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domingo, 12 de janeiro de 2025

DISCURSO PARANINFO BLOCO 9A 2024/2

DISCURSO PARANINFO BLOCO 9A 2024/2

Prof. Gilvan Teixeira

     Boa noite!

 

     Vinte e dois formandos do Bloco 9A da EJA Semipresencial da EMEB Fidel Zanchetta. No mínimo, vinte e dois excelentes motivos para que, definitivamente, o Ensino de Jovens e Adultos no município de Cachoeirinha seja visto e tratado com seriedade, competência e responsabilidade por quem está à frente da Administração Pública. Afinal, o aluno da EJA é o retrato mais fiel de uma sociedade excludente, que dá as costas para uma infinidade de jovens e adultos, homens e mulheres, que têm em comum – quase sempre – um passado difícil, mas sobretudo um olhar que revela esperança. Aqui, nesta noite, temos vinte e dois exemplos de resiliência, força, dedicação, superação e vontade, muita vontade de vencer. Vinte e duas histórias de vida, cada uma com suas peculiaridades. Por detrás de cada um desses formandos, famílias (pais, mães, irmãos e irmãs, filhos e filhas, além de muitos amigos) que, mesmo indiretamente, contribuíram na jornada. Até porque, importante lembrar, não fazemos história sozinhos, mas com o “outro”. Sim, vinte e duas razões para que nós professores, Orientadora, Supervisora, Diretores e todos os que carregam a escola nas costas, não desistamos, em que pese muitos motivos para fazê-lo. Queridos formandos, vocês dão sentido à escola! É por vocês que seguimos lutando por uma EJA de qualidade, pois acreditamos que somente por meio da educação é que alcançaremos o verdadeiro e pleno desenvolvimento econômico e social.

 

     Meus amados e amadas, chegamos ao final de um ciclo. Não é o primeiro e nem, tampouco, deve ser o último. O “canudo” de conclusão do Ensino Fundamental só aumenta a responsabilidade de cada um e cada uma de vocês, seja na busca de mais escolarização (Ensino Médio, curso técnico ou superior, por exemplo) e/ou de uma melhor oportunidade no mercado de trabalho, seja ainda e sobretudo como cidadãos participativos, críticos, jamais omissos ou acomodados diante das injustiças sociais. Nada cai do céu, não existem “heróis” ou “salvadores da pátria”. A transformação começa por ti, por tuas escolhas. Faça-as bem, portanto!

 

     Finalmente, agradeço o carinho e paciência de vocês com este velho, mas sempre apaixonado Professor. Desejo, de coração, muito sucesso na vida e que carreguem boas lembranças da EJA Semipresencial da EMEB Fidel Zanchetta, que tão bem os acolheu. Deixo aqui, uma homenagem especial ao Prof. José Ricardo Boff e, ao fazê-lo, homenageio todos os profissionais que atuam na Educação de Jovens e Adultos não apenas em nossa escola, mas no município de Cachoeirinha, inclusive aqueles que – infelizmente – estão sob a ameaça de perderem seus postos de trabalho. Muito obrigado! 

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

DISCURSO DE FORMATURA DOS JUÍZES DO TRIBUNAL DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, SECCIONAL GRAVATAÍ/RS



DISCURSO DE FORMATURA
Gilvan Teixeira
Boa tarde.

            Cumprimento o Professor Paulo Conceição, representando o Tribunal de Mediação e Arbitragem do Estado do Rio Grande do Sul, e, ao fazê-lo, cumprimento toda mesa, convidados e, de forma muito especial, meus queridos colegas. Nossa jornada, da inscrição no Curso à presente Formatura, apesar de não muito longa, como que espelhou a própria vida, com intempéries, dúvidas, embates e, por que não dizer, desconfianças. Apesar disso, ou quem sabe “por isso” – dizem que é em meio ao mar encapelado que nos tornamos melhores – seguimos, teimosamente, em frente, fazendo valer a crença na capacidade do ser humano de transformar a realidade, por mais dura e opaca que possa parecer. Não por acaso, optamos pela nobre tarefa de sermos arautos e, sobretudo, operadores da mediação como forma de dirimir conflitos, opção esta assentada no diálogo e confiança entre as partes, pressupostos indispensáveis para a construção de saídas capazes não apenas de desafogarem o Judiciário, mas, sobretudo, de fortalecerem a teia social por meio de um instrumento de justiça marcado pela celeridade e grande probabilidade de sucesso.

            Ao optarmos pela atuação como juízes mediadores revelamos a intenção de auscultarmos as partes, despojados de ranços e preconceitos. A nobre função, revestida de imensurável responsabilidade, exigirá de cada um de nós competência, equilíbrio, sobriedade, ética, ponderação, respeito ao ordenamento jurídico, bem como estudo e muita organização. Exigirá, ainda, uma constante e sólida parceria, virtuosa cumplicidade e trabalho colaborativo. Eventuais antipatias, dissabores, implicâncias e animosidades precisam ser trabalhadas e transformadas em força propulsora, convergindo para o interesse coletivo e qualificação de nosso trabalho. Quem ganha com isso? Todos! Ganham o TMA e sua seccional. Ganha, sobretudo, o município de Gravataí ao poder contar com um Tribunal mais “humanizado”, acolhedor e sensível às demandas existentes.

            Não poderia encerrar esta singela fala sem elogiar meus colegas. Apesar das inúmeras dificuldades, desencontros e algumas frustrações, não titubeamos. Seguimos em direção ao norte por nós estabelecido, qual seja, o de sermos, de fato e de direito, juízes mediadores. Para isso, contamos com o apoio incondicional de nossos familiares. Por isso, obrigado. Agradecemos, ainda, à Escola Técnica Sul Ensino, instituição que nos acolheu durante toda formação e ofereceu seu espaço para instalação do TMA-Seccional Gravataí. Nosso reconhecimento aos professores Paulo e Elisabete que, competente e pacientemente, nos deram o embasamento teórico necessário. Nossa deferência, ainda, aos colegas da turma anterior pelo apoio, companheirismo e sementes lançadas no caminho.

            Finalmente, desejo muitas bênçãos e sucesso a nós, formandos nesta tarde. Façamos do Tribunal de Mediação e Arbitragem, Seccional Gravataí, uma exemplar ferramenta para solução de conflitos, ferramenta esta que deve representar uma mudança de paradigma, de forma a superarmos a cultura da judicialização tradicional, notoriamente incapaz de dar à sociedade as respostas esperadas. Parabéns!

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

LEVEDAR

LEVEDAR[1]
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Era uma vez um certo padeiro. Fazia não apenas pão, mas operava milagres. Nascido e criado de forma humilde, tornou-se mais do que um simples homem, mas um GRANDE HOMEM. Apesar das inúmeras dificuldades e incontáveis obstáculos, tornou-se um exemplo de esposo, pai, padeiro e professor. Mal sabia ele que, ao contrário do que pensava, muito mais ensinava do que aprendia. Semanalmente, todas as quintas, lá estava ele, discreta e silenciosamente, a depositar um enorme pão caseiro sobre a mesa da biblioteca. Duvidasse, esquivava-se antes mesmo de receber um simples “obrigado”. Dava sem esperar nada, absolutamente nada, em troca. O humilde gesto reacendia a chama de que é possível construir um mundo melhor. O pão depositado por ele servia a todos, independentemente de ideologias, tez partidária, posição hierárquica, etnia, gênero ou credo. O pão parecia levedar o sentimento de partilha. Um a um, iam fatiando o alimento, fazendo-o multiplicar. Foram dois anos (quatro semestres), distribuindo, acima de tudo, a poderosa e genuína mensagem do amor e de seus frutos, cada vez mais esquecidos. A partilha do pão é emblemática. Pressupõe despojamento, perdão, equidade, solidariedade, empatia. É um ato de hombridade e humanidade. Não por acaso, Cristo o dividiu e, antes d’Ele, o salmista fez menção aquele que dá vigor ao homem. Antes de padeiro, professor! Quanta sabedoria por detrás da ação singela. Eis aí o verdadeiro testemunho. O verdadeiro mestre convence menos pela palavra do que pelo exemplo. Este sim é capaz de fomentar profundas e avassaladoras mudanças. Seja a escola o espaço para levedura das grandes transformações, onde, assim como o padeiro, aprendamos a amassar o pão. Arte que exige técnica, paciência, confiança, esperança. Moldemos e nos deixemos moldar. Sem pressa, soberba ou desconfiança quanto à capacidade do “outro” em modificar-se ou nos modificar. A “massa” precisa estar para o padeiro, assim como o barro para o oleiro. Trata-se não de uma relação desigual, mas, acima de tudo, de uma necessária e produtiva cumplicidade, assentada no respeito, no diálogo e no reconhecimento do “outro” como sujeito indispensável à nossa própria existência. Meus parabéns ao Sr. Aury, e ao fazê-lo, parabenizo todos os formandos do primeiro semestre de 2017 da EMEF Fidel Zanchetta. Deus nos abençoe!



[1] Texto em homenagem ao Sr. Aury, formando do Bloco 9aB (primeiro semestre de 2017), da EMEF Fidel Zanchetta.