INCLUSÃO OU CONTENÇÃO?
Prof. Gilvan Teixeira
blog:
profgilvanteixeira.blogspot.com.br
Dizem
que errar é humano, enquanto insistir no erro é estupidez. Pois é... A dita “inclusão”
que vem sendo colocada em prática na esmagadora maioria das escolas públicas e
privadas do país é um misto de estupidez e desumanidade, com sérios prejuízos a
todos os envolvidos: profissionais da educação, alunos e suas famílias.
Ironicamente, quem mais perde são os próprios “atípicos” que, em teoria,
deveriam ser os principais beneficiados com a referida política de inclusão. Esta
tem contribuído para materialização dura e cruel da conhecida Lei de Murphy, onde nada é tão ruim que
não possa piorar. As escolas vêm se transformando, cada vez mais, não em lugar
de aprendizagem e socialização, mas de adoecimento e flagrante processo de
trogloditalização e embrutecimento. Passa-se quinze, vinte anos na escola e,
vergonhosamente, chega-se ao término da educação básica mal sabendo ler,
escrever, interpretar, calcular... A construção e ampliação do conhecimento são,
de longe, suplantadas pela tentativa (não raras vezes, frustrada) de solucionar
conflitos, apagar “incêndios” e tentar equacionar os incontáveis e recorrentes
problemas da falta de professores. Turmas abarrotadas, crianças saindo pelo
ladrão, salários aviltados, jornada de trabalho insana e extenuante, estruturas
precárias, falta de suporte, enfim, todos os ingredientes de uma receita
fracassada. É nesse quadro caótico que vêm sendo depositados os alunos
atípicos. O que se vê, na prática, não é “inclusão”, mas – na melhor das
hipóteses – uma tentativa desesperada de “contenção” de muitos desses alunos.
Gasta-se energia, tempo, bem como recursos humanos e financeiros para “contê-los”
durante algumas horas, sem nenhum ganho real no que tange à aprendizagem e
efetiva preparação deles para que, ali adiante, sejam adultos funcionais, com
alguma autonomia. Atenta-se, assim, contra a qualidade de vida e o futuro dessas
crianças e adolescentes. Concomitante a isso, os “não-atípicos” vão de mal a
pior, sem nenhuma perspectiva de romperem os pífios resultados escancarados,
por exemplo, no IDEB. Sobram discursos “politicamente corretos” na defesa da
fajuta política inclusiva hoje preponderante no país, discursos estes frutos da
ignorância – ainda que bem intencionada –, do desespero de famílias abandonadas
pelo Estado, da inexistência de políticas públicas eficientes, do academicismo flagrantemente
descolado do “chão de fábrica”. A inclusão precisa sair do plano meramente
teórico e quase sempre vazio. Exige-se humildade intelectual e abertura para o
diálogo com todos os envolvidos, especialmente família e escola, tendo como
preocupação-primeira o aluno atípico. O “estudo de caso” deve balizar as ações
a serem adotadas, o melhor e mais adequado espaço ao aluno (escola regular ou
especial?!), para que este possa desenvolver suas potencialidades. Adotar uma
régua única para todos os casos, obrigando-os a estarem numa escola regular,
afronta a sensatez e sabota qualquer possibilidade de garantir aos alunos
atípicos direitos assegurados na Constituição, em especial o da dignidade da
pessoa humana. Improvável que esta prospere no ambiente cada vez mais
insalubre da dita escola regular.
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