Este "blog" objetiva servir de ferramenta de pesquisa e de diálogo constante com o público. Os textos são originais e trazem o ponto de vista do autor acerca de inúmeras temáticas. Boa leitura!
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terça-feira, 23 de junho de 2015
ATIVIDADE PARA AS TURMAS 21,22, 23, 31 E 32
Tudo bem? Nas últimas aulas de Geografia, temos tratado, dentre outras coisas, acerca das chamadas "transnacionais". Estas últimas têm um significativo papel nas relações de consumo. Peço que assistas ao vídeo acima e, com a participação da família (pais/responsáveis), responda o que se pede:
1. Qual é o papel da propaganda na formação de uma criança?
2. Qual é a importância do "não" na formação de uma criança?
3. O que se entende por "erotização" da criança? Quais são os riscos, no(s) ponto(s) de vista de tua família?
4. Os pais ensinam mais pelo "exemplo" do que pela "palavra". Comente a afirmação.
A presente Atividade valerá até 1,5 (um ponto e meio), devendo ser respondida no caderno e corrigida em aula. Desde já, agradeço a participação.
sexta-feira, 19 de junho de 2015
ATIROU POR QUÊ?
ATIROU POR QUÊ?
Gilvan Teixeira
e-mail: profpreto@gmail.com
blog:
profgilvanteixeira.blogspot.com.br
Por que
atirou? Muitas são as respostas e vãs tentativas de “justificar” o ato imbecil, violento e covarde que
quase levou à morte de um querido aluno e ceifou a vida de seu amigo no último
dia dezesseis de junho. Atirou porque a vítima reagiu. Atirou porque ela não
reagiu. Atirou porque a vítima se negou a dar o que o agressor pedia. Atirou
porque ela entregou o solicitado pelo bandido, mas este não ficou satisfeito. Atirou
porque a vítima correu. Atirou porque ela permaneceu imóvel. Atirou porque... A
verdade, contudo, quase sempre, é que atirou
porque decidiu fazê-lo. Influenciado ou não pela droga, instigado ou não
pelos parceiros do crime, desconfiado ou não de uma eventual reação da vítima, fruto
ou não de uma sociedade injusta e desigual, resultado ou não de uma família
desestruturada, a responsabilidade deve
recair, primeiro, sobre o autor do infame delito, ainda que sob a perigosa
roupagem da dita menoridade. Tem sido comum o Poder Público, através da
Secretaria de Segurança ou da polícia, por exemplo, insistir na falácia de que
o melhor caminho é a não reação, como se tal opção fosse salvaguardar a vítima
das atrocidades do criminoso. Será por
isso que o Estado não tem reagido? Será por isso que o Estado tem se
mostrado omisso ou nada eficiente frente à absurda escalada da violência? Será
por isso que entra governo e sai governo, a insegurança segue produzindo as
metástases que têm levado a sociedade gaúcha à falência total dos serviços
públicos, inclusive o da segurança? O Estado tem se mostrado refém da
criminalidade, enlameado que está, por exemplo, na areia movediça da incompetência, da corrupção, da falta de
planejamento e de investimentos. Um Estado que não tem, nem de perto,
cumprido com suas obrigações constitucionais e, portanto, questionável e,
talvez, desnecessário. A violência que
enlutou a família do Gabriel e pôs em desespero os pais do Henrique é,
portanto, responsabilidade também do Poder Público. O Estado, assim como o
criminoso, precisa ser responsabilizado. O gestor que descumpre com seu papel,
o servidor que “suja as mãos” e denigre a própria consciência, o juiz (que,
apesar da toga, é servidor e não Deus...) que irresponsavelmente permite ao
criminoso ganhar as ruas, todos eles devem e precisam ser responsabilizados. O descontrole da violência é consequência,
sobretudo, da certeza da impunidade. O arcabouço jurídico há muito tem sido
motivo de chacota e escárnio, tamanha a distância entre a previsão e o
cumprimento do mesmo. Crimes não
investigados, inquéritos mal conduzidos, sentenças equivocadas, penas não
cumpridas... Virou rotina. Triste realidade que tem alimentado a indignação
e a convicção de que a saída para estancar a criminalidade, ainda que em parte,
não passa pelo modelo pífio de Estado
que temos. A sociedade precisa reagir
sim! Precisa fazer uso de todos os meios, ainda que coercitivos, para
garantir um direito que lhe é natural e, portanto, anterior à existência do
próprio Estado. As pessoas de bem, ainda
maioria, precisam se organizar, transformando a indignação e lancinante dor em
ações concretas capazes de subverterem as estruturas modorrentas de um Estado
que tem abandonado às moscas a população que o sustenta e lhe dá sentido. O
Estado existe para servir e não ser servido. Não é um fim em si mesmo e nem
tampouco espaço para realização de projetos mesquinhos de poder ou de enriquecimento
fácil. Basta de tanta violência. Não
podemos seguir assistindo nossas crianças serem violentadas, filhas sendo estupradas,
juventude sendo viciada, casas sendo assaltadas, veículos sendo roubados, vidas
inocentes sendo tiradas... A letargia do
Estado precisa ser rompida. Tiremos o sono do presidente, governador, prefeito,
ministro, secretário, senador, deputado, vereador, juiz, promotor, delegado... Não
sejam em vão as lágrimas das mães que enterram seus filhos ou que, na calada da
noite, suplicam aos céus pelo rebento à beira da morte.
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http://institutosaofrancisco.com.br/site/artigos_visualizar.php?artigo_autenticacao_=9728c6a2784ee154c3c9cc8ee10132a7
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domingo, 14 de junho de 2015
O GORDINHO DO ESPELHO
O GORDINHO DO ESPELHO
Gilvan Teixeira
e-mail: profpreto@gmail.com
blog:
profgilvanteixeira.blogspot.com.br
Quem disse que os gordinhos são lentos? O do espelho,
ao menos, era para lá de ágil. Bastava virar para avistá-lo, sumia como num
passe de mágica. Mais incrível ainda era sua habilidade para imitar com
absoluta perfeição os gestos e trejeitos de quem buscava surpreendê-lo. Feito
assombração, teimava em aparecer. Bastava um espelho ou algo que o valha, lá
estava ele. Mesmo nos lugares mais íntimos. Banheiro, quarto, trocador...
Parecia desconhecer todas as regras de etiqueta. Intrometido e, não menos,
evasivo. Como gato a escapar da água, o gordinho escapulia do olhar de todos,
salvo do desgraçado que tomara para companheiro inseparável. Verdadeiro encosto.
Tentara de tudo para dar um sumiço no gordinho do espelho. Receitas não
faltavam. Alguns sugeriam “plantar” galinha preta afogada em cachaça na
encruzilhada, outros indicavam benzedeira, sessão de descarrego ou rosa
imantada em água benta. Tinham até os que pareciam zombar de seu tormento,
preceituando – olhem só – coisas do tipo dieta à base de sopa, abdicar das
delícias açucaradas e caminhadas diárias. É verdade que algumas sugestões
surtiam resultado, mas por pouco tempo. Manter as luzes desligadas, retirar os
espelhos da casa, passar longe das vitrines das lojas... Era reacendê-las,
recolocá-los ou retomar os passeios ao shopping,
lá estava o gordinho, com aquelas bochechas rosadas e carinha arredondada. Apesar
de simpático, o sujeitinho era inoportuno e demasiadamente insistente. Já
cansado e quase desesperado com aquela companhia indesejável, apelara para
medidas extremas. Pedira à filha mais nova que permanecesse por perto e
vigiasse cada passo do pai. Fosse este ao banheiro, por exemplo, caberia à
pequerrucha denunciar a presença do gordinho atrás do coitado. Pura ilusão.
Apesar de todos os cuidados e estratégias, a imagem de quem o perseguia
continuava estampada no espelho. Não por acaso, urinava fora do vaso, pois
tinha que dividir sua atenção entre o sanitário e a presença do gordinho. Tomar
banho, então, virara uma tortura. Caísse o sabonete, ficaria jogado por lá,
junto a um canto do box. Há muito já não se barbeava, pois não queria aquela
presença indesejada a observá-lo feito predador diante de sua presa. Não
bastasse ultimamente andar respingado de mijo, com cabelo feito palha de milho
e barbudo, era ainda atormentado por uma insistente prisão de ventre. Pudera,
manter a concentração durante o simples ato de ir aos pés virara um esforço
hercúleo. Quando, finalmente, conseguia, desnecessário é descrever o cheiro
fétido a impregnar o ambiente. Espantava toda família para longe não apenas do
banheiro, mas da casa. Aliviado, com os intestinos desobstruídos, ia
cuidadosamente até o espelho na esperança de ter se livrado do gordinho. Que
nada, lá estava ele com aqueles olhinhos esbugalhados e a testa suada como se
tivesse recém saído de uma guerra. Não tinha mais prazer nem mesmo no quarto.
Tudo ia bem até que a mulher resolvera colocar um “senhor” espelho na cabeceira
da cama. O gordinho, então, aumentou exponencialmente de tamanho, enquanto a
libido do sujeito virou pó. Depois de muito resistir e ouvindo as súplicas dos
amigos e da família, resolvera procurar um psicólogo. Indicação de um colega de
serviço, o cartão trazia estampado em forma de marca d’água o símbolo da
profissão e sobre ele o endereço, número do registro e nome do sujeito. Ao
chegar no consultório, viu diante de si uma figura que mais parecia lutador de sumô a cumprimentá-lo de maneira muito
simpática. Sua mão desapareceu entre os dedos rechonchudos do anfitrião. Ao
lado do divã, como a chamá-lo, um grande espelho a refletir sua própria imagem
e a do enorme corpo do psicólogo. O gordinho, como num passe de mágica,
simplesmente desaparecera. Estava curado!
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segunda-feira, 1 de junho de 2015
ATIVIDADE PARA AS TURMAS 31 E 32
Tudo bem?
Nossas últimas aulas têm versado sobre o crescimento
demográfico nos países do Sul, especialmente
na Ásia e África. Quanto a este
último continente, trabalhamos, por exemplo, o impacto da história (colonização entre os séculos XIX e XX) sobre
as condições socioeconômicas e, por conseguinte, sobre o próprio crescimento
demográfico. Peço que assistas ao vídeo
acima e – a partir do que temos visto em aula e com base na pesquisa por ti
feita – respondas o que se pede:
01. Comente sobre os conflitos
étnicos na República Centro-Africana, destacando algumas causas.
02. Pesquise sobre a
interferência da ONU na República Centro-Africana. O que pretende? Como tem sido?
Consequências?
03. Qual é a relação entre o
processo de colonização da África e os conflitos lá existentes? O caso da
República Centro-Africana é “isolado”? Justifique e exemplifique.
04. A história tem mostrado
que, não raras vezes, o homem usa a religião como pretexto para matar e
escravizar. Assim, ao que se vê, a fé pode ser usada como poderoso instrumento
de transformação (salvação) ou de destruição. Comente a afirmação.
A presente Atividade valerá até 2,0 (dois) pontos. Deverá ser feita no caderno e
corrigida em aula, conforme data
previamente estabelecida pelo Professor.
Bom Trabalho!
terça-feira, 26 de maio de 2015
O MENTECAPTO: PERGUNTAR NÃO OFENDE!
O MENTECAPTO: PERGUNTAR NÃO OFENDE!
Gilvan Teixeira
e-mail: profpreto@gmail.com
blog:
profgilvanteixeira.blogspot.com.br
O mentecapto é assim mesmo. Insiste em pensar
bobagem. Atolado em seus devaneios, insiste ver chifre em cabeça de cavalo.
Pudesse, inquiriria os mais entendidos sobre dúvidas que o perseguem. Afinal,
perguntar não ofende, pensa. Como entender que o chefe de segurança de um ex-Secretário
de Segurança fosse, ao mesmo tempo, guarda-costas de um dos maiores traficantes
da região? Falta de informação, infelicidade, coincidência? O mentecapto não
acredita no acaso. Por mais que o tentem convencer de que não se pode confundir
alhos com bugalhos, segue pensando o pior. Teima em engolir a ideia de que o
principal responsável pela morte do traficante, cliente do chefe de segurança,
fosse preso e assassinado dentro do presídio. Como alguém que estava sob a
tutela do Estado foi asfixiado? Mais uma coincidência? Assim como fora
coincidência o fato de que a guarda responsável pela vigilância do preso fosse
uma novata? Mesmo ele, um mentecapto e, portanto, um idiota, sabe que aquele
preso, em especial, deveria receber atenção redobrada. O Secretário de
Segurança, ao que parece, não sabia. O governador, o Diretor do presídio, o
juiz e todos os outros agentes públicos também não sabiam. O mentecapto já não
sabe quem é, de fato, o imbecil. Está preocupado e temeroso em desconfiar que o
Estado tem flertado com o crime organizado. Tem calafrios só em pensar que as
mais altas lideranças e outros servidores de todos os Poderes possam, de alguma
maneira, se prostituir, vendendo suas consciências por algumas moedas, ainda
que manchadas pelo sangue que brota da violência associada ao tráfico. Tem
pesadelos ao imaginar que lobo e cordeiro, apesar da aparente distinção trazida
pela toga ou pela gravata, possuem a mesma essência e desmedida malícia. O
mentecapto anda desconfiado. Vê fantasmas por todos os lados. Já não dorme
direito, achando que o Apocalipse se avizinha. Mesmo a propaganda oficial, com
todas aquelas imagens, slogans e
frases de efeito, é incapaz de insuflar nele um pouco de ânimo. Lembra uma
barata tonta a escapar da morte que parece certa. O tempo arrefece a memória e
tende a amarelar as páginas do jornal. Quiçá, ali adiante, também o mentecapto
esqueça todas essas bobagens. Presídios controlados pelos encarcerados, ações
policiais abortadas pela carência de vagas nas cadeias, “prefeitos” que
determinam quem vive e quem morre nas galerias, pavilhões recheados de
celulares, bebidas, armas e drogas... Quanta besteira! O mentecapto, ao que se
vê, perdeu por completo o juízo. Exagera, inventa, vê o que ninguém mais vê.
Coitado. A lucidez, feito lampejos, raramente tem dado as caras. Já não sabe
quem “cheira”: ele, o traficante ou o Secretário. Alucinado, o idiota perambula
pelas fétidas ruas escuras e desertas, por vezes esbarrando num ou noutro monumento
coberto pela pichação. A cidade estaria cada vez mais feia ou tudo não passa de
uma visão distorcida pelo avanço da esquizofrenia? Achassem-no agora, o
tomariam por ébrio. Sem razão é claro, afinal tropeçava não nas pernas, mas nas
próprias ideias.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
CONTEÚDOS DE GEOGRAFIA (2015)
CONTEÚDOS PARA 2015
Prof. Gilvan
Teixeira
e-mail: profpreto@gmail.com
blog:
profgilvanteixeira.blogspot.com.br
Observe,
abaixo, a relação de conteúdos para
o presente ano letivo.
SEGUNDO ANO DO MÉDIO (TURMAS 21, 22 E 23)
PRIMEIRO TRIMESTRE
1. O imperialismo e a
Primeira Guerra Mundial.
2. O Socialismo e as
transformações do espaço geográfico.
3. A dinâmica da crise de
1929.
4. A Segunda Guerra Mundial:
causas e consequências.
5. A Ordem Mundial pós-
Segunda Guerra.
6. A Guerra Fria.
7. O fim da Guerra Fria e a
nova Ordem Mundial.
8. A Rússia na atual Ordem
Mundial.
9. A China no cenário mundial.
SEGUNDO TRIMESTRE
1. A Globalização e as
transnacionais.
2. O papel do Estado na
economia globalizada.
3. Os sistemas de transporte
e comunicação no mundo globalizado.
4. O aspecto sociológico dos
meios de comunicação no Brasil.
5. A produção e consumo de
energia: problemas e desafios.
6. As fontes alternativas de
energia.
7. A questão energética no
Brasil.
8. As fases da Indústria.
9. Revolução Industrial.
TERCEIRO TRIMESTRE
1. A questão fundiária nos
países desenvolvidos e subdesenvolvidos.
2. A questão fundiária no
Brasil.
3. Regiões industrializadas
no cenário mundial.
4. A indústria no Brasil:
passado, presente e perspectivas.
5. Neoliberalismo.
6. O Estado brasileiro: da
monarquia à República.
7. As Constituições
brasileiras.
8. A Constituição de 1988.
9. O Estatuto da Criança e do
Adolescente.
TERCEIRO ANO DO MÉDIO (TURMAS 31 E
32)
PRIMEIRO TRIMESTRE
1. Revolução Industrial e
crescimento demográfico.
2. Teoria malthusiana.
3. Transição demográfica.
4. Estabilização demográfica
no Norte.
5. Explosão demográfica e
novas teorias populacionais.
6. Crescimento populacional e
recursos naturais.
7. Transição demográfica no
Brasil.
8. Composição etária e
impactos sociais.
9. Países de elevado
crescimento demográfico.
10. Envelhecimento
populacional e previdência social.
11. Distribuição da população
por sexo.
SEGUNDO TRIMESTRE
1. Setores da atividade
econômica.
2. Globalização, tecnologia
da informação e serviços.
3. Importância do turismo.
4. Transformações no mundo do
trabalho.
5. Economia informal.
6. O trabalho no Brasil.
7. O desemprego no Brasil.
8. Trabalho escravo no
Brasil: passado e presente.
9. A mulher no mercado de
trabalho.
10. População e renda no
Brasil e no mundo.
11. O Estado na distribuição
de renda.
12. IDH
13. Globalização e movimentos
migratórios.
14. Migrações internacionais:
tipos, causas e consequências.
15. Migrações internas no
Brasil: tipos, causas e consequências.
16. Estudo de casos.
TERCEIRO TRIMESTRE
1. Cidadania.
2. A cidade ao longo da
história.
3. Urbanismo e planejamento
urbano.
4. Metrópoles e cidades ditas
globais.
5. O processo de urbanização
no Brasil.
6. Rede Urbana.
7. O problema da moradia
urbana no país.
OBSERVAÇÃO: Os conteúdos acima representam apenas um “indicativo” do que será trabalhado ao longo do ano letivo, podendo ser alterados conforme a necessidade verificada pelo Professor. Bom ano letivo a todos!
domingo, 19 de abril de 2015
ATIVIDADE
PERMANENTE PARA OS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO SF
Prof.Gilvan
e-mail: profpreto@gmail.com
blog:
profgilvanteixeira.blogspot.com.br
A disciplina de Geografia tem, dentre seus objetivos,
a intenção de instigar a autonomia do educando, assim como a pesquisa e a
capacidade de comunicar-se. O presente Trabalho aplica-se às Turmas 21, 22, 23,
31 e 32, sendo desenvolvido ao longo do segundo e terceiro trimestres.
O Trabalho será individual
ou em grupo (máximo seis
integrantes), devendo ser apresentado em
aula. O tempo máximo para apresentação será de 05 (cinco) minutos. Caberá ao aluno (grupo) escolher a forma de apresentação (paródia, teatro,
jogral, etc.), desde que a mesma ocorra de
maneira presencial (ao vivo). Ao aluno (grupo) caberá, ainda, a escolha do
tema (assunto), desde que o mesmo tenha relação com os conteúdos programáticos
da disciplina de Geografia do respectivo ano (série), conteúdos estes
disponíveis no blog (profgilvanteixeira.blogspot.com.br).
Na semana anterior à apresentação, o aluno (grupo) deverá entregar ao Professor, por escrito, a síntese do Trabalho a ser
apresentado. A síntese deverá trazer: nome(s) e turma do aluno (grupo), número,
tema escolhido (assunto) e forma de apresentação. Serão apresentados, no
máximo, 02 (dois) Trabalhos por período, conforme “escala” previamente
comunicada pelo Professor.
O presente Trabalho
valerá até 3,0 (três) pontos na Qualitativa, sendo avaliado conforme segue:
a) síntese (a ser entregue ao
Professor) – 0,5;
b) organização – 0,5;
c) criatividade – 1,0;
d) conteúdo – 1,0.
A data estabelecida para apresentação do Trabalho é
improrrogável. Caso algum integrante do grupo não compareça, ainda assim o
Trabalho será apresentado.
Abaixo, o cronograma
a ser seguido:
SEGUNDO TRIMESTRE
|
TURMA(S)
|
ENTREGA DOS
NOMES
|
INÍCIO DAS
APRESENTAÇÕES
|
|
21, 22, 23, 31 e
32
|
Até 22/05
|
A partir de
01/06
|
TERCEIRO TRIMESTRE
|
TURMA(S)
|
ENTREGA DOS
NOMES
|
INÍCIO DAS
APRESENTAÇÕES
|
|
21, 22, 23, 31 e
32
|
Até 21/08
|
A partir de
31/08
|
sábado, 18 de abril de 2015
MALHANDO TRIGO NO LAGAR?
MALHANDO TRIGO NO LAGAR?
Gilvan Teixeira
e-mail: profpreto@gmail.com
blog:
profgilvanteixeira.blogspot.com.br
Lugar de malhar trigo era na eira, lugar amplo e
arejado, para que as impurezas fossem lançadas para longe, ficando somente o
que era bom. O lagar, por outro lado, constituía-se num lugar escuro, escondido
e de acesso bastante limitado, onde a uva era pisada. Assim como Gideão, um dos
“juízes” de Israel, muitos são os que escondem sua autoridade nos “lagares” da
vida. Pais, mães, educadores e educadoras, por exemplo, demonstram medo de
exercerem o papel de ascendência que deles se espera. Autoridade esta que, por
óbvio, não se confunde com tirania ou autoritarismo. Como o personagem bíblico,
muitos são os genitores e professores que, acuados e amedrontados, parecem
duvidar do “chamado” ético que lhes diz respeito. A visão turva, coberta pela
catarata de um falso conceito de “modernidade”, tem colocado em risco gerações
inteiras, estas cada vez mais presas ao terreno movediço das drogas, do engodo,
da leviandade, do desrespeito, da indisciplina, da preguiça e, muito comumente,
da criminalidade. O temor ou inabilidade de malhar o trigo na eira, às claras,
portanto, tem levado muitos a optarem pelo breu dos lagares escorregadios, onde
o artifício do relativismo doentio busca justificar o injustificável. Assim, malcriação,
mentira, furto, agressão física, ofensa moral, consumo de álcool e de entorpecentes
são vistas e tratadas com leniência, como se naturais e aceitáveis fossem. Apoiados
em algumas teorias “psicanalíticas” e “pedagógicas” insanas e irresponsáveis, acabam
muitos pais e professores, por exemplo, fazendo vistas grossas ao problema. Delegam
ao “tempo” a responsabilidade que lhes é inerente, o mesmo tempo que muito
provavelmente irá mostrar, ainda que tardiamente, o quanto estavam errados.
Ora, o tempo, por si só, não educa. Somente ações efetivas, posturas
exemplares, modelos seguros e confiáveis, palavras firmes, cobranças permanentes
e salutar cumplicidade com a sorte dos rebentos são capazes de educar. O amor
exigente é que educa, ao contrário da condescendência cega. Assim como não
basta o vento para separar o trigo de sua casca, soa como ingênuo lançar sobre
o tempo a educação de nossas crianças e jovens. Malhar o trigo exige
disposição, iniciativa, bem como trabalho duro e persistente. Educar, da mesma
forma. A casca, assim como as dificuldades e tendências talvez “inatas” do ser
humano, precisa ser “malhada”. Negá-la ou mantê-la como se útil fosse para o uso
do trigo não parece razoável. O ato de educar não deve ser terceirizado, mas
assumido com responsabilidade. Pais não têm o direito ético, moral e legal de
lançarem sobre os ombros de outrem a obrigação que lhes compete. A escola e o
Poder Público, da mesma forma, resguardadas as atribuições de cada um. Urge
colocarmos a educação de nossas crianças e adolescentes na eira. Abandonemos o covarde
papel inicial de Gideão, mas como ele, viremos o jogo e, de forma corajosa,
vençamos a difícil, porém necessária, peleja em prol daqueles quem mais amamos.
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domingo, 5 de abril de 2015
O SOCIALISMO E AS TRANSFORMAÇÕES DO ESPAÇO GEOGRÁFICO
O SOCIALISMO E AS TRANSFORMAÇÕES
DO ESPAÇO GEOGRÁFICO
Prof. Gilvan
e-mail: profpreto@gmail.com
blog:
profgilvanteixeira.blogspot.com.br
Apesar de serem
muitos os conceitos envolvendo o termo “Socialismo”, quase todos têm em comum a
defesa de uma sociedade pautada na igualdade. Contudo, ao contrário do que
possa parecer, o próprio conceito de “igualdade” traz consigo opiniões nem
sempre concordantes, especialmente se analisarmos tal ideia ao longo da história
da humanidade. Platão (Grécia Antiga), por exemplo, tinha um conceito de
sociedade ideal distinta da Thomas Morus (século XVI), enquanto este último
trazia uma concepção de sociedade perfeita diferente daquela defendida por Karl
Marx (século XIX). Vale lembrar, ainda, que ao falarmos em Socialismo, é
fundamental que façamos distinção entre os chamados Socialismos “Utópico”, “Cristão”
e “Científico” (Marxista), distinção esta trabalhada e discutida ao longo de
nossas aulas. Além disso, precisamos, ainda, distinguir os Socialismos Real e
Ideal, ou seja, o Socialismo de fato vivenciado daquele que, segundo Marx,
deveria ser.
Independentemente
das discussões teóricas ou ideológicas acerca do Socialismo, o certo é que o
referido “modo de produção” trouxe profundas transformações no espaço geográfico
de uma forma geral e na Ordem Mundial de forma particular. Não por acaso, o
mundo do Pós-Guerra (1945) passou a conviver com uma Ordem assentada na chamada
“bipolaridade”, onde a Guerra Fria representou o tensionamento entre os mundos
Capitalista (sob a liderança dos Estados Unidos) e Socialista (liderado pela
ex-União Soviética), enfrentamento este com inúmeras consequências políticas,
culturais, econômicas e militares, por exemplo. A Ordem Bipolar (1945 – 1985),
aos poucos, foi dando lugar à atual Ordem, onde os antigos países ditos “socialistas”
passaram a constituir o grupo das “Economias de Transição”, verificando-se a
passagem de uma economia socialista para uma economia capitalista ou, ainda, de
uma economia planificada para uma de mercado. Vale lembrar, contudo, que nem
todos os autores concordam com tal conceito, haja visto dividirem o mundo de
hoje em Norte e Sul. Para entendermos o conceito de Economias de Transição,
devemos, antes, lembrarmos o que se entende por “economia planificada” e
“economia de mercado”. Sucintamente, a chamada “economia planificada” seria
aquela marcada pela centralização, onde o Estado detém o controle sobre os
meios de produção (máquinas, terras, fábricas, entre outros). Já a chamada “economia
de mercado”, típica do Capitalismo, é aquela marcada, ao menos em tese, pela
livre iniciativa, onde o principal objetivo do empreendimento é a busca do
lucro.
Para
entendermos as Economias de Transição precisamos, ainda, lançar um olhar sobre
a história do Socialismo Real, especialmente, o período que coincide com a
chamada crise desse modo de produção. Tomemos a título de exemplo o caso da
antiga União Soviética (URSS). Esta, como Estado, surgiu em 1922, especialmente
com o expansionismo russo em relação aos territórios contíguos. Vale lembrar
que a Rússia foi o primeiro país do mundo a adotar, em 1917, o Socialismo. A
história da URSS, como a de qualquer outro Estado, está marcada por altos e
baixos, momentos de hegemonia e de crise. Durante muito tempo (período da
“Guerra Fria”) ela dividiu a liderança política, militar e ideológica com os
Estados Unidos da América. Contudo, entre o final da década de 1980 e início da
década de 1990, especialmente durante o governo do presidente Gorbachev, a URSS
presenciou um rápido processo de reestruturação econômica e de “abertura”
política, com a “perestroika” e a “glasnost”, respectivamente. Aos poucos, a
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas foi se desintegrando, sendo que
suas repúblicas foram buscando a independência e a autonomia em relação ao governo
central.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
PROFESSOR, LEVANTA-TE
PROFESSOR, LEVANTA-TE!
Gilvan Teixeira
e-mail: profpreto@gmail.com
blog:
profgilvanteixeira.blogspot.com.br
Feito Lázaro inerte, encoberto por ataduras, assim
tem se mostrado um incontável número de educadores. Prostrados e cabisbaixos,
seguem em sua vidinha profissional modorrenta, imersos em lamúrias e memórias
de um passado que, pensam, ter existido. Soterrados em dívidas, veem o limite
do cartão estourar, enquanto a algibeira mais parece o Sertão. Pressionados por
alguns pais, alunos e hierarquia laboral, titubeiam em suas iniciativas e
decisões. Nervosismo, insegurança e medo são apenas alguns dos ingredientes a
levedarem a massa do desânimo e do derrotismo. Assolados pelo crescente
descrédito social, poucos não são os professores que chutam o balde, desistindo
de suas carreiras ou, o que é pior, insistindo num faz de conta que ensina. Acabam
por desaguar no aluno a própria insatisfação. Neste último caso, mostram-se
azedos e com cara de poucos amigos. Gazeiam o trabalho, sabotam as mais
elementares regras profissionais e pouco ou nada fazem para construção de um
ensino de qualidade. Cria-se um triste círculo vicioso, onde o professor não é
valorizado porque não faz a diferença, enquanto não faz a diferença porque não
é valorizado. Pérfida e vil ciranda precisa ser quebrada. O professor precisa (re)conquistar
seu espaço, ser autor de sua história, deixando de lado o papel secundário e
quase desprezível hoje assumido. O verdadeiro protagonismo não nasce de uma
normativa legal ou de uma campanha publicitária cunhada a peso de ouro. Nasce,
sobretudo, da luta arduamente travada no dia-a-dia. A baixa remuneração é tão
somente a ponta de um complexo iceberg
solidamente construído ao longo de muitos anos. Tal qual vítima do
sequestrador, o professor aparenta ter se afeiçoado ao agressor numa espécie de
síndrome de Estocolmo. Faz o jogo do inimigo, apesar do discurso por vezes moralista
recheado de chavões e palavras-de-ordem. Opta pelo caminho aparentemente mais
cômodo, ganhando um pouquinho mais aqui ou acolá, por meio de reposições, triênios,
promoções por merecimento, incorporações de funções gratificadas, etecetera e
tal. Preocupa-se, como se vê, apenas com a cereja do bolo, sem mexer naquilo
que é essencial e estruturante, a saber, sua função social. Vale lembrar que o
professor precede o médico, o advogado, o engenheiro e o juiz, por exemplo. Por
que então a abissal diferença remuneratória em desfavor do educador? Formação?
Absolutamente! Tamanha desvalorização foi sendo construída, também, por meio da
ação/omissão dos próprios professores. Como? Ao acomunar-se com os “jeitinhos”
comumente aceitos, apesar de reprováveis sob o ponto de vista ético. Ao
acomodar-se intelectualmente abrindo mão da permanente e indispensável
pesquisa. Ao fechar os olhos às profundas mudanças sociais e tecnológicas. Ao
entregar seu destino nas mãos de organizações sindicais eivadas de vícios e
interesses espúrios, sem delas efetivamente participar. Ao dobrar-se ante o
assédio de pais inescrupulosos que entronizam seus rebentos como se reis
fossem. Ao dizer amém às mantenedoras e patrões que, muito comumente, atropelam
os limites mínimos garantidores da dignidade profissional do educador. O fato é
que os professores foram se acostumando às esmolas e sobras. Não por acaso, a
maioria das escolas (principalmente públicas...) vegeta na mais profunda e
vergonhosa carência de tudo, contrastando com a suntuosidade dos tribunais,
câmaras e assembleias legislativas. Mais do que simbólico, tamanhas aberrações
são a prova cabal e inconteste do “espaço” reservado ao ensino neste país. Portanto,
professor, levanta-te! Digas não à intromissão indevida de alunos, pais, diretores,
secretários, promotores, juízes e legisladores. Digas não à perpetuação das
inadmissíveis e gritantes disparidades salariais entre tu e aqueles a quem
ensinaste, ainda que reconhecidos doutores. Digas não ao peleguismo sindical que
pouco faz por ti. Digas não à opacidade social à qual foste relegado e te
deixaste relegar. Professor, rompas as ataduras e mordaças e, assim como
Lázaro, levanta-te e sai para fora.
terça-feira, 31 de março de 2015
OS PUXADINHOS DA ESCOLA
OS PUXADINHOS DA ESCOLA
Gilvan Teixeira
e-mail: profpreto@gmail.com
blog:
profgilvanteixeira.blogspot.com.br
Não fosse trágico, seria cômico. As escolas neste
país, principalmente (mas não somente...) as públicas, convivem com a síndrome
dos “puxadinhos”. Lida-se com elas como se fossem um fusca velho. Remenda-se
uma correia aqui, aperta-se um parafuso ali, dá-se uma martelada acolá e
toca-se o barco adiante, ainda que aos trancos e barrancos. Sobra amadorismo,
enquanto falta competência por parte do Estado para imprimir ao ensino a
importância historicamente deixada de lado. Não apenas competência, mas faltam
ao gestor público seriedade e compromisso com a “coisa” pública. Enquanto as
secretarias municipais e estaduais de ensino, assim como o Ministério da
Educação, seguem loteadas por interesses político-partidários espúrios e
mesquinhos, as escolas definham, mais fazendo lembrar um amontoado de ossos secos
sob a indisfarçável pele da indiferença. Salas de aula imundas e mal pintadas,
bibliotecas e laboratórios sucateados, pátios nada convidativos, refeitórios
onde o que menos se vê é uma alimentação equilibrada e de qualidade, banheiros depredados
e mal cheirosos a despertarem a saudade das velhas patentes de tempos
pretéritos... Sobejam problemas na mesma medida que escasseiam soluções
efetivas. Discursos e chavões é que não faltam, assim como as velhas e
desgastadas promessas jamais cumpridas. Enquanto a acessibilidade passa de
largo, a comunidade escolar vai driblando as dificuldades do terreno irregular,
das escadarias mal projetadas e dos acessos por vezes intransponíveis. O mesmo
ente público que tece e fiscaliza os regramentos, não os cumpre, numa
insofismável demonstração de incoerência e criminosa irresponsabilidade. Ao
exercício do magistério sonega-se não apenas o salário minimamente razoável,
mas também as ferramentas indispensáveis no processo ensino-aprendizagem. É
duvidar, falta inclusive o giz, restando quiçá o cuspe a um profissional
aviltado em seu bolso e extorquido em seus sonhos. Quanto ao aluno, segue
alimentado por quimeras e palavras vazias acerca de um futuro que jamais chega.
Fora os parcos instantes sob os flashes das
fotos onde pousa ao lado do prefeito, governador ou presidente, o que prevalece
é o breu de uma vida desassistida e fadada à pobreza. A escola, antes do que
tábua da salvação, há muito vem sendo trampolim para interesses que não vão além
do umbigo de alguns inescrupulosos. O quadro-verde esburacado, os ventiladores
estragados, o telhado mais parecendo um queijo suíço, os jurássicos equipamentos
de uma tecnologia para lá de ultrapassada são apenas a triste ponta de um
vergonhoso iceberg. A esquálida
figura da escola é nada mais do que o retrato do atávico descaso com que o
ensino vem sendo tratado por estes páreos. A real qualidade é preterida em nome
das aparências. Confeccionam-se gráficos multicoloridos que, no frigir dos
ovos, buscam escamotear um contexto sombrio e preocupante. Maquila-se a evasão
com o jogo de palavras e trocadilho de conceitos, assim como “resolve-se” o
problema da repetência com a invenção de fórmulas mágicas. Como de costume,
joga-se para debaixo do tapete toda a fétida sujeira que impede que nossos
educandos, de fato, aprendam. Pactua-se com o politicamente correto passando
panos quentes sobre a incompetência de alguns pseudo-educadores e quase
absoluta inabilidade de muitos gestores. Trata-se, muito comumente, o aluno e
sua família como bestas, como se não fossem eles os que dão sentido à escola. Inexiste
servidor público sem o contribuinte que o sustente. O educando é imprescindível
ao profissional da educação. O primeiro precede o último, dando-lhe razão de
ser. A escola merece respeito! Escola jamais deveria rimar com esmola, mas
carece, isto sim, é de ser entronizada como única resposta para superação do
subdesenvolvimento.
terça-feira, 24 de março de 2015
A EJA E O PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO: DESAFIOS
A EJA E O PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO: DESAFIOS
Prof. Gilvan
Teixeira
e-mail: profpreto@gmail.com
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profgilvanteixeira.blogspot.com.br
Mais um Plano
Municipal de Educação (PME) e, com ele, uma torrente de sentimentos que vão
da tímida esperança à escancarada desconfiança. Não por acaso, afinal a
história recente deste município (do estado e do país...) vem reforçando os
atávicos problemas que dizem respeito à educação. Esta, há muito maltratada e vilipendiada,
segue no plano da etérea esperança, onde abundam discursos e promessas,
enquanto faltam ações efetivas capazes de alavancarem o único caminho para o
desenvolvimento social, a saber, o ensino de qualidade. Apesar do pessimismo e
descrédito reinantes, o PME – a reboque do “novo” Plano Nacional de Educação
(PNE), tardiamente aprovado em 2014 –, indiscutivelmente, é um importante
documento, importância esta que nasce da construção coletiva dos atores direta
ou indiretamente ligados à educação: professores e demais funcionários das
instituições de ensino (públicas e privadas), alunos, pais, sindicatos,
mantenedora (Executivo), Legislativo, etc.. O grande desafio, ao que parece, é
transformar o texto produzido (inicialmente, não mais do que letra morta) em
realidade, desafio que passa, necessária e obrigatoriamente, pelo tensionamento
do Estado (aqui compreendido em seu sentido lato
sensu) pela sociedade organizada.
A Educação de
Jovens e Adultos (EJA), no município de Cachoeirinha, há alguns anos vem
agonizando, envolta em inúmeros e graves problemas. O fechamento dessa modalidade
em muitas escolas públicas municipais é apenas a ponta de um triste e
preocupante iceberg, onde a
verdadeira frieza nasce do absoluto descaso do Estado (produto, no frigir dos
ovos, da ação e/ou omissão da sociedade como um todo...) em relação ao ensino,
postura associada ainda à incompetência, inépcia, malversação de recursos,
falta de planejamento a médio e longo prazos, confusão entre público e privado,
processos licitatórios suspeitos, sobreposição de interesses espúrios em
detrimento da coletividade, política salarial aviltantemente pífia e muito
aquém do razoável levando ao desestímulo dos profissionais da educação, dentre
outros. A evasão – principal causa alegada para o fechamento da EJA – não é
obra do acaso, mas produto de uma série de fatores, quase sempre conjugados:
descaracterização do público atendido pela modalidade (hoje, em sua maioria,
adolescentes “vomitados” pelo dia, em decorrência da indisciplina e multirrepetência,
por exemplo), despreparo docente (às vezes, consequência da rotatividade dos
profissionais da EJA, muitos deles vendo na modalidade não mais do que a
oportunidade de aumentar seus vencimentos), estruturas física e pedagógica
precárias (falta de acessibilidade, currículos descolados da realidade
discente, falta de equipamentos), etc.. Portanto, motivos temos de sobra para
discutirmos a EJA. A revisão do PME soa como uma boa oportunidade para
revisitá-lo e, ao fazê-lo, apontarmos eventuais avanços (eles existem, por
certo) e falhas de percurso, denunciando e cobrando do Estado aquilo que lhe
diz respeito, além é claro de jamais deixarmos de lado a sempre bem-vinda e
salutar autocrítica enquanto gestores, professores, alunos, pais,
representantes de Conselhos de Direitos, etc.
A EJA da EMEF
Fidel Zanchetta vem buscando romper com a perversa lógica do ciclo acima
descrito, onde o Poder Público fecha a modalidade porque não tem aluno e não
tem aluno porque o Poder Público nem de perto cumpre com seu papel
constitucional. A opção pelo Ensino à
Distância (EAD) Semipresencial é a prova cabal da intenção da comunidade
escolar em perfectibilizar um direito assegurado nos principais diplomas legais
nacionais ou não. Abre-se com ele (EAD-Semipresencial) uma importante
oportunidade para os jovens e adultos trabalhadores finalizarem o Ensino
Fundamental. A flexibilização de horários (duas noites presenciais e as demais
à distância, por meio da Plataforma
Moodle), a possibilidade de contato com os educadores a qualquer hora, a
apropriação e familiarização com a linguagem digital são apenas algumas das virtudes
do Ensino à Distância praticado pela EJA na referida Escola. Os frutos vêm
aparecendo! Objetiva-se com o EAD-Semipresencial não apenas mitigar a evasão e
repetência, mas sobretudo aprofundar a inclusão social, onde o exercício da
cidadania extrapole os limites do discurso e se transforme em práxis
modificadora do cotidiano. A ferramenta, ao contrário do que muitos pensavam,
veio contribuir na humanização do processo ensino-aprendizagem.
Apesar de todos os avanços, a EMEF Fidel Zanchetta
(EAD-Semipresencial) ainda se debate com muitos dos infortúnios de outras
instituições de ensino que ofertam a modalidade EJA. Urge, por exemplo, significativos
investimentos no Laboratório de Informática (LI), afinal dito espaço passou a
ser uma das espinhas dorsais da EJA. Poucos não são os alunos que dependem dos
equipamentos à disposição na Escola. A falta e/ou a precariedade dos
computadores, por exemplo, fere um importante direito do educando e compromete
o próprio Projeto da Instituição. O PME, a ser discutido ao longo dos próximos
meses, pode e deve contribuir na louvável intenção da comunidade escolar da EJA
Fidel Zanchetta em garantir e aprofundar o atendimento. Para tanto, é
imprescindível a efetiva participação de todos, opinando, criticando,
propugnando por ações concretas que viabilizem uma escola de qualidade.
sexta-feira, 20 de março de 2015
O SEGREDO DOS MEUS (TEUS) CABELOS
Gilvan Teixeira
e-mail: profpreto@gmail.com
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Sansão ocupa um lugar especial na memória de muitos.
Ainda criança, quem não ouviu fantásticas histórias envolvendo o personagem
bíblico? Todas aquelas proezas tendo como pano de fundo sua força descomunal. Lutar
contra dez ou contra cem não parecia mais difícil do que lutar contra apenas
um. Rendia leões e derrubava palácios como se de isopor fossem. Arrebentava
grilhões e subjugava exércitos com a destreza da criança que se diverte em meio
aos soldadinhos de chumbo. Qual o segredo de tamanha e inigualável força? Os
longos cabelos? Não. A resposta estava na relação que Sansão mantinha com Deus.
Era ela que servia de fio condutor para as glórias do guerreiro de Israel. Os
cabelos, no fundo, não passavam de um mero detalhe. Obediência, fidelidade,
honestidade e disposição para servir é que, de fato, alimentavam os músculos
daquele nazireu. Valores, enfim, indispensáveis num relacionamento sadio e
próspero. Quantas lições podemos tirar da história de Sansão! Nós, educadores,
dizem, precisamos matar um leão por dia. Incontáveis são as feras que povoam a
selva em que se transformou não apenas a escola, mas a vida como um todo.
Alguns procuram respostas nos “cabelos” compridos e multicoloridos sob a forma
de teorias pedagógicas que, por vezes, prometem a solução tão desejada, teorias
farmacológica e academicamente prontas que nada fazem além de encherem as
algibeiras de alguns pedagogos – que, muito comumente, mal conseguem educar os
próprios rebentos –, bem como do mercado editorial. A saída para a crise no
ensino passa, primeiro e principalmente, pela relação interpessoal entre
educador e educando, relação esta que precisa estar pautada no respeito, na
oitiva, no olhar viajante, na humildade, na disposição para o diálogo, na
autoridade e alteridade, na coerência entre o discurso e a prática. A sala de
aula pode e deve ser um espaço de aprendizagem não apenas das ditas ciências
exatas e sociais, mas também um privilegiado palco para o crescimento
individual e coletivo. O “conteúdo” é não apenas bem-vindo como necessário,
afinal é produto de um conhecimento historicamente acumulado, indispensável na
formação integral do sujeito. Abrir mão da pesquisa, da produção textual, do
cálculo matemático, da boa grafia soa como irresponsável e criminoso, pois
priva gerações inteiras de formarem uma base sólida para o efetivo exercício da
cidadania. Contudo, os famigerados “planos de aula” podem e devem estar
permeados de afeto, devem ser “sanguíneos”, conquistando e encantando não
apenas os neurônios, mas o coração. Há coisa mais gratificante do que ver aquele
brilho no olhar do educando? O mesmo olhar que não apenas cruza com o do educador,
mas misturam-se, numa espécie de sublime amálgama. Não há indisciplina que
resista, nem tampouco há espaço para a indiferença. Borbulham as sinapses, enquanto
o coração dilata de tal forma que ali passa a caber, também, a figura do
professor. A arte de ensinar passa pela empatia, pela cumplicidade dos sonhos e
pela confiança mútua entre os atores envolvidos no dito processo. Ensina-se por
meio da palavra, do não dito, do gesto, do toque, do trocadilho, do lúdico, da
experiência empírica. Ensinar requer compromisso com o outro, onde se mostra
imprescindível uma relação pautada no amor, não o do tipo piegas, mas no amor
genuíno, visceralmente comprometido, onde os cabelos sejam não mais do que um
mero detalhe.
Veja também:
http://www.institutosaofrancisco.com.br/site/artigos_visualizar.php?artigo_autenticacao_=25620f20a23dc5bf9b4c6efa90fe636c
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domingo, 15 de março de 2015
O GIGANTE ACORDOU: SERÁ?
O GIGANTE ACORDOU: SERÁ?
Gilvan Teixeira
e-mail: profpreto@gmail.com
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Quinze de março de dois mil e quinze, um dia para
entrar na história... Não acho! Apesar de toda empolgação e frenesi midiático,
acredito que o referido dia não ultrapassará a vala comum de tantos outros dias
que, apesar do barulho, pouco ou nada alteraram, de fato, os rumos da
fracassada República. Como no passado, seguimos acreditando em soluções
mágicas, em discursos oportunistas inflamados que – como o vento – se esvaem
tão ou mais rapidamente de como surgiram. O
problema do Brasil não é o PT. É também ele, assim como o são PSDB, PSB, DEM,
PTB, PP, PMDB, PPS, PCdoB, PDT... Atire a primeira pedra o partido que não
tenha em suas fileiras nomes maculados, no mínimo, pela profunda desconfiança popular
no que tange à conduta ética. Apontem um só partido político que não faça uso
da máquina pública distribuindo benesses e garantindo incontáveis e onerosas
tetas sob a rubrica de CCs e FGs, ou então partidos que não se apossem dos
sindicatos fazendo destes alavanca para alcançarem e/ou perpetuarem o poder. O
problema do Brasil é estrutural, diz respeito aos alicerces do próprio Estado.
As bases de nossa vergonhosa República foram construídas em solo arenoso, sem a
firmeza necessária. Terreno marcado pela confusão entre público e privado,
arbítrio, censura, distribuição de favores em troca de apoio político,
coronelismo, populismo irresponsável, distribuição profundamente desigual das
riquezas, primazia do interesse individual em detrimento do coletivo, etc.. A
crise ética em Brasília reflete a crise ética na família, na escola, nas
associações, nas Câmaras, nos tribunais. Brasília – assim como a Bastilha na França do
século XVIII – é tão somente a encarnação simbólica do cenário dantesco,
pantanoso e fétido historicamente construído ao longo destes quinhentos anos. Não
conseguimos nos desvencilhar e nem tampouco romper com o jugo colonial.
Pensamos e agimos com pequenez de espírito. Não apenas o governo federal faz
água, mas também os estados e municípios. Não apenas o Executivo se vê eviscerado,
mas também todos os demais ditos Poderes do Estado. Paira sobre eles uma
preocupante desconfiança, terreno fértil para a eclosão de movimentos de toda
sorte, bem e mal intencionados. Fazer “sangrar” o Executivo soa – quando vindo
de agremiações partidárias não menos lambuzadas na pocilga dos interesses
espúrios – como perigosa hipocrisia, pois o tiro pode sair pela culatra. Causa
estranheza ver nas redes sociais pessoas, íntima e flagrantemente ligadas a
partidos não menos suspeitos do que o PT, saindo às ruas empunhando bandeiras
verde-amarelas. Por que não fizeram uso de seus “escudos” partidários? Vergonha?
Pudor? Temor de serem expostas ao ridículo de precisarem explicar o
injustificável? Poucos não são os que têm o rabo preso! Urge sim a mudança,
porém não aquela preconizada pelas mesmas elites que – feito abutres – disputam
a carniça resultante de eventuais crises econômicas e políticas, mas uma
mudança assentada na verdadeira soberania popular, onde as cores deste país não
sejam preteridas em favor do vermelho bolivariano ou do verde oliva com cheiro de naftalina.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
DIAS SOMBRIOS
DIAS SOMBRIOS
Gilvan Teixeira
e-mail: profpreto@gmail.com
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profgilvanteixeira.blogspot.com.br
O sol teimava em brincar de esconde-esconde por
detrás do espesso tapume acinzentado. A ausência do radiante disco só fazia
aumentar uma espécie de melancolia que brotava sabe-se lá o porquê ou de onde. Talvez
fosse aquela tristeza resultado do ocaso das férias ou da atávica e incômoda
pindaíba típica de quem enveredara para a carreira do magistério. Não apenas
ele, mas o país inteiro parecia enfiado na areia movediça do pessimismo, sendo
que nem mesmo o Carnaval se mostrava capaz de afastar todo aquele clima
modorrento. A economia ia de mal a pior, os casos de corrupção nas entranhas do
arremedo de República pipocavam diuturnamente, a qualidade dos serviços
públicos mais faziam lembrar um inferno dantesco... Para engrossar o caldo,
tinha ainda a escassez de água, o aquecimento global, a tensão na Ucrânia e a
ameaça terrorista. Agouravam alguns ser o “fim dos tempos”. Apocalipse ou não,
o fato é que nunca os dias lhe pareceram tão sombrios como agora. Sentia-se
impotente frente às ondas avassaladoras das más notícias que surgiam de todos
os lados. Estava difícil enxergar uma luz, ainda que tênue, no fim do túnel. A
desesperança há muito invadira os vazios da alma, fazendo nela morada. Os
poucos nacos de poesia pareciam não resistir à morte do Urbim e ao descolorir
da vida com a partida da Ohtake. As ações da Petrobrás caíam na mesma
velocidade com que os preços alçavam as alturas, apesar de toda aquela
maquilagem estatal paga a preço de ouro. Sobrava propaganda, enquanto corria
solta a carestia não apenas pecuniária, mas de valores como a ética e a hombridade.
Maldito tempo em que a palavra não valia sequer um vintém. Há muito, a
autoridade não dava as caras, talvez porque perdida numa ou noutra praça
escura, pichada e depredada por uma geração sem freio e sem futuro. As ruas
tomadas pelo medo e por hordas de zumbis a tragarem seus cachimbos mal
cheirosos, enquanto no interior de muitas casas o que se via eram pessoas
separadas pela gélida distância de uma comunicação virtual e desumanizadora. Famílias
sem norte, proles inteiras abandonadas à própria sorte. Rima sem graça, pois
eivada de abandono, solidão e descaso. Filhos e filhas, muitas vezes, concebidos
em meio às garrafas de vodka, na vã
tentativa de ludibriar a consciência. Crianças paridas na sarjeta da
indiferença, enlameadas pela desgraça e quase certeza de um futuro nada
animador. No lugar de estrelas a repousarem no céu, simples, porém verdadeiras,
o que se vê são smartphones com
aquela luz artificial, memória artificial e amigos artificiais. Centenas,
milhares de “contatos”, mas quase ninguém para dividir a lancinante dor. É
duvidar, não haverá uma só alma para carregar o esquife até o derradeiro
repouso. O sol, ainda que momentaneamente, parecia vencido pelo breu. Restava-lhe
a esperança de, logo mais, toda ou parte daquela bruma, assim como sua
tristeza, ser dissipada pela luz irradiada.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
SOLSTÍCIO DE VERÃO
SOLSTÍCIO DE VERÃO
Gilvan Teixeira
e-mail: profpreto@gmail.com
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Enquanto o rosto era, docemente, alfinetado por
alguns nacos de sol, os pensamentos galopavam feito baio solto nas coxilhas. A
vida, como nunca, parecia-lhe bela demais para ser deixada para trás, como um
passageiro que, simplesmente, abandona o bonde e o vê partir. No caso dele,
contudo, parecia que era a vida que tencionava pô-lo de lado, sem eira e nem beira.
Sentia o vigor escapar-lhe como água por entre os dedos, esvaindo-se apesar de
todo o esforço de quem, feito mouro sequioso no deserto, ansiava por dar nem
que fosse alguns poucos passos adiante. A vida, entretanto, ao menos para ele,
parecia um carteado de uma mão só. Para seu azar, faltavam-lhe as cartas
necessárias. Sem coringa, sem chances... Simples assim, apesar de desesperador.
Fosse ela como o solstício de verão, se estenderia por mais alguns instantes,
ainda que fugazes. Era o tempo que precisava para, quem sabe, consertar o que
deixara mal resolvido. Sua trajetória toda fora uma espécie de concerto a
exigir conserto! Poderia ser diferente? Haveria outro caminho aos filhos de
Adão que não o de uma sinfonia mal acabada, cheia de bemóis e sustenidos
imperfeitos? Uma orquestra por onde passa uma infinidade de gente, às vezes
mais, às vezes menos afinada? Alguns, feito meteoro, singram o céu num piscar
de olhos. Outros, porém, entram e permanecem em nossas vidas. Todos, por certo,
ajudam a compor – consciente ou inconscientemente, direta ou indiretamente,
positiva ou negativamente – nossa complexa partitura. Fosse a vida um solstício
de verão, viajaria quiçá o mundo a pedir perdão, pelo que fez e,
principalmente, pelo que deixou de fazer. Retomaria conversas deixadas pela
metade, prestaria mais atenção às palavras e entrelinhas alheias, aguçaria o
olhar sobre as expressões faciais de todos a seu redor. Quanta coisa deixara
escapar? Quantos abraços e palavras amigas deixara de oferecer? Quantas
lágrimas, ainda que de alegria, deixara de compartilhar? Quantos pães perdera
de dividir? Agora, e só agora, se dera por conta de que vivia numa espécie de
casulo triste e sombrio. Ainda que sem dolo, pouco enxergava além do próprio
umbigo. Enclausurado e cercado pelos muros de um cuidado excessivo consigo
mesmo, assistira os dias passarem como um filme em 3-D, tão próximo, mas tão distante,
capaz de causar alguns sustos e inquietações, mas, no frigir dos ovos, estéril.
A vida, descobrira, não segue uma narrativa retilínea, uma trama perfeita. É
uma estrada sinuosa, tomada de aclives e descidas, quase sempre sem
sinalização. Muitas vezes tateamos por ela, como se dirigíssemos em meio às densas
brumas. Buracos aqui e acolá, pedras que nos fazem desviar à direita ou à
esquerda, pontes que precisam ser construídas... Não a controlamos. Somos, como
pena sobre o mar, levados de um lado para outro. Sentia-se impotente ante o
repuxo da vida. O que era diante dela? Quantos por ela passaram? A maioria,
esquecida pela força impiedosa do tempo, mesmo os mais famosos e célebres. Quando
muito uma placa de bronze instalada sobre o túmulo na vã tentativa de trazer à
memória o que já não existe, incapaz de ressuscitar o cheiro, o sorriso, o
jeito ímpar de falar, a doce companhia... O pensamento seguia longe naquele final de
tarde do solstício de verão.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
DEUS NÃO ESTÁ MORTO
DEUS NÃO ESTÁ MORTO
Gilvan Teixeira
e-mail: profpreto@gmail.com
blog:
profgilvanteixeira.blogspot.com.br
O filme homônimo[1]
desperta algumas reflexões. Manter a fé e, principalmente, levá-la a outras
pessoas por meio da evangelização tem se revelado um desafio cada vez mais
árduo. Uma profunda e generalizada apostasia vem se fazendo presente, trazida
pelos ares de um processo globalizante incontrolável e imensurável. É flagrante
e notório o esfriamento da fé, especialmente daqueles que se autodenominam
“cristãos”. Preocupados em “dançarem conforme a música” da famigerada
pós-modernidade, onde os tempos se mostram “líquidos”, os novos adeptos do
Cristianismo aderem a uma espécie de mimetismo, onde ao tentarem ser de tudo um
pouco, acabam, ao final das contas, por não serem nada. Pior, não apenas
abdicam de alguma coerência religiosa como ainda, muito comumente, condenam
aqueles que buscam, a muito custo, conservar a tradição de fé. Não por acaso,
algumas religiões, ou segmentos, que buscam manter a essência do pentecostalismo,
catolicismo, islamismo e judaísmo, por exemplo, são vistas de soslaio pela
maioria, quando não abertamente discriminadas e perseguidas. Professar a fé vem
exigindo um esforço hercúleo e uma grande dose de convicção. É titubear, lá
estamos nós na vala comum dos que fazem da religião tão somente um brinquedinho
à mercê dos próprios caprichos, onde entronizamos o ego e perdemos de vista o
verdadeiro sentido da existência humana. Mercantiliza-se a fé, como se
mercantiliza qualquer outra mercadoria. Boa parte das igrejas, não por acaso,
mais se parecem com shoppings ou
centros comerciais. Vende-se e compra-se de quase tudo. O templo que outrora se
transformara em feira e que despertara a indignação de Jesus pareceria um
monastério diante da maioria das igrejas de hoje. Muitos são os pastores e
padres que fazem do púlpito seu palco narcísico e vitrine para venda de DVDs,
camisetas e rosas miraculosas. Têm, ao centro, não a pessoa de Cristo, mas a
própria imagem, engordando a vaidade e, por vezes, recheando a algibeira com a
contribuição dos fiéis. Contudo, boa parte – quero acreditar que a maioria –
dos líderes religiosos, cumpre fielmente com o papel para eles reservado, qual
seja o de levar a mensagem pautada no amor, no respeito, na valorização da vida
e na esperança do porvir, a mesma esperança que, cambaleante, teima em resistir
aos ataques (voluntários ou não, conscientes ou não...) daqueles que, muitas
vezes, em nome de uma pretensa e irresponsável “liberdade de expressão” ofendem
criminosa e despudoradamente os sentimentos e crenças de outrem. Jamais esqueçamos:
quem semeia ódio, dificilmente irá colher amor. Quem planta intransigência,
colherá tolerância? Não se deve – em nome de uma perniciosa, falsa e aleivosa
democracia – tentar “matar” Deus, pois ao fazê-lo atenta-se contra todos
aqueles que, convictamente, nele creem. Há neste mundo, sem dúvida, espaço para
todos: ateus, agnósticos, judeus, muçulmanos, xintoístas, católicos,
protestantes, animistas, budistas, hinduístas... Há espaço para os que dizem
crer e para os que afirmam não crer. O que não deve haver, isto sim, é espaço
para a intolerância e desrespeito ao outro, por maiores que sejam as diferenças. Quero
ver respeitado e salvaguardado o meu (e de muitos outros!) direito de crença
num Deus vivo, glorioso, poderoso e verdadeiro, num Deus amoroso e
misericordioso, num Deus disposto a transformar vidas. Deus não está morto!
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
APERTEM OS CINTOS, O DINHEIRO SUMIU
APERTEM OS CINTOS, O DINHEIRO SUMIU
Gilvan Teixeira
e-mail: profpreto@gmail.com
blog:
profgilvanteixeira.blogspot.com.br
Nada original, não é mesmo? Apesar do título carecer
de brilhantismo, a ideia por detrás do mesmo é, no mínimo, provocante.
Finalmente, parece termos encontrado o “elo perdido” que distanciava as
trajetórias nacional e regional. Vale lembrar que, enquanto o país reelegia o
mesmo “projeto” dos últimos doze anos, o Rio Grande do Sul, por sua vez,
mandava para as cucuias o alinhamento das estrelas, fazendo brotar das urnas
sabe-se lá o quê. Contudo, o raiar do novo ano e dos novos mandatos trouxe algo
em comum entre nós (os “farrapos”) e eles (o “resto” do país): estamos todos,
do Oiapoque ao Chuí, atolados na merda! Não sou eu quem digo, mas sim os novos –
e os antigos – mandatários que, aberta e categoricamente, deixam transparecer
um misto de resignação e desespero quanto às finanças públicas. A mensagem não
deixa dúvidas: apertem os cintos, o dinheiro sumiu. Não há recursos, tanto em
nível federal quanto estadual, para dar conta das necessidades mínimas ligadas
à saúde, educação e segurança, por exemplo. A economia vai de mal a pior, o
espectro da inflação voltou a rondar e o mau uso do dinheiro público segue
ocupando – há muito – as primeiras páginas dos jornais. Um verdadeiro caos,
onde o que se vislumbra ali adiante em nada deixa a desejar às previsões apocalípticas
de Nostradamus. Menos mal que, assim como as baratas, nós professores estamos
acostumados e adaptados às hecatombes que marcam a vergonhosa história deste
país. Todos esses anos de barriga vazia, pindaíba financeira e diuturna luta
para sobreviver, em meio à falta de prestígio e abundância de promessas jamais
cumpridas, criaram em nós como que uma espécie de resistência, “anticorpos” a
protegerem o que de nós sobrou, ainda que pouco. Carestia, por exemplo, apesar
de ser um verbete para lá de ultrapassado no vocabulário das elites, é uma das
primeiras palavras balbuciadas pelos “filhos do magistério”. Inadimplência,
insolvência, penúria, reumatismo, tendinite, depressão... A quantidade de
sílabas em nada se compara à complexidade kafkiana da sobrevivência docente. Acostumamo-nos
ao perigo de uma viajem sem piloto, onde a promessa era de alçarmos voo em meio
às nuvens de glória. Hoje, mais nos parecemos com o personagem de Cervantes,
envolto numa armadura velha, pesada e anacrônica, ocupado em fustigar dragões
imaginários. A crise avassaladora que aí está, atinge a todos, mas
especialmente aos menos favorecidos, os mesmos que, como moscas, vegetam no
estrume em que se transformaram os serviços públicos. Atinge, ainda, a famigerada
classe média, acostumada ao consumo de penduricalhos que, aparentemente (e só
aparentemente...), a aproximam dos mais afortunados. É, pelo jeito, inexiste
outro caminho que não o da parcimônia e austeridade. Foi-se o tempo das vacas
gordas. Sorte delas, das baratas, acostumadas às vicissitudes da vida.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
O CUPINZEIRO
O CUPINZEIRO
Gilvan Teixeira
e-mail: profpreto@gmail.com
blog:
profgilvanteixeira.blogspot.com.br
A quem pertence nossa casa? Deixemos os cupins
tomarem conta de nossa morada ou optemos por exterminá-los? Inexiste convívio
pacífico ou harmonioso com tal tipo de praga quando em jogo nosso ambiente
doméstico. Começam devagarzinho. Um pozinho aqui, outro acolá. Um furinho ali,
outro um pouco mais adiante. Dali algum tempo, vemos os móveis tomados por
eles. É relutar em enfrentá-los, somos expulsos de nossa própria casa. O Brasil
tem, há muito, se convertido num imenso cupinzeiro. Rodovias, ferrovias, pontes,
estatais, aeroportos, escolas, portos, hospitais, presídios, finanças
públicas... Tudo para lá de carcomido pelos “cupins” que infestam nosso
arremedo de República. Comprometem os alicerces não apenas do Planalto Central,
mas de todos os estados e regiões do país, do Oiapoque ao Chuí. Escondem-se em
meio aos corredores de Brasília, do Piratini e da Prefeitura do meu (teu)
município. Despejam seus ovos no Executivo, Legislativo e Judiciário,
mascarando seus estragos por meio de práticas coronelistas e troca de favores. Buscam
amainar o mau cheiro, advindo da sórdida podridão, por meio de pleitos
questionáveis – pois que, quase sempre, arrebatadores dum incontável número de
analfabetos políticos – ou através de cargos em comissão capazes de criar um
exército de serviçais puxa-sacos com pouco ou nenhum preparo técnico e
intelectual. Os “cupins” de que vos falo também voam, conforme sopra a brisa de
interesses. Hora estão aqui, hora acolá. Hora neste, hora naquele partido. Hora
nesta, hora naquela Secretaria ou Departamento. À medida que aterrissam, vão
deixando para trás um rastro de asas. A maioria opta pelo escurinho do
anonimato, desde que não os deixem sem a comida que vem da celulose de salários
rechonchudos pagos pelo contribuinte. Os “cupins” que infestam nossas terras
topam qualquer parada. Não satisfeitos com a mobília dos gabinetes, apelam para
licitações fraudulentas, “sobras de campanha” e dividendos escusos de
empreiteiras que vivem da desconstrução de nossa esperança e do alijamento de
nossa combalida honra. Aliam-se à torpeza, ao tráfico de toda natureza e à propaganda
midiática que, de forma primorosa, mantém os legítimos donos desta Casa à
margem da verdadeira cidadania. Por aqui, os “cupins” vestem toga, usam terno e
gravata e adoram dar carteiraço. Desfilam em carros de luxo, repousam em
mansões, viajam pelo mundo de primeira classe, curtem resorts badalados, estouram uma Goût
de Diamants e ocupam as colunas sociais. Enquanto isso, os donos da Casa se
debatem em meio à escalada da violência, à degradação dos valores, à pífia
desenvoltura do ensino, à insana carga tributária, à superlotação dos hospitais
e à falta de perspectiva em dias melhores. Os “cupins” da Republiqueta
verde-amarela se reproduzem em meio à omissão, alastrando-se por entre os
(des)caminhos e túneis diuturnamente construídos, sob o manto ufanista da
Pátria amada. Não podemos mais tolerar e conviver com os “cupins”. São eles ou
nós (eu e tu). Para eles, o arcabouço jurídico de nada vale, pois há muito não
apenas corroeram o Judiciário, como avacalharam o Direito positivado. Fizeram
do Legislativo e do Executivo pródigas moradas, pois que ambos distantes da
claridade democrática. Restará outra saída que não o extermínio? Varrê-los
desta Casa trata-se não de uma opção, mas de uma necessidade. Questão de
sobrevivência, nossa, não dos malditos cupins.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
O HOMEM DE PAU GRANDE
O HOMEM DE PAU GRANDE
Gilvan Teixeira
e-mail: profpreto@gmail.com
blog:
profgilvanteixeira.blogspot.com.br
Desejado pelas mulheres e idolatrado pelos homens, o
sujeito não fazia a menor questão de esconder, digamos..., seus “dotes”. Muitos
meninos queriam ser como ele. Quem o via, ficava assombrado. Mesmo as pernas um
tanto que tortas eram um nada diante daquilo que realmente chamava atenção.
Aqueles que o conheciam de longa data, não tinham dúvida: nascera assim.
Encantava as mulheres de todas as idades, desde as mais moças às mais maduras.
Esqueciam o companheiro do lado e os olhos eram todos para o jovem moço. A
paixão corria solta, sem escolher cor ou posses. Dizem que até importantes
musas da música vergaram diante do sujeito. Como podia o grande Olimpo ter concedido
a apenas um mortal tamanha “habilidade” para produzir indisfarçável prazer não
em apenas uma, mas em várias criaturas ao mesmo tempo? Sucumbiam diante daquelas
pernas ébrias, onde despontava o couro arredondado e firme, passeando de um lado
para outro, ziguezagueando de forma mágica, enquanto os corações se entregavam,
em uníssono, ao espetáculo de fazer inveja a Apolo. Fazia lembrar o pêndulo de
um relógio, preciso, porém ao contrário do cuco, imprevisível e desconcertante.
Era imaginar que o troço fosse para esquerda, lá estava ele na direita, como a
bolinha por entre os dedos habilidosos de um ilusionista. Espantoso. A inveja
que saltava aos olhos era apenas uma dentre tantas outras filhas da natureza
humana. Por que ele e não eu? Estadistas, milionários, chefes religiosos,
muitos deles trocariam tudo o que tinham por um naco daquela glória a cercar o
jovem de não mais do que um metro e setenta. O brilho era-lhe natural, sem
qualquer contribuição dos penduricalhos farmacológicos ou da cosmética moderna.
Quem não o conhecia? Quem não o reverenciava? Vinham de longe só para vê-lo,
mirá-lo com os olhos, ainda que a distância coibisse qualquer intenção de
tocá-lo. O que eram as pernas femininas iluminadas pelos holofotes do mundo da
moda comparadas às dele? Destas últimas nasciam momentos de uma espécie de
orgasmo coletivo, indescritível, inarrável, ainda que por meio da voz de um
Jorge Cury ou Oswaldo Moreira. Misto de piedade e sadismo da plateia em relação
ao adversário. O desgraçado, muito comumente, quedava exausto sobre o tapete
verde, completamente desnorteado após aquela sequência de dribles que surgiam
sabe-se lá de onde, o mesmo tapete que servia de palco ao homem de Pau Grande. Saudades
de Garrincha.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
LEI JOÃO DÁ PENA
LEI JOÃO DÁ PENA
Gilvan Teixeira
e-mail: profpreto@gmail.com
blog:
profgilvanteixeira.blogspot.com.br
Nasci numa época em que homem só casava com mulher e
esta com homem. Numa época em que os pais se portavam como tal. Eram tempos em
que cabia ao marido tomar as rédeas da casa, restando à esposa zelar para que
as regras e vontades do senhorio fossem seguidas à risca. Hoje, dispensável é
dizer, o mundo (ocidental!) mudou. Não sei se para melhor, mas que já não é
o mesmo da minha época de criança, isso não é. Saímos de uma realidade
fortemente machista e patriarcal para uma meleca a que alguns chamam de
democracia. Inflacionou-se a legislação dita protetiva sem que isso tenha
redundado, em absoluto, na melhoria das relações humanas. Nunca houve tanto
desrespeito ao outro. Feito cachorro perdido correndo atrás do próprio rabo,
vamos criando textos legais estéreis que pouco ou nada contribuem para
qualificar e fortalecer a dita teia social. Mesmo as novas tecnologias e
penduricalhos produzidos em larga escala pelo Capitalismo doentio se mostram
incapazes de disfarçar o mau cheiro desta realidade decrépita que desova na
sarjeta um incontável número de viciados e depressivos. Uma realidade onde boa
parte da juventude não vislumbra ali na frente mais do que um baseado, um par
de tênis da Nike ou um smartphone. As selfies, feito lago de Narciso, soam, muitas vezes, como eufemismo
para um hedonismo mal disfarçado. A inversão (perversão) de valores é tamanha
que, ao sair do oito para o oitenta, acaba por produzir algumas situações,
também, hilárias. Qual o marido, por exemplo, que já não se defrontou com a tão
temida “lista” pendurada, estrategicamente, na geladeira? Sim, aquela enorme e maldita
“lista” escrita à mão de ferro pela impaciente companheira que, diuturnamente,
faz questão de inquirir se a grama já foi cortada, a janela consertada ou o pinga-pinga
da torneira estancado. Mais severa do que a cobrança divina em relação aos
mandamentos trazidos do cume do Sinai, a esposa faz da dita “lista” a Lei do
Talião. A mulher escreveu e o marido não leu, o pau comeu... Nessas horas, onde
estão os Direitos Humanos? Mais fácil achar guarida na legislação que protege a
bicharada do que numa eventual defesa em prol do marido desassistido. Daí, quem
sabe, o esposo aguardar, quase desesperado, o fim das férias e o retorno ao
trabalho, uma saída protelatória, mas interessante, para escapar da cobrança
doméstica. Apelar para quem? Verdadeiro mato sem cachorro, beco sem saída. Propugnar,
talvez, por uma espécie de “Lei João Dá Pena”, em contraposição à Lei que
protege a mulher frente à violência doméstica e familiar. Quem sabe um diploma
legal que traga, dentre outros artigos, incisos, alíneas e parágrafos, uma
expressa vedação às “listas” produzidas por mulheres sem coração que escravizam
e atormentam os pobres maridos. Estes merecem respeito, um lugar ao sol, de
preferência acompanhados de um bom prato de petiscos regado à cerveja bem
gelada. Abaixo as “listas” e bom verão a todos os meus amigos!
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