” (amigos ou não) e dos filhos aquilo que jamais cultivaram. É crível que o lavrador colha o que jamais semeou? Qual é o Golias que desejamos enfrentar? Qual sua real força e tamanho? Quem o alimenta e de que forma? Não será ele, no fundo, a sombra ampliada por nós produzida? Onde reside a maior ameaça, no tamanho do inimigo à nossa frente ou na imagem que dele fazemos? Pedras, há muitas. Tamanhos, formas e cores das mais variadas. Talvez estejamos escolhendo as erradas, as mais (ou menos) acessíveis, as mais (ou menos) pesadas, as pouco resistentes... Urge certa dose de sabedoria para escolhê-las. Por que não ouvir a voz do coração? Por que não dar espaço ao silêncio que instrui? Por que não apostar no amor? Por que não confiar? Por que não dobrar-se sobre os joelhos e chorar? Por que não entregar-se à humildade? O verdadeiro gigante, quem é? Pertence a quem o nosso destino? Qual é o tamanho e o foco de nossos sonhos e desejos? Façamos das pedras poderosas armas, matérias-primas para edificação de estradas que apontem para um ser humano melhor. Pedras a adornarem mosaicos formados de solidariedade, ética, respeito, alteridade... Cumpram elas outro papel que não o de nossa lápide, sob o olhar zombeteiro e triunfal de Golias.  

Veja também:
http://institutosaofrancisco.com.br/site/artigos_visualizar.php?artigo_autenticacao_=15a5e23b06547be090f6492519efb78a

segunda-feira, 30 de junho de 2014

CARTA À CÂMARA


CARTA À CÂMARA


            Nós, alunos do Sexto Ano da Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade semipresencial (EAD), da EMEF Fidel Zanchetta, saudamos, na pessoa do Presidente desta Casa, a todos aqui presentes. A presente Carta é fruto do Projeto “Saúde Pública: conhecer para exercer”, iniciativa esta interdisciplinar e desenvolvida ao longo do primeiro semestre de 2014. A ideia central do Projeto é a questão da saúde pública em Cachoeirinha e, de forma muito especial, na Vila Fátima e arredores. Queríamos, juntos, entender quais os principais problemas e dificuldades enfrentados por nós e nossas famílias no que diz respeito à saúde. Mais do que isso. Desejávamos que nossa indignação chegasse aos “ouvidos” do Poder Público. Esperamos – e lutaremos por isso – que nosso “grito” traga melhorias na qualidade de vida deste município.

            Ao longo do semestre, fomos instigados a lançarmos um olhar crítico acerca da saúde pública em Cachoeirinha, de forma especial nas regiões onde residimos. Observamos e registramos, através de relatórios escritos e fotografias, a situação de nossos postos de saúde (ou a falta deles...), do descarte do lixo, da precariedade de nossas poucas praças, dos problemas relacionados ao esgoto e escoamento da água das chuvas, da falta de limpeza e manutenção de nossas bocas de lobo, da iluminação pública deficiente, do medo que impera nas ruas em decorrência da flagrante insegurança, entre tantos outros problemas. Aparentemente, e só aparentemente, algumas das situações analisadas estão descoladas da questão da saúde. Ora, chegamos à conclusão que saúde pública só existe de forma plena quando inúmeras outras demandas são atendidas com qualidade. Concluímos, ainda, que os sérios e históricos problemas por nós enfrentados nascem, em grande parte, da forma de se fazer política. Esta última precisa ser séria, comprometida com o interesse coletivo, pautada na ética e voltada à melhoria da qualidade de vida de nossa gente. Somos nós, alunos, que damos sentido à Escola. Somos nós, eleitores, que damos sentido aos partidos políticos. Somos nós, cidadãos, que damos sentido a todos os Poderes do Estado.

            Finalizamos a presente Carta, primeiramente, agradecendo à Vereadora Rosane Lipert, por ter, prontamente, se colocado à disposição em lê-la em Plenário. Segundo, pedimos a esta Casa que invista, ainda mais, na criação de canais permanentes e democráticos de comunicação junto à comunidade, em especial junto aqueles que, apesar de numericamente superiores, compõem, não raras vezes, as chamadas “minorias”. Não apenas nos ouçam, mas estejam atentos às nossas demandas, tensionando os demais poderes desta cidade, em especial o Executivo, para que tais necessidades sejam, de fato, coisa de um passado vergonhoso, porém distante. Nosso muito obrigado!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

MARCAS DA COPA


MARCAS DA COPA
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br




                Esta Copa trará, como provavelmente as anteriores, inúmeras marcas na minha (nossa?) vida. Qual é o real legado da competição? A Copa pouco ou nada acrescenta na qualidade de vida de nosso povo. Mostra-se incapaz de melhorar a saúde, o ensino, a segurança, o saneamento. Exceto, é claro, um “puxadinho” aqui ou acolá, quase sempre voltado ao atendimento dos forasteiros. Coisa para “inglês” (às vezes, literalmente...) ver. O tão falado “padrão FIFA”, infelizmente, soa como fogo de palha. Fugaz e caro. Muito caro. Economicamente, quem ganhou, ganha e – de fato – ganhará com a Copa? Poucos, sem dúvida. O discurso estatal, reforçado por alguns veículos de comunicação – sob o controle de uma elite historicamente distanciada dos interesses da maioria –, apontando os benesses da “invasão” estrangeira não convence. A relação custo-benefício parece desastrosa para nossa gente que, na prática, é quem paga a conta de tamanha farra. Inegavelmente, a Copa anestesia, entorpece os sentidos, em especial aqueles voltados à construção de uma visão crítica. Não de todos, obviamente. Existe uma elite que, sem dúvida, se mostra insensível aos gols e dribles nos gramados das arenas Brasil a fora. Uma elite sorrateira que, estratégica e perfidamente, decide pelo reajuste de tarifas, assinatura de contratos escusos nascidos de licitações suspeitas, alianças político-partidárias espúrias e aprovação de leis questionáveis, por exemplo. A Copa, de per si, não é um problema. Afinal, é mais uma – entre tantas – competição. Envolve poderosos interesses econômicos e políticos de empresários, clubes e confederações. Move uma incontável quantidade de dinheiro, por vezes não contabilizado, lícito ou não, moeda sem pátria e sem bandeira, afinal o capital conhece muito bem o verdadeiro sentido da globalização. Culpar a Copa, seus organizadores e apoiadores pelos atávicos descalabros do “lado debaixo do Equador” soa como ingênuo, senão injusto. É como lançar sobre o vizinho a responsabilidade da enorme e histórica sujeira de nossa própria casa. O torneio aqui no Brasil é, isto sim, inoportuno. Mais parece um escárnio frente à enorme fragilidade e precariedade dos (des)serviços públicos. O sentimento que fica é o mesmo que aflige o filho que nada tem e vê seu pai tratar o estranho a pão de ló. Os pomposos estádios – alguns deles construídos no meio do nada, fadados a virarem caríssimos elefantes brancos sem nenhuma serventia – destoam das ruínas em que se transformaram nossos hospitais, escolas, rodovias e presídios. Assim, qual é o real “legado” da Copa para nosso país? Nenhum que justifique o seu custo. O que representará para esta e as futuras gerações? Nada que pareça razoável e, de fato, significativo. Emoções à parte, a Copa enriqueceu e enriquecerá alguns poucos. Os dividendos tangíveis pertencerão, sobretudo, às empreiteiras, financiamento “paralelo” de campanhas políticas e obtenção de vantagens individuais. O interesse coletivo fica, na melhor das hipóteses, em segundo plano. Contudo, existe um outro legado, intangível. Este é individual, personalíssimo e não necessita de qualquer investimento público ou privado de monta. A Copa tem representado uma ótima oportunidade para reunir as pessoas que amamos e queremos bem. Momento para torcer juntos, partilhar o pão, a pipoca, o pinhão... É grito para todo lado, “linchamento” verbal do juiz, explosão de alegria e indignação. O quarto, a sala, a cozinha, cada peça da casa serve de “arena” privilegiada para nossa algazarra, com a vantagem de dispensar o agiota do ingresso ou do estacionamento. Assim, Copa não precisa ser, necessariamente, sinônimo de alienação, omissão ou condescendência diante das mazelas verde-amarelas. Sirva ela de “ponto de encontro”, de “força centrípeta”, de “fio condutor” para estreitarmos os laços de afeto e (por que não?) aguçar a reflexão acerca do país que temos e aquele que desejamos. O país das “chuteiras”, mas também da saúde, da educação, da arte, da segurança, da igualdade de oportunidades, da seriedade, do trabalho bem remunerado, da justiça social, da ética, do respeito à diversidade. Sobretudo, o país não de uma esperança quimérica, mas de uma esperança alicerçada na ação coletiva e na cumplicidade com a sorte alheia.  
Veja também:
http://institutosaofrancisco.com.br/site/artigos_visualizar.php?artigo_autenticacao_=0d08d4ca84bc0093930d4a1acec61152 

terça-feira, 17 de junho de 2014

FÉ: IGNORÂNCIA DE QUEM?


FÉ: IGNORÂNCIA DE QUEM?
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br
                                                                       
                                                                                                                          


                Lembro, quando ainda pequeno, ficava a imaginar tamanha dificuldade de se professar a fé em tempos idos. Ouvia, durante a “escola dominical”, as narrativas bíblicas do Antigo e Novo Testamentos: A firmeza de Sadraque, Mesaque e Abednego frente ao temido Nabucodonosor, a convicção inabalável de Daniel, mesmo quando lançado – a mando do rei Dario – na cova tomada de leões, a esperança de Pedro, ainda que encarcerado, nos tempos de Herodes... Exemplos não faltam de homens e mulheres que, em nome da fé, arriscaram e, por vezes, perderam a vida acreditando, no fundo, ganhá-la. Tempos difíceis aqueles, sem dúvida. Passados centenas, milhares de anos, a impressão que fica é que involuímos. Escassearam os impérios territoriais de outrora e, com eles, os temidos “vultos” a governarem os povos com mãos de ferro. Avançamos, sem dúvida, no que tange ao reconhecimento e garantia de direitos que, antes, eram privilégio de uma ínfima minoria. A decantada democracia alastrou-se, em especial no chamado mundo ocidental. A dita modernidade e, mais ainda a controversa pós-modernidade, aguçou a liberdade de expressão e de pensamento, trazendo em seu bojo, por exemplo, uma forte ojeriza em relação à homofobia e ao sexismo. Vivemos hoje na chamada “sociedade do conhecimento”, onde o tempo é “líquido” e as relações cada vez mais horizontalizadas. Uma época onde a robótica, a nanotecnologia e a informática caminham a passos largos. Uma sociedade que se diz pautada na ciência e na razão, mas que ironicamente apela diuturnamente para a emoção. Afinal, é esta a mola propulsora do consumismo, pilar central do famigerado Capitalismo. Na verdade, inúmeros outros são os paradoxos criados e alimentados pela modernidade encastelada, por exemplo, e muito comumente, no meio acadêmico. Este apregoa a liberdade, mas satiriza e ridiculariza os que optam por acreditarem nesta ou naquela divindade. Defende a razão, mas deixa escapar a razoabilidade mínima ao menosprezar opiniões dissidentes. Levanta a bandeira da democracia, mas achaca escolhas que não aquelas condizentes com o meio pretensamente letrado da universidade. Fé e razão, necessariamente se contrapõem? Soa como sensato opor a fé à inteligência? Por vezes, silogismos mal intencionados têm feito crer que profissão religiosa seja sinônimo de alienação e atrofia intelectual. Ululante engodo. Exilar a fé em nome da razão representa enorme risco à humanidade. Associar ateísmo a elevado grau de inteligência e discernimento ou, então, fé à obscuridade e caducidade intelectual não passa de simplismo preconceituoso. Ignóbil tendência denuncia, isto sim, o profundo descompasso hoje existente entre o homem e sua espiritualidade. Defender a ideia de um homem puramente racional e agnóstico ofende a sensibilidade e empobrece as relações. A liberdade de crença, mais do que um preceito constitucional é um importante pilar constitutivo da dignidade da pessoa humana. Cerceá-la ou demonizá-la (o que não deixa de ser mais uma entre tantas ironias do meio acadêmico) em nada contribui para o enriquecimento da reflexão, da discussão e da pesquisa, esta última matéria-prima da própria ciência. 
Veja também:
http://institutosaofrancisco.com.br/site/artigos_visualizar.php?artigo_autenticacao_=cec1638b697c1445c5d1c54f55294348

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A UNIÃO EUROPEIA


A UNIÃO EUROPEIA
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                Tudo bem? Saudades de ti. Vamos para mais uma semana na Plataforma? Chegamos até aqui, portanto já és um vencedor... Bom, nos últimos encontros nossa discussão tem girado em torno da Europa, não é mesmo? A presente Atividade (Semana 14) busca lançar algumas reflexões sobre a União Europeia (UE) e, na medida do possível, compará-la ao Mercosul.

                A União Europeia, surgida a partir do antigo Mercado Comum Europeu, foi instituída oficialmente em 1993. É composta por quase três dezenas de países, sendo Bruxelas (Bélgica) sua capital administrativa. A União Europeia funciona a partir de instituições supranacionais independentes, onde a negociação prévia entre seus Estados-membros faz-se indispensável para o bom andamento do referido bloco, até porque os interesses econômicos, políticos, culturais, etc., envolvidos nem sempre são convergentes. A União Europeia instituiu não apenas um “mercado” comum na região, mas estabeleceu, entre outras coisas, uma legislação aplicável aos países partícipes. Dentre as marcas registradas da UE, é possível citar o fim de muitas das barreiras alfandegárias, o livre trânsito de pessoas (cidadãos da UE) por todos os países do bloco, sem a necessidade de passaportes. A ideia é que, cada vez mais, a União Europeia assegure a livre circulação de pessoas, bens, capitais (dinheiro) e serviços. Quanto à moeda do bloco (o euro é a moeda única da União Europeia), foi criada em 1999 a chamada Zona do Euro, ou seja, um grupo de quase vinte países que optou pela substituição das antigas moedas nacionais em nome de uma moeda única.

                O surgimento da União Europeia, ao que tudo indica, fortaleceu a economia e competitividade da Europa frente à hegemonia econômica dos Estados Unidos. Assim, hoje, apesar da UE representar apenas 7,3% da população mundial, gera um Produto Interno Bruto (PIB) equivalente a 20% do PIB da Terra. Vale lembrar, contudo, que nem tudo é “alegria” na UE. Assim, não são incomuns movimentos contrários ao bloco, iniciativas estas que denunciam o avanço do desemprego, a perda no poder de compra, a descaracterização das culturas locais, entre outros. Grupos anarquistas, xenófobos e nacionalistas, por exemplo, vêm ganhando espaço na mídia, nas ruas e nas mais diversas instâncias governamentais.

                O surgimento da União Europeia não surpreende. É, na verdade, a confirmação de uma tendência do atual processo de Globalização. A atual Ordem Mundial (que substituiu aquela outra, bipolar, do período da chamada Guerra Fria) pressupõe a formação de blocos econômicos, como a UE e o Mercosul. Este último, do qual faz parte o Brasil, pouco avançou no que diz respeito à real integração entre os países signatários. As barreiras alfandegárias (a maioria delas...), o trânsito de pessoas, a adoção de uma legislação comum aos países, etc., ainda seguem com entraves aparentemente intransponíveis.





OS SETORES DA ECONOMIA NO CONTINENTE EUROPEU


OS SETORES DA ECONOMIA
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                Grosso modo, é possível afirmarmos – conforme discutimos no último encontro – serem três os “setores” da economia. Antes, porém, vamos relembrar o que é mesmo “economia”? O conceito por nós utilizado em aula associa o termo à ideia de qualquer atividade lícita voltada à sobrevivência e, por vezes, obtenção de lucro. Assim, é possível afirmarmos que nem tudo que compõe a economia deste país compõe a de outro, certo? Existem atividades que no Brasil são lícitas e fora dele não o são ou vice-versa.

                O Setor Primário é formado pela agricultura, pecuária, bem como pelos extrativismos vegetal e animal. Vale lembrar, ainda, que existem alguns tipos de agricultura e pecuária, por exemplo. A agricultura de subsistência é aquela caracterizada, via de regra, pelo trabalho familiar e emprego de técnicas bastante rudimentares (arado de boi, enxada, etc.), enquanto a agricultura comercial tem seu foco na venda daquilo que é cultivado, muitas vezes assentada na utilização de técnicas e máquinas modernas de plantio e de colheita. A pecuária, por sua vez, pode ser classificada em “intensiva” e “extensiva”. A primeira delas diz respeito à criação de animais mediante o uso de moderna tecnologia, como a engenharia genética, a biotecnologia, a inseminação artificial, entre outras. Já a pecuária extensiva é aquela, muito comum nos países subdesenvolvidos, onde a criação se dá de forma primitiva, tendo por consequência, quase sempre, a baixa produtividade. Os extrativismos vegetal e animal, como já dito, também fazem parte do Setor Primário. O extrativismo, só para relembrar, é toda atividade que retira da natureza sem ter colocado como, por exemplo, a pesca em meio ao rio ou a retirada do látex junto às seringueiras. No Brasil, conforme a época e a espécie, a pesca e a caça, por exemplo, são permitidas ou não.

                O Setor Secundário, por sua vez, diz respeito, basicamente, à indústria e ao extrativismo mineral. Por que este último insere-se no Secundário e não no Primário? Porque depende de um processo de transformação, sendo que – em regra – somente a partir daí é que passa a ter valor econômico. Finalmente, o Setor Terciário engloba o comércio e a prestação de serviços. Vale lembrar que, normalmente, este Setor está diretamente ligado ao Secundário. Países bastante industrializados, muito comumente, têm um Setor Terciário bastante rico e diversificado. Já nos países pouco industrializados, quase sempre subdesenvolvidos, o Terciário deixa a desejar.

                A Europa, como temos visto em nossas aulas, é um continente com um número significativo de países desenvolvidos, onde o Setor Secundário (acompanhado do Terciário) merece destaque, enquanto o Setor Primário caracteriza-se por ser do tipo “intensivo”, ou seja, altamente produtivo, graças ao uso de moderna tecnologia.  


EUROPA: QUADRO NATURAL


EUROPA: QUADRO NATURAL
Prof. Gilvan
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                Quando se fala em “quadro natural” estamos nos referindo aos aspectos físicos de um lugar. Portanto, diz respeito a aspectos como clima, vegetação, relevo e hidrografia. A Europa tem como clima predominante o temperado. Sabes o que é um clima temperado? É aquele que aparece nas áreas entre os Trópicos (Câncer e Capricórnio) e os Círculos Polares (Ártico e Antártico). O clima temperado caracteriza-se por apresentar as quatro estações do ano bem definidas. É um clima de invernos, normalmente, bastante rigorosos e verões com temperaturas agradáveis. Entretanto, é bom lembrarmos, que as temperaturas de uma determinada região sofrem influência não apenas da latitude (diferença em graus entre um determinado ponto da Terra e a linha do Equador), mas de inúmeros outros fatores como, por exemplo, altitude, continentalidade, maritimidade e massas de ar. A vegetação predominante no clima temperado oceânico, mais próximo ao litoral, são as florestas temperadas, onde despontam na paisagem os tão conhecidos pinheiros (em forma de “cone”, não as araucárias típicas do Rio Grande do Sul). Já no clima temperado continental (mais para o interior do continente), há o predomínio das estepes (muito semelhantes aos nossos campos aqui no Rio Grande do Sul). Outro clima importante no continente europeu é o polar. Este aparece, sobretudo, no extremo norte da Europa. É um clima marcado por temperaturas muito baixas, além de possuir apenas duas estações: inverno (noites mais longas, que às vezes – dependendo da latitude – podem durar meses) e verão (dias mais longos, que às vezes – também dependendo da latitude, podem durar meses). Apesar das dificuldades, importantes povos vivem nas áreas sob o domínio do clima polar. A vegetação dominante na região é a tundra, caracterizada por ser pobre e rasteira, boa parte do tempo coberta por gelo. Finalmente, um outro clima que gostaríamos de destacar aqui é o mediterrâneo, clima este com características muito parecidas com o nosso clima subtropical. Nas áreas cobertas pelo clima mediterrâneo, há o predomínio de um tipo de vegetação que leva o mesmo nome.

                Quanto ao relevo, a Europa é pouco acidentada, com destaque para as planícies (terras baixas). Planaltos (áreas, até certo ponto, também planas, porém mais altas do que as planícies) e cadeias montanhosas são comuns no continente, especialmente mais ao sul. O relevo europeu pode ser considerado “jovem”, daí não ser incomum abalos sísmicos, por exemplo, na parte mais meridional da Europa. No que tange à hidrografia (conjunto de águas naturais), o continente possui uma grande quantidade de rios (de planície e de planalto), contudo de pequena extensão.


EUROPA: LOCALIZAÇÃO



EUROPA: LOCALIZAÇÃO
Prof. Gilvan
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                A Europa é o penúltimo continente em extensão (só à frente da Oceania) e o quarto em população (ultrapassado pela Ásia, África e América, respectivamente). Por outro lado, o continente europeu é o que, de longe, abriga o maior número de países desenvolvidos. Cerca de cinquenta países a compõem, muitos deles com elevado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

            A Europa está localizada totalmente no hemisfério norte (na parte setentrional da linha do Equador) e quase que na sua totalidade no hemisfério oriental (a leste do meridiano de Greenwich). É cortada pelo meridiano inicial e pelo Círculo Polar Ártico, estando localizada, portanto, nas zonas climáticas temperada norte e polar norte. No que tange aos limites, o continente europeu tem ao norte o Oceano Glacial Ártico, ao sul o Mar Mediterrâneo, a oeste o Oceano Atlântico e a leste os Montes Urais e os Mares Cáspio e Negro.

            Muitos autores preferem falar em Eurásia, ou seja, um único continente formado pela Europa e Ásia. Tal iniciativa nada tem de equivocada, desde que olhada sob os aspectos físicos (clima, relevo, vegetação, hidrografia), isto porque do ponto de vista socioeconômico, cultural e histórico, Europa e Ásia guardam profundas e, muitas vezes, irreconciliáveis diferenças. 


A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E OS TRABALHADORES


A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E OS TRABALHADORES
Prof. Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br

                A Revolução Industrial, iniciada em meados do século XVIII, na Inglaterra, trouxe consigo inúmeras transformações. Desencadeou, por exemplo, um intenso processo de urbanização (desordenado!), servindo as fábricas como força centrípeta em relação à mão-de-obra saída do campo. As cidades, frente ao fenômeno acima, incharam, fomentando profundas modificações nas relações de produção. Segundo muitos autores, nasceu aí o chamado Capitalismo Industrial, distinto do Mercantilismo típico da Idade Moderna (entre os séculos XVI e XVIII). À época da chamada Revolução Industrial, a situação dos trabalhadores ingleses (proletariado, segundo Marx) era – quase sempre – de avassaladora miséria. Inexistiam leis trabalhistas voltadas à proteção da classe operária, sendo comuns cargas horárias extenuantes e desumanas. A exploração do trabalho humano era a tônica, não sendo poupadas mulheres e nem tampouco crianças. Estas frequentemente eram usadas, principalmente na indústria têxtil, como uma espécie de “extensão” do trabalho de suas mães, sem qualquer retribuição pecuniária pelo trabalho prestado. Acidentes de trabalho eram comuns no ambiente de trabalho, sem qualquer preocupação com a segurança ou com a saúde da classe proletária.
                As péssimas condições de trabalho verificadas nas fábricas durante a Primeira e Segunda Revoluções Industriais, acabaram contribuindo para o surgimento de movimentos como o do Socialismo. Aqui, sem dúvida, merece destaque o chamado Marxismo. Este verá a história a partir de uma ótica determinista, alegando ser a “luta de classes” a mola propulsora das transformações sociais. Marx responsabilizava a “mais-valia” levada a cabo pelos patrões (donos do capital) como desencadeadora das grandes mazelas sociais. A teoria marxista se contrapunha ao chamado “Liberalismo Econômico”, já que este último via – ao contrário de Marx – a interferência do Estado (Poder Público) como estorvo ao desenvolvimento econômico e social.

                A partir das últimas décadas do século XX (1980 em diante), apesar de ainda se verificar resquícios do marxismo – especialmente nos discursos de alguns partidos ditos de “esquerda” –, o que se viu foi o avanço do Neoliberalismo, com flagrantes prejuízos às classes menos favorecidas, especialmente nos países subdesenvolvidos. 

OS SETORES DA ECONOMIA


OS SETORES DA ECONOMIA
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                Grosso modo, é possível afirmarmos – conforme discutimos no último encontro – serem três os “setores” da economia. Antes, porém, vamos relembrar o que é mesmo “economia”? O conceito por nós utilizado em aula associa o termo à ideia de qualquer atividade lícita voltada à sobrevivência e, por vezes, obtenção de lucro. Assim, é possível afirmarmos que nem tudo que compõe a economia deste país compõe a de outro, certo? Existem atividades que no Brasil são lícitas e fora dele não o são ou vice-versa.

                O Setor Primário é formado pela agricultura, pecuária, bem como pelos extrativismos vegetal e animal. Vale lembrar, ainda, que existem alguns tipos de agricultura e pecuária, por exemplo. A agricultura de subsistência é aquela caracterizada, via de regra, pelo trabalho familiar e emprego de técnicas bastante rudimentares (arado de boi, enxada, etc.), enquanto a agricultura comercial tem seu foco na venda daquilo que é cultivado, muitas vezes assentada na utilização de técnicas e máquinas modernas de plantio e de colheita. A pecuária, por sua vez, pode ser classificada em “intensiva” e “extensiva”. A primeira delas diz respeito à criação de animais mediante o uso de moderna tecnologia, como a engenharia genética, a biotecnologia, a inseminação artificial, entre outras. Já a pecuária extensiva é aquela, muito comum nos países subdesenvolvidos, onde a criação se dá de forma primitiva, tendo por consequência, quase sempre, a baixa produtividade. Os extrativismos vegetal e animal, como já dito, também fazem parte do Setor Primário. O extrativismo, só para relembrar, é toda atividade que retira da natureza sem ter colocado como, por exemplo, a pesca em meio ao rio ou a retirada do látex junto às seringueiras. No Brasil, conforme a época e a espécie, a pesca e a caça, por exemplo, são permitidas ou não.

                O Setor Secundário, por sua vez, diz respeito, basicamente, à indústria e ao extrativismo mineral. Por que este último insere-se no Secundário e não no Primário? Porque depende de um processo de transformação, sendo que – em regra – somente a partir daí é que passa a ter valor econômico. Finalmente, o Setor Terciário engloba o comércio e a prestação de serviços. Vale lembrar que, normalmente, este Setor está diretamente ligado ao Secundário. Países bastante industrializados, muito comumente, têm um Setor Terciário bastante rico e diversificado. Já nos países pouco industrializados, quase sempre subdesenvolvidos, o Terciário deixa a desejar.


                O Brasil, apesar de ser um país subdesenvolvido, tem uma economia rica e diversificada, onde todos os “setores” mostram-se importantes. Convive-se, aqui no país, com práticas econômicas típicas do mundo desenvolvido, lado a lado com atividades e práticas um tanto que primitivas. Somos um país de profundas desigualdades e contradições, característica esta que acaba por marginalizar enormes parcelas de nossa população.  

A FORMAÇÃO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO


A FORMAÇÃO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
Prof.Gilvan
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                O Brasil, hoje, é o quinto maior país da Terra, o terceiro da América e o primeiro do continente latino-americano. Contudo, a grandeza do território brasileiro é fruto de séculos de história. Quando da chegada dos portugueses ao Brasil, por exemplo, na virada do século XV para o XVI, o país tinha proporções muito menores do que as de hoje, limites estes trazidos pelo famoso Tratado de Tordesilhas. Este fora assinado em 1494. Os países signatários eram Portugal e Espanha, duas das maiores potências econômicas e políticas da época. Tamanha era a influência desses países, que se deram ao direito – sob o olhar conivente da Igreja – de repartirem as terras a serem descobertas entre eles. O acordo estabelecia que as terras a oeste da linha imaginária traçada estariam sob o domínio espanhol, enquanto as que estivessem a leste pertenceriam, por direito, a Portugal. Assim, mesmo antes de ter sido “oficialmente” descoberto (1500), parte do que hoje é o Brasil já pertencia à Coroa portuguesa. Ao longo dos anos, inúmeros tratados (como o de Madri em 1750 e o de Santo Ildefonso, em 1777) foram dando ao Brasil os atuais contornos. A expansão do território brasileiro, vale lembrar, esteve marcado, também, por inúmeros conflitos – inclusive bélicos – com outros países. Só recentemente (1903), por exemplo, foi anexado de maneira definitiva o estado do Acre. Ainda hoje, a busca pelo alargamento territorial é algo presente. Prova disso é a intenção do país em rediscutir sua fronteira marítima, afinal o Atlântico guarda um “oceano” de riquezas e recursos naturais, como gás e petróleo.

                A ocupação humana e a distribuição populacional acompanharam o processo de formação do território brasileiro. Desde muito cedo, os principais aglomerados se fixaram junto ao litoral. Logo após a chegada dos portugueses, por exemplo, a economia estava fundada no extrativismo vegetal (pau-brasil), servindo a costa como porto de embarque da mercadoria. Não muito diferente foi o chamado Ciclo da Cana (séculos XVI e XVII), onde cabia às áreas litorâneas a maior parte do cultivo da cana-de-açúcar. Já o Ciclo do Ouro (século XVIII), contribuiu significativamente para a interiorização da população, ávida pelas jazidas localizadas, principalmente, na região do atual estado de Minas Gerais. Ainda assim, era (e, de certa forma, continua sendo) enorme a diferença quantitativa entre a população litorânea e aquela assentada no “interior” (centro e oeste do país) do território. O deslocamento da capital federal para Brasília (1961), por exemplo, tinha entre seus objetivos uma maior ocupação humana das áreas mais centrais do país.


                Conclui-se, portanto, ser de fundamental importância remontarmos ao passado para compreendermos o presente. Não é produto do acaso a irregular distribuição populacional pelo território nacional. Ao contrário, é resultado de interesses econômicos e políticas governamentais, muitas delas equivocadas. 

BRASIL: PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS



BRASIL: PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
Prof. Gilvan
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                O Brasil, por certo, é um país complexo. Contudo, pretende-se aqui traçar algumas de suas características mais marcantes, muito mais para fins didáticos do que com o objetivo de aprofundar – ou, menos ainda, esgotar – o assunto. O Brasil é, grosso modo, um país americano, tropical e subdesenvolvido. É “americano” por estar localizado na América. Ocupa no continente o terceiro lugar em tamanho (perdendo para o Canadá e os Estados Unidos, respectivamente), sendo, entretanto, o maior país da América Latina. O Brasil é, ainda, o quinto maior país da Terra.  

Por que “tropical”? Porque está localizado em quase sua totalidade na chamada Zona Intertropical (entre os trópicos de Câncer e Capricórnio), localização esta com profundas consequências, por exemplo, no clima (predominantemente, tropical) e na vegetação. Nosso país é cortado pela linha do Equador (mais ao norte) e pelo trópico de Capricórnio (mais ao sul), estando, portanto, localizado quase que totalmente no hemisfério sul e totalmente no hemisfério ocidental.

                Finalmente, o Brasil pode ser considerado um país “subdesenvolvido”. Você sabe o que isso significa? Apesar de estar entre as maiores economias do mundo, de possuir invejáveis recursos naturais (minérios, hidrografia privilegiada, vegetação exuberante, etc.), infelizmente a maioria da população segue à margem de uma boa qualidade de vida. Saúde, segurança, ensino, moradia, transporte, saneamento, etc., de qualidade são privilégio de uma pequena parcela de nossa gente. Impera no Brasil o desrespeito aos mais elementares direitos assegurados na Constituição, situação esta perpetuada por um Estado (governo) comprometido com os interesses de uma poderosa elite que, historicamente, busca – a todo custo – manter seus privilégios.

                

DESASTRES AMBIENTAIS: RESPONSABILIDADE DE QUEM?


DESASTRES AMBIENTAIS: RESPONSABILIDADE DE QUEM?
Prof. Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Vulcões, terremotos, maremotos, tsunamis, chuvas torrenciais, estiagens intermináveis... Os chamados desastres ambientais suscitam inúmeras reflexões. A primeira delas: desastre para quem? Para natureza, em princípio, absolutamente não! Afinal, vale lembrar, a história de nosso planeta (4,5 bilhões de anos) sempre esteve marcada pelos “eventos” em questão. Mais do que um problema, eles representam o próprio “pulsar” da Terra. Denunciam a dinâmica desta última, contribuindo – não raras vezes – para obtenção do necessário equilíbrio. Os abalos sísmicos contribuem, por exemplo, para a justaposição das placas tectônicas. Os vulcões, por sua vez, liberam a poderosa energia do magma concentrado no centro do planeta. Depreende-se, portanto, da primeira reflexão, que a eventual catástrofe é para o homem, mas não o é para a Terra. A segunda questão que surge da discussão diz respeito ao nosso papel frente aos fenômenos naturais. Por que sofremos? Por que alguns sofrem mais do que outros? Por que, por exemplo, terremotos de grandes magnitudes produzem poucos estragos em algumas regiões, enquanto abalos de menor proporção arrasam populações inteiras? Por que o mesmo tipo de fenômeno passa despercebido aqui, enquanto acolá dizima povoados, vilas e cidades? O que se vê, na verdade, é que as consequências dos fenômenos naturais são, quase sempre, diretamente proporcionais à qualidade de vida dos países envolvidos. Assim, pode-se dizer que, em grande parte, os chamados “desastres ambientais” são uma questão (também) política. Há uma profunda e histórica relação entre políticas públicas (ou a falta delas) e as consequências advindas dos eventos naturais. Países onde prevalece o descaso com saneamento, saúde, infraestrutura, educação, segurança tendem a sofrer infinitamente mais do que aqueles onde o Estado mantém uma relação de “coesão” (respeito) com a sociedade. Portanto, não parece correto e nem tampouco inteligente lançar sobre a natureza a responsabilidade sobre eventuais (às vezes não tão eventuais...) desastres materiais e/ou humanitários. Até porque a Terra seguirá, indiferente, seu curso, de uma forma ou de outra. Ao homem cabe usar de todos os meios para minimizar os danos decorrentes dos “ajustes” naturais, meios estes que passam necessariamente por investimentos na qualidade de vida da população. 

MEIOS E FORMAS DE LOCALIZAÇÃO


MEIOS E FORMAS DE LOCALIZAÇÃO
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                A necessidade de orientar-se é tão antiga quanto o próprio homem. Este, desde as eras mais remotas de sua existência sempre dependeu da orientação como forma de sobrevivência. A busca do alimento, a necessidade de locais seguros, a esperança de uma terra onde jorrasse “leite e mel”, a descoberta de locais estratégicos para defesa e ataque em relação aos inimigos eram e, até certo ponto, continuam sendo, apenas alguns entre tantos outros motivos para o homem, desde a chamada Pré-História, preocupar-se com a orientação espacial. É bem verdade que as formas de orientação e localização foram mudando e se aprimorando ao longo do tempo. Outrora, restava ao homem pré-histórico e da Antiguidade, por exemplo, observar os astros, afinal eram estes últimos a principal, senão única, forma de localização. A dependência dos mesmos era vital. Mais tarde, os mapas, mesmo que inicialmente simples, foram assumindo lugar de destaque enquanto forma de localização. Hoje, existe uma gama infindável de mapas, desde aqueles que “descrevem” pequenos espaços geográficos até aqueles que retratam enormes espaços e distâncias, sendo imprescindível a compreensão das escalas e das legendas, por exemplo. Outra forma de orientação que ganhou destaque, especialmente a partir das Grandes Navegações (passagem da Idade Média para Moderna), foi a bússola, instrumento este que toma por base a conhecida Rosa dos Ventos. Hodiernamente, o GPS (Global Positioning System) ou Sistema de Posicionamento Global, tem assumido fundamental papel no que tange à localização. Esta tem se tornado cada vez mais precisa, contando com os avanços tecnológicos e a utilização de satélites de altíssima performance. Apesar da alta tecnologia, o GPS tem como “plataforma” algumas noções que de novas pouco têm. A lógica utilizada por ele é a das coordenadas geográficas, ou seja, o cruzamento de meridianos (longitude) e paralelos (latitude). Finalmente, é bom lembrarmos que – como a maioria das iniciativas e inventos – as mesmas formas e instrumentos de orientação e localização que contribuem para os avanços e descobertas da humanidade servem, também, para o aniquilamento e destruição de nossa espécie. A mesma tecnologia que “salva”, também é capaz de “matar”. Não por acaso as guerras e conflitos de toda sorte têm sido cada vez mais avassaladoras. 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

ÉRAMOS SEIS


ÉRAMOS SEIS[1]
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Tamanho não é documento, diz um conhecido ditado. Ao que tudo indica, a máxima tem uma grande dose de verdade. Conheci um grupo de alunos que, apesar da insignificância numérica (apenas SEIS!!!), mais faziam lembrar a Batalha das Termópilas. Ao invés de espartanos, singelos trabalhadores, estudantes de um Curso Técnico da capital gaúcha: Bruna, Célia, Fabiano, Jefferson, Victor e João. Nomes simples, sobrenomes pouco conhecidos, estirpes sem grandes pompas. No lugar do temido exército persa, os inúmeros e complexos desafios do cotidiano. A fadiga do corpo, o cansaço da mente, o ônibus lotado, a fome a embrulhar o estômago após horas e horas de jejum, o tempo longe da família, as intermináveis contas a vencerem no final do mês, a insegurança noturna, as explanações teóricas do professor de Direito do Trabalho... Nada, absolutamente nada parecia demovê-los de seus sonhos. Nadando contra a maré, teimavam em avançar em meio ao território inóspito de inimigos corpóreos e invisíveis. Pessimismo, derrotismo e medo eram sentimentos que passavam de largo. Era vir alguém tentar fazê-los desistirem, compactamente formavam uma barreira intransponível, sedimentada pela coesão não do ferro ou do aço, mas da união do grupo. Mexer com um era mexer com todos eles. Demonstravam saber, na prática, o que muitos teóricos e filósofos tentavam explicar por meio de palavras. A vitória não é uma conquista individual, mas produto de uma vontade que é coletiva. Esperanças que se entrelaçam, que se misturam, que se tangenciam. As personagens da história que se passa em Porto Alegre em nada deixam a desejar para aquelas da Antiguidade. Como esquecer a história de Menelau e Helena, ou seria de Fabiano e Bruna? Casais que, em comum, têm suas vidas marcadas pelo amor incondicional. As barreiras, mesmo que maiores do que o Olimpo, têm o efeito contrário ao da separação. Torna-os, isto sim, mais unidos, solidários, cúmplices quanto à sorte um do outro. Sabem que os dissabores e intempéries fortalecem a relação e atestam a confiança recíproca. Como esquecer do sonho empreendedor do Victor ou do jeito um tanto que despojado do Jefferson? Impossível olvidar o esforço da Célia que, fosse outra, estaria metida em suas chinelas a desfrutar do calor junto à lareira, sorvendo um bom cálice de vinho. Ah, ainda tem o João e toda sua preocupação com os aspectos formais de um Curriculum Vitae. Soubesse ele que, por si só, é uma pessoa especial, única, singular. Tudo o “resto”, por certo, agrega à vida, portanto deve ser levado em conta. Certificados, diplomas, cursos de formação... Entretanto, vale lembrar – como diz a letra de uma música de outrora –, tudo passa, mas o que permanece é o AMOR.




[1] Texto em agradecimento aos alunos do CETERG pela paciência e confiança depositada neste humilde professor. Motivado por questões pessoais, estou me despedindo do Curso. Fico à disposição de todos vocês para auxiliar no que for preciso. Muito obrigado! 

sábado, 26 de abril de 2014

(IN)FELIZ ANIVERSÁRIO!


(IN)FELIZ ANIVERSÁRIO
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                O último dia vinte e dois de abril, quando da passagem pelos quinhentos e quatorze anos do chamado “descobrimento” do Brasil, fez-me lembrar de uma mulher[1] avassaladora, mas fútil. Exuberante, porém vulgar. Corpanzuda, entretanto moral e eticamente mesquinha. Maria-chuteira embalada pela preguiça regada a sonhos de um casamento bem sucedido. Daquele tipo que posa no face com “biquinho” e tudo – não suporta estar à margem do que entende ser moda –, metida em roupas tidas por sensuais, enquanto o quarto, propositadamente às escondidas do foco da webcam, mais parece um entulho de lixo. A aparência, segundo ela, é o que importa. O fétido cheiro advindo do chorume que impregna a casa inteira, desde que não flagrado pelo vizinho, é apenas um detalhe. Uma mulher que apesar dos anos, segue imatura, entregue a devaneios e desejos muito além de suas posses. Doentiamente, segue acreditando num futuro que não chega. Tola e imbecilmente, teima em dar ouvidos às promessas de mal-intencionados que, após se deleitarem com o corpo dela, dão-lhe as costas e se voltam para seus próprios umbigos. Uma mulher que serve caviar às visitas, especialmente aquelas de além-mar, mas que aos filhos nada mais dá do que migalhas. Uma mulher que para preservar as “amizades” – feito cisternas rotas –, relativiza todos os seus valores, perdendo por completo sua individualidade. Promíscua, não perde tempo em lançar-se nos braços de quem acene com algum instante de prazer, mesmo que tênue e meteórico, já que a dor e a frustração causam-lhe pânico. Talvez por isso, a espera, a paciência, o planejamento a médio e longo prazos, o esforço, o trabalho árduo, a pesquisa e qualquer outra espécie de esforço físico ou mental soam-lhe tormentosas. À mulher, servem de modelo as “amigas” do Velho Mundo e a eterna “senhoria” do Norte, na maneira de vestir, comer e nos trejeitos de caça-homem, desde que o aprendizado não requeira renúncia à indolência e ao ócio infértil. Uma mulher pidona e sovina. Por um lado, extorque todos a quem pode, mediante promessas e, quando estas não convencem, apela para ameaças e intimidações. Por outro lado, é uma mulher que resiste em dividir o que tem com aqueles que, por direito, são os verdadeiros herdeiros de um Eldorado mal conhecido. Uma mulher que vive de apostas, que se acostumou aos “puxadinhos” e gambiarras só para inglês ver. Uma mulher dada ao vício e ao torpor nauseante que resseca as narinas e embrutece o cérebro. Vidrada nas teledramaturgias e reality shows, mostra-se incapaz de separar alhos e bugalhos. Para ela, virtual, real e ideal são sinônimos. Recusa-se a discutir política e faz desta última a grande algoz de seus dissabores. Faz da urna sua latrina, assim como do livro seu mouse pad, viajando pela “rede” e, ironicamente, nela se emaranhando. Mulher a escamotear, por meio de maquilagens pagas a preço de ouro, uma depressão que parece não ter fim, amedrontada pela violência que alimenta a insônia. O batom avermelhado ou em verde-amarelo lambuzando a boca só agrava a triste figura da mulher. Para ela, as mais de quinhentas velinhas apontam, ao mesmo tempo, para um passado inglório e para um futuro incerto.
Veja também:
http://institutosaofrancisco.com.br/site/artigos_visualizar.php?artigo_autenticacao_=1423c72e086083cccf565767ec7e0d20





[1] Não me entendam mal as mulheres, não se trata aqui de “gênero”, mas tão-somente de uma “adaptação” textual. 

sábado, 19 de abril de 2014

CONJUNTIVITE


 CONJUNTIVITE
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Dez dias. Não aguentava mais. Olhar o mundo como que pela metade era algo, por demais, sofrível. Perdera a conta de quantos curativos descartáveis, embebidos em chá de camomila, depositara sobre o dito cujo. Sem falar, é claro, no oceano de gotas a pingar do colírio. Cada uma delas causava-lhe certo mal estar, menos pelo contato com a córnea do que pelo risco de desembolsar mais um punhado de reais na compra de um novo frasco. Melhor, “frasquinho”, não mais do que 05 (CINCO!!!!) mililitros de um composto que, pelo preço, devem ter sido extraídos direto do trono divino. Devia ser benta aquela água, tamanho o valor cobrado pelas farmácias. Apesar disso, o colírio parecia ser feito leite, adulterado. Passado tantos dias, o olho direito seguia encarnado e, quase que totalmente, fechado. Fora aquela dor que surgia cada vez que deslocava o olhar para esta ou aquela direção... Dirigir soava como um flagelo, ainda mais quando havia claridade, natural ou artificial. Resumindo, sempre! A sensação de estar sendo observado pelos outros era ainda pior. A impressão é que a velhinha do supermercado, já à beira da morte, parecia mais preocupada em encará-lo (ao OLHO!) do que com o degrau a sua frente. Até os pequenos não deixavam passar em branco. Lançavam o olhar em direção à vista inchada e começavam a chorar. Eles e o cara do olho. A maldita conjuntivite parecia ter hora certa para lacrimejar. Bastava ter alguém por perto e lá estava ela a se manifestar. Gostava de chamar atenção. Mais fazia lembrar aquelas mulheres de cabaré barato, enfiadas em seus vestidos avermelhados, ancas enormes e coxas carnudas. Tudo, menos passarem despercebidas. A conjuntivite, da mesma forma. Feito marafona, insiste em dormir com a gente. Por mais que tentemos escondê-la, sempre dá as caras. Tipo aquele primo chato! A gente conversa daqui e desconversa dali, rezando para o sujeito ir embora, e nada. Consulta o relógio, boceja de forma grosseira e o primo segue inerte, nada de tomar suas coisas e se despedir. Até que bate o desespero: apela-se para os arrotos e flatulências. O sujeito nem de perto esboça um adeus. A conjuntivite, com ela, é a mesma coisa. Talvez, a única vantagem desta sobre aquele é que a conjuntivite, normalmente, é menos frequente e mais espaçada em suas “visitas”. É verdadeira estraga-prazer. Pior do que uma conjuntivite é tê-la em véspera de feriadão. Sabe, daqueles feriados que a humanidade espera décadas, séculos, milênios para ter? Feriados mais incomuns do que o encontro, na mesma órbita, da Terra, da Lua, do Sol e de todos os planetas e corpos celestes de nosso sistema? Pois é... Cinco dias de feriado (o mesmo número de mililitros do maldito frasco: merda de coincidência!). Todo esse tempo em casa, sob uma espécie de lusco-fusco para não agredir o olho machucado. Todos lançam sobre o infeliz um olhar de desaprovação: a mulher, os filhos, até mesmo o cachorro... Praia? Serra? Shopping? Não, nada disso. Casa! Dispensável é dizer que são dias de absoluta carestia sexual. Fazer o quê? Sexta-feira santa, diriam as carolas de plantão. Nenhum prazer. Pior, acumulando sobre a mesa da sala de jantar um incontável número de provas, trabalhos e planos de aula para serem corrigidos, revisados e retomados. Pareciam zombar do estado vil do sujeito com olho avermelhado. Pareciam desafiá-lo, certos da impotência do coitado. Atormentá-lo, ao que se via, também parecia ser intento de todo aquele material infame, perverso e desumano. Não fosse a conjuntivite forte aliada da inércia laboral, veriam eles o que é bom p’ra tosse. Quanto ao olho... Próxima semana, a gente conversa. 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

EUROPA: QUADRO NATURAL


EUROPA: QUADRO NATURAL
Prof. Gilvan
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                Quando se fala em “quadro natural” estamos nos referindo aos aspectos físicos de um lugar. Portanto, diz respeito a aspectos como clima, vegetação, relevo e hidrografia. A Europa tem como clima predominante o temperado. Sabes o que é um clima temperado? É aquele que aparece nas áreas entre os Trópicos (Câncer e Capricórnio) e os Círculos Polares (Ártico e Antártico). O clima temperado caracteriza-se por apresentar as quatro estações do ano bem definidas. É um clima de invernos, normalmente, bastante rigorosos e verões com temperaturas agradáveis. Entretanto, é bom lembrarmos, que as temperaturas de uma determinada região sofrem influência não apenas da latitude (diferença em graus entre um determinado ponto da Terra e a linha do Equador), mas de inúmeros outros fatores como, por exemplo, altitude, continentalidade, maritimidade e massas de ar. A vegetação predominante no clima temperado oceânico, mais próximo ao litoral, são as florestas temperadas, onde despontam na paisagem os tão conhecidos pinheiros (em forma de “cone”, não as araucárias típicas do Rio Grande do Sul). Já no clima temperado continental (mais para o interior do continente), há o predomínio das estepes (muito semelhantes aos nossos campos aqui no Rio Grande do Sul). Outro clima importante no continente europeu é o polar. Este aparece, sobretudo, no extremo norte da Europa. É um clima marcado por temperaturas muito baixas, além de possuir apenas duas estações: inverno (noites mais longas, que às vezes – dependendo da latitude – podem durar meses) e verão (dias mais longos, que às vezes – também dependendo da latitude, podem durar meses). Apesar das dificuldades, importantes povos vivem nas áreas sob o domínio do clima polar. A vegetação dominante na região é a tundra, caracterizada por ser pobre e rasteira, boa parte do tempo coberta por gelo. Finalmente, um outro clima que gostaríamos de destacar aqui é o mediterrâneo, clima este com características muito parecidas com o nosso clima subtropical. Nas áreas cobertas pelo clima mediterrâneo, há o predomínio de um tipo de vegetação que leva o mesmo nome.

                Quanto ao relevo, a Europa é pouco acidentada, com destaque para as planícies (terras baixas). Planaltos (áreas, até certo ponto, também planas, porém mais altas do que as planícies) e cadeias montanhosas são comuns no continente, especialmente mais ao sul. O relevo europeu pode ser considerado “jovem”, daí não ser incomum abalos sísmicos, por exemplo, na parte mais meridional da Europa. No que tange à hidrografia (conjunto de águas naturais), o continente possui uma grande quantidade de rios (de planície e de planalto), contudo de pequena extensão.


EUROPA: LOCALIZAÇÃO


EUROPA: LOCALIZAÇÃO
Prof. Gilvan
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                A Europa é o penúltimo continente em extensão (só à frente da Oceania) e o quarto em população (ultrapassado pela Ásia, África e América, respectivamente). Por outro lado, o continente europeu é o que, de longe, abriga o maior número de países desenvolvidos. Cerca de cinquenta países a compõem, muitos deles com elevado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

            A Europa está localizada totalmente no hemisfério norte (na parte setentrional da linha do Equador) e quase que na sua totalidade no hemisfério oriental (a leste do meridiano de Greenwich). É cortada pelo meridiano inicial e pelo Círculo Polar Ártico, estando localizada, portanto, nas zonas climáticas temperada norte e polar norte. No que tange aos limites, o continente europeu tem ao norte o Oceano Glacial Ártico, ao sul o Mar Mediterrâneo, a oeste o Oceano Atlântico e a leste os Montes Urais e os Mares Cáspio e Negro.

            Muitos autores preferem falar em Eurásia, ou seja, um único continente formado pela Europa e Ásia. Tal iniciativa nada tem de equivocada, desde que olhada sob os aspectos físicos (clima, relevo, vegetação, hidrografia), isto porque do ponto de vista socioeconômico, cultural e histórico, Europa e Ásia guardam profundas e, muitas vezes, irreconciliáveis diferenças. 


A FORMAÇÃO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO


A FORMAÇÃO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
Prof.Gilvan
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                O Brasil, hoje, é o quinto maior país da Terra, o terceiro da América e o primeiro do continente latino-americano. Contudo, a grandeza do território brasileiro é fruto de séculos de história. Quando da chegada dos portugueses ao Brasil, por exemplo, na virada do século XV para o XVI, o país tinha proporções muito menores do que as de hoje, limites estes trazidos pelo famoso Tratado de Tordesilhas. Este fora assinado em 1494. Os países signatários eram Portugal e Espanha, duas das maiores potências econômicas e políticas da época. Tamanha era a influência desses países, que se deram ao direito – sob o olhar conivente da Igreja – de repartirem as terras a serem descobertas entre eles. O acordo estabelecia que as terras a oeste da linha imaginária traçada estariam sob o domínio espanhol, enquanto as que estivessem a leste pertenceriam, por direito, a Portugal. Assim, mesmo antes de ter sido “oficialmente” descoberto (1500), parte do que hoje é o Brasil já pertencia à Coroa portuguesa. Ao longo dos anos, inúmeros tratados (como o de Madri em 1750 e o de Santo Ildefonso, em 1777) foram dando ao Brasil os atuais contornos. A expansão do território brasileiro, vale lembrar, esteve marcado, também, por inúmeros conflitos – inclusive bélicos – com outros países. Só recentemente (1903), por exemplo, foi anexado de maneira definitiva o estado do Acre. Ainda hoje, a busca pelo alargamento territorial é algo presente. Prova disso é a intenção do país em rediscutir sua fronteira marítima, afinal o Atlântico guarda um “oceano” de riquezas e recursos naturais, como gás e petróleo.

                A ocupação humana e a distribuição populacional acompanharam o processo de formação do território brasileiro. Desde muito cedo, os principais aglomerados se fixaram junto ao litoral. Logo após a chegada dos portugueses, por exemplo, a economia estava fundada no extrativismo vegetal (pau-brasil), servindo a costa como porto de embarque da mercadoria. Não muito diferente foi o chamado Ciclo da Cana (séculos XVI e XVII), onde cabia às áreas litorâneas a maior parte do cultivo da cana-de-açúcar. Já o Ciclo do Ouro (século XVIII), contribuiu significativamente para a interiorização da população, ávida pelas jazidas localizadas, principalmente, na região do atual estado de Minas Gerais. Ainda assim, era (e, de certa forma, continua sendo) enorme a diferença quantitativa entre a população litorânea e aquela assentada no “interior” (centro e oeste do país) do território. O deslocamento da capital federal para Brasília (1961), por exemplo, tinha entre seus objetivos uma maior ocupação humana das áreas mais centrais do país.


                Conclui-se, portanto, ser de fundamental importância remontarmos ao passado para compreendermos o presente. Não é produto do acaso a irregular distribuição populacional pelo território nacional. Ao contrário, é resultado de interesses econômicos e políticas governamentais, muitas delas equivocadas. 

BRASIL: PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS


BRASIL: PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
Prof. Gilvan
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                O Brasil, por certo, é um país complexo. Contudo, pretende-se aqui traçar algumas de suas características mais marcantes, muito mais para fins didáticos do que com o objetivo de aprofundar – ou, menos ainda, esgotar – o assunto. O Brasil é, grosso modo, um país americano, tropical e subdesenvolvido. É “americano” por estar localizado na América. Ocupa no continente o terceiro lugar em tamanho (perdendo para o Canadá e os Estados Unidos, respectivamente), sendo, entretanto, o maior país da América Latina. O Brasil é, ainda, o quinto maior país da Terra.  

     Por que “tropical”? Porque está localizado em quase sua totalidade na chamada Zona Intertropical (entre os trópicos de Câncer e Capricórnio), localização esta com profundas consequências, por exemplo, no clima (predominantemente, tropical) e na vegetação. Nosso país é cortado pela linha do Equador (mais ao norte) e pelo trópico de Capricórnio (mais ao sul), estando, portanto, localizado quase que totalmente no hemisfério sul e totalmente no hemisfério ocidental.

                Finalmente, o Brasil pode ser considerado um país “subdesenvolvido”. Você sabe o que isso significa? Apesar de estar entre as maiores economias do mundo, de possuir invejáveis recursos naturais (minérios, hidrografia privilegiada, vegetação exuberante, etc.), infelizmente a maioria da população segue à margem de uma boa qualidade de vida. Saúde, segurança, ensino, moradia, transporte, saneamento, etc., de qualidade são privilégio de uma pequena parcela de nossa gente. Impera no Brasil o desrespeito aos mais elementares direitos assegurados na Constituição, situação esta perpetuada por um Estado (governo) comprometido com os interesses de uma poderosa elite que, historicamente, busca – a todo custo – manter seus privilégios.

                

domingo, 13 de abril de 2014

OS PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO


OS PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                Podemos definir “princípios” como sendo as proposições básicas que fundamentam o Direito. Assim, os Princípios do Direito do Trabalho devem permear não apenas os textos legislativos e os contratos de trabalho, mas as próprias decisões nascidas junto aos tribunais, por exemplo. Servem eles como “norte” para o posicionamento jurisdicional, bem como para as relações trabalhistas cotidianas. Vários são os chamados “Princípios do Direito do Trabalho” e não menos variadas as formas de abordá-los e classificá-los pelos autores que tratam sobre o assunto. Um dos mais conhecidos é o Princípio de Proteção, fundado na ideia da hipossuficiência do empregado (ver Art. 8o da CLT). Pode ser subdividido em outros Princípios, como o do in dubio pro operário, o da “condição mais benéfica” e o da “aplicação da norma mais favorável” (ver Art. 620 da CLT). Resta claro a intenção do legislador em proteger o “lado mais frágil” da relação trabalhista, a saber, o empregado.

                Outro Princípio muito conhecido no Direito do Trabalho é o da “irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas” (Ver Arts. 444 e 468 da CLT). Assim, não pode o empregado abrir mão de direitos historicamente construídos, hipótese esta que agravaria – ainda mais – o desequilíbrio da relação empregador-empregado. Já o chamado Princípio da “continuidade da relação trabalhista” traz como premissa a ideia de que, salvo estipulado em contrário, o contrato de trabalho é contínuo no tempo (ver inciso I do Art. 7o da CLT, bem como a Súmula 212 do TST). O Princípio da “primazia da realidade”, por sua vez, prioriza o fato concreto em relação às cláusulas contratuais. Assim, a mera assinatura de um contrato de trabalho não afasta a realidade concreta, preponderando esta sobre aquela. O referido Princípio pode ser subdividido em outros: pacta sunt servanda, “razoabilidade”, “boa-fé”, “não-discriminação”, “integralidade e intangibilidade do salário”, “irredutibilidade salarial” e “autonomia da vontade”.


                Conclui-se, portanto, que o Direito do Trabalho é “protetivo”. Não são poucos os que criticam o tratamento desigual dispensado pelo legislador aos sujeitos do Contrato de Trabalho: empregador e empregado. Alegam alguns que tamanha proteção ao primeiro acaba por provocar situações de flagrante injustiça em desfavor do empregador. Contudo, vale lembrar, as conquistas no campo do Direito do Trabalho são resultado de árduas lutas dos menos favorecidos (trabalhadores), conquistas estas que, diga-se de passagem, vêm sofrendo uma série de ataques em nome de uma dita "flexibilização”. Ressaltamos ainda que, em regra, no Brasil o que onera a produção não é o valor pago à mão-de-obra, mas a insana carga tributária praticada pelo Estado, carga esta que não reverte em melhoria da qualidade de vida da população e nem, tampouco, em investimentos indispensáveis a quem produz (empresas). 

terça-feira, 8 de abril de 2014

EAD: DESUMANIZAÇÃO OU NOVAS POSSIBILIDADES?


EAD: DESUMANIZAÇÃO OU NOVAS POSSIBILIDADES?
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Alguns têm condenado o chamado Ensino à Distância (EAD) sob o argumento de que o mesmo leva, necessária e obrigatoriamente, à desumanização das relações entre, por exemplo, professor e educando. Colocam-se contra o que consideram uma espécie de educação in vitro, onde os conflitos humanos típicos e compreensíveis são postos de lado. Soaria como um processo de “eugenia” social, colocando para fora dos muros da escola boa parte dos alunos e alunas indesejados ou, no mínimo, restringindo-lhes significativamente o tempo de permanência na instituição. Confesso que tenho como que um “pé atrás” no que tange ao Ensino à Distância, pois sou um ferrenho defensor da necessidade do vínculo no processo ensino-aprendizagem. Preciso sentir o cheiro de gente, olhar no fundo dos olhos, captar cada gesto ou até mesmo compreender a falta dele. A simples troca do ensino presencial pela modalidade EAD parece-me um equívoco, como já dito em outras oportunidades[1]. Acredito, isto sim, que a substituição só é aceitável diante de situações e públicos específicas. Por outro lado, os argumentos de que se valem alguns críticos – tomados de uma flagrante cegueira analítica – do EAD merecem uma boa dose de reflexão.

                No final da década de 1990, as telas exibiram o “Homem Bicentenário[2]”, onde um robô doméstico (representado por Robin Williams) chamado de Andrew começou a desenvolver, digamos..., “sensibilidade humana” para assuntos como perdão e compaixão, ultrapassando, de longe, suas “funções” originais, como as tarefas tipicamente domésticas. Genial o filme. Quantas lições dele se pode extrair! Pincelo uma delas, a saber, o tapa com luvas de pelica que nos é dado. Uma máquina com grau de “humanidade” muito maior do que o de nossa espécie. Não muito diferente é o que tenho visto em relação à escola. Professores, não são poucos, que mantêm uma distância estratosférica, fria, impessoal e indiferente em relação ao educando. Resistem a elogiar, insistem em diminuir, ainda mais, a autoestima de quem a vida já privou de tantas coisas. Presentes, só os corpos de tais “educadores”, pois a cumplicidade com os desejos, sonhos e dificuldades dos alunos e alunas passa de largo. Homens e mulheres tidos por “profissionais”, que fazem do giz não um pincel pronto a dar vida e sentido aos textos, fórmulas e rabiscos que zingam o quadro-verde. Parece, isto sim, é fazerem uso de um bisturi às portas de uma lobotomia da alma. O olhar viajante há muito se fora, se é que algum dia se fizera presente. Usam velhos chavões para realidades e contextos completamente novas. Amarelados não são apenas os “planos de aula”, mas o próprio senso crítico parece tomado pelo zinabre da mesmice pedagógica. Os incontáveis títulos e certificados, exceto trazerem algumas moedas a mais na algibeira dos parcos salários, servem tão-somente como adorno à sala ou aos sorrateiros “cafofos” do ego.

                O que desumaniza não é a máquina. O que distancia o educando da escola e de tudo o que ela representa não é a ferramenta. O que lança para fora o aluno são as relações que se estabelecem no ambiente escolar. Seja qual for a proposta metodológica ou a modalidade adotadas pela instituição de ensino, inexistindo atenção e fortalecimento dos vínculos, o fracasso é certo, mesmo que tardio. Máquinas são apenas máquinas! Não passam de um amontoado de parafusos a nosso serviço. As relações, ao contrário, pressupõem uma engenharia infinitamente mais complexa. São estas últimas que dão (re)significado à própria vida. É na relação com o “outro” que eu cresço e aprendo. É na relação com o “outro” que me torno, de fato, sujeito da minha e da nossa história. É na relação com o “outro” que dou sentido ao que outrora não passava de mera teoria. É na relação com o “outro” que sedimento e frutifico os nobres valores éticos, imprescindíveis à teia social. Quem é o “outro”? Por que não nós os educadores? Assumamos um papel de protagonistas na vida e no processo ensino-aprendizagem dos educandos. Somos, por natureza, insubstituíveis. Urge, entretanto, que tomemos posse do lugar para nós reservado, sob o risco de vê-lo ocupado pela sombra dos penduricalhos por nós mesmos criados.

Veja também:
http://educacao.cachoeirinha.rs.gov.br/index.php/39-noticias/educacao-a-distancia/183-ead-desumanizacao-ou-novas-possibilidades.html

http://projetosdadiversidade.blogspot.com.br/2014/04/ead-desumanizacao-ou-novas.html



























[1] Ver texto “EAD na EJA” no blog profgilvanteixeira.blogspot.com.br. Existe em Cachoeirinha (RS), na Escola Municipal de Ensino Fundamental Fidel Zanchetta, uma modalidade EAD Semipresencial na Educação de Jovens e Adultos. A iniciativa soa como interessante, pois ao mesmo tempo que mantém o contato direto (presencial) com o educando, abre um leque de possibilidades através da chamada Plataforma Moodle, mitigando quiçá o sério problema da evasão escolar.
[2] Bicentennial Man. Produção de 1999.