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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

SUS, UMA VESÍCULA INFLAMADA


SUS, UMA VESÍCULA INFLAMADA
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Assim como o ensino e a segurança, a saúde pública neste país há muito vem sendo motivo de vergonha e desespero. Vergonha, porque é o retrato fiel de um país que viola os direitos mais elementares do ser humano. Desespero, porque nossa gente vê o sofrimento ganhar corpo, sem um naco sequer de esperança. Apesar da insana e irresponsável carga tributária, os serviços prestados pelo Estado seguem infinitamente aquém do mínimo necessário. O ente público, ao que parece, é um fim em si mesmo. Triste e asqueroso culto narcísico, tendo por plateia um séquito que, historicamente, se locupleta em detrimento do interesse coletivo. Enquanto os ditos “Poderes” da malfadada República mais fazem lembrar Os Três Patetas, a população brasileira segue jogada às moscas. Nem mesmo o marketing pago a preço de ouro tem se mostrado eficaz para afugentar o cheiro fétido exalado pela pocilga em que se tornou o Brasil. O Sistema Único de Saúde (SUS) é um triste exemplo da inegável falência do Estado. Feito um doente terminal, o SUS segue respirando com ajuda de aparelhos. Apesar do esforço hercúleo de um grande número de abnegados servidores, o Sistema sangra pelas ventas. Resultado de muitos anos de descaso, gestão fraudulenta, incompetência administrativa, falta de fiscalização, corporativismo doentio, omissão e tantas outras práticas por nós conhecidas. O resultado não poderia ser diferente. Hospitais lotados e sucateados, filas intermináveis nas emergências, esperas infindáveis por exames e consultas... O verdadeiro quadro da dor. Estará o país em guerra? O cenário repugnante e desolador dá a entender que sim. Muitos são, por certo, os exemplos a ilustrarem de maneira farta e inconteste o inferno dantesco em que se tornou o SUS, exemplos como o do meu irmão. Acometido de dores na vesícula, ingressou na “emergência” do hospital Conceição de Porto Alegre no dia primeiro de fevereiro do presente ano (2016). Apesar do quadro clínico, ficou não menos do que quatro dias sentado numa cadeira junto ao corredor. Depois de muitas idas e vindas na Ouvidoria, finalmente, conseguimos uma maca para que pudesse descansar. Passado mais algum tempo, finalmente, foi deslocado para um quarto, sem qualquer previsão para o procedimento cirúrgico. No dia vinte e quatro (sim, quase um mês depois...), por fim, faria a cirurgia. Faria... Após ter sido sedado, a “brilhante” equipe médica percebeu que faltava um cateter, lapso este que inviabilizaria o prosseguimento do trabalho. Assim, meu irmão retornou ao quarto, com previsão de cirurgia para dali alguns dias. Hoje, contabiliza-se um mês de internação, sem que a cirurgia tenha sido feita, tempo este para lá do razoável e que revela o caos em que se encontra o SUS. Prejuízo não apenas para a saúde do paciente – pois que exposto a um maior risco de infecções, além dos inequívocos danos psicológicos –, mas para o próprio Sistema (enorme custo da diária hospitalar) e para a economia como um todo (dias e mais dias afastado do trabalho). Verdadeiro atestado de incompetência e desleixo frente a um direito assegurado na Constituição. Mais do que a vesícula de meu irmão, o SUS tem se mostrado inflamado pela vileza de alguns, omissão de tantos outros e pela atávica prática espúria de fazer do interesse público mero trampolim para obtenção de vantagens indevidas. Enquanto isso, vidas são ceifadas, famílias são enlutadas e a esperança de um porvir melhor se esvai. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

MANIFESTO


MANIFESTO
Prof. Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                Para que serve o Estado, senão para garantir, com qualidade, a materialização dos princípios constitucionais, como saúde, educação e segurança? Para que serve o Estado, senão para garantir a paz social fundada na justiça e respeito à dignidade da pessoa humana? Para que serve o Estado, senão para retirar da esfera privada iniciativas violentas que, na busca de proteção, vingança ou satisfação de desejos mesquinhos, acabam por fazer sombra aos avanços civilizatórios? O Estado não é um fim em si mesmo. Existe, sobretudo, para “servir” aqueles que não apenas lhe sustentam, mas lhe dão sentido.

                Vivemos tempos de medo. As ruas e avenidas há muito vêm sendo manchadas de sangue. As praças viraram local “seguro”, não para as crianças, jovens e trabalhadores, mas para o consumo e tráfico de drogas. Como zumbis, hordas de pichadores, arruaceiros, viciados e criminosos de toda espécie infestam a cidade, fazendo dos espaços públicos e privados um verdadeiro inferno. O velho ditado “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come” vem assumindo proporções cada vez mais trágicas e preocupantes. Inexiste local seguro ou a salvo da barbárie que vem ceifando vidas e enlutando lares. Enquanto os muros altos das residências evidenciam a sensação de insegurança, as frágeis grades dos presídios – que mais parecem masmorras medievais – escancaram a falência do ente público, este há muito motivo de escárnio e deboche. O avanço da criminalidade contrasta com a incapacidade do Estado em transformar o conhecido e surrado discurso em ações concretas capazes de estancarem o avanço do câncer da violência urbana que tem levado à metástase da teia social.

                Queremos, merecemos e exigimos dias melhores. Nossas mães não geraram filhos para serem precoce e violentamente arrancados desta vida. O sangue, inocentemente vertido, de cada criança, jovem ou adulto, clama por justiça. Não apenas façamos memória a cada filho, irmão, pai, mãe, amigo que perderam a vida em decorrência desta guerra urbana – alimentada pela omissão, incompetência, quando não pela íntima relação do Estado com o crime organizado –, mas transformemos nossa dor e indignação em ações concretas. As escolas que compõem a Paróquia Estudantil, através do presente documento manifestam a profunda preocupação, repúdio e indignação frente ao avanço da violência. A dor da família do Gabriel (Escola Estadual Júlio César Ribeiro de Souza, em Alvorada), covardemente assassinado, é, também, a nossa dor. O sofrimento do Henrique (Instituto de Educação São Francisco, em Porto Alegre) e de sua família é, também, o nosso sofrimento. Quantos mais perderão a vida? Quantos mais serão privados de curtirem a infância e a juventude? Quantos mais trocarão muitos anos de vida por uma pequena nota nas páginas policiais de um jornal qualquer? Quantas flores de debutantes darão lugar àquelas postas sobre a lápide fria como a morte?

                Enquanto o cidadão de bem definha e agoniza, o crime engorda e avança a passos largos. Atinge, indistintamente, a todos: brancos e negros, pobres e ricos, letrados e analfabetos, crianças e idosos, homens e mulheres... Entrar ou sair de casa é um risco. Ir à escola, ao trabalho, à padaria, ao posto de gasolina é um risco. Andar a pé, de carro ou de ônibus é um risco. Sair de dia ou à noite, sozinho ou em grupo é um risco. Ser abordado por alguém com farda ou sem ela, é um risco. Estamos a ponto de temer a própria sombra, não sem razão. Nossos direitos vêm sendo vilipendiados diuturnamente. Há muito, não enxergamos sequer a luz no final do túnel. Foi-nos subtraída.

                Abaixo, portanto, à impunidade! Abaixo ao discurso evasivo ou ao leque de promessas jamais cumpridas. Abaixo à frouxidão do Poder Público. Abaixo às decisões de magistrados que, em nome de uma lei – por vezes equivocadamente interpretada – dão salvo conduto a delinquentes de toda sorte. Abaixo à gestão assentada no amadorismo, na troca de favores e na defesa de interesses espúrios. Abaixo ao corporativismo de toda espécie que, ao olhar para o próprio umbigo, olvida o interesse verdadeiramente “público”. Abaixo à falta de investimentos nas áreas vitais, como a da segurança.

Queremos, através do presente Manifesto, marcar posição, iniciativa esta que, tenham certeza, não se limitará à formalidade deste documento. Sozinhos, mais fazemos lembrar uma ovelha ameaçada pela matilha, mas juntos somos fortes. Assumamos aqui o compromisso com o “outro”. Uma relação pautada na ética, no respeito, na empatia e na solidariedade. Exerçamos nossa cidadania com firmeza, não titubeando ante às falhas e vícios do Estado.


Ante o exposto, encaminhamos este Manifesto – em nome das escolas (e comunidades a elas associadas) da Paróquia Estudantilaos representantes de todos os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), ao Ministério Público, à imprensa e à Sociedade Civil Organizada, para EXIGIR, por parte do Poder Público, ações concretas e duradouras que garantam a segurança de nossa comunidade, conforme previsto na Constituição Federal. 

Leia também: http://www.institutosaofrancisco.com.br/site/noticias_visualizar.php?noticia_id_=1574 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O CUPINZEIRO


O CUPINZEIRO
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br

               


                A quem pertence nossa casa? Deixemos os cupins tomarem conta de nossa morada ou optemos por exterminá-los? Inexiste convívio pacífico ou harmonioso com tal tipo de praga quando em jogo nosso ambiente doméstico. Começam devagarzinho. Um pozinho aqui, outro acolá. Um furinho ali, outro um pouco mais adiante. Dali algum tempo, vemos os móveis tomados por eles. É relutar em enfrentá-los, somos expulsos de nossa própria casa. O Brasil tem, há muito, se convertido num imenso cupinzeiro. Rodovias, ferrovias, pontes, estatais, aeroportos, escolas, portos, hospitais, presídios, finanças públicas... Tudo para lá de carcomido pelos “cupins” que infestam nosso arremedo de República. Comprometem os alicerces não apenas do Planalto Central, mas de todos os estados e regiões do país, do Oiapoque ao Chuí. Escondem-se em meio aos corredores de Brasília, do Piratini e da Prefeitura do meu (teu) município. Despejam seus ovos no Executivo, Legislativo e Judiciário, mascarando seus estragos por meio de práticas coronelistas e troca de favores. Buscam amainar o mau cheiro, advindo da sórdida podridão, por meio de pleitos questionáveis – pois que, quase sempre, arrebatadores dum incontável número de analfabetos políticos – ou através de cargos em comissão capazes de criar um exército de serviçais puxa-sacos com pouco ou nenhum preparo técnico e intelectual. Os “cupins” de que vos falo também voam, conforme sopra a brisa de interesses. Hora estão aqui, hora acolá. Hora neste, hora naquele partido. Hora nesta, hora naquela Secretaria ou Departamento. À medida que aterrissam, vão deixando para trás um rastro de asas. A maioria opta pelo escurinho do anonimato, desde que não os deixem sem a comida que vem da celulose de salários rechonchudos pagos pelo contribuinte. Os “cupins” que infestam nossas terras topam qualquer parada. Não satisfeitos com a mobília dos gabinetes, apelam para licitações fraudulentas, “sobras de campanha” e dividendos escusos de empreiteiras que vivem da desconstrução de nossa esperança e do alijamento de nossa combalida honra. Aliam-se à torpeza, ao tráfico de toda natureza e à propaganda midiática que, de forma primorosa, mantém os legítimos donos desta Casa à margem da verdadeira cidadania. Por aqui, os “cupins” vestem toga, usam terno e gravata e adoram dar carteiraço. Desfilam em carros de luxo, repousam em mansões, viajam pelo mundo de primeira classe, curtem resorts badalados, estouram uma Goût de Diamants e ocupam as colunas sociais. Enquanto isso, os donos da Casa se debatem em meio à escalada da violência, à degradação dos valores, à pífia desenvoltura do ensino, à insana carga tributária, à superlotação dos hospitais e à falta de perspectiva em dias melhores. Os “cupins” da Republiqueta verde-amarela se reproduzem em meio à omissão, alastrando-se por entre os (des)caminhos e túneis diuturnamente construídos, sob o manto ufanista da Pátria amada. Não podemos mais tolerar e conviver com os “cupins”. São eles ou nós (eu e tu). Para eles, o arcabouço jurídico de nada vale, pois há muito não apenas corroeram o Judiciário, como avacalharam o Direito positivado. Fizeram do Legislativo e do Executivo pródigas moradas, pois que ambos distantes da claridade democrática. Restará outra saída que não o extermínio? Varrê-los desta Casa trata-se não de uma opção, mas de uma necessidade. Questão de sobrevivência, nossa, não dos malditos cupins. 

domingo, 9 de novembro de 2014

CONVITE À PERMISSIVIDADE


CONVITE À PERMISSIVIDADE
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                O Conselho Estadual de Educação do Rio Grande do Sul (CEED), através de uma de suas Comissões, acenou com a possibilidade de emitir um documento, em princípio sob a forma de Parecer, que traz, dentre outras coisas, a vedação às instituições de ensino, públicas e privadas, de suspenderem ou transferirem compulsoriamente alunos com problemas disciplinares. A malfadada iniciativa do Conselho conseguiu algumas proezas. A primeira delas foi a de colocar do mesmo lado da mesa os sindicatos patronal (SINEPE/RS) e de professores (SINPRO/RS), o que para muitos parecia impossível. Além disso, a minuta engendrada nas entranhas do referido Colegiado suscitou a indignação, para não dizer a ira, de quase todos os segmentos que compõem o próprio Conselho, reação esta que lançou dúvidas sobre a própria legitimidade da iniciativa do CEED. Verdadeiro tiro no pé. A Audiência Pública ocorrida na Assembleia Legislativa corroborou o que já se sabia. A maioria acredita que retirar da escola o direito de suspender ou transferir compulsoriamente o aluno indisciplinado, em casos comprovadamente necessários e justificáveis, fere não apenas a autonomia constitucional das instituições de ensino (privadas), mas reforça o pérfido hedonismo que há muito vem sangrando a ética e os mais elementares princípios de convivência social. Apesar das eventuais boas intenções (dizem que o inferno está cheio delas...) por detrás da iniciativa personificada na minuta em questão, urge posicionar-se contrário à “fórmula mágica” encontrada por alguns conselheiros frente à necessidade de se garantir o direito a todos os educandos – mesmo aqueles que demonstram não quererem – de assento nos bancos escolares. Esquecem eles, contudo, que as escolas, em princípio, são as primeiras a desejarem, por exemplo, não apenas a permanência, mas, sobretudo, o sucesso do educando. Não por acaso, todo o empenho dos professores e diversos Setores que compõem a escola no intuito de contribuírem para o crescimento cognitivo e humano do aluno. Além do mais, transferência para outras instituições de ensino, no caso das escolas privadas, representa, dentre outros prejuízos, uma diminuição no fluxo de caixa. Portanto, não é uma medida nem simpática, nem tampouco bem-vinda. Todavia, em casos pontuais – vale lembrar, que as transferências compulsórias representam um ínfimo percentual no universo de alunos – é, sem dúvida, uma “saída” (literal) necessária. As medidas extremas, e a transferência compulsória é uma delas, vêm sendo aplicadas naqueles casos onde a indisciplina do aluno é reiterada, onde se observam práticas e posturas inadmissíveis e de elevada gravidade, onde a omissão, condescendência e permissividade da família põem a perder todo esforço da escola no sentido de “resgatar” o aluno indisciplinado e onde a permanência do educando significa uma ameaça ao sagrado direito da maioria a um ambiente ordeiro, sadio e pedagogicamente adequado, por exemplo.  A escola, por vezes, comete abusos? É provável que sim. Aí entra, numa última instância, o Judiciário para reparar eventuais danos causados ao aluno e sua família. A contrariedade, quase unânime (neste caso, não é sinônimo de burrice...), à minuta do CEED não deixa dúvidas quanto à pretensão da maioria em não tergiversar ante a escalada do relativismo doentio que olvida os mais nobres e necessários valores historicamente construídos, valores estes indispensáveis à construção de uma sociedade melhor e mais fraterna. 

Veja também:
http://institutosaofrancisco.com.br/site/artigos_visualizar.php?artigo_autenticacao_=072649adc4520e25567a9dcad4113a6c

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

MEQUETREFE



MEQUETREFE
Gilvan
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                Neste país, ninguém gosta de ser mequetrefe. Nossa “cultura” espezinha, joga às traças e lança no mais absoluto ostracismo o sujeito mequetrefe. Por aqui, o dinheiro empodera o indivíduo. Quem não o tem, precisa – ao menos – fazer de conta que o possui. Tal jogo de aparências tem se mostrado essencial no acúmulo do capital, onde poucos ganham muito, enquanto a maioria... Bom, a maioria tenta fugir à pecha de mequetrefe. Na terrinha onde o malandro é tido por herói, pouco importa a real condição do sujeito (sujeito de quê?). O que vale é acompanhar as novas tendências e tornar público as últimas aquisições. Vende-se a alma pelo celular, iPod, videogame, par de sapatos, bolsa, etecetera e tal. Tudo, de preferência, no plural. Não basta “um” para dar conta de tamanho ego. Produz-se, assim, não apenas lixo e mais lixo industrial, mas também humano. Figuras movidas pela incontrolável necessidade de ter, possuir, parecer... Mesmo que, para tanto, comprometam meses, anos, do já parco orçamento doméstico. O mais irônico é que o vazio existencial tem se mostrado diretamente proporcional ao número de prestações a serem pagas. O que era encanto, vira desespero e sentimento de culpa. Para expiá-la, entra-se num pérfido ciclo vicioso, onde novas aquisições são feitas e, com elas, dívidas e mais dívidas contraídas. Burro sim, mequetrefe jamais. O temor de parecer mequetrefe, mesmo o sendo, é tão grande que tudo parece valer a pena. Inclusive o crime, a perfídia, o engodo, a apropriação indébita, a traição. O que é a tênue e hipotética sanção penal frente à óbvia e certa invisibilidade social? Ninguém gosta de ser mequetrefe. Salvo, é claro, em momentos ímpares, como aquele amplamente divulgado pelos mais diversos órgãos de imprensa, onde o próprio advogado de defesa de uma das rés alegou ser sua cliente uma personagem mequetrefe na engrenagem por hora apresentada. A ré deve ter se revolvido na cadeira. Mequetrefe? Antes a condenação do que o vergonhoso adjetivo. O que vale uma vida sem as aparências? A expressão do defensor deve ter calado fundo, doído no rim. A acusada deve ter desejado, naquele momento, a morte. Sim, dela e do advogado, pago, muito provavelmente, a peso de ouro. Não deve ter dormido naquela noite e, nem tampouco, nas seguintes. O que pensaria sua família, amigos, colegas, subalternos... O que diriam os outros? Mequetrefe. O termo, feito corvo a comer o fígado de Prometeu, deveria soar como cravo nas mãos (não de Cristo, posto que tal comparação seria por demais indigna...) do crucificado. Pior ainda era ver o vocábulo sair, a posteriori, da boca do insigne ministro do mais elevado Tribunal do país. Inteligente o magistrado. Feito instrumento de tortura medieval, a palavra deve ter produzido na ré lancinante dor. Mequetrefe. Preferiria ela ter sido, quiçá recebido um “culpada!”, “condenada!”, mas não “mequetrefe!”. A estratégia da defesa surtira resultado? Só o tempo o dirá. O certo, contudo, é que o termo “mequetrefe” saiu do rol das expressões obscuras e desconhecidas, passando a ser um sinal de esperança em dias melhores, dias em que os reais e nobres valores se sobreponham à enganosa cultura fundada nas aparências, nos “jeitinhos”, dias onde a honradez e a ética jamais cedam lugar aos caprichos individuais, dias em que mequetrefes sejam tão somente aqueles que olvidam o interesse verdadeiramente público e coletivo.   

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O Consumo de Álcool por Crianças e Adolescentes

O CONSUMO DE ÁLCOOL POR CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Prof. Gilvan Teixeira



                No último dia 25, a Rede de Escolas São Francisco – representada pelo Professor Gilvan Teixeira – participou de um evento organizado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP), com enfoque no consumo de álcool por crianças e adolescentes. Um problema que vem se intensificando pela venda irresponsável por parte de alguns comerciantes, pela propaganda midiática que associa o consumo de álcool ao sucesso, bem como pela ausência de um acompanhamento mais incisivo por parte da família. O consumo de álcool por menores, sabe-se, é a porta de entrada para outras drogas. A licitude de seu uso, associada à falsa idéia de que suas consequências são menos trágicas do que a de outras substâncias contribui sobremaneira para o alargamento dessa chaga social.

                Ante o exposto, decidiu-se pela criação de um Fórum Permanente, com a participação não apenas do MP, mas de outras esferas do Poder Público, escolas públicas e privadas, empresas ligadas à promoção de eventos voltados a menores, comerciantes, entre outros. Algumas iniciativas, apesar de aparentemente pequenas, vem corroborando a intenção de abolir por completo o consumo de álcool por crianças e adolescentes. A Associação de Pais e Mestres do Colégio Rosário, por exemplo, há muito aboliu o álcool de todo e qualquer evento envolvendo seus educandos. A Rede de Escolas São Francisco, vale lembrar, há anos substituiu o vinho por suco de uva no preparo do quentão servido na Festa Junina. Além disso, eventos de formatura envolvendo alunos da Rede, mesmo que não organizados pela instituição, são previamente informados ao MP, Brigada Militar e Conselho Tutelar, objetivando prevenir – entre outros – o consumo de álcool por crianças e adolescentes. Contudo, não basta as instituições de ensino fazerem sua parte. Os pais devem fazer a sua. É necessário que primem pela orientação, fiscalização e imposição de limites bem claros aos filhos. Cabe à família exercer o primeiro “controle social”. Ao Estado incumbe a importante tarefa de coibir a venda ilegal de álcool a menores, punindo com rigor aqueles que descumprem o ordenamento jurídico. A formação das novas gerações é, por certo, responsabilidade de todos.  

Leia:
http://www.institutosaofrancisco.com.br/site/artigos_visualizar.php?artigo_autenticacao_=0cd6c894ae6e47d660386f79afb72871

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Conhecendo o Ministério Público

CONHECENDO O MINISTÉRIO PÚBLICO
Prof. Gilvan

                O Instituto de Educação São Francisco participou do projeto “Conhecendo o Ministério Público” desenvolvido pela Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (AMP-RS). A iniciativa visava, sobretudo, aproximar os cidadãos e o Ministério Público (MP), este último uma das principais instituições representativas da sociedade. Várias foram as etapas do Projeto, desde a divulgação até a premiação. Para que o intento desse certo, indispensável foi a participação dos alunos da oitava série, sob a coordenação do professor Joel Bueno. Dos trabalhos apresentados, mereceu destaque o texto da aluna Isabelle Plínio (fotos), tendo sido o mesmo selecionado entre os sete melhores trabalhos individuais da capital gaúcha. Na última sexta-feira (07 de outubro), a aluna, juntamente com a avó e com o professor Gilvan (representando a Escola), esteve na sede da AMP-RS para a etapa final do concurso. O texto foi lido para uma platéia atenta, tendo recebido inúmeros elogios e muitos aplausos. Apesar de não ter sido escolhida entre as três vencedoras, é inegável a importância do trabalho da aluna, corroborando a certeza de que somos uma Escola de muitos talentos. Fica o nosso parabéns a todos aqueles que, direta ou indiretamente, participaram do projeto, de modo muito especial à Isabelle da turma 813.

                Abaixo, o texto da aluna:


O que esperar do Ministério Público?
O Ministério Público é uma instituição permanente que representa o Estado, defendendo os interesses que a lei determina. Ele atua em diversas áreas no País desempenhando sua função em áreas criminais, direitos humanos, civil e patrimônio público, consumidor, infância e juventude, direito de família, meio ambiente e ordem urbanística.
Na área da educação eu gostaria que o ministério tivesse mais atenção no desenvolvimento dos cidadãos, pois a educação é o caminho que assegura a todos os brasileiros a formação comum disponível para o exercício da cidadania e fornece os meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.Hoje em dia a educação esta cada vez mais desvalorizada, professores que são a base da educação estão sendo deixados de lado, com salários precários, alunos que saem despreparados dos cursos e verbas que deveriam ser destinadas a educação são desviadas para as contas de políticos corruptos, que só pensam em si próprios.
Em nível de saúde, espero que o Ministério Público através de campanhas influencie a prevenção das doenças e manutenção da saúde, pois todo o cidadão tem direito ao serviço de saúde gratuito, mas faltam recursos e ações para atender com qualidade toda a população.
A espera por uma consulta pode levar até anos, muitas vezes as pessoas já estão com o nível de doença avançada ou até mesmo já morreram, quando conseguem marcar o atendimento. Enquanto muitos que não precisam estão usufruindo dos direitos dos menos favorecidos. Espera-se igualdade para todos. O Ministério Público não depende só dele, mas de todos para construir um Brasil melhor.
Outra preocupação é com a segurança pública e com o aumento da violência que vem se propagando por todo o país. Impunidade, descaso com a população, policiais se aliando com bandidos, políticos corruptos, sendo o fator associado a tudo isso é a pobreza e miséria.
O Ministério Público deveria prestar mais atenção à população. O descaso do governo só faz com que a violência se agrave. A violência é o fruto de uma sociedade desigual e injusta que não oferece condições de evolução aos jovens desfavorecidos.
É fundamental a melhoria da qualidade de vida da população carente para que haja a melhoria da qualidade de segurança pública.
Eu vejo que o país precisa melhorar muito em diversas áreas, para proporcionar aos cidadãos brasileiros melhor qualidade de vida. Isso só poderá acontecer com a união de toda a população e a cobrança dos seus direitos como cidadão.