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domingo, 12 de julho de 2015

ESTUPIDEZ NOS TEMPOS DA MENINGITE


ESTUPIDEZ NOS TEMPOS DA MENINGITE
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br




                Cachoeirinha, uma pequena cidade da região metropolitana de Porto Alegre, vive o que alguns convencionaram chamar de “surto comunitário” de meningite. Ao que parece, não apenas a bactéria tem provocado a inflamação das meninges e, com isso, eventual “confusão mental”. Esta última, ao que se vê tem sido mais comum do que se imagina. Há quem aproveite momentos de crise – como se esta não fizesse parte da história de nossa cidade e de nosso país... – para lançar críticas e mais críticas de toda ordem sobre o Prefeito, o Secretário, o vereador... Preocupa a forte tendência da oposição estrábica em jogar pedra sobre o telhado alheio, como se ela própria fosse exemplo de ética e boa condução do interesse público. A moral de cuecas soa como abjeta e nada convincente, afinal deixa à mostra as nádegas tomadas pelas “estrias” da incoerência, do discurso fácil e vazio, bem como do ultrapassado jeito de se fazer política. Não que o Executivo deixe de merecer a crítica e indignação do cidadão. Sim, mas não apenas ele, mas o Estado como um todo. Executivo, Legislativo e Judiciário. Todos os ditos “Poderes”, nas esferas municipal, estadual e federal, são corresponsáveis pela falência dos serviços públicos. A precariedade da saúde, evidenciada, ainda mais, em situações como a do surto de meningite, é tão somente um dos tantos problemas a atestarem o embotamento ético do Estado. Este, há muito já não nos representa, tendo se tornado um fim em si mesmo. Feito Narciso, tem se mostrado incapaz de olhar além do próprio umbigo. Mastodôntico, consome quase todos os recursos – que não são poucos... – em alimentar as próprias entranhas. Zarolho, não enxerga além dos próprios interesses espúrios e mesquinhos, voltado muito mais ao atendimento de projetos egoístas de poder, em detrimento do interesse coletivo. O cuspe lançado pela dita “oposição” de hoje (amanhã aliada ou, quiçá, “governo”), feito bumerangue, retorna impulsionado pelos “ares” enlameados da troca de favores tão comum nos corredores das repartições públicas. O azedume de alguns opositores contrasta com suas flagrantes ou veladas práticas condenáveis. A verborreia político-partidária (da “oposição” ou “situação”, da “esquerda” ou “direita”) nada tem contribuído para depuração do Estado. Usar a tragédia alheia – sob a forma de pretensa preocupação com o outro – para obter dividendos políticos soa como irresponsável e vergonhoso. Atenta contra a inteligência e a dignidade da pessoa humana, pois vitimiza aquele que já é vítima, fazendo desta última um trampolim para obtenção de vantagens indecorosas. Torçamos e lutemos pelo controle da meningite neste município, exigindo do Poder Público as ações que lhe competem e responsabilizando o Estado, se necessário. Tomemos os cuidados necessários capazes de mitigarem o risco de contágio. Assim, é o que se deseja, logo a epidemia será coisa do passado. Quanto à “oposição” endêmica e camaleônica – pois troca de roupagem conforme o contexto e a oferta de benefícios –, ao que parece, seguirá resistente aos fármacos desta frágil e duvidosa democracia. 

domingo, 5 de julho de 2015

SETORES DA ECONOMIA: LÂMINAS

Acima, as "lâminas" referentes ao conteúdo sobre "setores da economia". Agradeço ao aluno Pedro Müller (turma 32) pelo auxílio. 

terça-feira, 23 de junho de 2015

ATIVIDADE PARA AS TURMAS 21,22, 23, 31 E 32





Tudo bem? Nas últimas aulas de Geografia, temos tratado, dentre outras coisas, acerca das chamadas "transnacionais". Estas últimas têm um significativo papel nas relações de consumo. Peço que assistas ao vídeo acima e, com a participação da família (pais/responsáveis), responda o que se pede:

1. Qual é o papel da propaganda na formação de uma criança?

2. Qual é a importância do "não" na formação de uma criança?

3. O que se entende por "erotização" da criança? Quais são os riscos, no(s) ponto(s) de vista de tua família?

4. Os pais ensinam mais pelo "exemplo" do que pela "palavra". Comente a afirmação.

A presente Atividade valerá até 1,5 (um ponto e meio), devendo ser respondida no caderno e corrigida em aula. Desde já, agradeço a participação.


sexta-feira, 19 de junho de 2015

ATIROU POR QUÊ?


ATIROU POR QUÊ?
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Por que atirou? Muitas são as respostas e vãs tentativas de “justificar” o ato imbecil, violento e covarde que quase levou à morte de um querido aluno e ceifou a vida de seu amigo no último dia dezesseis de junho. Atirou porque a vítima reagiu. Atirou porque ela não reagiu. Atirou porque a vítima se negou a dar o que o agressor pedia. Atirou porque ela entregou o solicitado pelo bandido, mas este não ficou satisfeito. Atirou porque a vítima correu. Atirou porque ela permaneceu imóvel. Atirou porque... A verdade, contudo, quase sempre, é que atirou porque decidiu fazê-lo. Influenciado ou não pela droga, instigado ou não pelos parceiros do crime, desconfiado ou não de uma eventual reação da vítima, fruto ou não de uma sociedade injusta e desigual, resultado ou não de uma família desestruturada, a responsabilidade deve recair, primeiro, sobre o autor do infame delito, ainda que sob a perigosa roupagem da dita menoridade. Tem sido comum o Poder Público, através da Secretaria de Segurança ou da polícia, por exemplo, insistir na falácia de que o melhor caminho é a não reação, como se tal opção fosse salvaguardar a vítima das atrocidades do criminoso. Será por isso que o Estado não tem reagido? Será por isso que o Estado tem se mostrado omisso ou nada eficiente frente à absurda escalada da violência? Será por isso que entra governo e sai governo, a insegurança segue produzindo as metástases que têm levado a sociedade gaúcha à falência total dos serviços públicos, inclusive o da segurança? O Estado tem se mostrado refém da criminalidade, enlameado que está, por exemplo, na areia movediça da incompetência, da corrupção, da falta de planejamento e de investimentos. Um Estado que não tem, nem de perto, cumprido com suas obrigações constitucionais e, portanto, questionável e, talvez, desnecessário. A violência que enlutou a família do Gabriel e pôs em desespero os pais do Henrique é, portanto, responsabilidade também do Poder Público. O Estado, assim como o criminoso, precisa ser responsabilizado. O gestor que descumpre com seu papel, o servidor que “suja as mãos” e denigre a própria consciência, o juiz (que, apesar da toga, é servidor e não Deus...) que irresponsavelmente permite ao criminoso ganhar as ruas, todos eles devem e precisam ser responsabilizados. O descontrole da violência é consequência, sobretudo, da certeza da impunidade. O arcabouço jurídico há muito tem sido motivo de chacota e escárnio, tamanha a distância entre a previsão e o cumprimento do mesmo. Crimes não investigados, inquéritos mal conduzidos, sentenças equivocadas, penas não cumpridas... Virou rotina. Triste realidade que tem alimentado a indignação e a convicção de que a saída para estancar a criminalidade, ainda que em parte, não passa pelo modelo pífio de Estado que temos. A sociedade precisa reagir sim! Precisa fazer uso de todos os meios, ainda que coercitivos, para garantir um direito que lhe é natural e, portanto, anterior à existência do próprio Estado. As pessoas de bem, ainda maioria, precisam se organizar, transformando a indignação e lancinante dor em ações concretas capazes de subverterem as estruturas modorrentas de um Estado que tem abandonado às moscas a população que o sustenta e lhe dá sentido. O Estado existe para servir e não ser servido. Não é um fim em si mesmo e nem tampouco espaço para realização de projetos mesquinhos de poder ou de enriquecimento fácil. Basta de tanta violência. Não podemos seguir assistindo nossas crianças serem violentadas, filhas sendo estupradas, juventude sendo viciada, casas sendo assaltadas, veículos sendo roubados, vidas inocentes sendo tiradas... A letargia do Estado precisa ser rompida. Tiremos o sono do presidente, governador, prefeito, ministro, secretário, senador, deputado, vereador, juiz, promotor, delegado... Não sejam em vão as lágrimas das mães que enterram seus filhos ou que, na calada da noite, suplicam aos céus pelo rebento à beira da morte. 

Veja também:
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domingo, 14 de junho de 2015

O GORDINHO DO ESPELHO


O GORDINHO DO ESPELHO
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Quem disse que os gordinhos são lentos? O do espelho, ao menos, era para lá de ágil. Bastava virar para avistá-lo, sumia como num passe de mágica. Mais incrível ainda era sua habilidade para imitar com absoluta perfeição os gestos e trejeitos de quem buscava surpreendê-lo. Feito assombração, teimava em aparecer. Bastava um espelho ou algo que o valha, lá estava ele. Mesmo nos lugares mais íntimos. Banheiro, quarto, trocador... Parecia desconhecer todas as regras de etiqueta. Intrometido e, não menos, evasivo. Como gato a escapar da água, o gordinho escapulia do olhar de todos, salvo do desgraçado que tomara para companheiro inseparável. Verdadeiro encosto. Tentara de tudo para dar um sumiço no gordinho do espelho. Receitas não faltavam. Alguns sugeriam “plantar” galinha preta afogada em cachaça na encruzilhada, outros indicavam benzedeira, sessão de descarrego ou rosa imantada em água benta. Tinham até os que pareciam zombar de seu tormento, preceituando – olhem só – coisas do tipo dieta à base de sopa, abdicar das delícias açucaradas e caminhadas diárias. É verdade que algumas sugestões surtiam resultado, mas por pouco tempo. Manter as luzes desligadas, retirar os espelhos da casa, passar longe das vitrines das lojas... Era reacendê-las, recolocá-los ou retomar os passeios ao shopping, lá estava o gordinho, com aquelas bochechas rosadas e carinha arredondada. Apesar de simpático, o sujeitinho era inoportuno e demasiadamente insistente. Já cansado e quase desesperado com aquela companhia indesejável, apelara para medidas extremas. Pedira à filha mais nova que permanecesse por perto e vigiasse cada passo do pai. Fosse este ao banheiro, por exemplo, caberia à pequerrucha denunciar a presença do gordinho atrás do coitado. Pura ilusão. Apesar de todos os cuidados e estratégias, a imagem de quem o perseguia continuava estampada no espelho. Não por acaso, urinava fora do vaso, pois tinha que dividir sua atenção entre o sanitário e a presença do gordinho. Tomar banho, então, virara uma tortura. Caísse o sabonete, ficaria jogado por lá, junto a um canto do box. Há muito já não se barbeava, pois não queria aquela presença indesejada a observá-lo feito predador diante de sua presa. Não bastasse ultimamente andar respingado de mijo, com cabelo feito palha de milho e barbudo, era ainda atormentado por uma insistente prisão de ventre. Pudera, manter a concentração durante o simples ato de ir aos pés virara um esforço hercúleo. Quando, finalmente, conseguia, desnecessário é descrever o cheiro fétido a impregnar o ambiente. Espantava toda família para longe não apenas do banheiro, mas da casa. Aliviado, com os intestinos desobstruídos, ia cuidadosamente até o espelho na esperança de ter se livrado do gordinho. Que nada, lá estava ele com aqueles olhinhos esbugalhados e a testa suada como se tivesse recém saído de uma guerra. Não tinha mais prazer nem mesmo no quarto. Tudo ia bem até que a mulher resolvera colocar um “senhor” espelho na cabeceira da cama. O gordinho, então, aumentou exponencialmente de tamanho, enquanto a libido do sujeito virou pó. Depois de muito resistir e ouvindo as súplicas dos amigos e da família, resolvera procurar um psicólogo. Indicação de um colega de serviço, o cartão trazia estampado em forma de marca d’água o símbolo da profissão e sobre ele o endereço, número do registro e nome do sujeito. Ao chegar no consultório, viu diante de si uma figura que mais parecia lutador de sumô a cumprimentá-lo de maneira muito simpática. Sua mão desapareceu entre os dedos rechonchudos do anfitrião. Ao lado do divã, como a chamá-lo, um grande espelho a refletir sua própria imagem e a do enorme corpo do psicólogo. O gordinho, como num passe de mágica, simplesmente desaparecera. Estava curado!  

Ver também: http://institutosaofrancisco.com.br/site/artigos_visualizar.php?artigo_autenticacao_=ee99980be653c1d8c4051dc24fb11ed3

segunda-feira, 1 de junho de 2015

ATIVIDADE PARA AS TURMAS 31 E 32



Tudo bem? Nossas últimas aulas têm versado sobre o crescimento demográfico nos países do Sul, especialmente na Ásia e África. Quanto a este último continente, trabalhamos, por exemplo, o impacto da história (colonização entre os séculos XIX e XX) sobre as condições socioeconômicas e, por conseguinte, sobre o próprio crescimento demográfico. Peço que assistas ao vídeo acima e – a partir do que temos visto em aula e com base na pesquisa por ti feita – respondas o que se pede:
01. Comente sobre os conflitos étnicos na República Centro-Africana, destacando algumas causas.
02. Pesquise sobre a interferência da ONU na República Centro-Africana. O que pretende? Como tem sido? Consequências?
03. Qual é a relação entre o processo de colonização da África e os conflitos lá existentes? O caso da República Centro-Africana é “isolado”? Justifique e exemplifique.
04. A história tem mostrado que, não raras vezes, o homem usa a religião como pretexto para matar e escravizar. Assim, ao que se vê, a fé pode ser usada como poderoso instrumento de transformação (salvação) ou de destruição. Comente a afirmação.
                A presente Atividade valerá até 2,0 (dois) pontos. Deverá ser feita no caderno e corrigida em aula, conforme data previamente estabelecida pelo Professor.

Bom Trabalho!

terça-feira, 26 de maio de 2015

O MENTECAPTO: PERGUNTAR NÃO OFENDE!


O MENTECAPTO: PERGUNTAR NÃO OFENDE!
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                O mentecapto é assim mesmo. Insiste em pensar bobagem. Atolado em seus devaneios, insiste ver chifre em cabeça de cavalo. Pudesse, inquiriria os mais entendidos sobre dúvidas que o perseguem. Afinal, perguntar não ofende, pensa. Como entender que o chefe de segurança de um ex-Secretário de Segurança fosse, ao mesmo tempo, guarda-costas de um dos maiores traficantes da região? Falta de informação, infelicidade, coincidência? O mentecapto não acredita no acaso. Por mais que o tentem convencer de que não se pode confundir alhos com bugalhos, segue pensando o pior. Teima em engolir a ideia de que o principal responsável pela morte do traficante, cliente do chefe de segurança, fosse preso e assassinado dentro do presídio. Como alguém que estava sob a tutela do Estado foi asfixiado? Mais uma coincidência? Assim como fora coincidência o fato de que a guarda responsável pela vigilância do preso fosse uma novata? Mesmo ele, um mentecapto e, portanto, um idiota, sabe que aquele preso, em especial, deveria receber atenção redobrada. O Secretário de Segurança, ao que parece, não sabia. O governador, o Diretor do presídio, o juiz e todos os outros agentes públicos também não sabiam. O mentecapto já não sabe quem é, de fato, o imbecil. Está preocupado e temeroso em desconfiar que o Estado tem flertado com o crime organizado. Tem calafrios só em pensar que as mais altas lideranças e outros servidores de todos os Poderes possam, de alguma maneira, se prostituir, vendendo suas consciências por algumas moedas, ainda que manchadas pelo sangue que brota da violência associada ao tráfico. Tem pesadelos ao imaginar que lobo e cordeiro, apesar da aparente distinção trazida pela toga ou pela gravata, possuem a mesma essência e desmedida malícia. O mentecapto anda desconfiado. Vê fantasmas por todos os lados. Já não dorme direito, achando que o Apocalipse se avizinha. Mesmo a propaganda oficial, com todas aquelas imagens, slogans e frases de efeito, é incapaz de insuflar nele um pouco de ânimo. Lembra uma barata tonta a escapar da morte que parece certa. O tempo arrefece a memória e tende a amarelar as páginas do jornal. Quiçá, ali adiante, também o mentecapto esqueça todas essas bobagens. Presídios controlados pelos encarcerados, ações policiais abortadas pela carência de vagas nas cadeias, “prefeitos” que determinam quem vive e quem morre nas galerias, pavilhões recheados de celulares, bebidas, armas e drogas... Quanta besteira! O mentecapto, ao que se vê, perdeu por completo o juízo. Exagera, inventa, vê o que ninguém mais vê. Coitado. A lucidez, feito lampejos, raramente tem dado as caras. Já não sabe quem “cheira”: ele, o traficante ou o Secretário. Alucinado, o idiota perambula pelas fétidas ruas escuras e desertas, por vezes esbarrando num ou noutro monumento coberto pela pichação. A cidade estaria cada vez mais feia ou tudo não passa de uma visão distorcida pelo avanço da esquizofrenia? Achassem-no agora, o tomariam por ébrio. Sem razão é claro, afinal tropeçava não nas pernas, mas nas próprias ideias. 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

CONTEÚDOS DE GEOGRAFIA (2015)


CONTEÚDOS PARA 2015
Prof. Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                Observe, abaixo, a relação de conteúdos para o presente ano letivo.


SEGUNDO ANO DO MÉDIO (TURMAS 21, 22 E 23)

PRIMEIRO TRIMESTRE
1. O imperialismo e a Primeira Guerra Mundial.
2. O Socialismo e as transformações do espaço geográfico.
3. A dinâmica da crise de 1929.
4. A Segunda Guerra Mundial: causas e consequências.
5. A Ordem Mundial pós- Segunda Guerra.
6. A Guerra Fria.
7. O fim da Guerra Fria e a nova Ordem Mundial.
8. A Rússia na atual Ordem Mundial.
9. A China no cenário mundial.

SEGUNDO TRIMESTRE
1. A Globalização e as transnacionais.
2. O papel do Estado na economia globalizada.
3. Os sistemas de transporte e comunicação no mundo globalizado.
4. O aspecto sociológico dos meios de comunicação no Brasil.
5. A produção e consumo de energia: problemas e desafios.
6. As fontes alternativas de energia.
7. A questão energética no Brasil.
8. As fases da Indústria.
9. Revolução Industrial.

TERCEIRO TRIMESTRE
1. A questão fundiária nos países desenvolvidos e subdesenvolvidos.
2. A questão fundiária no Brasil.
3. Regiões industrializadas no cenário mundial.
4. A indústria no Brasil: passado, presente e perspectivas.
5. Neoliberalismo.
6. O Estado brasileiro: da monarquia à República.
7. As Constituições brasileiras.
8. A Constituição de 1988.
9. O Estatuto da Criança e do Adolescente.  


TERCEIRO ANO DO MÉDIO (TURMAS 31 E 32)

PRIMEIRO TRIMESTRE
1. Revolução Industrial e crescimento demográfico.
2. Teoria malthusiana.
3. Transição demográfica.
4. Estabilização demográfica no Norte.
5. Explosão demográfica e novas teorias populacionais.
6. Crescimento populacional e recursos naturais.
7. Transição demográfica no Brasil.
8. Composição etária e impactos sociais.
9. Países de elevado crescimento demográfico.
10. Envelhecimento populacional e previdência social.
11. Distribuição da população por sexo.

SEGUNDO TRIMESTRE
1. Setores da atividade econômica.
2. Globalização, tecnologia da informação e serviços.
3. Importância do turismo.
4. Transformações no mundo do trabalho.
5. Economia informal.
6. O trabalho no Brasil.
7. O desemprego no Brasil.
8. Trabalho escravo no Brasil: passado e presente.
9. A mulher no mercado de trabalho.
10. População e renda no Brasil e no mundo.
11. O Estado na distribuição de renda.
12. IDH
13. Globalização e movimentos migratórios.
14. Migrações internacionais: tipos, causas e consequências.
15. Migrações internas no Brasil: tipos, causas e consequências.
16. Estudo de casos.

TERCEIRO TRIMESTRE
1. Cidadania.
2. A cidade ao longo da história.
3. Urbanismo e planejamento urbano.
4. Metrópoles e cidades ditas globais.
5. O processo de urbanização no Brasil.
6. Rede Urbana.
7. O problema da moradia urbana no país.

OBSERVAÇÃO: Os conteúdos acima representam apenas um “indicativo” do que será trabalhado ao longo do ano letivo, podendo ser alterados conforme a necessidade verificada pelo Professor. Bom ano letivo a todos!

domingo, 19 de abril de 2015


ATIVIDADE PERMANENTE PARA OS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO SF
Prof.Gilvan
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                A disciplina de Geografia tem, dentre seus objetivos, a intenção de instigar a autonomia do educando, assim como a pesquisa e a capacidade de comunicar-se. O presente Trabalho aplica-se às Turmas 21, 22, 23, 31 e 32, sendo desenvolvido ao longo do segundo e terceiro trimestres.
                O Trabalho será individual ou em grupo (máximo seis integrantes), devendo ser apresentado em aula. O tempo máximo para apresentação será de 05 (cinco) minutos. Caberá ao aluno (grupo) escolher a forma de apresentação (paródia, teatro, jogral, etc.), desde que a mesma ocorra de maneira presencial (ao vivo). Ao aluno (grupo) caberá, ainda, a escolha do tema (assunto), desde que o mesmo tenha relação com os conteúdos programáticos da disciplina de Geografia do respectivo ano (série), conteúdos estes disponíveis no blog (profgilvanteixeira.blogspot.com.br). Na semana anterior à apresentação, o aluno (grupo) deverá entregar ao Professor, por escrito, a síntese do Trabalho a ser apresentado. A síntese deverá trazer: nome(s) e turma do aluno (grupo), número, tema escolhido (assunto) e forma de apresentação. Serão apresentados, no máximo, 02 (dois) Trabalhos por período, conforme “escala” previamente comunicada pelo Professor.
                O presente Trabalho valerá até 3,0 (três) pontos na Qualitativa, sendo avaliado conforme segue:
a) síntese (a ser entregue ao Professor) – 0,5;
b) organização – 0,5;
c) criatividade – 1,0;
d) conteúdo – 1,0.
                A data estabelecida para apresentação do Trabalho é improrrogável. Caso algum integrante do grupo não compareça, ainda assim o Trabalho será apresentado.

                Abaixo, o cronograma a ser seguido:

SEGUNDO TRIMESTRE
TURMA(S)
ENTREGA DOS NOMES
INÍCIO DAS APRESENTAÇÕES
21, 22, 23, 31 e 32
Até 22/05
A partir de 01/06


TERCEIRO TRIMESTRE
TURMA(S)
ENTREGA DOS NOMES
INÍCIO DAS APRESENTAÇÕES
21, 22, 23, 31 e 32
Até 21/08
A partir de 31/08



Bom Trabalho!

sábado, 18 de abril de 2015

MALHANDO TRIGO NO LAGAR?


MALHANDO TRIGO NO LAGAR?
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Lugar de malhar trigo era na eira, lugar amplo e arejado, para que as impurezas fossem lançadas para longe, ficando somente o que era bom. O lagar, por outro lado, constituía-se num lugar escuro, escondido e de acesso bastante limitado, onde a uva era pisada. Assim como Gideão, um dos “juízes” de Israel, muitos são os que escondem sua autoridade nos “lagares” da vida. Pais, mães, educadores e educadoras, por exemplo, demonstram medo de exercerem o papel de ascendência que deles se espera. Autoridade esta que, por óbvio, não se confunde com tirania ou autoritarismo. Como o personagem bíblico, muitos são os genitores e professores que, acuados e amedrontados, parecem duvidar do “chamado” ético que lhes diz respeito. A visão turva, coberta pela catarata de um falso conceito de “modernidade”, tem colocado em risco gerações inteiras, estas cada vez mais presas ao terreno movediço das drogas, do engodo, da leviandade, do desrespeito, da indisciplina, da preguiça e, muito comumente, da criminalidade. O temor ou inabilidade de malhar o trigo na eira, às claras, portanto, tem levado muitos a optarem pelo breu dos lagares escorregadios, onde o artifício do relativismo doentio busca justificar o injustificável. Assim, malcriação, mentira, furto, agressão física, ofensa moral, consumo de álcool e de entorpecentes são vistas e tratadas com leniência, como se naturais e aceitáveis fossem. Apoiados em algumas teorias “psicanalíticas” e “pedagógicas” insanas e irresponsáveis, acabam muitos pais e professores, por exemplo, fazendo vistas grossas ao problema. Delegam ao “tempo” a responsabilidade que lhes é inerente, o mesmo tempo que muito provavelmente irá mostrar, ainda que tardiamente, o quanto estavam errados. Ora, o tempo, por si só, não educa. Somente ações efetivas, posturas exemplares, modelos seguros e confiáveis, palavras firmes, cobranças permanentes e salutar cumplicidade com a sorte dos rebentos são capazes de educar. O amor exigente é que educa, ao contrário da condescendência cega. Assim como não basta o vento para separar o trigo de sua casca, soa como ingênuo lançar sobre o tempo a educação de nossas crianças e jovens. Malhar o trigo exige disposição, iniciativa, bem como trabalho duro e persistente. Educar, da mesma forma. A casca, assim como as dificuldades e tendências talvez “inatas” do ser humano, precisa ser “malhada”. Negá-la ou mantê-la como se útil fosse para o uso do trigo não parece razoável. O ato de educar não deve ser terceirizado, mas assumido com responsabilidade. Pais não têm o direito ético, moral e legal de lançarem sobre os ombros de outrem a obrigação que lhes compete. A escola e o Poder Público, da mesma forma, resguardadas as atribuições de cada um. Urge colocarmos a educação de nossas crianças e adolescentes na eira. Abandonemos o covarde papel inicial de Gideão, mas como ele, viremos o jogo e, de forma corajosa, vençamos a difícil, porém necessária, peleja em prol daqueles quem mais amamos.

Veja também:
http://www.institutosaofrancisco.com.br/site/artigos_visualizar.php?artigo_autenticacao_=940ecc768099e35917344cd69eef5774



domingo, 5 de abril de 2015

O SOCIALISMO E AS TRANSFORMAÇÕES DO ESPAÇO GEOGRÁFICO


O SOCIALISMO E AS TRANSFORMAÇÕES DO ESPAÇO GEOGRÁFICO
Prof. Gilvan
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br

                Apesar de serem muitos os conceitos envolvendo o termo “Socialismo”, quase todos têm em comum a defesa de uma sociedade pautada na igualdade. Contudo, ao contrário do que possa parecer, o próprio conceito de “igualdade” traz consigo opiniões nem sempre concordantes, especialmente se analisarmos tal ideia ao longo da história da humanidade. Platão (Grécia Antiga), por exemplo, tinha um conceito de sociedade ideal distinta da Thomas Morus (século XVI), enquanto este último trazia uma concepção de sociedade perfeita diferente daquela defendida por Karl Marx (século XIX). Vale lembrar, ainda, que ao falarmos em Socialismo, é fundamental que façamos distinção entre os chamados Socialismos “Utópico”, “Cristão” e “Científico” (Marxista), distinção esta trabalhada e discutida ao longo de nossas aulas. Além disso, precisamos, ainda, distinguir os Socialismos Real e Ideal, ou seja, o Socialismo de fato vivenciado daquele que, segundo Marx, deveria ser.

                Independentemente das discussões teóricas ou ideológicas acerca do Socialismo, o certo é que o referido “modo de produção” trouxe profundas transformações no espaço geográfico de uma forma geral e na Ordem Mundial de forma particular. Não por acaso, o mundo do Pós-Guerra (1945) passou a conviver com uma Ordem assentada na chamada “bipolaridade”, onde a Guerra Fria representou o tensionamento entre os mundos Capitalista (sob a liderança dos Estados Unidos) e Socialista (liderado pela ex-União Soviética), enfrentamento este com inúmeras consequências políticas, culturais, econômicas e militares, por exemplo. A Ordem Bipolar (1945 – 1985), aos poucos, foi dando lugar à atual Ordem, onde os antigos países ditos “socialistas” passaram a constituir o grupo das “Economias de Transição”, verificando-se a passagem de uma economia socialista para uma economia capitalista ou, ainda, de uma economia planificada para uma de mercado. Vale lembrar, contudo, que nem todos os autores concordam com tal conceito, haja visto dividirem o mundo de hoje em Norte e Sul. Para entendermos o conceito de Economias de Transição, devemos, antes, lembrarmos o que se entende por “economia planificada” e “economia de mercado”. Sucintamente, a chamada “economia planificada” seria aquela marcada pela centralização, onde o Estado detém o controle sobre os meios de produção (máquinas, terras, fábricas, entre outros). Já a chamada “economia de mercado”, típica do Capitalismo, é aquela marcada, ao menos em tese, pela livre iniciativa, onde o principal objetivo do empreendimento é a busca do lucro.

                Para entendermos as Economias de Transição precisamos, ainda, lançar um olhar sobre a história do Socialismo Real, especialmente, o período que coincide com a chamada crise desse modo de produção. Tomemos a título de exemplo o caso da antiga União Soviética (URSS). Esta, como Estado, surgiu em 1922, especialmente com o expansionismo russo em relação aos territórios contíguos. Vale lembrar que a Rússia foi o primeiro país do mundo a adotar, em 1917, o Socialismo. A história da URSS, como a de qualquer outro Estado, está marcada por altos e baixos, momentos de hegemonia e de crise. Durante muito tempo (período da “Guerra Fria”) ela dividiu a liderança política, militar e ideológica com os Estados Unidos da América. Contudo, entre o final da década de 1980 e início da década de 1990, especialmente durante o governo do presidente Gorbachev, a URSS presenciou um rápido processo de reestruturação econômica e de “abertura” política, com a “perestroika” e a “glasnost”, respectivamente. Aos poucos, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas foi se desintegrando, sendo que suas repúblicas foram buscando a independência e a autonomia em relação ao governo central.


quinta-feira, 2 de abril de 2015

PROFESSOR, LEVANTA-TE


PROFESSOR, LEVANTA-TE!
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                Feito Lázaro inerte, encoberto por ataduras, assim tem se mostrado um incontável número de educadores. Prostrados e cabisbaixos, seguem em sua vidinha profissional modorrenta, imersos em lamúrias e memórias de um passado que, pensam, ter existido. Soterrados em dívidas, veem o limite do cartão estourar, enquanto a algibeira mais parece o Sertão. Pressionados por alguns pais, alunos e hierarquia laboral, titubeiam em suas iniciativas e decisões. Nervosismo, insegurança e medo são apenas alguns dos ingredientes a levedarem a massa do desânimo e do derrotismo. Assolados pelo crescente descrédito social, poucos não são os professores que chutam o balde, desistindo de suas carreiras ou, o que é pior, insistindo num faz de conta que ensina. Acabam por desaguar no aluno a própria insatisfação. Neste último caso, mostram-se azedos e com cara de poucos amigos. Gazeiam o trabalho, sabotam as mais elementares regras profissionais e pouco ou nada fazem para construção de um ensino de qualidade. Cria-se um triste círculo vicioso, onde o professor não é valorizado porque não faz a diferença, enquanto não faz a diferença porque não é valorizado. Pérfida e vil ciranda precisa ser quebrada. O professor precisa (re)conquistar seu espaço, ser autor de sua história, deixando de lado o papel secundário e quase desprezível hoje assumido. O verdadeiro protagonismo não nasce de uma normativa legal ou de uma campanha publicitária cunhada a peso de ouro. Nasce, sobretudo, da luta arduamente travada no dia-a-dia. A baixa remuneração é tão somente a ponta de um complexo iceberg solidamente construído ao longo de muitos anos. Tal qual vítima do sequestrador, o professor aparenta ter se afeiçoado ao agressor numa espécie de síndrome de Estocolmo. Faz o jogo do inimigo, apesar do discurso por vezes moralista recheado de chavões e palavras-de-ordem. Opta pelo caminho aparentemente mais cômodo, ganhando um pouquinho mais aqui ou acolá, por meio de reposições, triênios, promoções por merecimento, incorporações de funções gratificadas, etecetera e tal. Preocupa-se, como se vê, apenas com a cereja do bolo, sem mexer naquilo que é essencial e estruturante, a saber, sua função social. Vale lembrar que o professor precede o médico, o advogado, o engenheiro e o juiz, por exemplo. Por que então a abissal diferença remuneratória em desfavor do educador? Formação? Absolutamente! Tamanha desvalorização foi sendo construída, também, por meio da ação/omissão dos próprios professores. Como? Ao acomunar-se com os “jeitinhos” comumente aceitos, apesar de reprováveis sob o ponto de vista ético. Ao acomodar-se intelectualmente abrindo mão da permanente e indispensável pesquisa. Ao fechar os olhos às profundas mudanças sociais e tecnológicas. Ao entregar seu destino nas mãos de organizações sindicais eivadas de vícios e interesses espúrios, sem delas efetivamente participar. Ao dobrar-se ante o assédio de pais inescrupulosos que entronizam seus rebentos como se reis fossem. Ao dizer amém às mantenedoras e patrões que, muito comumente, atropelam os limites mínimos garantidores da dignidade profissional do educador. O fato é que os professores foram se acostumando às esmolas e sobras. Não por acaso, a maioria das escolas (principalmente públicas...) vegeta na mais profunda e vergonhosa carência de tudo, contrastando com a suntuosidade dos tribunais, câmaras e assembleias legislativas. Mais do que simbólico, tamanhas aberrações são a prova cabal e inconteste do “espaço” reservado ao ensino neste país. Portanto, professor, levanta-te! Digas não à intromissão indevida de alunos, pais, diretores, secretários, promotores, juízes e legisladores. Digas não à perpetuação das inadmissíveis e gritantes disparidades salariais entre tu e aqueles a quem ensinaste, ainda que reconhecidos doutores. Digas não ao peleguismo sindical que pouco faz por ti. Digas não à opacidade social à qual foste relegado e te deixaste relegar. Professor, rompas as ataduras e mordaças e, assim como Lázaro, levanta-te e sai para fora. 

terça-feira, 31 de março de 2015

OS PUXADINHOS DA ESCOLA


OS PUXADINHOS DA ESCOLA
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Não fosse trágico, seria cômico. As escolas neste país, principalmente (mas não somente...) as públicas, convivem com a síndrome dos “puxadinhos”. Lida-se com elas como se fossem um fusca velho. Remenda-se uma correia aqui, aperta-se um parafuso ali, dá-se uma martelada acolá e toca-se o barco adiante, ainda que aos trancos e barrancos. Sobra amadorismo, enquanto falta competência por parte do Estado para imprimir ao ensino a importância historicamente deixada de lado. Não apenas competência, mas faltam ao gestor público seriedade e compromisso com a “coisa” pública. Enquanto as secretarias municipais e estaduais de ensino, assim como o Ministério da Educação, seguem loteadas por interesses político-partidários espúrios e mesquinhos, as escolas definham, mais fazendo lembrar um amontoado de ossos secos sob a indisfarçável pele da indiferença. Salas de aula imundas e mal pintadas, bibliotecas e laboratórios sucateados, pátios nada convidativos, refeitórios onde o que menos se vê é uma alimentação equilibrada e de qualidade, banheiros depredados e mal cheirosos a despertarem a saudade das velhas patentes de tempos pretéritos... Sobejam problemas na mesma medida que escasseiam soluções efetivas. Discursos e chavões é que não faltam, assim como as velhas e desgastadas promessas jamais cumpridas. Enquanto a acessibilidade passa de largo, a comunidade escolar vai driblando as dificuldades do terreno irregular, das escadarias mal projetadas e dos acessos por vezes intransponíveis. O mesmo ente público que tece e fiscaliza os regramentos, não os cumpre, numa insofismável demonstração de incoerência e criminosa irresponsabilidade. Ao exercício do magistério sonega-se não apenas o salário minimamente razoável, mas também as ferramentas indispensáveis no processo ensino-aprendizagem. É duvidar, falta inclusive o giz, restando quiçá o cuspe a um profissional aviltado em seu bolso e extorquido em seus sonhos. Quanto ao aluno, segue alimentado por quimeras e palavras vazias acerca de um futuro que jamais chega. Fora os parcos instantes sob os flashes das fotos onde pousa ao lado do prefeito, governador ou presidente, o que prevalece é o breu de uma vida desassistida e fadada à pobreza. A escola, antes do que tábua da salvação, há muito vem sendo trampolim para interesses que não vão além do umbigo de alguns inescrupulosos. O quadro-verde esburacado, os ventiladores estragados, o telhado mais parecendo um queijo suíço, os jurássicos equipamentos de uma tecnologia para lá de ultrapassada são apenas a triste ponta de um vergonhoso iceberg. A esquálida figura da escola é nada mais do que o retrato do atávico descaso com que o ensino vem sendo tratado por estes páreos. A real qualidade é preterida em nome das aparências. Confeccionam-se gráficos multicoloridos que, no frigir dos ovos, buscam escamotear um contexto sombrio e preocupante. Maquila-se a evasão com o jogo de palavras e trocadilho de conceitos, assim como “resolve-se” o problema da repetência com a invenção de fórmulas mágicas. Como de costume, joga-se para debaixo do tapete toda a fétida sujeira que impede que nossos educandos, de fato, aprendam. Pactua-se com o politicamente correto passando panos quentes sobre a incompetência de alguns pseudo-educadores e quase absoluta inabilidade de muitos gestores. Trata-se, muito comumente, o aluno e sua família como bestas, como se não fossem eles os que dão sentido à escola. Inexiste servidor público sem o contribuinte que o sustente. O educando é imprescindível ao profissional da educação. O primeiro precede o último, dando-lhe razão de ser. A escola merece respeito! Escola jamais deveria rimar com esmola, mas carece, isto sim, é de ser entronizada como única resposta para superação do subdesenvolvimento.  

terça-feira, 24 de março de 2015

A EJA E O PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO: DESAFIOS


A EJA E O PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO: DESAFIOS
Prof. Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                Mais um Plano Municipal de Educação (PME) e, com ele, uma torrente de sentimentos que vão da tímida esperança à escancarada desconfiança. Não por acaso, afinal a história recente deste município (do estado e do país...) vem reforçando os atávicos problemas que dizem respeito à educação. Esta, há muito maltratada e vilipendiada, segue no plano da etérea esperança, onde abundam discursos e promessas, enquanto faltam ações efetivas capazes de alavancarem o único caminho para o desenvolvimento social, a saber, o ensino de qualidade. Apesar do pessimismo e descrédito reinantes, o PME – a reboque do “novo” Plano Nacional de Educação (PNE), tardiamente aprovado em 2014 –, indiscutivelmente, é um importante documento, importância esta que nasce da construção coletiva dos atores direta ou indiretamente ligados à educação: professores e demais funcionários das instituições de ensino (públicas e privadas), alunos, pais, sindicatos, mantenedora (Executivo), Legislativo, etc.. O grande desafio, ao que parece, é transformar o texto produzido (inicialmente, não mais do que letra morta) em realidade, desafio que passa, necessária e obrigatoriamente, pelo tensionamento do Estado (aqui compreendido em seu sentido lato sensu) pela sociedade organizada.

                A Educação de Jovens e Adultos (EJA), no município de Cachoeirinha, há alguns anos vem agonizando, envolta em inúmeros e graves problemas. O fechamento dessa modalidade em muitas escolas públicas municipais é apenas a ponta de um triste e preocupante iceberg, onde a verdadeira frieza nasce do absoluto descaso do Estado (produto, no frigir dos ovos, da ação e/ou omissão da sociedade como um todo...) em relação ao ensino, postura associada ainda à incompetência, inépcia, malversação de recursos, falta de planejamento a médio e longo prazos, confusão entre público e privado, processos licitatórios suspeitos, sobreposição de interesses espúrios em detrimento da coletividade, política salarial aviltantemente pífia e muito aquém do razoável levando ao desestímulo dos profissionais da educação, dentre outros. A evasão – principal causa alegada para o fechamento da EJA – não é obra do acaso, mas produto de uma série de fatores, quase sempre conjugados: descaracterização do público atendido pela modalidade (hoje, em sua maioria, adolescentes “vomitados” pelo dia, em decorrência da indisciplina e multirrepetência, por exemplo), despreparo docente (às vezes, consequência da rotatividade dos profissionais da EJA, muitos deles vendo na modalidade não mais do que a oportunidade de aumentar seus vencimentos), estruturas física e pedagógica precárias (falta de acessibilidade, currículos descolados da realidade discente, falta de equipamentos), etc.. Portanto, motivos temos de sobra para discutirmos a EJA. A revisão do PME soa como uma boa oportunidade para revisitá-lo e, ao fazê-lo, apontarmos eventuais avanços (eles existem, por certo) e falhas de percurso, denunciando e cobrando do Estado aquilo que lhe diz respeito, além é claro de jamais deixarmos de lado a sempre bem-vinda e salutar autocrítica enquanto gestores, professores, alunos, pais, representantes de Conselhos de Direitos, etc.

                A EJA da EMEF Fidel Zanchetta vem buscando romper com a perversa lógica do ciclo acima descrito, onde o Poder Público fecha a modalidade porque não tem aluno e não tem aluno porque o Poder Público nem de perto cumpre com seu papel constitucional. A opção pelo Ensino à Distância (EAD) Semipresencial é a prova cabal da intenção da comunidade escolar em perfectibilizar um direito assegurado nos principais diplomas legais nacionais ou não. Abre-se com ele (EAD-Semipresencial) uma importante oportunidade para os jovens e adultos trabalhadores finalizarem o Ensino Fundamental. A flexibilização de horários (duas noites presenciais e as demais à distância, por meio da Plataforma Moodle), a possibilidade de contato com os educadores a qualquer hora, a apropriação e familiarização com a linguagem digital são apenas algumas das virtudes do Ensino à Distância praticado pela EJA na referida Escola. Os frutos vêm aparecendo! Objetiva-se com o EAD-Semipresencial não apenas mitigar a evasão e repetência, mas sobretudo aprofundar a inclusão social, onde o exercício da cidadania extrapole os limites do discurso e se transforme em práxis modificadora do cotidiano. A ferramenta, ao contrário do que muitos pensavam, veio contribuir na humanização do processo ensino-aprendizagem.


                Apesar de todos os avanços, a EMEF Fidel Zanchetta (EAD-Semipresencial) ainda se debate com muitos dos infortúnios de outras instituições de ensino que ofertam a modalidade EJA. Urge, por exemplo, significativos investimentos no Laboratório de Informática (LI), afinal dito espaço passou a ser uma das espinhas dorsais da EJA. Poucos não são os alunos que dependem dos equipamentos à disposição na Escola. A falta e/ou a precariedade dos computadores, por exemplo, fere um importante direito do educando e compromete o próprio Projeto da Instituição. O PME, a ser discutido ao longo dos próximos meses, pode e deve contribuir na louvável intenção da comunidade escolar da EJA Fidel Zanchetta em garantir e aprofundar o atendimento. Para tanto, é imprescindível a efetiva participação de todos, opinando, criticando, propugnando por ações concretas que viabilizem uma escola de qualidade. 

sexta-feira, 20 de março de 2015


O SEGREDO DOS MEUS (TEUS) CABELOS
Gilvan Teixeira
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                Sansão ocupa um lugar especial na memória de muitos. Ainda criança, quem não ouviu fantásticas histórias envolvendo o personagem bíblico? Todas aquelas proezas tendo como pano de fundo sua força descomunal. Lutar contra dez ou contra cem não parecia mais difícil do que lutar contra apenas um. Rendia leões e derrubava palácios como se de isopor fossem. Arrebentava grilhões e subjugava exércitos com a destreza da criança que se diverte em meio aos soldadinhos de chumbo. Qual o segredo de tamanha e inigualável força? Os longos cabelos? Não. A resposta estava na relação que Sansão mantinha com Deus. Era ela que servia de fio condutor para as glórias do guerreiro de Israel. Os cabelos, no fundo, não passavam de um mero detalhe. Obediência, fidelidade, honestidade e disposição para servir é que, de fato, alimentavam os músculos daquele nazireu. Valores, enfim, indispensáveis num relacionamento sadio e próspero. Quantas lições podemos tirar da história de Sansão! Nós, educadores, dizem, precisamos matar um leão por dia. Incontáveis são as feras que povoam a selva em que se transformou não apenas a escola, mas a vida como um todo. Alguns procuram respostas nos “cabelos” compridos e multicoloridos sob a forma de teorias pedagógicas que, por vezes, prometem a solução tão desejada, teorias farmacológica e academicamente prontas que nada fazem além de encherem as algibeiras de alguns pedagogos – que, muito comumente, mal conseguem educar os próprios rebentos –, bem como do mercado editorial. A saída para a crise no ensino passa, primeiro e principalmente, pela relação interpessoal entre educador e educando, relação esta que precisa estar pautada no respeito, na oitiva, no olhar viajante, na humildade, na disposição para o diálogo, na autoridade e alteridade, na coerência entre o discurso e a prática. A sala de aula pode e deve ser um espaço de aprendizagem não apenas das ditas ciências exatas e sociais, mas também um privilegiado palco para o crescimento individual e coletivo. O “conteúdo” é não apenas bem-vindo como necessário, afinal é produto de um conhecimento historicamente acumulado, indispensável na formação integral do sujeito. Abrir mão da pesquisa, da produção textual, do cálculo matemático, da boa grafia soa como irresponsável e criminoso, pois priva gerações inteiras de formarem uma base sólida para o efetivo exercício da cidadania. Contudo, os famigerados “planos de aula” podem e devem estar permeados de afeto, devem ser “sanguíneos”, conquistando e encantando não apenas os neurônios, mas o coração. Há coisa mais gratificante do que ver aquele brilho no olhar do educando? O mesmo olhar que não apenas cruza com o do educador, mas misturam-se, numa espécie de sublime amálgama. Não há indisciplina que resista, nem tampouco há espaço para a indiferença. Borbulham as sinapses, enquanto o coração dilata de tal forma que ali passa a caber, também, a figura do professor. A arte de ensinar passa pela empatia, pela cumplicidade dos sonhos e pela confiança mútua entre os atores envolvidos no dito processo. Ensina-se por meio da palavra, do não dito, do gesto, do toque, do trocadilho, do lúdico, da experiência empírica. Ensinar requer compromisso com o outro, onde se mostra imprescindível uma relação pautada no amor, não o do tipo piegas, mas no amor genuíno, visceralmente comprometido, onde os cabelos sejam não mais do que um mero detalhe.  

Veja também:
http://www.institutosaofrancisco.com.br/site/artigos_visualizar.php?artigo_autenticacao_=25620f20a23dc5bf9b4c6efa90fe636c

domingo, 15 de março de 2015

O GIGANTE ACORDOU: SERÁ?


O GIGANTE ACORDOU: SERÁ?
Gilvan Teixeira
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                Quinze de março de dois mil e quinze, um dia para entrar na história... Não acho! Apesar de toda empolgação e frenesi midiático, acredito que o referido dia não ultrapassará a vala comum de tantos outros dias que, apesar do barulho, pouco ou nada alteraram, de fato, os rumos da fracassada República. Como no passado, seguimos acreditando em soluções mágicas, em discursos oportunistas inflamados que – como o vento – se esvaem tão ou mais rapidamente de como surgiram. O problema do Brasil não é o PT. É também ele, assim como o são PSDB, PSB, DEM, PTB, PP, PMDB, PPS, PCdoB, PDT... Atire a primeira pedra o partido que não tenha em suas fileiras nomes maculados, no mínimo, pela profunda desconfiança popular no que tange à conduta ética. Apontem um só partido político que não faça uso da máquina pública distribuindo benesses e garantindo incontáveis e onerosas tetas sob a rubrica de CCs e FGs, ou então partidos que não se apossem dos sindicatos fazendo destes alavanca para alcançarem e/ou perpetuarem o poder. O problema do Brasil é estrutural, diz respeito aos alicerces do próprio Estado. As bases de nossa vergonhosa República foram construídas em solo arenoso, sem a firmeza necessária. Terreno marcado pela confusão entre público e privado, arbítrio, censura, distribuição de favores em troca de apoio político, coronelismo, populismo irresponsável, distribuição profundamente desigual das riquezas, primazia do interesse individual em detrimento do coletivo, etc.. A crise ética em Brasília reflete a crise ética na família, na escola, nas associações, nas Câmaras, nos tribunais.  Brasília – assim como a Bastilha na França do século XVIII – é tão somente a encarnação simbólica do cenário dantesco, pantanoso e fétido historicamente construído ao longo destes quinhentos anos. Não conseguimos nos desvencilhar e nem tampouco romper com o jugo colonial. Pensamos e agimos com pequenez de espírito. Não apenas o governo federal faz água, mas também os estados e municípios. Não apenas o Executivo se vê eviscerado, mas também todos os demais ditos Poderes do Estado. Paira sobre eles uma preocupante desconfiança, terreno fértil para a eclosão de movimentos de toda sorte, bem e mal intencionados. Fazer “sangrar” o Executivo soa – quando vindo de agremiações partidárias não menos lambuzadas na pocilga dos interesses espúrios – como perigosa hipocrisia, pois o tiro pode sair pela culatra. Causa estranheza ver nas redes sociais pessoas, íntima e flagrantemente ligadas a partidos não menos suspeitos do que o PT, saindo às ruas empunhando bandeiras verde-amarelas. Por que não fizeram uso de seus “escudos” partidários? Vergonha? Pudor? Temor de serem expostas ao ridículo de precisarem explicar o injustificável? Poucos não são os que têm o rabo preso! Urge sim a mudança, porém não aquela preconizada pelas mesmas elites que – feito abutres – disputam a carniça resultante de eventuais crises econômicas e políticas, mas uma mudança assentada na verdadeira soberania popular, onde as cores deste país não sejam preteridas em favor do vermelho bolivariano ou do verde oliva com cheiro de naftalina. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

DIAS SOMBRIOS


DIAS SOMBRIOS
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                O sol teimava em brincar de esconde-esconde por detrás do espesso tapume acinzentado. A ausência do radiante disco só fazia aumentar uma espécie de melancolia que brotava sabe-se lá o porquê ou de onde. Talvez fosse aquela tristeza resultado do ocaso das férias ou da atávica e incômoda pindaíba típica de quem enveredara para a carreira do magistério. Não apenas ele, mas o país inteiro parecia enfiado na areia movediça do pessimismo, sendo que nem mesmo o Carnaval se mostrava capaz de afastar todo aquele clima modorrento. A economia ia de mal a pior, os casos de corrupção nas entranhas do arremedo de República pipocavam diuturnamente, a qualidade dos serviços públicos mais faziam lembrar um inferno dantesco... Para engrossar o caldo, tinha ainda a escassez de água, o aquecimento global, a tensão na Ucrânia e a ameaça terrorista. Agouravam alguns ser o “fim dos tempos”. Apocalipse ou não, o fato é que nunca os dias lhe pareceram tão sombrios como agora. Sentia-se impotente frente às ondas avassaladoras das más notícias que surgiam de todos os lados. Estava difícil enxergar uma luz, ainda que tênue, no fim do túnel. A desesperança há muito invadira os vazios da alma, fazendo nela morada. Os poucos nacos de poesia pareciam não resistir à morte do Urbim e ao descolorir da vida com a partida da Ohtake. As ações da Petrobrás caíam na mesma velocidade com que os preços alçavam as alturas, apesar de toda aquela maquilagem estatal paga a preço de ouro. Sobrava propaganda, enquanto corria solta a carestia não apenas pecuniária, mas de valores como a ética e a hombridade. Maldito tempo em que a palavra não valia sequer um vintém. Há muito, a autoridade não dava as caras, talvez porque perdida numa ou noutra praça escura, pichada e depredada por uma geração sem freio e sem futuro. As ruas tomadas pelo medo e por hordas de zumbis a tragarem seus cachimbos mal cheirosos, enquanto no interior de muitas casas o que se via eram pessoas separadas pela gélida distância de uma comunicação virtual e desumanizadora. Famílias sem norte, proles inteiras abandonadas à própria sorte. Rima sem graça, pois eivada de abandono, solidão e descaso. Filhos e filhas, muitas vezes, concebidos em meio às garrafas de vodka, na vã tentativa de ludibriar a consciência. Crianças paridas na sarjeta da indiferença, enlameadas pela desgraça e quase certeza de um futuro nada animador. No lugar de estrelas a repousarem no céu, simples, porém verdadeiras, o que se vê são smartphones com aquela luz artificial, memória artificial e amigos artificiais. Centenas, milhares de “contatos”, mas quase ninguém para dividir a lancinante dor. É duvidar, não haverá uma só alma para carregar o esquife até o derradeiro repouso. O sol, ainda que momentaneamente, parecia vencido pelo breu. Restava-lhe a esperança de, logo mais, toda ou parte daquela bruma, assim como sua tristeza, ser dissipada pela luz irradiada.  

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

SOLSTÍCIO DE VERÃO


SOLSTÍCIO DE VERÃO
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                Enquanto o rosto era, docemente, alfinetado por alguns nacos de sol, os pensamentos galopavam feito baio solto nas coxilhas. A vida, como nunca, parecia-lhe bela demais para ser deixada para trás, como um passageiro que, simplesmente, abandona o bonde e o vê partir. No caso dele, contudo, parecia que era a vida que tencionava pô-lo de lado, sem eira e nem beira. Sentia o vigor escapar-lhe como água por entre os dedos, esvaindo-se apesar de todo o esforço de quem, feito mouro sequioso no deserto, ansiava por dar nem que fosse alguns poucos passos adiante. A vida, entretanto, ao menos para ele, parecia um carteado de uma mão só. Para seu azar, faltavam-lhe as cartas necessárias. Sem coringa, sem chances... Simples assim, apesar de desesperador. Fosse ela como o solstício de verão, se estenderia por mais alguns instantes, ainda que fugazes. Era o tempo que precisava para, quem sabe, consertar o que deixara mal resolvido. Sua trajetória toda fora uma espécie de concerto a exigir conserto! Poderia ser diferente? Haveria outro caminho aos filhos de Adão que não o de uma sinfonia mal acabada, cheia de bemóis e sustenidos imperfeitos? Uma orquestra por onde passa uma infinidade de gente, às vezes mais, às vezes menos afinada? Alguns, feito meteoro, singram o céu num piscar de olhos. Outros, porém, entram e permanecem em nossas vidas. Todos, por certo, ajudam a compor – consciente ou inconscientemente, direta ou indiretamente, positiva ou negativamente – nossa complexa partitura. Fosse a vida um solstício de verão, viajaria quiçá o mundo a pedir perdão, pelo que fez e, principalmente, pelo que deixou de fazer. Retomaria conversas deixadas pela metade, prestaria mais atenção às palavras e entrelinhas alheias, aguçaria o olhar sobre as expressões faciais de todos a seu redor. Quanta coisa deixara escapar? Quantos abraços e palavras amigas deixara de oferecer? Quantas lágrimas, ainda que de alegria, deixara de compartilhar? Quantos pães perdera de dividir? Agora, e só agora, se dera por conta de que vivia numa espécie de casulo triste e sombrio. Ainda que sem dolo, pouco enxergava além do próprio umbigo. Enclausurado e cercado pelos muros de um cuidado excessivo consigo mesmo, assistira os dias passarem como um filme em 3-D, tão próximo, mas tão distante, capaz de causar alguns sustos e inquietações, mas, no frigir dos ovos, estéril. A vida, descobrira, não segue uma narrativa retilínea, uma trama perfeita. É uma estrada sinuosa, tomada de aclives e descidas, quase sempre sem sinalização. Muitas vezes tateamos por ela, como se dirigíssemos em meio às densas brumas. Buracos aqui e acolá, pedras que nos fazem desviar à direita ou à esquerda, pontes que precisam ser construídas... Não a controlamos. Somos, como pena sobre o mar, levados de um lado para outro. Sentia-se impotente ante o repuxo da vida. O que era diante dela? Quantos por ela passaram? A maioria, esquecida pela força impiedosa do tempo, mesmo os mais famosos e célebres. Quando muito uma placa de bronze instalada sobre o túmulo na vã tentativa de trazer à memória o que já não existe, incapaz de ressuscitar o cheiro, o sorriso, o jeito ímpar de falar, a doce companhia...  O pensamento seguia longe naquele final de tarde do solstício de verão.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

DEUS NÃO ESTÁ MORTO


DEUS NÃO ESTÁ MORTO
Gilvan Teixeira
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                O filme homônimo[1] desperta algumas reflexões. Manter a fé e, principalmente, levá-la a outras pessoas por meio da evangelização tem se revelado um desafio cada vez mais árduo. Uma profunda e generalizada apostasia vem se fazendo presente, trazida pelos ares de um processo globalizante incontrolável e imensurável. É flagrante e notório o esfriamento da fé, especialmente daqueles que se autodenominam “cristãos”. Preocupados em “dançarem conforme a música” da famigerada pós-modernidade, onde os tempos se mostram “líquidos”, os novos adeptos do Cristianismo aderem a uma espécie de mimetismo, onde ao tentarem ser de tudo um pouco, acabam, ao final das contas, por não serem nada. Pior, não apenas abdicam de alguma coerência religiosa como ainda, muito comumente, condenam aqueles que buscam, a muito custo, conservar a tradição de fé. Não por acaso, algumas religiões, ou segmentos, que buscam manter a essência do pentecostalismo, catolicismo, islamismo e judaísmo, por exemplo, são vistas de soslaio pela maioria, quando não abertamente discriminadas e perseguidas. Professar a fé vem exigindo um esforço hercúleo e uma grande dose de convicção. É titubear, lá estamos nós na vala comum dos que fazem da religião tão somente um brinquedinho à mercê dos próprios caprichos, onde entronizamos o ego e perdemos de vista o verdadeiro sentido da existência humana. Mercantiliza-se a fé, como se mercantiliza qualquer outra mercadoria. Boa parte das igrejas, não por acaso, mais se parecem com shoppings ou centros comerciais. Vende-se e compra-se de quase tudo. O templo que outrora se transformara em feira e que despertara a indignação de Jesus pareceria um monastério diante da maioria das igrejas de hoje. Muitos são os pastores e padres que fazem do púlpito seu palco narcísico e vitrine para venda de DVDs, camisetas e rosas miraculosas. Têm, ao centro, não a pessoa de Cristo, mas a própria imagem, engordando a vaidade e, por vezes, recheando a algibeira com a contribuição dos fiéis. Contudo, boa parte – quero acreditar que a maioria – dos líderes religiosos, cumpre fielmente com o papel para eles reservado, qual seja o de levar a mensagem pautada no amor, no respeito, na valorização da vida e na esperança do porvir, a mesma esperança que, cambaleante, teima em resistir aos ataques (voluntários ou não, conscientes ou não...) daqueles que, muitas vezes, em nome de uma pretensa e irresponsável “liberdade de expressão” ofendem criminosa e despudoradamente os sentimentos e crenças de outrem. Jamais esqueçamos: quem semeia ódio, dificilmente irá colher amor. Quem planta intransigência, colherá tolerância? Não se deve – em nome de uma perniciosa, falsa e aleivosa democracia – tentar “matar” Deus, pois ao fazê-lo atenta-se contra todos aqueles que, convictamente, nele creem. Há neste mundo, sem dúvida, espaço para todos: ateus, agnósticos, judeus, muçulmanos, xintoístas, católicos, protestantes, animistas, budistas, hinduístas... Há espaço para os que dizem crer e para os que afirmam não crer. O que não deve haver, isto sim, é espaço para a intolerância e desrespeito ao outro, por maiores que sejam as diferenças. Quero ver respeitado e salvaguardado o meu (e de muitos outros!) direito de crença num Deus vivo, glorioso, poderoso e verdadeiro, num Deus amoroso e misericordioso, num Deus disposto a transformar vidas. Deus não está morto!




[1] God’s Not Dead é um filme de drama cristão, datado de 2014, dirigido por Harold Cronk.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

APERTEM OS CINTOS, O DINHEIRO SUMIU


APERTEM OS CINTOS, O DINHEIRO SUMIU
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br




                Nada original, não é mesmo? Apesar do título carecer de brilhantismo, a ideia por detrás do mesmo é, no mínimo, provocante. Finalmente, parece termos encontrado o “elo perdido” que distanciava as trajetórias nacional e regional. Vale lembrar que, enquanto o país reelegia o mesmo “projeto” dos últimos doze anos, o Rio Grande do Sul, por sua vez, mandava para as cucuias o alinhamento das estrelas, fazendo brotar das urnas sabe-se lá o quê. Contudo, o raiar do novo ano e dos novos mandatos trouxe algo em comum entre nós (os “farrapos”) e eles (o “resto” do país): estamos todos, do Oiapoque ao Chuí, atolados na merda! Não sou eu quem digo, mas sim os novos – e os antigos – mandatários que, aberta e categoricamente, deixam transparecer um misto de resignação e desespero quanto às finanças públicas. A mensagem não deixa dúvidas: apertem os cintos, o dinheiro sumiu. Não há recursos, tanto em nível federal quanto estadual, para dar conta das necessidades mínimas ligadas à saúde, educação e segurança, por exemplo. A economia vai de mal a pior, o espectro da inflação voltou a rondar e o mau uso do dinheiro público segue ocupando – há muito – as primeiras páginas dos jornais. Um verdadeiro caos, onde o que se vislumbra ali adiante em nada deixa a desejar às previsões apocalípticas de Nostradamus. Menos mal que, assim como as baratas, nós professores estamos acostumados e adaptados às hecatombes que marcam a vergonhosa história deste país. Todos esses anos de barriga vazia, pindaíba financeira e diuturna luta para sobreviver, em meio à falta de prestígio e abundância de promessas jamais cumpridas, criaram em nós como que uma espécie de resistência, “anticorpos” a protegerem o que de nós sobrou, ainda que pouco. Carestia, por exemplo, apesar de ser um verbete para lá de ultrapassado no vocabulário das elites, é uma das primeiras palavras balbuciadas pelos “filhos do magistério”. Inadimplência, insolvência, penúria, reumatismo, tendinite, depressão... A quantidade de sílabas em nada se compara à complexidade kafkiana da sobrevivência docente. Acostumamo-nos ao perigo de uma viajem sem piloto, onde a promessa era de alçarmos voo em meio às nuvens de glória. Hoje, mais nos parecemos com o personagem de Cervantes, envolto numa armadura velha, pesada e anacrônica, ocupado em fustigar dragões imaginários. A crise avassaladora que aí está, atinge a todos, mas especialmente aos menos favorecidos, os mesmos que, como moscas, vegetam no estrume em que se transformaram os serviços públicos. Atinge, ainda, a famigerada classe média, acostumada ao consumo de penduricalhos que, aparentemente (e só aparentemente...), a aproximam dos mais afortunados. É, pelo jeito, inexiste outro caminho que não o da parcimônia e austeridade. Foi-se o tempo das vacas gordas. Sorte delas, das baratas, acostumadas às vicissitudes da vida.  

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O CUPINZEIRO


O CUPINZEIRO
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br

               


                A quem pertence nossa casa? Deixemos os cupins tomarem conta de nossa morada ou optemos por exterminá-los? Inexiste convívio pacífico ou harmonioso com tal tipo de praga quando em jogo nosso ambiente doméstico. Começam devagarzinho. Um pozinho aqui, outro acolá. Um furinho ali, outro um pouco mais adiante. Dali algum tempo, vemos os móveis tomados por eles. É relutar em enfrentá-los, somos expulsos de nossa própria casa. O Brasil tem, há muito, se convertido num imenso cupinzeiro. Rodovias, ferrovias, pontes, estatais, aeroportos, escolas, portos, hospitais, presídios, finanças públicas... Tudo para lá de carcomido pelos “cupins” que infestam nosso arremedo de República. Comprometem os alicerces não apenas do Planalto Central, mas de todos os estados e regiões do país, do Oiapoque ao Chuí. Escondem-se em meio aos corredores de Brasília, do Piratini e da Prefeitura do meu (teu) município. Despejam seus ovos no Executivo, Legislativo e Judiciário, mascarando seus estragos por meio de práticas coronelistas e troca de favores. Buscam amainar o mau cheiro, advindo da sórdida podridão, por meio de pleitos questionáveis – pois que, quase sempre, arrebatadores dum incontável número de analfabetos políticos – ou através de cargos em comissão capazes de criar um exército de serviçais puxa-sacos com pouco ou nenhum preparo técnico e intelectual. Os “cupins” de que vos falo também voam, conforme sopra a brisa de interesses. Hora estão aqui, hora acolá. Hora neste, hora naquele partido. Hora nesta, hora naquela Secretaria ou Departamento. À medida que aterrissam, vão deixando para trás um rastro de asas. A maioria opta pelo escurinho do anonimato, desde que não os deixem sem a comida que vem da celulose de salários rechonchudos pagos pelo contribuinte. Os “cupins” que infestam nossas terras topam qualquer parada. Não satisfeitos com a mobília dos gabinetes, apelam para licitações fraudulentas, “sobras de campanha” e dividendos escusos de empreiteiras que vivem da desconstrução de nossa esperança e do alijamento de nossa combalida honra. Aliam-se à torpeza, ao tráfico de toda natureza e à propaganda midiática que, de forma primorosa, mantém os legítimos donos desta Casa à margem da verdadeira cidadania. Por aqui, os “cupins” vestem toga, usam terno e gravata e adoram dar carteiraço. Desfilam em carros de luxo, repousam em mansões, viajam pelo mundo de primeira classe, curtem resorts badalados, estouram uma Goût de Diamants e ocupam as colunas sociais. Enquanto isso, os donos da Casa se debatem em meio à escalada da violência, à degradação dos valores, à pífia desenvoltura do ensino, à insana carga tributária, à superlotação dos hospitais e à falta de perspectiva em dias melhores. Os “cupins” da Republiqueta verde-amarela se reproduzem em meio à omissão, alastrando-se por entre os (des)caminhos e túneis diuturnamente construídos, sob o manto ufanista da Pátria amada. Não podemos mais tolerar e conviver com os “cupins”. São eles ou nós (eu e tu). Para eles, o arcabouço jurídico de nada vale, pois há muito não apenas corroeram o Judiciário, como avacalharam o Direito positivado. Fizeram do Legislativo e do Executivo pródigas moradas, pois que ambos distantes da claridade democrática. Restará outra saída que não o extermínio? Varrê-los desta Casa trata-se não de uma opção, mas de uma necessidade. Questão de sobrevivência, nossa, não dos malditos cupins. 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

O HOMEM DE PAU GRANDE


O HOMEM DE PAU GRANDE
Gilvan Teixeira
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                Desejado pelas mulheres e idolatrado pelos homens, o sujeito não fazia a menor questão de esconder, digamos..., seus “dotes”. Muitos meninos queriam ser como ele. Quem o via, ficava assombrado. Mesmo as pernas um tanto que tortas eram um nada diante daquilo que realmente chamava atenção. Aqueles que o conheciam de longa data, não tinham dúvida: nascera assim. Encantava as mulheres de todas as idades, desde as mais moças às mais maduras. Esqueciam o companheiro do lado e os olhos eram todos para o jovem moço. A paixão corria solta, sem escolher cor ou posses. Dizem que até importantes musas da música vergaram diante do sujeito. Como podia o grande Olimpo ter concedido a apenas um mortal tamanha “habilidade” para produzir indisfarçável prazer não em apenas uma, mas em várias criaturas ao mesmo tempo? Sucumbiam diante daquelas pernas ébrias, onde despontava o couro arredondado e firme, passeando de um lado para outro, ziguezagueando de forma mágica, enquanto os corações se entregavam, em uníssono, ao espetáculo de fazer inveja a Apolo. Fazia lembrar o pêndulo de um relógio, preciso, porém ao contrário do cuco, imprevisível e desconcertante. Era imaginar que o troço fosse para esquerda, lá estava ele na direita, como a bolinha por entre os dedos habilidosos de um ilusionista. Espantoso. A inveja que saltava aos olhos era apenas uma dentre tantas outras filhas da natureza humana. Por que ele e não eu? Estadistas, milionários, chefes religiosos, muitos deles trocariam tudo o que tinham por um naco daquela glória a cercar o jovem de não mais do que um metro e setenta. O brilho era-lhe natural, sem qualquer contribuição dos penduricalhos farmacológicos ou da cosmética moderna. Quem não o conhecia? Quem não o reverenciava? Vinham de longe só para vê-lo, mirá-lo com os olhos, ainda que a distância coibisse qualquer intenção de tocá-lo. O que eram as pernas femininas iluminadas pelos holofotes do mundo da moda comparadas às dele? Destas últimas nasciam momentos de uma espécie de orgasmo coletivo, indescritível, inarrável, ainda que por meio da voz de um Jorge Cury ou Oswaldo Moreira. Misto de piedade e sadismo da plateia em relação ao adversário. O desgraçado, muito comumente, quedava exausto sobre o tapete verde, completamente desnorteado após aquela sequência de dribles que surgiam sabe-se lá de onde, o mesmo tapete que servia de palco ao homem de Pau Grande. Saudades de Garrincha.