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sábado, 4 de março de 2023

Fevereiro de 2023

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 "No solo sagrado do STF, o regime democrático permanece inabalado", afirmou Rosa Weber, Presidente do STF. Apesar de bonita, a frase mais soa como "ato falho" da Ministra, pois deixa transparecer a ideia de que o Tribunal é um Olimpo, onde reinam os deuses responsáveis pelas venturas e desventuras da humanidade. Importante lembrar que os integrantes da Corte, ainda que a mais elevada, são falíveis e mortais. Frisa-se, ainda, que inexiste qualquer espécie de "sacralidade" naquele espaço ou, existindo, assemelha-se a qualquer outro espaço público. Os Ministros vivem como se fossem deuses, desejam ser tratados como tal, acreditam terem poderes além daqueles comuns aos pobres mortais, mas são apenas e tão-somente servidores públicos, devendo à coletividade prestarem contas e desempenharem suas funções com ética e competência. O Judiciário brasileiro mais faz lembrar o irmão esnobe, ostentando altos salários e privilégios nada republicanos, enquanto o Executivo, em especial, é formado - especialmente nas esferas estadual e municipal - por servidores mal pagos, infraestrutura precária e horizontes sombrios. Abraço a todos os que são feitos de carne e osso!

Fama e dinheiro (nem sempre andam juntas) têm sido o sonho de muitos. Deveriam servir para congregar, aproximar, abençoar vidas. Usá-las para ostentação, de que valem? Mortos, o que faremos com elas? Quanto aos herdeiros, receberão muito mais do que o suficiente para viverem com fartura. Não apenas eles, mas as próximas dez gerações... Herança que, se não bem assimilada e administrada, torna-se maldição, fomentando a preguiça, depressão, ciúmes, traição, autodestruição e tantos outros problemas forjados no inferno. A humildade, talvez, seja o melhor antídoto. Comportar-se como alguém feito de carne e osso, sabendo que o minuto seguinte é uma grande incógnita e sobre ele não há qualquer controle humano. Entender que o maior legado não pode ser medido por moedas, títulos, ações na bolsa, imóveis, obras de arte. O bem mais valioso ao partirmos são os frutos do amor por nós deixados, alimentados pelas boas e saudosas lembranças. Grande abraço a todos os "afortunados".

Dona Gegê, mais um aniversário, que beleza! É, apesar dos mais de oitenta verões, a mulherzinha segue teimosa. Teima em lavar o pátio, assear a casa, cortar a grama. Só não trepa em árvore porque o joelho e a coluna não ajudam, sem falar na ameaça dos filhos em amarrá-la. Parabéns, querida mãezinha, pelo aniversário! Deus permita que gozemos de tua maravilhosa presença durante muito tempo. Para isso, é preciso que tomes juízo, minha velha. Beijo enorme no coração! Te amo.



Para alguns, a imagem de um cachorro conduzindo outro é uma incógnita. Na verdade, faz lembrar a relação entre o Estado e quem o sustenta. O mais interessante é que este último veste a coleira como um colar a adornar o pescoço, não a vendo como instrumento de dominação. Por outro lado, o Estado (personificado nas prefeituras, palácios, câmaras, assembleias, tribunais, etc.), demonstra não perceber que também é um "igual", em que pese sua empáfia e ostentação. Entre os dois, resta uma espécie de síndrome de Estocolmo, onde quem paga a conta (vítima de um Estado atroz) curva-se diante do dominador, por mais "pateta" que este último seja. Forte abraço, meus amigos "caninos".



Aos servidores da E.T.E Mascarenhas de Moraes, em Cachoeirinha, minha gratidão pela acolhida num momento um tanto que difícil. Obrigado pela sensibilidade e empatia, sendo prova cabal de que a escola ainda é espaço privilegiado de escuta e de transformação. Abraço especial aos professores Jones, Daiane Mohr, Fabrício, Neusa (Orientação), Fabi (Supervisão). Ao abraçá-los, o faço a todos os profissionais da instituição, da portaria à Direção, passando por todos os Setores que fazem a escola permanecer em pé, apesar das inúmeras dificuldades. O pequeno espaço temporal (segundo semestre de 2022) foi suficiente para marcar positivamente a relação, restando uma bela impressão que, por certo, permanecerá. Finalizo desejando sucesso e que sigam forjando verdadeiros cidadãos, comprometidos com a sorte do outro, pois que sem este nada somos! Beijo no coração!


"(...) O choro pode durar a noite inteira, mas a alegria vem de manhã, bem cedo" (Salmos, 30:5). A dor, o sofrimento, a tristeza e tantos outros dissabores são importantes para lembrarmos que somos humanos, finitos e que portanto eventual empáfia ou sentimento de superioridade frente ao outro soa como tolo e destituído de razão. Motivos para chorarmos são inúmeros, daí ser impossível enumerá-los. Até porque o que te faz chorar, talvez faça o outro sorrir. A boa notícia, como bem lembra o salmista, é que a alegria está ali adiante, mais próxima quem sabe do que imaginas. Precisas, contudo, olhar para ela, acreditar, secar as lágrimas e seguir adiante, até o próximo tombo. Assim é a vida! Nessa caminhada - mais longa para alguns e menos para outros - a espiritualidade (não a "religião" ou placa de igreja) vem se mostrando essencial, seja para nos levantarmos, seja para apoiarmos o outro. Creia no poder do amor, do perdão, da cura... Deus te ama e quer enxugar tuas lágrimas. Ótimo final de semana!

Merda e folhas! Comum tem sido vermos as pessoas encantadas com seus pets e jardins. Latidos, miados e lambidas... Flores multicoloridas, cheirinhos maravilhosos atiçando o olfato... A beleza dos animaizinhos e a formosura dos jardins encantam! Não são poucos os que ao optarem por eles esquecem da merda e das folhas... Sim, acolher um animalzinho de estimação requer que quem o faça se responsabilize pela limpeza dos espaços onde porventura o dito cujo escolha para "aliviar-se". Da mesma forma, no meio urbano, os detentores de árvores na calçada, por exemplo, têm o dever de recolher as folhas que, especialmente em algumas épocas do ano, atrapalham o fluxo pluvial e colocam em risco os transeuntes que circulam pela mesma. Quero dizer com isso tratar-se de uma péssima ideia ter pets e jardins? Absolutamente... Pelo contrário! Comprometer-se e responsabilizar-se por eles soa não apenas como terapêutico, mas denota cuidado e carinho. Somado a isso, trata-se de uma grande lição de vida, pois que esta é uma sucessão de prazeres e dores, felicidades e tristezas, vitórias e derrotas, sorrisos e lágrimas, "lambidas" e "cagadas", flores e espinhos... A merda e as folhas fazem parte da trajetória dos pets e jardins, compõem nossa própria jornada neste mundo! Beijão.

Educação de qualidade, onde encontrá-la? Na rede pública e/ou privada? Vamos por partes... Primeiro, o que entendemos por "educação de qualidade"? As firulas à disposição? Lousas digitais, aplicativos, programas e material didático vendidos a preço de ouro pelas editoras? Climatização das salas? Atividades diferenciadas no turno e/ou contraturno? Entendo que tudo isso é - alguns mais, outros menos - importante, mas não o MAIS importante. Uma educação de qualidade passa, necessária e obrigatoriamente, pelos profissionais que atuam na escola. São eles e não os "recursos" disponíveis que fazem desenrolar o processo de aprendizagem. Daí a necessidade em valorizá-los não por meio de discursos vazios e promessas de um "futuro" (que nunca chega!) melhor. Valorizá-los, isso sim, sob o ponto de vista remuneratório (a imensa maioria dos professores das redes pública e privada ganha muito aquém do razoável), garantindo-lhes tempo para planejamento (o que na escola pública há muito é uma realidade, na privada - salvo honrosas exceções - inexiste), condições mínimas de trabalho, formação continuada, dentre outros. Dito isso, uma educação de qualidade não pode prescindir de resultados. Estes precisam aparecer, sob risco da escola perder o sentido da própria existência. Inadmissível, após uma década e meia (do Pré ao término do Ensino Médio), o educando sair sem as "habilidades" (no Brasil, investe-se mais nos jargões do que na práxis) mínimas necessárias previstas na BNCC. A escola hoje não tem preparado para o mundo universitário e nem, tampouco, para o famigerado mercado de trabalho. Prepara para a vida? Esta dissocia-se do mundo acadêmico ou do mundo do trabalho? Não por acaso, tamanho descrédito em relação à escola. A escola nem de perto vem cumprindo seu papel, o de ensinar. Urge repensar e ressignificarmos o espaço escolar, tensionando para que o papel do educador seja socialmente reconhecido. Reconhecimento este que exige salários adequados, tempo para planejamento, suporte pedagógico, fortalecimento da autoridade professoral (educador não pode sofrer coação de qualquer espécie, no exercício da profissão, movida pelos caprichos de alunos e pais). Imprescindível, ainda, são políticas públicas de Estado (permanentes) e de governo (sujeitas às mudanças, conforme o andar da carruagem no campo político-partidário) sérias, competentes, pautadas no planejamento e não nas tão conhecidas "gambiarras". Enfim, uma educação de qualidade passa por muitas mãos (gestores, professores e demais profissionais que atuam na escola, alunos, pais...). A responsabilidade é de todos. Abracemos a escola e seus profissionais, zelemos por eles, assumamos o papel que nos cabe para que vislumbremos dias melhores. Beijo no coração de todos, em especial aos queridos colegas de profissão!


domingo, 29 de janeiro de 2023

Janeiro de 2023

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Feito árvores centenárias, nossos pais, avós, bisavós, abrigavam sob seus galhos um incontável número de filhos, netos, bisnetos... Tal qual imponente figueira a lançar seus enormes braços, os anciãos - a maioria, presente só em nossas saudosas lembranças - abraçavam a todos, reunindo à mesa (sim, as pessoas ceavam à mesa...) diferentes gerações. Presentes os de sangue, agregados, amigos, vizinhos... Multiplicavam-se o peixe, o pão e o vinho! Embalados por boas histórias e muitas fofocas, vez por outra ouvia-se um "que Deus o tenha!". Sim, os falecidos ganhavam lugar especial entre os vivos. Enquanto, na cozinha, as tias "tricotavam", deixando correr a língua para tudo que é lado, os homens mateavam sob a sombra, tendo aos pés o guaipeca. Era acariciá-lo, o rabo denunciava a faceirice do bicho. Enquanto isso, a piazada corria solta, exceto aqueles trepados nas amoreiras e butiazeiros ou os danados a tomarem banho na sanga. Ao longe, o tordilho e meia dúzia de vacas pastavam, indiferentes a tudo. Feito os afazeres domésticos, reuniam-se todos num grande círculo. Socializava-se não apenas o chimarrão, mas a palavra. Enquanto um falava, os demais escutavam, exceto o guri recém nascido. Nada que a teta materna não desse conta. Nossos velhos e velhas estão se indo... Estamos ficando órfãos. A casa está ficando vazia. As rodas de conversa têm dado lugar aos monólogos solitários de uma geração incapaz de olhar além do próprio umbigo. Às "árvores centenárias" ainda existentes, meu respeito, admiração e afeto!

Inicio dizendo que condeno toda e qualquer depredação de espaços públicos (e privados), inclusive as tão comuns pichações a macularem prédios, praças, monumentos por todo o país, por alguns tidas como "livre expressão do pensamento". Contudo, a invasão do Congresso, Palácio do Planalto e STF, apesar de questionável, é compreensível. Demonstra, por um lado, o extremismo de grupos político-ideológicos inconformados com o resultado das urnas, mas - por outro - deixa claro a absoluta falência do Estado brasileiro, há muito nas mãos de interesses outros que não aqueles de uma verdadeira República. Alguns meios de comunicação vêm usando a expressão "terroristas" para os referidos movimentos, estes, contudo, não mais nocivos do que os grupos que, historicamente, têm surrupiado os cofres públicos, acobertados por seus mandatos e togas. Não se está, portanto, diante de um duelo entre bandidos e heróis. Pensar assim soa como simplista e irresponsável. O que está em risco não é a democracia, até porque esta última jamais vingou em sua plenitude. São as mesmas famílias de sempre a darem as cartas do jogo, os mesmos interesses espúrios a preponderarem, as mesmas organizações criminosas a se apossarem das estruturas estatais. Os belos discursos de inclusão, a colocação de meia dúzia de lideranças sérias e bem intencionadas em alguns postos-chaves, uma ou outra iniciativa mais popular, quase tudo não passa de nuvem de fumaça para esconder o verdadeiro e diabólico intento dos "donos do poder", a saber a perpetuação das infames desigualdades sociais. Não me sensibilizo, portanto, com o ocorrido e nem, tampouco, me solidarizo com os que se sentem ultrajados com a invasão de prédios públicos. O prejuízo causado pela depredação levada a cabo por vândalos (quase todos os movimentos, infelizmente, têm os seus) é nada comparado ao imensurável estrago provocado por aqueles que se apropriaram do Estado. Mantém-se larápios na vitrine, enquanto olvida-se a necessária mudança estrutural de que o país necessita. Reformas política, tributária, penal, por exemplo, seguem ou engavetadas ou capengas, sob o olhar aflito e desesperado da sociedade. Inexiste maior violência do que aquela alimentada pela corrupção, pelo atávico descaso em relação à maioria da população, pela indiferença frente aos direitos assegurados (letra morta) na Constituição. Enquanto perdurar o coronelismo, o apadrinhamento, a confusão entre público e privado, o faz-de-conta dos "gestores" (impostores) públicos, o distanciamento da Justiça em relação a quem a sustenta e lhe dá sentido, a venda de consciência (o quase nada que ainda dela resta) dos que detêm algum mandato, o país seguirá sendo essa falsa democracia, dando margem a manifestações, ainda que lamentáveis (para muitos) como a que assistimos no raiar de janeiro de 2023. O famigerado "Estado de Direito", há muito emparedado pelo crime organizado (presente em todos os Poderes e em todas as esferas: federal, estaduais e municipais) precisa ser repensado, refundado (fundado, pois ainda não o foi...), como única forma de vivermos sob a égide da paz e justiça social. O denuncismo, hoje incentivado inclusive por órgãos oficiais, soa como temerário, seja porque abre margem para o linchamento social de pessoas que, talvez, não cometeram qualquer crime, seja porque faz vistas grossas às regras mais elementares do Direito. Abre, ainda, perigoso precedente, ao perseguir - juntando a força coercitiva do Estado e a omissão/apoio/condescendência de parte da sociedade - indivíduos em decorrência de suas posições, opiniões e/ou simpatias político-ideológicas, traço típico do totalitarismo. Portanto, sugiro prudência! Beijo no coração de todos!

Os fins justificam os meios? A teoria de Maquiavel parece estar presente no modelo do chamado presidencialismo de coalizão. Busca-se o apoio (pode não ser "casamento", mas no mínimo constitui-se numa "união estável", o que, no frigir dos ovos, dá no mesmo...) do maior número de partidos e parlamentares, como uma espécie de passaporte para a governabilidade. Apesar de aparentemente lógica a estratégia, até porque historicamente praticada neste país, entendo como equivocada e perigosa. Quase sempre a moeda de troca faz lembrar a de Caronte, onde o fim não poderia ser mais trágico. Sou daqueles que acreditam (utopia, eu sei...) que os meios denunciam os fins. Sendo os primeiros ruins, dificilmente os últimos serão bons. A própria história brasileira é prova incontestável disso. Não é de hoje vermos o Executivo refém do Parlamento. Na prática, é este quem governa (nos últimos anos, acompanhado do Judiciário...), rasgando os princípios mais elementares da divisão de Poderes herdada do Iluminismo. Desnecessário lembrar que, no Brasil, o Congresso constitui-se num grande prostíbulo, onde vende-se até a mãe em troca de benesses. A sopa de letrinhas das siglas partidárias não deixa dúvida de que, feito placas de igreja, o Parlamento é um balcão de negócios, quase sempre espúrios, onde as maiores vítimas desse estelionato somos nós, a maioria da população. Entendo sim ser difícil romper com tais práticas, mas necessário, sob risco do Brasil seguir nas mãos daqueles que têm levado à desesperança de nossa gente. Beijo no coração de todos!

Interessantes alguns discursos que têm sido pronunciados pelo Presidente eleito. Espero que saiam do plano da retórica para o da práxis. Segundo ele (concordo plenamente!) não existe democracia plena enquanto perdurarem as profundas desigualdades sociais. Diria que estas últimas só serão superadas a partir de significativas reformas política, econômica e social, o que exige - obrigatória e necessariamente - a "quebra dos ovos", a desacomodação, a subversão, enfim práticas e relações de poder completamente distintas daquelas que vêm marcando a história deste país. Apesar de ser pessimista e cético quanto às mudanças acima, torço para que ocorram, pois quem ganha é a maioria. Há muito deixei de acreditar no modelo de "democracia" e arremedo de República adotado por aqui, porém não vejo outro caminho que não o do respeito às regras do jogo, regras estas que podem e devem ser questionadas, melhoradas, depuradas... Daí a importância do VOTO, mas não qualquer voto, mas o de qualidade, consciente, comprometido, coerente com a "pólis" que se deseja. A posição, a cor político-partidária e ideologia precisam ser respeitadas (soa como óbvio numa sociedade democrática), o que não pressupõe condescendência ou anuência, mas respeito, desde que as posições firmadas não se distanciem da ética e compromisso com o social. Abraço no coração de todos!

"Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora eu te vejo com os meus próprios olhos" (Jó, 42:5). A experiência com Deus é pessoal, singular, personalíssima, intransferível... Cada um a vive num determinado tempo e lugar, de forma diferente. Prescinde de terceiros, intermediadores ou quaisquer tipos de "pontes", o que não diminui em nada a importância daqueles que - pautados no amor, fé e boas intenções - levam as boas novas e esperança ao povo. Placas de igreja, dogmas e a "institucionalização" da fé até podem servir de "ópio" às ditas massas, mas a íntima relação com Deus (tu e Ele), ainda que aos trancos e barrancos - tal qual a vivenciada por Jó - é formidável, renovadora, inspiradora... Aproveitemos, enquanto é tempo, para nos colocarmos sob Suas asas, aprendendo, agradecendo, crescendo... Beijo no coração de todos!

Imprestável! Assim tem se mostrado o Judiciário brasileiro. Sua político-partidarização só vem agravando o quadro. Não por acaso, paira sobre tal Poder inegável desconfiança. Passaram-se dez anos (sim, uma década) da tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria e, para indignação das famílias enlutadas, prevalece - até o momento - a impunidade. Duzentas e quarenta e duas vítimas fatais e nenhuma punição aos responsáveis pelo crime! Alguns deles, por sinal, seguem na vitrine política, ocupando relevantes postos na Administração Pública, sob olhar complacente do Judiciário. O "caso Kiss", importante lembrar, não é algo isolado. Brumadinho (270 mortos), passados quatro anos, segue no mesmo caminho! Por quê? A criminosa demora e retardo na punição aos responsáveis por essas e tantas outras tragédias (a maioria delas "apagada" da memória coletiva, mas ainda viva no coração dos que sofrem tamanha perda) não deixa dúvida acerca da incompetência, despreparo e, por vezes, conivência do Judiciário com pessoas e/ou grupos, em flagrante prejuízo ao interesse público. Comum tem sido a magistratura transferir a (ir)responsabilidade para as falhas e lacunas existentes no Direito, em especial às inúmeras possibilidades de recursos que, na prática, levam à impunidade. Processos são tornados nulos, sentenças proferidas perdem o efeito, crimes são prescritos... Enquanto o Judiciário lava as mãos, a bandidagem segue solta, para o desespero e indignação das vítimas e suas famílias. Grande abraço a todos, em especial aos "indignados".


Ainda dezembro de 2022

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Natal! Um dia como qualquer outro? Festa pagã? Armadilha do Capitalismo para alavancar o consumo? Referência ao nascimento de Jesus? Não importa... Quem dá sentido à data somos nós. Da mesma forma que podemos e devemos dar sentido a muitas outras datas. Por que não a todos os dias? Afinal, presentes, abraços, votos de paz, saúde e prosperidade são sempre bem-vindos. Não espere o Natal para dizer que ama, admira, quer bem... Até porque quantos são os Natais que ainda teremos pela frente? Cinquenta, trinta, dez, nenhum? Faça deste momento um dia muito especial. Tens como comprar presente e o hábito de dá-lo? Ótimo, o faça com amor. Não tens? Maravilha, sem problema, mas não deixes de demonstrar carinho e afeto. Os maiores valores são os que nascem da alma, não aqueles expostos nas prateleiras do mercado. Dê atenção, espalhe sorrisos, profetize bênçãos... Sendo possível (quase sempre o é...), reate laços, reconstrua pontes... O perdão, ah o perdão... O poder que dele brota é transformador, restaurador para quem se sente perdoado e, principalmente, para aquele que perdoa. A todos os meus amigos e amigas do Facebook fica meu sincero abraço. É o que tenho para ofertar, mas é sincero e verdadeiro. Com ele, o desejo de um Natal abençoado, tomado de sentido (aquele que tu atribuíres) e um 2023 (verdade que para alguns, a data não é bem essa...) com paz, saúde e prosperidade, esta última jamais medida apenas pelo que é comprável. Gratidão por tudo! Beijo enorme no coração.

Todo autoritarismo é perverso, seja o do chefe de Estado, da toga, do Parlamento, da mídia... A ideia de "verdade" única soa como trapaça, pois que atenta contra a lógica basilar da democracia. O totalitarismo, ainda que travestido em pluripartidarismo ou sob a roupagem da fajuta liberdade de expressão, busca aniquilar qualquer espécie de antagonismo. As práticas ditatoriais tendem a perdurar, ainda que sob o guarda chuva de uma Carta dita "cidadã". Não por acaso, passados mais de trinta anos, os direitos mais elementares (saúde, educação, segurança, saneamento, alimentação...) seguem como letra-morta para maioria da população. Já para os donos do poder - enfiados em seus ternos elegantes ou capotes fúnebres -, sobeja a impunidade, apesar de décadas e décadas de malversação de recursos públicos, corrupção, uso do Estado para benefício próprio... Sob a forma de foice e martelo, pomba, estrela, sol, balança, siglas de todos os tipos, ditadura é ditadura, autoritarismo é autoritarismo. Seja de "esquerda", "direita", "cristã", "ateia", todo absolutismo é pérfido, desumanizador, degradante. Até quando viveremos sob essa maldição? Até quando seguiremos sustentando essa elite estúpida, asquerosa, boçal e tirana? Até onde irá a paciência de quem paga a conta? Por quanto tempo viveremos das migalhas caídas da farta mesa do coronelismo atávico? Ah, servisse a Virada de Ano, também, para uma "virada de página"... Não a dos canhões e baionetas, nem tampouco a dos discursos vazios e ufanistas, mas a de uma práxis transformadora, avassaladora, tal fogo ardente sobre a pira, separando o joio do trigo e fazendo nascer dela uma verdadeira República. Boa semana e bons "fogos"...

2022, um ano que, para mim, desceu sôfrego, difícil de ser digerido. Motivos não faltaram para isso. Ano em que a radicalização ideológica dividiu famílias, em que a carestia, feito gato sobre a mesa, fez sumir o sustento de milhões de brasileiros, em que o combate à corrupção não ultrapassou o limite do discurso vazio, em que os direitos básicos (educação, saúde, renda, etc.) seguiram esquecidos, em que reis (ainda que do futebol...) e rainhas foram apeados do trono (a morte é implacável para todos), em que a seleção nada produziu senão sonhos frustrados... Apesar dos inúmeros dissabores - todos menos impactantes do que aqueles ligados às "demandas" familiares -, sobrevivi (sobrevivemos!) para contar a história. Mais do que isso, para AGRADECER! Sim, sou grato a Deus por ter me fortalecido, por ter me propiciado paz de espírito nos momentos mais difíceis, por ter me dado o privilégio de contar com tantos amigos e amigas especiais, por ter me garantido o sustento (fruto, sem dúvida, de muito trabalho, afinal fé sem ação é morta)... Chegar vivo ao apagar das luzes de um ano e início de outro, é - por si só - motivo para agradecer. Enquanto há vida existe esperança! Desistir não está entre os verbos que costumo conjugar. Que venha 2023 e, com ele, muita paz, felicidade, saúde e prosperidade. Obviamente, tais bênçãos dependerão, e muito, daquilo que fizermos ou deixarmos de fazer, pois todas nossas ações e omissões produzem algum tipo de resultado, para o bem ou para o mal... Sejamos melhores, jamais nos deixando levar pela acomodação, por mais tentadora que seja. Fica meu grande e sincero abraço a vocês, bem como os votos de um porvir maravilhoso. Feliz 2023!


domingo, 4 de dezembro de 2022

Pensamentos de dezembro (2022)

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Ética e Justiça (a dos homens, é claro) não são sinônimos. Esta última é eivada de vícios, atrelada a interesses de toda sorte, alguns legítimos e outros nem um pouco. A condenação ou absolvição, muitas vezes, não guarda qualquer relação com a ética, mas é fruto de inúmeros fatores: inquérito mal conduzido, melhor ou menor desenvoltura dos que acusam e defendem, maior ou menor preparo intelectual e/ou emocional do júri, maior ou menor pressão da imprensa e da dita "opinião pública", (im)parcialidade (por vezes velada) do magistrado, etc.. Daí não ser tão incomum a condenação de quem, do ponto de vista ético, deveria ser absolvido ou a absolvição de quem, sob a ótica dos valores universais e atemporais, deveria ser condenado. Não surpreende, portanto, a profunda e inegável desconfiança em relação aos que, vestidos em suas togas, proferem sentenças. A verborragia pedante - incompreensível para os que pagam a conta - nada mais faz do que alargar ainda mais o fosso. O juiz, importante lembrar, dá a sentença, não profere, necessária e obrigatoriamente, a verdade. Até porque é humano (sim, ele nasce, bebe, come, faz sexo - ou tenta -, defeca, ama, odeia, diz a verdade, mente, acorda, dorme, morre...) e, como tal, vive sob a égide das imperfeições da carne. Juiz não é Deus, apesar de acreditar, muitas vezes, sê-lo. É um servidor público e ao contribuinte precisa prestar contas. Sua carreira deve balizar-se na competência e não na indicação política, apadrinhamento ou conluio com grupos econômicos, sob risco de ver suas decisões vistas com desconfiança. Ressalta-se que a crítica a pairar sobre a magistratura não compromete - ao contrário do que tentam nos fazer crer - o Estado Democrático de Direito. O juiz não é a materialização do Estado de Direito. Ou o é, como são tantos outros profissionais (médicos, engenheiros, professores, garis, empregadas domésticas, etc.), como são todos os homens e mulheres deste país. O Estado de Direito não deve ser uma abstração jurídica, mas precisa o ser de fato. Precisa vir ao encontro do interesse público, promover inclusão social, qualidade dos serviços públicos, rompendo com o clientelismo histórico. O Judiciário brasileiro precisa debruçar-se sobre si, depurar-se, ser humilde, cumprir com seu papel constitucional e, sobretudo, com sua função ética. Somente assim irá ser motivo de orgulho nacional, independente dos posicionamentos político-ideológicos existentes. Beijo no coração de todos e todas.


Cargos em Comissão, os CCs, já ouviste falar? Talvez não, mas estão por todo lado. Como câncer, corroem as entranhas e estruturas do Estado, promovendo a metástase social. Salvo raras exceções, seus malefícios são imensamente maiores do que os benefícios. Ingressam no serviço público pela porta dos fundos, sem concurso ou qualquer outra seleção pautada no mérito, conhecimento ou competência. Dentre as exigências para ser um CC, o puxa-saquismo e certa habilidade para tremular bandeiras em período eleitoral. Boca de urna, distribuição de "santinhos, cooptação de eleitores são algumas "tarefas" a serem cumpridas. Como prêmio frente à obediência desses "eunucos", um lugar ao sol na Administração Pública. Feito "encostos" nas Secretarias e repartições, mais fazem lembrar baratas tontas a transitarem de um lado para outro, sem função definida. É bem verdade que existem aqueles que, por estarem no topo da hierarquia dessa aberração política, assumem funções de chefia, direção, coordenação, em que pese a boçalidade, inépcia e absoluta falta de experiência. O resultado não poderia ser pior. Serviço público de péssima qualidade, pessoalidade, confusão entre público e privado, descontinuidade no atendimento à população e tantos outros atentados aos princípios mais elementares da Administração Pública. Esta precisa ser depurada sob pena de continuarmos vendo o Estado refém de grupos político-partidários (por vezes a confundirem-se com organizações criminosas) a fazerem dos espaços públicos covis e "prostíbulos éticos" (que me perdoem as meretrizes...), locupletando-se dos recursos indispensáveis à educação, saúde, segurança, etc.. Grande abraço a todos e todas, em especial aos meus colegas servidores públicos concursados e aos contribuintes (que pagam o meu salário!).


As torcidas agitadas, já posicionadas, cada qual no seu campo ideológico: a da "direita" e a da "esquerda". A maioria, sem nenhuma clareza sobre o que mesmo defender. Feito gado, simplesmente viram-se embretadas e, para não divergirem (medo, vergonha, comodismo, preguiça intelectual, conveniência...), permaneciam ali. Entre as torcidas, a linha de tiro. Num dos extremos, o atirador. No outro, o "alvo". Não um alvo qualquer, mas um corpo com todas as características de um jovem. Não fosse o capuz, ter-se-ia a certeza tratar-se de um adolescente. Talvez uns quinze ou dezesseis anos. O corpo ainda meio franzino, sem as conhecidas marcas do tempo. Amarrado a um poste, os membros inferiores e superiores não se mexiam. O que se via era o tórax a inflar e desinflar desesperadamente, como num pedido de socorro. O atirador, já adulto, sentia-se empoderado com a arma em punho, já engatilhada para o tiro. Acima de tudo, mostrava-se encorajado pelos gritos da sua torcida. Esta muito mais preocupada em "ganhar" do "inimigo" do que com o infortúnio do encapuzado. Era só atirar e correr para o abraço! Simples assim. Sem culpa, afinal o alvo era um "anônimo", muito provavelmente pertencente aos raivosos do outro lado. Por um instante, titubeara. O corpo à frente da mira de sua arma fazia lembrar o próprio filho, seu maior amor. Vieram-lhe à lembrança bons momentos com o unigênito. O dia do nascimento, os primeiros passos, as brincadeiras com a bola, o beijo de despedida para a escola, as histórias contadas na falta da luz, quando os dois, sobre a cama, rolavam de tanto rir. Ah, parecia sentir o cheiro gostoso do cabelo do piá. Onde estaria? Talvez na casa de um amigo agora... Andava meio estranho ultimamente... Coisas de adolescente, por certo. Logo tudo estaria bem. O negócio era focar no alvo. Foi... Tiro certeiro! A cabeça a pender para o lado denunciava o sucesso da empreitada. A sua torcida agora pulava, gesticulava, tremulava as bandeiras. Já os adversários juravam vingança... Dirigiu-se, então, ao encontro do alvo. Como troféu, o capuz... Sob ele, o rosto do filho amado!

"Quem odeia o seu irmão é assassino, e vocês sabem que nenhum assassino tem em si a vida eterna" (1 João, 3:15). Abraço no coração de vocês e abençoada semana.


Acusam um conhecido jogador da seleção brasileira de ser "cai-cai". Não que a alcunha seja inverídica ou exagerada. O que chama atenção é a "surpresa" intrínseca na acusação. Ora, o brasileiro carrega a "fama" de ser um simulador por natureza. O famoso "jeitinho" revela a tendência em "fazer de conta". Faz-se de conta que estuda, trabalha, cumpre as leis, é fiel no casamento, legisla para o "povo", julga com imparcialidade, governa para maioria... O jogador, portanto, é tão somente o "ato falho" de nossa "cultura". Na escola, por exemplo, o que vale é a aprovação e certificação, não o que está por detrás delas. O aluno aprendeu ou não? O professor fez seu melhor ou não? A gestão da escola foi competente ou não? A política pública adotada pela Administração foi acertada ou não? Quem se importa? Mais vale a aparência, ainda que frágil e sofrível, do que a essência. Pura simulação! No Legislativo, sobram Projetos de Lei (a maioria, um misto de aberração, inconstitucionalidade e/ou destituído de qualquer relevância social), homenagens (curiosamente, não raras vezes, de "personalidades" muito próximas de quem as homenageia) e discursos a revelarem a pífia inteligência dos ditos representantes do povo. Simulação! Os rodeios tão comuns na nossa cultura corroboram a certeza de que a indolência é uma triste marca na contrução da dita identidade nacional. Simulam-se ganhos, hora aumentando (visando crédito), hora diminuindo (quando da Declaração do Imposto de Renda), quando não sumindo por completo com eles (para botar a mão nos "auxílios" governamentais). Simulam-se comprovante de residência, certificados, carteiras de trabalho e de motorista, atestados médicos... Como o brasileiro parece gostar de simular, fazer de conta. Não por acaso, aqueles que são "diretos" e avessos à confusão entre público e privado veem-se escanteados, sob a pecha de "antipáticos", "mal-amados" e "frios". O caldo cultural acima descrito atinge a todos? Obviamente que não. Todavia, a exceção só confirma a regra. Portanto, mais paciência com o atleta canarinho, representante fiel de "nosso" (????) país. Mais cedo ou mais tarde, a conta virá e por ela todos pagaremos (já estamos pagando...). Feito a Croácia, a verdade é implacável. Beijão!

Pensamentos de novembro (2022)

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 Rede de escolas São Francisco. Sessenta anos de muitas histórias. Entrei na Rede em 1992! Lá se vão trinta anos dedicados à Instituição, dos quais um ausentei-me, numa espécie de "ano sabático". Têm sido anos de muitas conquistas e desafios, mas, acima de tudo, de criação e fortalecimento de vínculos. Milhares de pessoas ajudei a formar, deixando uma marca - ainda que tênue, em suas vidas. Não menos importantes foram as lembranças, a esmagadora maioria boas, deixadas por elas. Incontáveis alunos e professores fizeram e vêm fazendo parte desta história. Alguns brilham, feito estrelas, no céu. A maioria segue fazendo a diferença entre nós como pais, alunos, profissionais das mais diversas áreas e, acima de tudo, como amigos e amigas, ainda que distantes no espaço. O que é este frente ao poder do afeto? Pode haver maior homenagem do que um abraço carinhoso ou palavras verdadeiras de reconhecimento? Medalhas ou placas comemorativas, não as tenho para todos aqueles que, tijolo por tijolo, fizeram da Rede o que é hoje. Porém, fica meu mais sincero e apertado abraço a cada um e cada uma que, seja sob os holofotes, seja no anonimato, dá "sabor" à escola.



Pensamentos de outubro (2022)

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Anular o voto ou optar pelo voto em branco faz parte do jogo democrático. Falacioso é associar tais votos a um ato de covardia ou aquiescência a este ou aquele grupo político. Ao fazê-lo, demonstra-se pouco conhecimento do assunto e profundo desprezo pela liberdade do eleitor em manifestar seu descontentamento frente às "opções" oferecidas a ele. Soa como pouco ou nada razoável, ainda, querer atribuir ao eleitor que vota em branco ou anula seu voto a responsabilidade sobre o desfecho do pleito. Seu direito/obrigação à vigilância e cobrança sobre os eleitos não é menor e nem, tampouco, maior do que qualquer outro eleitor. Os votos em branco ou nulos trazem, isto sim, uma mensagem clara, a do profundo descrédito acerca das "peças" postas sobre o "tabuleiro". São produto, muitas vezes, da falta de confiança não apenas no sistema político flagrantemente viciado, mas também no rol de figuras que buscam abocanhar uma teta no "úbere" estatal. Assim, amados e amadas, sintam-se à vontade de votarem em branco ou, então, anularem o voto, pois que este a ti, e somente a ti, pertence! Faça de teu voto uma mensagem de apoio a este ou aquele candidato, ou, ainda, de protesto aos que disputam o pleito. Importa é que seja um voto consciente, fundamentado naquilo que acreditas. O "cabresto", ainda que sutil, não combina com o verdadeiro espírito democrático. Eleição não é corrida de cavalos, onde se busca saber qual é o favorito. Deveria ser, isto sim, espaço para escolha de projetos para cidade/estado/país. Grande e fraternal abraço.


Alguns poucos países adotam a pena de morte aos condenados por corrupção. Chama atenção que nesses países (marcados, diga-se de passagem, pela precariedade democrática), a corrupção segue representando um sério problema. À primeira vista, portanto, a aplicação da pena capital não é garantia do fim de práticas corruptas, em especial aquelas envolvendo recursos públicos. Por que trago a temática aqui? Infelizmente, o Brasil historicamente vem sendo vítima de corruptos que, ocupando os espaços públicos (em TODOS os Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário), fazem uso do Estado para obtenção de vantagens ilícitas, com sérios prejuízos à população. Enquanto esta segue à míngua, sobrevivendo das migalhas que caem da mesa dos poderosos, alguns grupos criminosos locupletam-se e perpetuam suas práticas sob o olhar cego e viciado de uma legislação que, apesar de farta, pouco ou nenhuma efetividade produz. Fica a triste, lamentável e revoltante sensação de impunidade, além de alimentar-se a ideia de "soluções" radicais, como a pena de morte aos corruptos deste país. Importante lembrar que tal possibilidade é vedada (cláusula pétrea) por nossa Carta Maior, a mesma que, é verdade, vem sendo diuturnamente rasgada por aqueles que deveriam defendê-la e respeitá-la. Contudo, ante à inércia, omissão, condescendência e cumplicidade do Judiciário, por exemplo, inegável é a vontade, cada vez mais forte, de colocar em prática medidas drásticas, ainda que sem eficácia garantida e à margem da lei. O desespero e absoluta falta de esperança tendem alimentar o "mostro" que em nós habita. Uma vez solto, difícil segurá-lo. Tempos difíceis! Grande beijo no coração de vocês.


15 de outubro, Dia do Professor. Motivos para comemorar, talvez. Razões para lamentar, inúmeras. Apesar do discurso recheado de palavras bonitas, motivacionais, elogiosas, na prática a função docente tem sido espezinhada, maltratada, relegada a quase nada. Quanto vale o trabalho do professor? Salários vexatórios, carga horária extenuante, escolas (especialmente públicas) precárias, serviços de apoio capengos ou inexistentes, descaso e permissividade das famílias, apatia e desleixo dos educandos, sindicatos voltados para o umbigo de seus dirigentes, políticas públicas pífias, falta de reconhecimento social... O resultado não poderia ser diferente: caos absoluto na educação, onde há muito a escola deixou de lado sua principal função, a de ensinar. O quadro da dor é pior ainda ao não se vislumbrar no horizonte, mesmo que a longuíssimo prazo, mudanças positivas. O flagrante descaso em relação ao professor atesta a própria mediocridade social, a displicência frente a qualquer projeto sério de desenvolvimento socioeconômico. Denuncia, também, a involução e desumanização, onde a "aparência" destrona a "essência" e a futilidade toma as rédeas da insignificante existência.




Pensamentos de setembro (2022)

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Relendo "1984", de George Orwell... Quantas semelhanças com o que vejo hoje! A passagem referente à "produção de botas" faz lembrar os números e estatísticas "fabricados" e apresentados à população, especialmente em períodos de campanha eleitoral. Raramente casam com a realidade. As cifras astronômicas, alegadamente investidas em educação, segurança, saúde, infraestrutura, etc. não são confirmadas no cotidiano de nossa gente. Esta, em sua maioria, segue completamente esquecida, jogada às traças, ofendida em seus mais elementares direitos. Ótimo dia a todos nós! Beijo no coração.


Dia dos Filhos, 23 de setembro? Há controvérsias... Contudo, seja nesta ou naquela data, de uma coisa não tenho dúvidas: filhos são uma bênção. Existem problemas? Obviamente, pois do contrário não estaríamos falando de pessoas. Porém, os bônus são infinitamente maiores do que os ônus. Agradeço a Deus e a Ele tenho consagrado a Thamires, o Matheus e a Thaíse. Representam o que tenho de melhor. Amo-os incondicionalmente, sem deixar de repreendê-los quando necessário (o amor é exigente...). Desejo vida e que esta seja abundante, tomada de sabedoria, paz, saúde e prosperidade. Jamais esqueçam que a vida SEMPRE vale a pena. Ao parabenizar os meus filhos, o faço também a todos os demais filhos. Deus abençoe ricamente vocês. Façam a diferença! Beijo no coração.

Não são poucos os que dizem ser a vida um "livro". Alguns deles mais densos, outros aparentemente simples demais. "Livros" com muitas páginas (jamais incontáveis, o que os torna sempre e necessariamente passageiros...), outros nem tantas. Não que o número delas seja sinônimo de qualidade. É bem verdade que alguns "livros" mereciam não mais do que uma meia dúzia de laudas, tamanha sua mesquinhez. Existem "livros" com capas belas e chamativas, mas sem conteúdo. Existem também aqueles que trazem sua capa surrada e páginas amareladas pelo uso, tomadas de glosas, deixando claro o quanto foram úteis. "Livros" novos e antigos. "Livros" marcados pelo romance, ficção, drama, tragédia... Que tipo de "livro" somos afinal? Que tipo queremos ser? Sobre quais páginas nos debruçamos? Aquelas do passado, já lidas, em que pese amargas e dolorosas? Sobre as vindouras, não menos importantes, ainda que encobertas pela incerteza do porvir? Sobre a de agora (presente)? "Livro" precisa ser lido, pois que não o sendo, perde sua essência. Não será hora de virar a página, ainda que sob o risco de dissabores e infortúnios? Avancemos na leitura de nossa própria "obra", sem o temor paralisante de chegarmos a seu término.




sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Pensamentos de agosto (2022)

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A eleição é transformadora! Indescritível o poder que tem um pleito na vida das pessoas, especialmente (ou seria "somente"?) em período de campanha (esta, convenhamos, na prática, pouco difere da pré -campanha). Figurinhas conhecidas da cidade tecem discursos bem elaborados, fazendo uso de expressões (ética, competência, respeito, espírito público, democracia, honestidade, trabalho, etc.) que, sabidamente, sempre passaram de largo das relações estabelecidas por elas junto à coletividade. Condenam a incoerência dos adversários (na prática, vistos e tratados hora como inimigos, hora como amantes), mas têm a vida pretérita maculada pelos ajeitamentos, gambiarras e apadrinhamentos. Figurinhas que fazem da política não uma ferramenta para promoção da equidade social, mas para a manutenção de privilégios seus e de seus familiares. Figurinhas que, como por obra de um milagre, convertem-se e aproximam-se de grupos religiosos, feito lobos em pele de cordeiro. Figurinhas patrocinadas por dinheiro duvidoso, alimentando o triste círculo do crime organizado. Eleitores, troquemos as figurinhas já amareladas e opacas (sujas) por outras, sob risco de não o fazendo, comprometermos o álbum da cidade! Grande beijo no coração.

Rosana, minha querida esposa, completando mais uma primavera (inverno, na verdade...). Impossível descrevê-la, pois que faltariam adjetivos para isso. Companheira, mulher, mãe, educadora (com um pé na aposentadoria, heim?)... São mais de duas décadas ao teu lado, aprendendo - ainda que aos trancos e barrancos (admito, sou por vezes um péssimo aluno) - contigo, partilhando de incontáveis momentos maravilhosos e, claro, alguns deles difíceis. Mesmo nestes últimos tens resistido bravamente, dando mostra do quanto és especial. Desejo muitos e muitos anos de vida, com saúde, paz, prosperidade, paciência (tá bom, é pedir demais... Kkkkk) e sabedoria, pois que desta nascem todas as riquezas. Deus siga te abençoando e permitindo que eu possa estar, por um longo tempo (até que a morte nos separe, lembras? Kkkk), ao teu lado. Parabéns! Te amo...

Um dia muito especial pode tornar-se melhor ainda? Sim! Dia 10 de agosto de 2022, aniversário de minha esposa e FORMATURA de minha filha primogênita, THAMIRES. Alegria que mal cabe no meu coração. Filha, parabéns! Agora, oficialmente, és uma FONOAUDIÓLOGA. Profetizo incontáveis vitórias na tua vida profissional. O mercado da fonoaudiologia, tenho certeza, ganhará e muito com tua competência, dedicação e seriedade. Deus te abençoe e que sigas fazendo a diferença na vida das pessoas. Beijo deste pai tomado de orgulho.

Até que gostaria, mas tornou-se impraticável (como tantos outros professores, trabalho sessenta horas) responder as inúmeras mensagens de carinho recebidas pelo aniversário da Rosana e pela formatura da Thamires. Dizer o quê? Impossível retribuir tamanho afeto de cada um e cada uma de vocês. Resta AGRADECER e pedir a Deus que me dê, por longos anos, o privilégio de chamá-los (as) de amigos (as). Vocês são verdadeiramente ESPECIAIS. Obrigado, obrigado e obrigado! Durmam bem e que os sonhos (os justos e bons... Ah, tá bom, os exagerados também... Kkkkk) virem realidade. Beijo no coração!

Pai... Três, somente três letras, mas trazendo um oceano de significados... No Dia dos Pais, registro primeiro minha gratidão a Deus, um Pai que, no Seu infinito amor, tem me sustentado e fortalecido. Meu reconhecimento, ainda, ao meu pai Antônio (in memoriam), pelos ensinamentos, proteção e carinho, não medindo esforços para dar aos filhos aquilo que jamais teve. Foi, é e continuará sendo minha inspiração! Um abraço, também, ao Neizito, meu querido irmão e pai de três filhos (olha o número aparecendo novamente... Sabem o que isso significa? Acredito que nada, mas...). Muitos são os outros PAIS a serem homenageados: cunhados, primos, compadres, padrinhos, afilhados, amigos, colegas... Todos vocês são muito ESPECIAIS. Usemos e honremos esse título ("PAI"), pois que somos (deveríamos ser...) os forjadores de mulheres e homens cada vez melhores, resilientes, responsáveis, confiáveis, solidários, trabalhadores, competentes... Sintamo-nos lisonjeados por sermos chamados de Pai, pois enquanto o somos é porque nosso bem maior (os filhos!) está próximo. Parabéns a todos os pais!

Experiência com Deus, já tiveste? Pergunto porque talvez, assim como eu o fiz tantas vezes, burocratiza-se e teoriza-se a relação com Ele, tornando-a fria, distante, formal, meramente ritualística. Tenho aprendido (é no caminhar que os grandes aprendizados acontecem) a confiar e esperar n'Ele, até porque o tempo d'Ele não é o mesmo meu (teu) e nem tampouco Seu querer é, necessariamente, o meu (teu). Ele vê o que não vemos, sonda o que desconhecemos ou, conhecendo, tentamos inutilmente esconder. Uma relação próxima do Pai nos livra da dor, da saudade, da tristeza, dos dissabores da vida? Geralmente não, mas nos fortalece nesses momentos difíceis. O amor de Deus é garantia de bonança e prosperidade, como alguns falsos mestres tentam nos convencer? Digo que muitas vezes não, porém age como bálsamo a corroborar a certeza de que a incorruptibilidade dos bens do espírito superam, de longe, a fragilidade daquilo que se obtém por meio do dinheiro. Este é bem-vindo, importante lembrar, mas deve servir de meio para abençoar e ser abençoado, jamais um fim em si mesmo. Deve gerar conforto, qualidade de vida, prazer (sim, Deus quer que tenhamos "tesão" em viver), mas com responsabilidade, equilíbrio, empatia, solidariedade. Estreitemos a relação com Deus, deixando-nos amar e ser abraçado por Ele. Derramemos nossas lágrimas, de preferência em segredo, diante d'Ele e permitamos que sejam nossas feridas físicas e emocionais tratadas pelo Espírito, sem nenhum custo! Uma ótima noite a vocês, pois que muito ESPECIAIS para mim e, sem dúvida, para Deus! Beijo no coração.

A pergunta a ser feita a teu candidato é "como" e não "o que" será feito. O "que será feito" qualquer imbecil responde, pois não passa de promessas jogadas ao vento, sem qualquer compromisso com a realidade. Boçais, mal intencionados, "políticos de carteirinha", todos eles têm uma (sim, literalmente, UMA pois que sempre a MESMA!) resposta: investir na educação, saúde e segurança, combater a corrupção, blá, blá, blá... Outro cacoete p'rá lá de conhecido do candidato despreparado é pautar sua campanha em ataques diuturnos a adversários políticos (vistos como inimigos...), fazendo lembrar um cachorro na proteção do osso (difícil de largar), osso diga-se de passagem que não é dele, pois que público. Enquanto ataca, não propõe. Não por acaso, o período de campanha eleitoral é o que é, uma verdadeira chatice. Pouco ou nada esclarecedora. No caso de servidores públicos (que, ao contrário dos pobres mortais da iniciativa privada, seguem mantendo o salário ainda que licenciados), os meses de campanha servem, não raras vezes, muito mais como um longo período de "férias", pois que até o bêbado da esquina sabe que o tolo é carta fora do baralho. Quais são as propostas? Como assim, que propostas? A pergunta a ser feita é, portanto, COMO será feito, COMO se operacionalizará a mudança? Questões orçamentárias (sim, dinheiro não nasce em árvore, pressupõe uma fonte de receita), limites legais (a Administração Pública, diferentemente do cidadão comum, só pode agir por meio de leis autorizativas), embates políticos (muitas das decisões passam, obrigatoriamente, pela aprovação do Legislativo, este quase sempre composto por figurinhas despreparadas, sem qualquer compromisso com o interesse público), conjunturas socioeconômicas locais, regionais, nacionais, internacionais... Enfim, o COMO será feito exige do candidato massa cinzenta, conexão entre o "tico e o teco", visão crítica da realidade (esta vai muito além dos muros dos feudinhos construídos por algumas famílias e grupelhos), humildade intelectual, capacidade de diálogo, honestidade (pesquise a fundo a vida pregressa de quem pede teu voto), trabalho em equipe (esta não pode ser confundida com quadrilha ou organização criminosa, nem tampouco com nepotismo)... Faça, portanto, a pergunta certa a teu candidato... Beijo no coração de todos vocês!

Assistindo uma matéria sobre ações policiais no combate ao tráfico de drogas. Confesso que não sei se é para rir ou chorar, pois que deixa claro o quanto apreciamos a "aparência" em detrimento da "essência" em relação a quase tudo, inclusive aquilo que diz respeito às práticas criminosas. Trata-se de um espetáculo circense, onde o verdadeiro palhaço é o contribuinte que paga a conta. Prende-se muito, porém prende-se mal. Prende-se, salvo raras exceções, o "peixe pequeno", enquanto os "tubarões" seguem livres e soltos, além de cada vez mais ricos, ocupando espaços privilegiados do Estado: gabinetes, tribunais e tribunas. Lamentável ver esse mesmo Estado de joelhos e mãos dadas com o crime organizado. Não por acaso, cada vez mais confunde-se polícia e ladrão, em prejuízo dos inúmeros (maioria) bons, honestos, competentes e mal pagos servidores públicos da área de segurança. Não por acaso, ainda, as galerias dos presídios (o que sobrou delas...) estão nas mãos dos "prefeitos" (não poderia ter nome mais apropriado), sob olhar omisso e amedrontado de promotores e magistrados. Não por acaso, também, o tráfico (drogas, armas, etc), contrabando, descaminho, jogos de azar, prostituição, pirataria, avançam de maneira avassaladora. O tiro que sai da arma do policial quase sempre tem endereço certo: do pobre, do preto, do favelado. Até quando seguiremos enxugando gelo? Passou da hora de cortarmos o mal pela raiz. A fonte que alimenta o tráfico não está no beco, na quebrada ou na esquina. Deve ser buscada nas mansões, nos palácios, nos gabinetes, nos presídios. Bom descanso a todos. Beijo no coração!

O que dizer do perdão? Este serve de bálsamo ao coração de quem é perdoado, mas principalmente de quem perdoa. Soubéssemos o poder do perdão na cura de nossas dores emocionais, na reconstrução e fortalecimento das relações que travamos com o "outro", por certo o exercitaríamos mais. Quantos lares reconstruídos, sociedades refeitas, confianças restabelecidas nasceriam do exercício do perdão. Quem o pede e quem o recebe, demonstram humildade. Fortalece-se o amor, rejuvenesce-se o coração e qualifica-se o tecido social. Uma semana abençoada a vocês, onde o "perdão" faça parte de nosso vocabulário, não como sinônimo da banalização de nossos erros, mas como demostração de verdadeiro arrependimento. Beijo no coração!

Sofrível e previsível o "debate" entre os presidenciáveis, veiculado pela Band. Sofrível porque as propostas, mais uma vez - como tem sido a tônica há muitos anos - sucumbiram frente às acusações recíprocas e já esperadas, acusações estas, sabe-se, quase todas com fundo de verdade. Conclusão: os candidatos - salvo raras e honrosas exceções - têm o rabo preso. Alguns deles, fazendo lembrar a velha briga entre o fedorento e o malcheiroso -, fôssemos um país sério -, estariam num manicômio ou numa prisão, ou nos dois... Triste circo televisionado, parte de uma campanha eleitoral bilionária que, vergonhosamente, pouco ou nada contribui para qualificar a política nacional. As escassas propostas surgidas durante o encontro - quase todas oriundas de candidatos com pouca ou nenhuma chance de passar pelo crivo do primeiro turno -, as boas, muito provavelmente não romperão a barreira das "boas intenções". O "debate" mais pareceu conversa de bar, quando sobra embriaguez e falta lucidez. Quem venceu, não sei. Quem perdeu, sem dúvida, foi o eleitor. Boa semana a vocês. Beijo no coração!


Pensamentos de julho (2022)

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Quais são as características ou virtudes esperadas para o exercício de um mandato? Ao que tudo indica nem o eleitor e nem, tampouco, os (pré)candidatos sabem. As redes sociais têm trazido algumas "figurinhas" que cheiram mal, fazendo lembrar o chorume sórdido associado ao domínio de algumas famílias que, historicamente, vem loteando importantes espaços públicos. Fazem da cidade um vergonhoso feudo, onde apenas os apadrinhados têm vez e voz. Importante lembrar a importância e poder do voto qualificado, consciente, pois somente por meio dele seremos capaz de avançarmos. Não venda e não troque teu voto por promessas, cargos ou quaisquer benesses pessoais, pois que o fazendo seguirás engrossando o mar de lama que condenas. Boa semana e beijo no coração!

Em quem votar? Difícil responder! Mais fácil identificar em quem NÃO VOTAR... Mantenha distância daqueles que, ano após ano, vêm "mamando" nos úberes do Poder Público. Mamam não apenas eles, mas um enorme séquito de familiares (pai, filho, irmão, cachorro, gato...) e "amigos" sustentados por meio de FGs e CCs pagos, a duras penas, pelo contribuinte. Não vote naqueles que já exerceram ou exercem mandatos sem terem contribuído de fato para melhoria da pólis. Não vote naqueles que carregam sobrenomes conhecidos de longa data, sobrenomes estes que fazem lembrar de tudo, menos o que é ético, justo e honesto. Não vote em quem anda de mãos dadas com o crime organizado. Não vote em quem faz uso de "empresas" fajutas para vencer licitações, surrupiando recursos públicos sem prestar o serviço esperado, deixando homens e mulheres a ver navios no que tange aos direitos trabalhistas. Não vote em quem faz da sua placa de igreja, seja ela qual for, trampolim eleitoreiro. Não vote em quem tem sua vida marcada pela mentira e pelo engodo. Não vote em quem faz de teu sofrimento (falta de leito, remédio, asfalto, lâmpada do poste, trabalho, vaga na escola, etc.) motivo para troca de favores. Não vote em quem troca de partido como quem troca de roupa, conforme as conveniências. Não vote em quem faz alianças espúrias em nome da "governabilidade". Não vote em quem tem sua "popularidade" assentada na aparência, esta facilmente criada e impulsionada pelas redes sociais. Não vote em quem tem seu discurso pautado no ódio em relação aos que alinham-se a outras vertentes ideológicas. Não vote em quem faz promessas milagrosas. Não vote em "salvadores da pátria". Não vote em quem responde a processos ou naquele que já recebeu condenação. Todos esses deméritos, acredite, dizem respeito a uma MINORIA, mas uma minoria que vem gerando sérios prejuízos à coletividade. Por meio de teu voto, dê um BASTA! Grande beijo no coração de vocês...

A democracia no Brasil está em risco? Definitivamente, não! Pode estar em risco o que inexiste? A Constituição de 1988, nascida sob um discurso de "redemocratização", tornou-se apenas mais uma obra de ficção. Acenou-se com transformações sociais que jamais chegaram. Saiu-se de um período de censura oficial e aberta, para um de aparente liberdade. Que liberdade? Pode haver liberdade em meio às mazelas existentes, onde a desigualdade é alimentada pela ação/omissão de um Estado a serviço de poucos? Não por acaso, por exemplo, o apelo do Judiciário para que se acredite no processo eleitoral não encontra o esperado eco. A desconfiança paira sobre todos os Poderes desta malfadada República (ou seria "republiqueta"?). É gritar "pega ladrão, não sobra um meu irmão", como diz uma antiga letra musical. As cartas do baralho estão viciadas e, neste jogo, o azar é sempre (principalmente) dos mais pobres. Sobra discurso, falta ação e coerência. Apesar do lamentável quadro, eventuais mudanças passam, necessária e obrigatoriamente, pelo voto. Façamos bom uso dele e, de preferência, lancemos para longe boa parte (outra parte, feito camaleão, consegue esconder-se quando ameaçada) da corja que há muito vem tomando de assalto as riquezas deste país. Beijo no coração!

"Eu te peço que abençoes os meus descendentes para que eles continuem a ter sempre a tua proteção. Tu, ó Senhor, os tens abençoado, e que a tua bênção esteja com eles para sempre" (1 Crônicas, 17:27). Profetizemos bênçãos para nossos filhos e filhas, pois a palavra que sai da boca tem poder. A boca profere aquilo que o coração está cheio. Cuidemos, portanto, com o que dizemos. Boa semana a todos nós!

Tenho visto, nos diversos níveis (federal, estadual e municipal), muitos candidatos pousando ao lado de líderes religiosos. O porquê já sabemos! Importante ressaltar que religião e Estado não devem se misturar, sob risco de confundirmos o papel do ente público com os interesses deste ou daquele grupo. A laicidade do Estado serve não apenas para proteger o interesse público, mas a segurança e o direito à liberdade de culto dos próprios fiéis. Portanto, desconfie dos reais e verdadeiros propósitos de quem faz da religião (seja qual for) degrau para alcançar o poder, em especial no Executivo, já que no Legislativo é natural que os que buscam eleger-se defendam seus respectivos nichos socioeconômicos. Beijo no coração de vocês!


Pensamentos de junho (2022)

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Política! Tão maltratada, mal falada e mal compreendida... Usurpada por alguns e demonizada por muitos. O que é a política senão relação de poder? Portanto, queiramos ou não, saibamos ou não, gostemos ou não, a política sempre esteve, está e estará em nosso meio. A questão é como ela se dá. As relações de poder podem oprimir ou libertar, censurar ou dialogar, distanciar ou aproximar, estigmatizar ou enaltecer a diferença. Portanto, ruim não é a política, mas como lidamos com ela. Não é algo dado, mas sim construído. Somos todos, por meio de nossas ações e/ou omissões, responsáveis pelas relações de poder existentes. A qualidade do cenário político é fruto, sobretudo, de nossas escolhas, ainda que sob a forma de silêncio. As figuras bizarras que, porventura, ocupam os "espaços" formais e de destaque no tabuleiro político-partidário (que é apenas uma ínfima parte da política) resultam de nossas decisões. Qual o papel que reservaste para ti? Protagonista ou coadjuvante? Deixemos de terceirizar responsabilidades. Façamos da política uma poderosa ferramenta de transformação, participando, fiscalizando, questionando, votando (urna não é pinico)... Assumamos, com ética e competência, nosso papel de eleitor, pai, mãe, companheiro(a), trabalhador(a), aluno(a)... Exerçamos, de fato, a cidadania. Grande e fraternal abraço.