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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

SERVIDORES, NÃO SUBSERVIENTES !


SERVIDORES, NÃO SUBSERVIENTES!
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Vergonha, humilhação, tristeza, desrespeito... A lista de expressões associadas à situação dos servidores públicos do Executivo, no estado do Rio Grande do Sul, parece interminável. Verdadeira “crônica da morte anunciada”, sem, contudo, o romantismo e elegância da Obra original. A crise econômica – talvez falimentar –, associada à crise política, é inegável e compreensível (não, necessariamente, justificável...), precariedade esta intimamente associada, também, ao contexto econômico e político mundial e nacional. Porém, o que soa como inaceitável é jogar sobre o colo dos servidores os efeitos colaterais da referida crise. As “saídas” encontradas pelo governo gaúcho são não apenas patéticas, mas revelam um misto de incompetência e insensibilidade. A má gestão, a confusão entre público e privado, a transformação do Estado em balcão de negócios, o uso da máquina pública para alimentar interesses espúrios individuais e/ou de grupos e tantos outros conhecidos vícios há muito entranhados nas estruturas do Poder são, por certo, antigos, maculando a história deste arremedo de República. Por outro lado, deixar de enfrentar – sob a desculpa de um passado inglório – os problemas e demandas da sociedade hodierna, buscando respostas efetivas, concretas e duradouras, representa um ato de covardia. Assim, o que se espera de um gestor é sim capacidade para superação das intempéries surgidas ao longo do caminho. Espera-se dele iniciativa, honestidade, equilíbrio, ética, firmeza, isonomia, inteligência... Espera-se dele planejamento, trabalho árduo, coerência, compromisso com a verdade e cumprimento das promessas firmadas em período de campanha. Espera-se dele sensatez, hombridade, habilidade e destreza política... Espera-se dele espírito público e respeito os nobres valores que norteiam qualquer Constituição democrática. Falta ao Rio Grande do Sul um gestor à altura de nossas necessidades. Falta aos gaúchos um verdadeiro Estado democrático de Direito. A Magna Carta tem sido diuturnamente rasgada por aqueles que, sob juramento, prometeram respeitá-la. Executivo, Legislativo e Judiciário, em todas as esferas e níveis, ferem os princípios mais elementares da democracia, fazendo destas terras verdadeira pocilga onde, em meio à lama da corrupção e da defesa de privilégios mesquinhos, se locupletam em detrimento do interesse coletivo. Somos o país das desigualdades, o estado das políticas públicas fracassadas e capengas, o município da politicagem lesiva e perniciosa. Por aqui, o velho e conhecido ditado onde se diz que a “corda arrebenta no lado mais fraco” é reeditado a cada fração de segundos. Faltou dinheiro para “fechar as contas” do governo? Fácil, parcela os salários dos servidores, aumenta a já extorsiva carga tributária e reduz as já parcas verbas da educação, saúde e segurança, por exemplo. Macabra e perversa matemática, cujo resultado todos conhecemos: recessão, desemprego, falta de leitos nos hospitais, escolas sucateadas, superlotação dos presídios, precária infraestrutura e tantas outras pragas que nos envergonham e adoecem. Como servidores, urge sairmos em defesa do Plano de Carreira – desde que justo e sensato, sem devaneios corporativistas que lesam o interesse público e afrontam o contribuinte –, bem como lutarmos pela qualidade do serviço prestado à população. Urge sairmos em defesa do pagamento em dia, direito este inalienável e indispensável à sobrevivência dos servidores e suas famílias. Urge mostrarmos nossa força ante o descaso do Poder Público frente às necessidades de nossa gente. Urge apontarmos as incoerências de um governo que prega “austeridade”, mas que perpetua práticas de apadrinhamento político-partidário. Urge mobilizarmos a população (trabalhadores, desempregados, estudantes, donas de casa) em defesa dos interesses verdadeiramente nacionais, regionais e municipais. Urge resistirmos às investidas e afrontas morais, ideológicas, belicistas e midiáticas que buscam denegrir a imagem do servidor. Vamos à luta!

terça-feira, 1 de setembro de 2015

OS "MANDAMENTOS" DA INDEPENDÊNCIA


OS “MANDAMENTOS” DA INDEPENDÊNCIA
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br

                Não terás outros deuses. Um país verdadeiramente independente é aquele onde, apesar do Estado ser laico, sua gente jamais abre mão da fé alicerçada nos princípios bíblicos e nos frutos do amor. É aquele país onde inexiste o endeusamento do mercado e do consumo desmedido.

                Não tomarás o nome de Deus em vão. Um país verdadeiramente independente é aquele onde a ética e o respeito ao outro – este, como imagem e semelhança do Criador – são inegociáveis. Um país onde o interesse coletivo se sobrepõe ao individualismo doentio e ao narcisismo egocêntrico.

                Lembra-te de guardar o melhor de teu tempo para o aprimoramento da alma. Um país verdadeiramente independente é aquele formado por pessoas sadias, famílias equilibradas e relacionamentos fraternos. Um país que privilegia o “ser” ante o “ter”, enaltecendo as virtudes e jamais aquiescendo com o erro.

                Honra a teu pai e tua mãe. Um país verdadeiramente independente é aquele que gera crianças e jovens amorosos, humildes, respeitosos, disciplinados e críticos. Um país governado por adultos coerentes, que ensinam não por meio de discursos vazios, mas através de condutas exemplares.

                Não matarás. Um país verdadeiramente independente é aquele onde a vida – sob as mais diversas formas – é respeitada e valorizada. Um país que semeia o amor, a solidariedade e a cumplicidade com a dor alheia. Um país que não fecha os olhos ante a injustiça e o infortúnio dos mais necessitados.

                Não adulterarás. Um país verdadeiramente independente é aquele onde a fidelidade é reguladora de todas as ações, onde a palavra tem valor e o reconhecimento de firma se dá pela confiança no “outro”.

                Não furtarás. Um país verdadeiramente independente é aquele onde o que há de mais caro são as próprias pessoas, não o que elas têm. Um país que valoriza, sobretudo, os bens incorruptíveis, não aqueles que se consomem e se esvaem com o tempo.

                Não dirás falso testemunho contra teu próximo. Um país verdadeiramente independente não flerta com a mentira e nem tampouco se amanceba com o engodo.
               

                Não desejarás o que é do outro. Um país verdadeiramente independente é o que reconhece a função social da propriedade sem perder de vista a conquista justa e legítima. É o país que respeita os contratos ainda que não formais e se mostra avesso ao relativismo desvairado. É o país que encara como abjeta e inaceitável qualquer forma de enriquecimento ilícito e condena a confusão entre interesse público e privado. 

Veja também: http://www.institutosaofrancisco.com.br/site/artigos_visualizar.php?artigo_autenticacao_=6e34b92a701abc568d24e5562c18a422

domingo, 30 de agosto de 2015

FORMATURA DA EJA (PRIMEIRO SEMESTRE DE 2015)


DISCURSO FORMATURA EJA 2015-1
Prof. Gilvan
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br

Boa noite!


            Saúdo à mesa, aos convidados e, de forma muito especial, aos formandos. Nada pode e, nem tampouco, deve nos separar de nossos sonhos. Nem surto de meningite, nem crise econômica, nem instabilidade política, nem mesmo o tempo... Este, por sinal, talvez por ser “eterno”, é sábio. Passamos nós, ele não. Passam as dificuldades, as paixões, os mandatos. O tempo permanece incólume. Pode, aparentemente, tardar, porém certa e inevitavelmente chegará. Prova disso, é que estamos aqui. Não por acaso, o tempo postergou a presente Formatura. Sabem por quê? Assim como o bom vinho, envelhecido em barris de carvalho, vocês são especiais. Por isso a demora. Perderia muito da graça o casamento sem o tradicional atraso da noiva, ou a viagem sem a expectativa da criança que, a cada curva, inquire os pais sobre o ponto de chegada. Esta Formatura não é diferente. Chegou na hora certa, no momento e do jeito que deveria chegar. Olhem para vocês, formandos. Estão lindos! Seus semblantes denunciam uma incontida alegria a disputar espaço com a esperança de ser este momento um divisor de águas, cuja ponte é a força de vontade de cada um e cada uma de vocês. Quanta correnteza, heim? Quantas quedas e galhos pelo caminho, muitos deles – feito mãos inimigas – tentando vos submergirem? Pedras de todo tamanho e forma a machucarem não apenas o corpo, mas por vezes a própria alma, numa vã tentativa de vos fazerem desistir. Resolutos, contudo, vocês persistiram, apesar de cansados. Fizeram dos obstáculos, intransponíveis muralhas ante o pessimismo e o derrotismo. Transformaram os “nãos” da vida em antídoto contra as agruras típicas de um país que não valoriza o conhecimento e a pesquisa, um país que teima em sabotar o presente em nome de um futuro que jamais chega. Um país que precisa de vocês, como estudantes, trabalhadores, pais e mães de família, cidadãos e cidadãs. Sejam o que sejam, façam o que façam, jamais abram mão da ética, do respeito, da solidariedade e cumplicidade com o “outro”. Não escamoteiem a verdade e resistam ao canto da vaidade que, em nome de interesses espúrios, faz adoecer a sociedade. Guardem na memória o que há de melhor de seus familiares, amigos, colegas e professores. Destes, jamais esqueçam, ainda, os ensinamentos. Não tanto os cálculos, a gramática ou um que outro conceito da Geografia, mas, sobretudo, o apego à vida e à certeza de que um novo horizonte é possível, mais feliz, sadio e fraterno! Sejam felizes.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

MANIFESTO


MANIFESTO
Prof. Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                Para que serve o Estado, senão para garantir, com qualidade, a materialização dos princípios constitucionais, como saúde, educação e segurança? Para que serve o Estado, senão para garantir a paz social fundada na justiça e respeito à dignidade da pessoa humana? Para que serve o Estado, senão para retirar da esfera privada iniciativas violentas que, na busca de proteção, vingança ou satisfação de desejos mesquinhos, acabam por fazer sombra aos avanços civilizatórios? O Estado não é um fim em si mesmo. Existe, sobretudo, para “servir” aqueles que não apenas lhe sustentam, mas lhe dão sentido.

                Vivemos tempos de medo. As ruas e avenidas há muito vêm sendo manchadas de sangue. As praças viraram local “seguro”, não para as crianças, jovens e trabalhadores, mas para o consumo e tráfico de drogas. Como zumbis, hordas de pichadores, arruaceiros, viciados e criminosos de toda espécie infestam a cidade, fazendo dos espaços públicos e privados um verdadeiro inferno. O velho ditado “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come” vem assumindo proporções cada vez mais trágicas e preocupantes. Inexiste local seguro ou a salvo da barbárie que vem ceifando vidas e enlutando lares. Enquanto os muros altos das residências evidenciam a sensação de insegurança, as frágeis grades dos presídios – que mais parecem masmorras medievais – escancaram a falência do ente público, este há muito motivo de escárnio e deboche. O avanço da criminalidade contrasta com a incapacidade do Estado em transformar o conhecido e surrado discurso em ações concretas capazes de estancarem o avanço do câncer da violência urbana que tem levado à metástase da teia social.

                Queremos, merecemos e exigimos dias melhores. Nossas mães não geraram filhos para serem precoce e violentamente arrancados desta vida. O sangue, inocentemente vertido, de cada criança, jovem ou adulto, clama por justiça. Não apenas façamos memória a cada filho, irmão, pai, mãe, amigo que perderam a vida em decorrência desta guerra urbana – alimentada pela omissão, incompetência, quando não pela íntima relação do Estado com o crime organizado –, mas transformemos nossa dor e indignação em ações concretas. As escolas que compõem a Paróquia Estudantil, através do presente documento manifestam a profunda preocupação, repúdio e indignação frente ao avanço da violência. A dor da família do Gabriel (Escola Estadual Júlio César Ribeiro de Souza, em Alvorada), covardemente assassinado, é, também, a nossa dor. O sofrimento do Henrique (Instituto de Educação São Francisco, em Porto Alegre) e de sua família é, também, o nosso sofrimento. Quantos mais perderão a vida? Quantos mais serão privados de curtirem a infância e a juventude? Quantos mais trocarão muitos anos de vida por uma pequena nota nas páginas policiais de um jornal qualquer? Quantas flores de debutantes darão lugar àquelas postas sobre a lápide fria como a morte?

                Enquanto o cidadão de bem definha e agoniza, o crime engorda e avança a passos largos. Atinge, indistintamente, a todos: brancos e negros, pobres e ricos, letrados e analfabetos, crianças e idosos, homens e mulheres... Entrar ou sair de casa é um risco. Ir à escola, ao trabalho, à padaria, ao posto de gasolina é um risco. Andar a pé, de carro ou de ônibus é um risco. Sair de dia ou à noite, sozinho ou em grupo é um risco. Ser abordado por alguém com farda ou sem ela, é um risco. Estamos a ponto de temer a própria sombra, não sem razão. Nossos direitos vêm sendo vilipendiados diuturnamente. Há muito, não enxergamos sequer a luz no final do túnel. Foi-nos subtraída.

                Abaixo, portanto, à impunidade! Abaixo ao discurso evasivo ou ao leque de promessas jamais cumpridas. Abaixo à frouxidão do Poder Público. Abaixo às decisões de magistrados que, em nome de uma lei – por vezes equivocadamente interpretada – dão salvo conduto a delinquentes de toda sorte. Abaixo à gestão assentada no amadorismo, na troca de favores e na defesa de interesses espúrios. Abaixo ao corporativismo de toda espécie que, ao olhar para o próprio umbigo, olvida o interesse verdadeiramente “público”. Abaixo à falta de investimentos nas áreas vitais, como a da segurança.

Queremos, através do presente Manifesto, marcar posição, iniciativa esta que, tenham certeza, não se limitará à formalidade deste documento. Sozinhos, mais fazemos lembrar uma ovelha ameaçada pela matilha, mas juntos somos fortes. Assumamos aqui o compromisso com o “outro”. Uma relação pautada na ética, no respeito, na empatia e na solidariedade. Exerçamos nossa cidadania com firmeza, não titubeando ante às falhas e vícios do Estado.


Ante o exposto, encaminhamos este Manifesto – em nome das escolas (e comunidades a elas associadas) da Paróquia Estudantilaos representantes de todos os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), ao Ministério Público, à imprensa e à Sociedade Civil Organizada, para EXIGIR, por parte do Poder Público, ações concretas e duradouras que garantam a segurança de nossa comunidade, conforme previsto na Constituição Federal. 

Leia também: http://www.institutosaofrancisco.com.br/site/noticias_visualizar.php?noticia_id_=1574 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

OPINIÃO


OPINIÃO
Karolaine  (turma 23)
Tema: “erotização da criança”

          Ficamos de queixo caído com crimes sexuais contra crianças, mas permitimos a erotização infantil promovida pela mídia.
          O tempo em que nossas crianças, inocentemente, brincavam com bonecas, brincadeiras de rua e joguinhos educacionais, teve fim. Os programas de TV preferidos eram míseros desenhos animados. Hoje? Temos a percepção de que não criamos mais crianças, e sim mini adultos, que preferem programas onde os participantes estão cada vez mais sensuais, com roupas curtíssimas e músicas de baixo nível, verdadeiros contos eróticos, deixando qualquer adulto estarrecido.
          Eis a questão: como nossas crianças terão, num futuro próximo, um bom modelo de sexualidade? Segundo Paula Pessoa, psicóloga infantil, a educação infantil vem sendo deixada de lado, o que acaba por cair nas mãos da pérfida mídia, grande influenciadora da sexualidade. “Por mais que a criança tenha visto um ídolo com uma saia super curta, uma unha vermelha, a mãe tem de estabelecer a regra: você é criança e não pode. Criança não namora, criança não usa salto, criança não dá beijo na boca...criança não faz estas coisas.”

         Meus pais fazem das palavras da psicóloga, as suas. “Pra tudo tem seu tempo e com as crianças não pode ser diferente, uma criança deve divertir-se com brincadeiras infantis e não quando se finge de adulta”, exclamou minha mãe. Meu pai continuou: “Uma criança tem de saber o que é certo e errado e os pais têm o dever de ensiná-las isso. Dizer não quando o programa não é apropriado para a sua idade e assim vai. Somos nós que temos a obrigação de impor limites”, concluiu.
OBS: A opinião acima é de inteira responsabilidade de seu/sua autor(a). 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

URUBUS


URUBUS
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                A fauna em Cachoeirinha – que da antiga queda d’água só sobraram as lembranças registradas na memória dos quase centenários ou nas páginas amareladas da história –, ao que parece, tem se resumido aos urubus. Sobrevoando o céu da cidade, até que não são muitas as aves de rapina. Preferem elas, ao que tudo indica, alguns espaços públicos. O fétido odor exalado lá para as bandas de prédios onde público e privado se confundem e se amancebam, denuncia a presença dos malditos bichos. Vestem, muito comumente, terno e gravata, quando não uma bela toga a esconder a imundícia da própria natureza. Vivem da tragédia alheia, apesar, é claro, de jamais admitirem. Poucos são os urubus letrados em Cachoeirinha, a maioria mal consegue ir além de uma espécie de grunhido mal elaborado, apesar de inegavelmente poderoso e convincente. Não por acaso, a cada quatro anos, muitas dessas aves renovam suas penas e seguem monopolizando seus ninhos, recheados de filhotes comissionados a lhe paparicarem. Qual será o milagre de tamanha vitaliciedade? Quem sabe, a capacidade mimética de se confundirem com o ambiente. Os urubus que por aqui gorjeiam – uma espécie de infindável “melodia” da morte e do engodo – são de uma espécie muito similar às do Planalto Central. Cheiram a urubu, vivem da carniça do contribuinte, mas pousam de pavão. Talvez por isso, não larguem o naco de carne, afinal toda aquela pesada plumagem, embora artificial, custa caro. Fazem de tudo por um espaço na mídia, ainda que uma minúscula foto no canto da página de um jornaleco chinfrim. O negócio é aparecer, nem que seja emitindo opiniões vazias ou postando suas imagens bizarras nas ditas redes sociais. Nisso são bons. Os urubus daqui são capazes até de vez em quando – quase sempre às vésperas dos pleitos – darem uma voadinha numa vila aqui ou acolá, sujando as asas em meio à lama deixada pela enchente ou, ainda, correndo o risco de contraírem as doenças dos pobres mortais. O que não fazem os urubus para manterem seus privilégios intocáveis e suas cadeiras na famigerada Casa do Povo? O que não fazem eles para usufruírem dos momentos de glória na tribuna ou um lugarzinho junto ao Executivo? Os urubus, assim como as baratas, são mestres na arte de sobreviverem às intempéries e hecatombes econômicas e políticas. Sofre o cidadão comum, o servidor (concursado) mal pago, a dona-de-casa ante a panela vazia, a criança sem futuro e o jovem despreparado. Quanto aos urubus, salvo um ou outro esforço a sustentar, de tempos em tempos, todas aquelas bandeirolas multicoloridas à beira da avenida, parecem desconhecer o que seja trabalho e, menos ainda, crise ou carestia. Ao contrário de suas presas – esfarrapadas, maltrapilhas, viradas somente em ossos –, os urubus seguem robustos e altaneiros, desfilando suas asas tomadas de brilho. Eles custam caro à sociedade. São alimentados por ela e dela se alimentam. No fundo, surgem a partir dela, numa espécie de abiogênese maldita, alimentada por um sistema político falho e eivado de vícios. Feito Cronos, os urubus castram os ascendentes e tiram o fôlego de vida das gerações futuras, fazendo imperar o pessimismo e a desesperança. Restará, ainda, sob o céu da cidade outra imagem que não a da revoada das malditas aves a esconderem o brilho do Sol?  


domingo, 12 de julho de 2015

ESTUPIDEZ NOS TEMPOS DA MENINGITE


ESTUPIDEZ NOS TEMPOS DA MENINGITE
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br




                Cachoeirinha, uma pequena cidade da região metropolitana de Porto Alegre, vive o que alguns convencionaram chamar de “surto comunitário” de meningite. Ao que parece, não apenas a bactéria tem provocado a inflamação das meninges e, com isso, eventual “confusão mental”. Esta última, ao que se vê tem sido mais comum do que se imagina. Há quem aproveite momentos de crise – como se esta não fizesse parte da história de nossa cidade e de nosso país... – para lançar críticas e mais críticas de toda ordem sobre o Prefeito, o Secretário, o vereador... Preocupa a forte tendência da oposição estrábica em jogar pedra sobre o telhado alheio, como se ela própria fosse exemplo de ética e boa condução do interesse público. A moral de cuecas soa como abjeta e nada convincente, afinal deixa à mostra as nádegas tomadas pelas “estrias” da incoerência, do discurso fácil e vazio, bem como do ultrapassado jeito de se fazer política. Não que o Executivo deixe de merecer a crítica e indignação do cidadão. Sim, mas não apenas ele, mas o Estado como um todo. Executivo, Legislativo e Judiciário. Todos os ditos “Poderes”, nas esferas municipal, estadual e federal, são corresponsáveis pela falência dos serviços públicos. A precariedade da saúde, evidenciada, ainda mais, em situações como a do surto de meningite, é tão somente um dos tantos problemas a atestarem o embotamento ético do Estado. Este, há muito já não nos representa, tendo se tornado um fim em si mesmo. Feito Narciso, tem se mostrado incapaz de olhar além do próprio umbigo. Mastodôntico, consome quase todos os recursos – que não são poucos... – em alimentar as próprias entranhas. Zarolho, não enxerga além dos próprios interesses espúrios e mesquinhos, voltado muito mais ao atendimento de projetos egoístas de poder, em detrimento do interesse coletivo. O cuspe lançado pela dita “oposição” de hoje (amanhã aliada ou, quiçá, “governo”), feito bumerangue, retorna impulsionado pelos “ares” enlameados da troca de favores tão comum nos corredores das repartições públicas. O azedume de alguns opositores contrasta com suas flagrantes ou veladas práticas condenáveis. A verborreia político-partidária (da “oposição” ou “situação”, da “esquerda” ou “direita”) nada tem contribuído para depuração do Estado. Usar a tragédia alheia – sob a forma de pretensa preocupação com o outro – para obter dividendos políticos soa como irresponsável e vergonhoso. Atenta contra a inteligência e a dignidade da pessoa humana, pois vitimiza aquele que já é vítima, fazendo desta última um trampolim para obtenção de vantagens indecorosas. Torçamos e lutemos pelo controle da meningite neste município, exigindo do Poder Público as ações que lhe competem e responsabilizando o Estado, se necessário. Tomemos os cuidados necessários capazes de mitigarem o risco de contágio. Assim, é o que se deseja, logo a epidemia será coisa do passado. Quanto à “oposição” endêmica e camaleônica – pois troca de roupagem conforme o contexto e a oferta de benefícios –, ao que parece, seguirá resistente aos fármacos desta frágil e duvidosa democracia. 

domingo, 5 de julho de 2015

SETORES DA ECONOMIA: LÂMINAS

Acima, as "lâminas" referentes ao conteúdo sobre "setores da economia". Agradeço ao aluno Pedro Müller (turma 32) pelo auxílio. 

terça-feira, 23 de junho de 2015

ATIVIDADE PARA AS TURMAS 21,22, 23, 31 E 32





Tudo bem? Nas últimas aulas de Geografia, temos tratado, dentre outras coisas, acerca das chamadas "transnacionais". Estas últimas têm um significativo papel nas relações de consumo. Peço que assistas ao vídeo acima e, com a participação da família (pais/responsáveis), responda o que se pede:

1. Qual é o papel da propaganda na formação de uma criança?

2. Qual é a importância do "não" na formação de uma criança?

3. O que se entende por "erotização" da criança? Quais são os riscos, no(s) ponto(s) de vista de tua família?

4. Os pais ensinam mais pelo "exemplo" do que pela "palavra". Comente a afirmação.

A presente Atividade valerá até 1,5 (um ponto e meio), devendo ser respondida no caderno e corrigida em aula. Desde já, agradeço a participação.


sexta-feira, 19 de junho de 2015

ATIROU POR QUÊ?


ATIROU POR QUÊ?
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Por que atirou? Muitas são as respostas e vãs tentativas de “justificar” o ato imbecil, violento e covarde que quase levou à morte de um querido aluno e ceifou a vida de seu amigo no último dia dezesseis de junho. Atirou porque a vítima reagiu. Atirou porque ela não reagiu. Atirou porque a vítima se negou a dar o que o agressor pedia. Atirou porque ela entregou o solicitado pelo bandido, mas este não ficou satisfeito. Atirou porque a vítima correu. Atirou porque ela permaneceu imóvel. Atirou porque... A verdade, contudo, quase sempre, é que atirou porque decidiu fazê-lo. Influenciado ou não pela droga, instigado ou não pelos parceiros do crime, desconfiado ou não de uma eventual reação da vítima, fruto ou não de uma sociedade injusta e desigual, resultado ou não de uma família desestruturada, a responsabilidade deve recair, primeiro, sobre o autor do infame delito, ainda que sob a perigosa roupagem da dita menoridade. Tem sido comum o Poder Público, através da Secretaria de Segurança ou da polícia, por exemplo, insistir na falácia de que o melhor caminho é a não reação, como se tal opção fosse salvaguardar a vítima das atrocidades do criminoso. Será por isso que o Estado não tem reagido? Será por isso que o Estado tem se mostrado omisso ou nada eficiente frente à absurda escalada da violência? Será por isso que entra governo e sai governo, a insegurança segue produzindo as metástases que têm levado a sociedade gaúcha à falência total dos serviços públicos, inclusive o da segurança? O Estado tem se mostrado refém da criminalidade, enlameado que está, por exemplo, na areia movediça da incompetência, da corrupção, da falta de planejamento e de investimentos. Um Estado que não tem, nem de perto, cumprido com suas obrigações constitucionais e, portanto, questionável e, talvez, desnecessário. A violência que enlutou a família do Gabriel e pôs em desespero os pais do Henrique é, portanto, responsabilidade também do Poder Público. O Estado, assim como o criminoso, precisa ser responsabilizado. O gestor que descumpre com seu papel, o servidor que “suja as mãos” e denigre a própria consciência, o juiz (que, apesar da toga, é servidor e não Deus...) que irresponsavelmente permite ao criminoso ganhar as ruas, todos eles devem e precisam ser responsabilizados. O descontrole da violência é consequência, sobretudo, da certeza da impunidade. O arcabouço jurídico há muito tem sido motivo de chacota e escárnio, tamanha a distância entre a previsão e o cumprimento do mesmo. Crimes não investigados, inquéritos mal conduzidos, sentenças equivocadas, penas não cumpridas... Virou rotina. Triste realidade que tem alimentado a indignação e a convicção de que a saída para estancar a criminalidade, ainda que em parte, não passa pelo modelo pífio de Estado que temos. A sociedade precisa reagir sim! Precisa fazer uso de todos os meios, ainda que coercitivos, para garantir um direito que lhe é natural e, portanto, anterior à existência do próprio Estado. As pessoas de bem, ainda maioria, precisam se organizar, transformando a indignação e lancinante dor em ações concretas capazes de subverterem as estruturas modorrentas de um Estado que tem abandonado às moscas a população que o sustenta e lhe dá sentido. O Estado existe para servir e não ser servido. Não é um fim em si mesmo e nem tampouco espaço para realização de projetos mesquinhos de poder ou de enriquecimento fácil. Basta de tanta violência. Não podemos seguir assistindo nossas crianças serem violentadas, filhas sendo estupradas, juventude sendo viciada, casas sendo assaltadas, veículos sendo roubados, vidas inocentes sendo tiradas... A letargia do Estado precisa ser rompida. Tiremos o sono do presidente, governador, prefeito, ministro, secretário, senador, deputado, vereador, juiz, promotor, delegado... Não sejam em vão as lágrimas das mães que enterram seus filhos ou que, na calada da noite, suplicam aos céus pelo rebento à beira da morte. 

Veja também:
http://institutosaofrancisco.com.br/site/artigos_visualizar.php?artigo_autenticacao_=9728c6a2784ee154c3c9cc8ee10132a7 

domingo, 14 de junho de 2015

O GORDINHO DO ESPELHO


O GORDINHO DO ESPELHO
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Quem disse que os gordinhos são lentos? O do espelho, ao menos, era para lá de ágil. Bastava virar para avistá-lo, sumia como num passe de mágica. Mais incrível ainda era sua habilidade para imitar com absoluta perfeição os gestos e trejeitos de quem buscava surpreendê-lo. Feito assombração, teimava em aparecer. Bastava um espelho ou algo que o valha, lá estava ele. Mesmo nos lugares mais íntimos. Banheiro, quarto, trocador... Parecia desconhecer todas as regras de etiqueta. Intrometido e, não menos, evasivo. Como gato a escapar da água, o gordinho escapulia do olhar de todos, salvo do desgraçado que tomara para companheiro inseparável. Verdadeiro encosto. Tentara de tudo para dar um sumiço no gordinho do espelho. Receitas não faltavam. Alguns sugeriam “plantar” galinha preta afogada em cachaça na encruzilhada, outros indicavam benzedeira, sessão de descarrego ou rosa imantada em água benta. Tinham até os que pareciam zombar de seu tormento, preceituando – olhem só – coisas do tipo dieta à base de sopa, abdicar das delícias açucaradas e caminhadas diárias. É verdade que algumas sugestões surtiam resultado, mas por pouco tempo. Manter as luzes desligadas, retirar os espelhos da casa, passar longe das vitrines das lojas... Era reacendê-las, recolocá-los ou retomar os passeios ao shopping, lá estava o gordinho, com aquelas bochechas rosadas e carinha arredondada. Apesar de simpático, o sujeitinho era inoportuno e demasiadamente insistente. Já cansado e quase desesperado com aquela companhia indesejável, apelara para medidas extremas. Pedira à filha mais nova que permanecesse por perto e vigiasse cada passo do pai. Fosse este ao banheiro, por exemplo, caberia à pequerrucha denunciar a presença do gordinho atrás do coitado. Pura ilusão. Apesar de todos os cuidados e estratégias, a imagem de quem o perseguia continuava estampada no espelho. Não por acaso, urinava fora do vaso, pois tinha que dividir sua atenção entre o sanitário e a presença do gordinho. Tomar banho, então, virara uma tortura. Caísse o sabonete, ficaria jogado por lá, junto a um canto do box. Há muito já não se barbeava, pois não queria aquela presença indesejada a observá-lo feito predador diante de sua presa. Não bastasse ultimamente andar respingado de mijo, com cabelo feito palha de milho e barbudo, era ainda atormentado por uma insistente prisão de ventre. Pudera, manter a concentração durante o simples ato de ir aos pés virara um esforço hercúleo. Quando, finalmente, conseguia, desnecessário é descrever o cheiro fétido a impregnar o ambiente. Espantava toda família para longe não apenas do banheiro, mas da casa. Aliviado, com os intestinos desobstruídos, ia cuidadosamente até o espelho na esperança de ter se livrado do gordinho. Que nada, lá estava ele com aqueles olhinhos esbugalhados e a testa suada como se tivesse recém saído de uma guerra. Não tinha mais prazer nem mesmo no quarto. Tudo ia bem até que a mulher resolvera colocar um “senhor” espelho na cabeceira da cama. O gordinho, então, aumentou exponencialmente de tamanho, enquanto a libido do sujeito virou pó. Depois de muito resistir e ouvindo as súplicas dos amigos e da família, resolvera procurar um psicólogo. Indicação de um colega de serviço, o cartão trazia estampado em forma de marca d’água o símbolo da profissão e sobre ele o endereço, número do registro e nome do sujeito. Ao chegar no consultório, viu diante de si uma figura que mais parecia lutador de sumô a cumprimentá-lo de maneira muito simpática. Sua mão desapareceu entre os dedos rechonchudos do anfitrião. Ao lado do divã, como a chamá-lo, um grande espelho a refletir sua própria imagem e a do enorme corpo do psicólogo. O gordinho, como num passe de mágica, simplesmente desaparecera. Estava curado!  

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segunda-feira, 1 de junho de 2015

ATIVIDADE PARA AS TURMAS 31 E 32



Tudo bem? Nossas últimas aulas têm versado sobre o crescimento demográfico nos países do Sul, especialmente na Ásia e África. Quanto a este último continente, trabalhamos, por exemplo, o impacto da história (colonização entre os séculos XIX e XX) sobre as condições socioeconômicas e, por conseguinte, sobre o próprio crescimento demográfico. Peço que assistas ao vídeo acima e – a partir do que temos visto em aula e com base na pesquisa por ti feita – respondas o que se pede:
01. Comente sobre os conflitos étnicos na República Centro-Africana, destacando algumas causas.
02. Pesquise sobre a interferência da ONU na República Centro-Africana. O que pretende? Como tem sido? Consequências?
03. Qual é a relação entre o processo de colonização da África e os conflitos lá existentes? O caso da República Centro-Africana é “isolado”? Justifique e exemplifique.
04. A história tem mostrado que, não raras vezes, o homem usa a religião como pretexto para matar e escravizar. Assim, ao que se vê, a fé pode ser usada como poderoso instrumento de transformação (salvação) ou de destruição. Comente a afirmação.
                A presente Atividade valerá até 2,0 (dois) pontos. Deverá ser feita no caderno e corrigida em aula, conforme data previamente estabelecida pelo Professor.

Bom Trabalho!

terça-feira, 26 de maio de 2015

O MENTECAPTO: PERGUNTAR NÃO OFENDE!


O MENTECAPTO: PERGUNTAR NÃO OFENDE!
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                O mentecapto é assim mesmo. Insiste em pensar bobagem. Atolado em seus devaneios, insiste ver chifre em cabeça de cavalo. Pudesse, inquiriria os mais entendidos sobre dúvidas que o perseguem. Afinal, perguntar não ofende, pensa. Como entender que o chefe de segurança de um ex-Secretário de Segurança fosse, ao mesmo tempo, guarda-costas de um dos maiores traficantes da região? Falta de informação, infelicidade, coincidência? O mentecapto não acredita no acaso. Por mais que o tentem convencer de que não se pode confundir alhos com bugalhos, segue pensando o pior. Teima em engolir a ideia de que o principal responsável pela morte do traficante, cliente do chefe de segurança, fosse preso e assassinado dentro do presídio. Como alguém que estava sob a tutela do Estado foi asfixiado? Mais uma coincidência? Assim como fora coincidência o fato de que a guarda responsável pela vigilância do preso fosse uma novata? Mesmo ele, um mentecapto e, portanto, um idiota, sabe que aquele preso, em especial, deveria receber atenção redobrada. O Secretário de Segurança, ao que parece, não sabia. O governador, o Diretor do presídio, o juiz e todos os outros agentes públicos também não sabiam. O mentecapto já não sabe quem é, de fato, o imbecil. Está preocupado e temeroso em desconfiar que o Estado tem flertado com o crime organizado. Tem calafrios só em pensar que as mais altas lideranças e outros servidores de todos os Poderes possam, de alguma maneira, se prostituir, vendendo suas consciências por algumas moedas, ainda que manchadas pelo sangue que brota da violência associada ao tráfico. Tem pesadelos ao imaginar que lobo e cordeiro, apesar da aparente distinção trazida pela toga ou pela gravata, possuem a mesma essência e desmedida malícia. O mentecapto anda desconfiado. Vê fantasmas por todos os lados. Já não dorme direito, achando que o Apocalipse se avizinha. Mesmo a propaganda oficial, com todas aquelas imagens, slogans e frases de efeito, é incapaz de insuflar nele um pouco de ânimo. Lembra uma barata tonta a escapar da morte que parece certa. O tempo arrefece a memória e tende a amarelar as páginas do jornal. Quiçá, ali adiante, também o mentecapto esqueça todas essas bobagens. Presídios controlados pelos encarcerados, ações policiais abortadas pela carência de vagas nas cadeias, “prefeitos” que determinam quem vive e quem morre nas galerias, pavilhões recheados de celulares, bebidas, armas e drogas... Quanta besteira! O mentecapto, ao que se vê, perdeu por completo o juízo. Exagera, inventa, vê o que ninguém mais vê. Coitado. A lucidez, feito lampejos, raramente tem dado as caras. Já não sabe quem “cheira”: ele, o traficante ou o Secretário. Alucinado, o idiota perambula pelas fétidas ruas escuras e desertas, por vezes esbarrando num ou noutro monumento coberto pela pichação. A cidade estaria cada vez mais feia ou tudo não passa de uma visão distorcida pelo avanço da esquizofrenia? Achassem-no agora, o tomariam por ébrio. Sem razão é claro, afinal tropeçava não nas pernas, mas nas próprias ideias. 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

CONTEÚDOS DE GEOGRAFIA (2015)


CONTEÚDOS PARA 2015
Prof. Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                Observe, abaixo, a relação de conteúdos para o presente ano letivo.


SEGUNDO ANO DO MÉDIO (TURMAS 21, 22 E 23)

PRIMEIRO TRIMESTRE
1. O imperialismo e a Primeira Guerra Mundial.
2. O Socialismo e as transformações do espaço geográfico.
3. A dinâmica da crise de 1929.
4. A Segunda Guerra Mundial: causas e consequências.
5. A Ordem Mundial pós- Segunda Guerra.
6. A Guerra Fria.
7. O fim da Guerra Fria e a nova Ordem Mundial.
8. A Rússia na atual Ordem Mundial.
9. A China no cenário mundial.

SEGUNDO TRIMESTRE
1. A Globalização e as transnacionais.
2. O papel do Estado na economia globalizada.
3. Os sistemas de transporte e comunicação no mundo globalizado.
4. O aspecto sociológico dos meios de comunicação no Brasil.
5. A produção e consumo de energia: problemas e desafios.
6. As fontes alternativas de energia.
7. A questão energética no Brasil.
8. As fases da Indústria.
9. Revolução Industrial.

TERCEIRO TRIMESTRE
1. A questão fundiária nos países desenvolvidos e subdesenvolvidos.
2. A questão fundiária no Brasil.
3. Regiões industrializadas no cenário mundial.
4. A indústria no Brasil: passado, presente e perspectivas.
5. Neoliberalismo.
6. O Estado brasileiro: da monarquia à República.
7. As Constituições brasileiras.
8. A Constituição de 1988.
9. O Estatuto da Criança e do Adolescente.  


TERCEIRO ANO DO MÉDIO (TURMAS 31 E 32)

PRIMEIRO TRIMESTRE
1. Revolução Industrial e crescimento demográfico.
2. Teoria malthusiana.
3. Transição demográfica.
4. Estabilização demográfica no Norte.
5. Explosão demográfica e novas teorias populacionais.
6. Crescimento populacional e recursos naturais.
7. Transição demográfica no Brasil.
8. Composição etária e impactos sociais.
9. Países de elevado crescimento demográfico.
10. Envelhecimento populacional e previdência social.
11. Distribuição da população por sexo.

SEGUNDO TRIMESTRE
1. Setores da atividade econômica.
2. Globalização, tecnologia da informação e serviços.
3. Importância do turismo.
4. Transformações no mundo do trabalho.
5. Economia informal.
6. O trabalho no Brasil.
7. O desemprego no Brasil.
8. Trabalho escravo no Brasil: passado e presente.
9. A mulher no mercado de trabalho.
10. População e renda no Brasil e no mundo.
11. O Estado na distribuição de renda.
12. IDH
13. Globalização e movimentos migratórios.
14. Migrações internacionais: tipos, causas e consequências.
15. Migrações internas no Brasil: tipos, causas e consequências.
16. Estudo de casos.

TERCEIRO TRIMESTRE
1. Cidadania.
2. A cidade ao longo da história.
3. Urbanismo e planejamento urbano.
4. Metrópoles e cidades ditas globais.
5. O processo de urbanização no Brasil.
6. Rede Urbana.
7. O problema da moradia urbana no país.

OBSERVAÇÃO: Os conteúdos acima representam apenas um “indicativo” do que será trabalhado ao longo do ano letivo, podendo ser alterados conforme a necessidade verificada pelo Professor. Bom ano letivo a todos!

domingo, 19 de abril de 2015


ATIVIDADE PERMANENTE PARA OS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO SF
Prof.Gilvan
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                A disciplina de Geografia tem, dentre seus objetivos, a intenção de instigar a autonomia do educando, assim como a pesquisa e a capacidade de comunicar-se. O presente Trabalho aplica-se às Turmas 21, 22, 23, 31 e 32, sendo desenvolvido ao longo do segundo e terceiro trimestres.
                O Trabalho será individual ou em grupo (máximo seis integrantes), devendo ser apresentado em aula. O tempo máximo para apresentação será de 05 (cinco) minutos. Caberá ao aluno (grupo) escolher a forma de apresentação (paródia, teatro, jogral, etc.), desde que a mesma ocorra de maneira presencial (ao vivo). Ao aluno (grupo) caberá, ainda, a escolha do tema (assunto), desde que o mesmo tenha relação com os conteúdos programáticos da disciplina de Geografia do respectivo ano (série), conteúdos estes disponíveis no blog (profgilvanteixeira.blogspot.com.br). Na semana anterior à apresentação, o aluno (grupo) deverá entregar ao Professor, por escrito, a síntese do Trabalho a ser apresentado. A síntese deverá trazer: nome(s) e turma do aluno (grupo), número, tema escolhido (assunto) e forma de apresentação. Serão apresentados, no máximo, 02 (dois) Trabalhos por período, conforme “escala” previamente comunicada pelo Professor.
                O presente Trabalho valerá até 3,0 (três) pontos na Qualitativa, sendo avaliado conforme segue:
a) síntese (a ser entregue ao Professor) – 0,5;
b) organização – 0,5;
c) criatividade – 1,0;
d) conteúdo – 1,0.
                A data estabelecida para apresentação do Trabalho é improrrogável. Caso algum integrante do grupo não compareça, ainda assim o Trabalho será apresentado.

                Abaixo, o cronograma a ser seguido:

SEGUNDO TRIMESTRE
TURMA(S)
ENTREGA DOS NOMES
INÍCIO DAS APRESENTAÇÕES
21, 22, 23, 31 e 32
Até 22/05
A partir de 01/06


TERCEIRO TRIMESTRE
TURMA(S)
ENTREGA DOS NOMES
INÍCIO DAS APRESENTAÇÕES
21, 22, 23, 31 e 32
Até 21/08
A partir de 31/08



Bom Trabalho!

sábado, 18 de abril de 2015

MALHANDO TRIGO NO LAGAR?


MALHANDO TRIGO NO LAGAR?
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Lugar de malhar trigo era na eira, lugar amplo e arejado, para que as impurezas fossem lançadas para longe, ficando somente o que era bom. O lagar, por outro lado, constituía-se num lugar escuro, escondido e de acesso bastante limitado, onde a uva era pisada. Assim como Gideão, um dos “juízes” de Israel, muitos são os que escondem sua autoridade nos “lagares” da vida. Pais, mães, educadores e educadoras, por exemplo, demonstram medo de exercerem o papel de ascendência que deles se espera. Autoridade esta que, por óbvio, não se confunde com tirania ou autoritarismo. Como o personagem bíblico, muitos são os genitores e professores que, acuados e amedrontados, parecem duvidar do “chamado” ético que lhes diz respeito. A visão turva, coberta pela catarata de um falso conceito de “modernidade”, tem colocado em risco gerações inteiras, estas cada vez mais presas ao terreno movediço das drogas, do engodo, da leviandade, do desrespeito, da indisciplina, da preguiça e, muito comumente, da criminalidade. O temor ou inabilidade de malhar o trigo na eira, às claras, portanto, tem levado muitos a optarem pelo breu dos lagares escorregadios, onde o artifício do relativismo doentio busca justificar o injustificável. Assim, malcriação, mentira, furto, agressão física, ofensa moral, consumo de álcool e de entorpecentes são vistas e tratadas com leniência, como se naturais e aceitáveis fossem. Apoiados em algumas teorias “psicanalíticas” e “pedagógicas” insanas e irresponsáveis, acabam muitos pais e professores, por exemplo, fazendo vistas grossas ao problema. Delegam ao “tempo” a responsabilidade que lhes é inerente, o mesmo tempo que muito provavelmente irá mostrar, ainda que tardiamente, o quanto estavam errados. Ora, o tempo, por si só, não educa. Somente ações efetivas, posturas exemplares, modelos seguros e confiáveis, palavras firmes, cobranças permanentes e salutar cumplicidade com a sorte dos rebentos são capazes de educar. O amor exigente é que educa, ao contrário da condescendência cega. Assim como não basta o vento para separar o trigo de sua casca, soa como ingênuo lançar sobre o tempo a educação de nossas crianças e jovens. Malhar o trigo exige disposição, iniciativa, bem como trabalho duro e persistente. Educar, da mesma forma. A casca, assim como as dificuldades e tendências talvez “inatas” do ser humano, precisa ser “malhada”. Negá-la ou mantê-la como se útil fosse para o uso do trigo não parece razoável. O ato de educar não deve ser terceirizado, mas assumido com responsabilidade. Pais não têm o direito ético, moral e legal de lançarem sobre os ombros de outrem a obrigação que lhes compete. A escola e o Poder Público, da mesma forma, resguardadas as atribuições de cada um. Urge colocarmos a educação de nossas crianças e adolescentes na eira. Abandonemos o covarde papel inicial de Gideão, mas como ele, viremos o jogo e, de forma corajosa, vençamos a difícil, porém necessária, peleja em prol daqueles quem mais amamos.

Veja também:
http://www.institutosaofrancisco.com.br/site/artigos_visualizar.php?artigo_autenticacao_=940ecc768099e35917344cd69eef5774



domingo, 5 de abril de 2015

O SOCIALISMO E AS TRANSFORMAÇÕES DO ESPAÇO GEOGRÁFICO


O SOCIALISMO E AS TRANSFORMAÇÕES DO ESPAÇO GEOGRÁFICO
Prof. Gilvan
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br

                Apesar de serem muitos os conceitos envolvendo o termo “Socialismo”, quase todos têm em comum a defesa de uma sociedade pautada na igualdade. Contudo, ao contrário do que possa parecer, o próprio conceito de “igualdade” traz consigo opiniões nem sempre concordantes, especialmente se analisarmos tal ideia ao longo da história da humanidade. Platão (Grécia Antiga), por exemplo, tinha um conceito de sociedade ideal distinta da Thomas Morus (século XVI), enquanto este último trazia uma concepção de sociedade perfeita diferente daquela defendida por Karl Marx (século XIX). Vale lembrar, ainda, que ao falarmos em Socialismo, é fundamental que façamos distinção entre os chamados Socialismos “Utópico”, “Cristão” e “Científico” (Marxista), distinção esta trabalhada e discutida ao longo de nossas aulas. Além disso, precisamos, ainda, distinguir os Socialismos Real e Ideal, ou seja, o Socialismo de fato vivenciado daquele que, segundo Marx, deveria ser.

                Independentemente das discussões teóricas ou ideológicas acerca do Socialismo, o certo é que o referido “modo de produção” trouxe profundas transformações no espaço geográfico de uma forma geral e na Ordem Mundial de forma particular. Não por acaso, o mundo do Pós-Guerra (1945) passou a conviver com uma Ordem assentada na chamada “bipolaridade”, onde a Guerra Fria representou o tensionamento entre os mundos Capitalista (sob a liderança dos Estados Unidos) e Socialista (liderado pela ex-União Soviética), enfrentamento este com inúmeras consequências políticas, culturais, econômicas e militares, por exemplo. A Ordem Bipolar (1945 – 1985), aos poucos, foi dando lugar à atual Ordem, onde os antigos países ditos “socialistas” passaram a constituir o grupo das “Economias de Transição”, verificando-se a passagem de uma economia socialista para uma economia capitalista ou, ainda, de uma economia planificada para uma de mercado. Vale lembrar, contudo, que nem todos os autores concordam com tal conceito, haja visto dividirem o mundo de hoje em Norte e Sul. Para entendermos o conceito de Economias de Transição, devemos, antes, lembrarmos o que se entende por “economia planificada” e “economia de mercado”. Sucintamente, a chamada “economia planificada” seria aquela marcada pela centralização, onde o Estado detém o controle sobre os meios de produção (máquinas, terras, fábricas, entre outros). Já a chamada “economia de mercado”, típica do Capitalismo, é aquela marcada, ao menos em tese, pela livre iniciativa, onde o principal objetivo do empreendimento é a busca do lucro.

                Para entendermos as Economias de Transição precisamos, ainda, lançar um olhar sobre a história do Socialismo Real, especialmente, o período que coincide com a chamada crise desse modo de produção. Tomemos a título de exemplo o caso da antiga União Soviética (URSS). Esta, como Estado, surgiu em 1922, especialmente com o expansionismo russo em relação aos territórios contíguos. Vale lembrar que a Rússia foi o primeiro país do mundo a adotar, em 1917, o Socialismo. A história da URSS, como a de qualquer outro Estado, está marcada por altos e baixos, momentos de hegemonia e de crise. Durante muito tempo (período da “Guerra Fria”) ela dividiu a liderança política, militar e ideológica com os Estados Unidos da América. Contudo, entre o final da década de 1980 e início da década de 1990, especialmente durante o governo do presidente Gorbachev, a URSS presenciou um rápido processo de reestruturação econômica e de “abertura” política, com a “perestroika” e a “glasnost”, respectivamente. Aos poucos, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas foi se desintegrando, sendo que suas repúblicas foram buscando a independência e a autonomia em relação ao governo central.


quinta-feira, 2 de abril de 2015

PROFESSOR, LEVANTA-TE


PROFESSOR, LEVANTA-TE!
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                Feito Lázaro inerte, encoberto por ataduras, assim tem se mostrado um incontável número de educadores. Prostrados e cabisbaixos, seguem em sua vidinha profissional modorrenta, imersos em lamúrias e memórias de um passado que, pensam, ter existido. Soterrados em dívidas, veem o limite do cartão estourar, enquanto a algibeira mais parece o Sertão. Pressionados por alguns pais, alunos e hierarquia laboral, titubeiam em suas iniciativas e decisões. Nervosismo, insegurança e medo são apenas alguns dos ingredientes a levedarem a massa do desânimo e do derrotismo. Assolados pelo crescente descrédito social, poucos não são os professores que chutam o balde, desistindo de suas carreiras ou, o que é pior, insistindo num faz de conta que ensina. Acabam por desaguar no aluno a própria insatisfação. Neste último caso, mostram-se azedos e com cara de poucos amigos. Gazeiam o trabalho, sabotam as mais elementares regras profissionais e pouco ou nada fazem para construção de um ensino de qualidade. Cria-se um triste círculo vicioso, onde o professor não é valorizado porque não faz a diferença, enquanto não faz a diferença porque não é valorizado. Pérfida e vil ciranda precisa ser quebrada. O professor precisa (re)conquistar seu espaço, ser autor de sua história, deixando de lado o papel secundário e quase desprezível hoje assumido. O verdadeiro protagonismo não nasce de uma normativa legal ou de uma campanha publicitária cunhada a peso de ouro. Nasce, sobretudo, da luta arduamente travada no dia-a-dia. A baixa remuneração é tão somente a ponta de um complexo iceberg solidamente construído ao longo de muitos anos. Tal qual vítima do sequestrador, o professor aparenta ter se afeiçoado ao agressor numa espécie de síndrome de Estocolmo. Faz o jogo do inimigo, apesar do discurso por vezes moralista recheado de chavões e palavras-de-ordem. Opta pelo caminho aparentemente mais cômodo, ganhando um pouquinho mais aqui ou acolá, por meio de reposições, triênios, promoções por merecimento, incorporações de funções gratificadas, etecetera e tal. Preocupa-se, como se vê, apenas com a cereja do bolo, sem mexer naquilo que é essencial e estruturante, a saber, sua função social. Vale lembrar que o professor precede o médico, o advogado, o engenheiro e o juiz, por exemplo. Por que então a abissal diferença remuneratória em desfavor do educador? Formação? Absolutamente! Tamanha desvalorização foi sendo construída, também, por meio da ação/omissão dos próprios professores. Como? Ao acomunar-se com os “jeitinhos” comumente aceitos, apesar de reprováveis sob o ponto de vista ético. Ao acomodar-se intelectualmente abrindo mão da permanente e indispensável pesquisa. Ao fechar os olhos às profundas mudanças sociais e tecnológicas. Ao entregar seu destino nas mãos de organizações sindicais eivadas de vícios e interesses espúrios, sem delas efetivamente participar. Ao dobrar-se ante o assédio de pais inescrupulosos que entronizam seus rebentos como se reis fossem. Ao dizer amém às mantenedoras e patrões que, muito comumente, atropelam os limites mínimos garantidores da dignidade profissional do educador. O fato é que os professores foram se acostumando às esmolas e sobras. Não por acaso, a maioria das escolas (principalmente públicas...) vegeta na mais profunda e vergonhosa carência de tudo, contrastando com a suntuosidade dos tribunais, câmaras e assembleias legislativas. Mais do que simbólico, tamanhas aberrações são a prova cabal e inconteste do “espaço” reservado ao ensino neste país. Portanto, professor, levanta-te! Digas não à intromissão indevida de alunos, pais, diretores, secretários, promotores, juízes e legisladores. Digas não à perpetuação das inadmissíveis e gritantes disparidades salariais entre tu e aqueles a quem ensinaste, ainda que reconhecidos doutores. Digas não ao peleguismo sindical que pouco faz por ti. Digas não à opacidade social à qual foste relegado e te deixaste relegar. Professor, rompas as ataduras e mordaças e, assim como Lázaro, levanta-te e sai para fora. 

terça-feira, 31 de março de 2015

OS PUXADINHOS DA ESCOLA


OS PUXADINHOS DA ESCOLA
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Não fosse trágico, seria cômico. As escolas neste país, principalmente (mas não somente...) as públicas, convivem com a síndrome dos “puxadinhos”. Lida-se com elas como se fossem um fusca velho. Remenda-se uma correia aqui, aperta-se um parafuso ali, dá-se uma martelada acolá e toca-se o barco adiante, ainda que aos trancos e barrancos. Sobra amadorismo, enquanto falta competência por parte do Estado para imprimir ao ensino a importância historicamente deixada de lado. Não apenas competência, mas faltam ao gestor público seriedade e compromisso com a “coisa” pública. Enquanto as secretarias municipais e estaduais de ensino, assim como o Ministério da Educação, seguem loteadas por interesses político-partidários espúrios e mesquinhos, as escolas definham, mais fazendo lembrar um amontoado de ossos secos sob a indisfarçável pele da indiferença. Salas de aula imundas e mal pintadas, bibliotecas e laboratórios sucateados, pátios nada convidativos, refeitórios onde o que menos se vê é uma alimentação equilibrada e de qualidade, banheiros depredados e mal cheirosos a despertarem a saudade das velhas patentes de tempos pretéritos... Sobejam problemas na mesma medida que escasseiam soluções efetivas. Discursos e chavões é que não faltam, assim como as velhas e desgastadas promessas jamais cumpridas. Enquanto a acessibilidade passa de largo, a comunidade escolar vai driblando as dificuldades do terreno irregular, das escadarias mal projetadas e dos acessos por vezes intransponíveis. O mesmo ente público que tece e fiscaliza os regramentos, não os cumpre, numa insofismável demonstração de incoerência e criminosa irresponsabilidade. Ao exercício do magistério sonega-se não apenas o salário minimamente razoável, mas também as ferramentas indispensáveis no processo ensino-aprendizagem. É duvidar, falta inclusive o giz, restando quiçá o cuspe a um profissional aviltado em seu bolso e extorquido em seus sonhos. Quanto ao aluno, segue alimentado por quimeras e palavras vazias acerca de um futuro que jamais chega. Fora os parcos instantes sob os flashes das fotos onde pousa ao lado do prefeito, governador ou presidente, o que prevalece é o breu de uma vida desassistida e fadada à pobreza. A escola, antes do que tábua da salvação, há muito vem sendo trampolim para interesses que não vão além do umbigo de alguns inescrupulosos. O quadro-verde esburacado, os ventiladores estragados, o telhado mais parecendo um queijo suíço, os jurássicos equipamentos de uma tecnologia para lá de ultrapassada são apenas a triste ponta de um vergonhoso iceberg. A esquálida figura da escola é nada mais do que o retrato do atávico descaso com que o ensino vem sendo tratado por estes páreos. A real qualidade é preterida em nome das aparências. Confeccionam-se gráficos multicoloridos que, no frigir dos ovos, buscam escamotear um contexto sombrio e preocupante. Maquila-se a evasão com o jogo de palavras e trocadilho de conceitos, assim como “resolve-se” o problema da repetência com a invenção de fórmulas mágicas. Como de costume, joga-se para debaixo do tapete toda a fétida sujeira que impede que nossos educandos, de fato, aprendam. Pactua-se com o politicamente correto passando panos quentes sobre a incompetência de alguns pseudo-educadores e quase absoluta inabilidade de muitos gestores. Trata-se, muito comumente, o aluno e sua família como bestas, como se não fossem eles os que dão sentido à escola. Inexiste servidor público sem o contribuinte que o sustente. O educando é imprescindível ao profissional da educação. O primeiro precede o último, dando-lhe razão de ser. A escola merece respeito! Escola jamais deveria rimar com esmola, mas carece, isto sim, é de ser entronizada como única resposta para superação do subdesenvolvimento.  

terça-feira, 24 de março de 2015

A EJA E O PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO: DESAFIOS


A EJA E O PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO: DESAFIOS
Prof. Gilvan Teixeira
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                Mais um Plano Municipal de Educação (PME) e, com ele, uma torrente de sentimentos que vão da tímida esperança à escancarada desconfiança. Não por acaso, afinal a história recente deste município (do estado e do país...) vem reforçando os atávicos problemas que dizem respeito à educação. Esta, há muito maltratada e vilipendiada, segue no plano da etérea esperança, onde abundam discursos e promessas, enquanto faltam ações efetivas capazes de alavancarem o único caminho para o desenvolvimento social, a saber, o ensino de qualidade. Apesar do pessimismo e descrédito reinantes, o PME – a reboque do “novo” Plano Nacional de Educação (PNE), tardiamente aprovado em 2014 –, indiscutivelmente, é um importante documento, importância esta que nasce da construção coletiva dos atores direta ou indiretamente ligados à educação: professores e demais funcionários das instituições de ensino (públicas e privadas), alunos, pais, sindicatos, mantenedora (Executivo), Legislativo, etc.. O grande desafio, ao que parece, é transformar o texto produzido (inicialmente, não mais do que letra morta) em realidade, desafio que passa, necessária e obrigatoriamente, pelo tensionamento do Estado (aqui compreendido em seu sentido lato sensu) pela sociedade organizada.

                A Educação de Jovens e Adultos (EJA), no município de Cachoeirinha, há alguns anos vem agonizando, envolta em inúmeros e graves problemas. O fechamento dessa modalidade em muitas escolas públicas municipais é apenas a ponta de um triste e preocupante iceberg, onde a verdadeira frieza nasce do absoluto descaso do Estado (produto, no frigir dos ovos, da ação e/ou omissão da sociedade como um todo...) em relação ao ensino, postura associada ainda à incompetência, inépcia, malversação de recursos, falta de planejamento a médio e longo prazos, confusão entre público e privado, processos licitatórios suspeitos, sobreposição de interesses espúrios em detrimento da coletividade, política salarial aviltantemente pífia e muito aquém do razoável levando ao desestímulo dos profissionais da educação, dentre outros. A evasão – principal causa alegada para o fechamento da EJA – não é obra do acaso, mas produto de uma série de fatores, quase sempre conjugados: descaracterização do público atendido pela modalidade (hoje, em sua maioria, adolescentes “vomitados” pelo dia, em decorrência da indisciplina e multirrepetência, por exemplo), despreparo docente (às vezes, consequência da rotatividade dos profissionais da EJA, muitos deles vendo na modalidade não mais do que a oportunidade de aumentar seus vencimentos), estruturas física e pedagógica precárias (falta de acessibilidade, currículos descolados da realidade discente, falta de equipamentos), etc.. Portanto, motivos temos de sobra para discutirmos a EJA. A revisão do PME soa como uma boa oportunidade para revisitá-lo e, ao fazê-lo, apontarmos eventuais avanços (eles existem, por certo) e falhas de percurso, denunciando e cobrando do Estado aquilo que lhe diz respeito, além é claro de jamais deixarmos de lado a sempre bem-vinda e salutar autocrítica enquanto gestores, professores, alunos, pais, representantes de Conselhos de Direitos, etc.

                A EJA da EMEF Fidel Zanchetta vem buscando romper com a perversa lógica do ciclo acima descrito, onde o Poder Público fecha a modalidade porque não tem aluno e não tem aluno porque o Poder Público nem de perto cumpre com seu papel constitucional. A opção pelo Ensino à Distância (EAD) Semipresencial é a prova cabal da intenção da comunidade escolar em perfectibilizar um direito assegurado nos principais diplomas legais nacionais ou não. Abre-se com ele (EAD-Semipresencial) uma importante oportunidade para os jovens e adultos trabalhadores finalizarem o Ensino Fundamental. A flexibilização de horários (duas noites presenciais e as demais à distância, por meio da Plataforma Moodle), a possibilidade de contato com os educadores a qualquer hora, a apropriação e familiarização com a linguagem digital são apenas algumas das virtudes do Ensino à Distância praticado pela EJA na referida Escola. Os frutos vêm aparecendo! Objetiva-se com o EAD-Semipresencial não apenas mitigar a evasão e repetência, mas sobretudo aprofundar a inclusão social, onde o exercício da cidadania extrapole os limites do discurso e se transforme em práxis modificadora do cotidiano. A ferramenta, ao contrário do que muitos pensavam, veio contribuir na humanização do processo ensino-aprendizagem.


                Apesar de todos os avanços, a EMEF Fidel Zanchetta (EAD-Semipresencial) ainda se debate com muitos dos infortúnios de outras instituições de ensino que ofertam a modalidade EJA. Urge, por exemplo, significativos investimentos no Laboratório de Informática (LI), afinal dito espaço passou a ser uma das espinhas dorsais da EJA. Poucos não são os alunos que dependem dos equipamentos à disposição na Escola. A falta e/ou a precariedade dos computadores, por exemplo, fere um importante direito do educando e compromete o próprio Projeto da Instituição. O PME, a ser discutido ao longo dos próximos meses, pode e deve contribuir na louvável intenção da comunidade escolar da EJA Fidel Zanchetta em garantir e aprofundar o atendimento. Para tanto, é imprescindível a efetiva participação de todos, opinando, criticando, propugnando por ações concretas que viabilizem uma escola de qualidade. 

sexta-feira, 20 de março de 2015


O SEGREDO DOS MEUS (TEUS) CABELOS
Gilvan Teixeira
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                Sansão ocupa um lugar especial na memória de muitos. Ainda criança, quem não ouviu fantásticas histórias envolvendo o personagem bíblico? Todas aquelas proezas tendo como pano de fundo sua força descomunal. Lutar contra dez ou contra cem não parecia mais difícil do que lutar contra apenas um. Rendia leões e derrubava palácios como se de isopor fossem. Arrebentava grilhões e subjugava exércitos com a destreza da criança que se diverte em meio aos soldadinhos de chumbo. Qual o segredo de tamanha e inigualável força? Os longos cabelos? Não. A resposta estava na relação que Sansão mantinha com Deus. Era ela que servia de fio condutor para as glórias do guerreiro de Israel. Os cabelos, no fundo, não passavam de um mero detalhe. Obediência, fidelidade, honestidade e disposição para servir é que, de fato, alimentavam os músculos daquele nazireu. Valores, enfim, indispensáveis num relacionamento sadio e próspero. Quantas lições podemos tirar da história de Sansão! Nós, educadores, dizem, precisamos matar um leão por dia. Incontáveis são as feras que povoam a selva em que se transformou não apenas a escola, mas a vida como um todo. Alguns procuram respostas nos “cabelos” compridos e multicoloridos sob a forma de teorias pedagógicas que, por vezes, prometem a solução tão desejada, teorias farmacológica e academicamente prontas que nada fazem além de encherem as algibeiras de alguns pedagogos – que, muito comumente, mal conseguem educar os próprios rebentos –, bem como do mercado editorial. A saída para a crise no ensino passa, primeiro e principalmente, pela relação interpessoal entre educador e educando, relação esta que precisa estar pautada no respeito, na oitiva, no olhar viajante, na humildade, na disposição para o diálogo, na autoridade e alteridade, na coerência entre o discurso e a prática. A sala de aula pode e deve ser um espaço de aprendizagem não apenas das ditas ciências exatas e sociais, mas também um privilegiado palco para o crescimento individual e coletivo. O “conteúdo” é não apenas bem-vindo como necessário, afinal é produto de um conhecimento historicamente acumulado, indispensável na formação integral do sujeito. Abrir mão da pesquisa, da produção textual, do cálculo matemático, da boa grafia soa como irresponsável e criminoso, pois priva gerações inteiras de formarem uma base sólida para o efetivo exercício da cidadania. Contudo, os famigerados “planos de aula” podem e devem estar permeados de afeto, devem ser “sanguíneos”, conquistando e encantando não apenas os neurônios, mas o coração. Há coisa mais gratificante do que ver aquele brilho no olhar do educando? O mesmo olhar que não apenas cruza com o do educador, mas misturam-se, numa espécie de sublime amálgama. Não há indisciplina que resista, nem tampouco há espaço para a indiferença. Borbulham as sinapses, enquanto o coração dilata de tal forma que ali passa a caber, também, a figura do professor. A arte de ensinar passa pela empatia, pela cumplicidade dos sonhos e pela confiança mútua entre os atores envolvidos no dito processo. Ensina-se por meio da palavra, do não dito, do gesto, do toque, do trocadilho, do lúdico, da experiência empírica. Ensinar requer compromisso com o outro, onde se mostra imprescindível uma relação pautada no amor, não o do tipo piegas, mas no amor genuíno, visceralmente comprometido, onde os cabelos sejam não mais do que um mero detalhe.  

Veja também:
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domingo, 15 de março de 2015

O GIGANTE ACORDOU: SERÁ?


O GIGANTE ACORDOU: SERÁ?
Gilvan Teixeira
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                Quinze de março de dois mil e quinze, um dia para entrar na história... Não acho! Apesar de toda empolgação e frenesi midiático, acredito que o referido dia não ultrapassará a vala comum de tantos outros dias que, apesar do barulho, pouco ou nada alteraram, de fato, os rumos da fracassada República. Como no passado, seguimos acreditando em soluções mágicas, em discursos oportunistas inflamados que – como o vento – se esvaem tão ou mais rapidamente de como surgiram. O problema do Brasil não é o PT. É também ele, assim como o são PSDB, PSB, DEM, PTB, PP, PMDB, PPS, PCdoB, PDT... Atire a primeira pedra o partido que não tenha em suas fileiras nomes maculados, no mínimo, pela profunda desconfiança popular no que tange à conduta ética. Apontem um só partido político que não faça uso da máquina pública distribuindo benesses e garantindo incontáveis e onerosas tetas sob a rubrica de CCs e FGs, ou então partidos que não se apossem dos sindicatos fazendo destes alavanca para alcançarem e/ou perpetuarem o poder. O problema do Brasil é estrutural, diz respeito aos alicerces do próprio Estado. As bases de nossa vergonhosa República foram construídas em solo arenoso, sem a firmeza necessária. Terreno marcado pela confusão entre público e privado, arbítrio, censura, distribuição de favores em troca de apoio político, coronelismo, populismo irresponsável, distribuição profundamente desigual das riquezas, primazia do interesse individual em detrimento do coletivo, etc.. A crise ética em Brasília reflete a crise ética na família, na escola, nas associações, nas Câmaras, nos tribunais.  Brasília – assim como a Bastilha na França do século XVIII – é tão somente a encarnação simbólica do cenário dantesco, pantanoso e fétido historicamente construído ao longo destes quinhentos anos. Não conseguimos nos desvencilhar e nem tampouco romper com o jugo colonial. Pensamos e agimos com pequenez de espírito. Não apenas o governo federal faz água, mas também os estados e municípios. Não apenas o Executivo se vê eviscerado, mas também todos os demais ditos Poderes do Estado. Paira sobre eles uma preocupante desconfiança, terreno fértil para a eclosão de movimentos de toda sorte, bem e mal intencionados. Fazer “sangrar” o Executivo soa – quando vindo de agremiações partidárias não menos lambuzadas na pocilga dos interesses espúrios – como perigosa hipocrisia, pois o tiro pode sair pela culatra. Causa estranheza ver nas redes sociais pessoas, íntima e flagrantemente ligadas a partidos não menos suspeitos do que o PT, saindo às ruas empunhando bandeiras verde-amarelas. Por que não fizeram uso de seus “escudos” partidários? Vergonha? Pudor? Temor de serem expostas ao ridículo de precisarem explicar o injustificável? Poucos não são os que têm o rabo preso! Urge sim a mudança, porém não aquela preconizada pelas mesmas elites que – feito abutres – disputam a carniça resultante de eventuais crises econômicas e políticas, mas uma mudança assentada na verdadeira soberania popular, onde as cores deste país não sejam preteridas em favor do vermelho bolivariano ou do verde oliva com cheiro de naftalina.