PUNTA E A PONTE
Gilvan
e-mail: profpreto@gmail.com
blog:
profgilvanteixeira.blogspot.com.br
Feriado à vista, hora de viajar... Para alguns, é
claro. Uma minoria, como minha amiga que irá para Punta. Eu, ao contrário, não transporei a Ponte. Punta e Ponte. Apesar da proximidade gráfica
e fonética, realidades díspares. A primeira, o paraíso dos turistas. A última,
o inferno de Dante. Enquanto para aquelas bandas do Uruguai reina, ao lado do
sol, o dólar, uma boa Norteña e um
bocado de corpos esculturais, por aqui o que sobra é indignação, aumento das
passagens e uma avenida permanentemente engarrafada a cortar a cidade. Lá por Punta, sorrisos e a gorjeta correndo
solta por entre as mãos dos garçons. Por aqui, o endividamento do Município e a
demonização dos servidores (a estes, nem as gorjetas...), como se fossem o
vilão da história. Lá em Punta,
cassinos por toda parte, enchendo os bolsos dos empresários e os cofres públicos.
Por aqui, sobra moralismo, enquanto escasseiam recursos e prolifera a
marginalidade. Por lá, comércio abarrotado de gente, saindo pelo “ladrão”. Por
aqui, meia dúzia de lojas ameaçadas, também (vejam só!), pelo ladrão. Trocadilhos
à parte, a realidade na terra da Ponte é de chorar. Lá em Punta é de rir. Por lá, praias paradisíacas. Por aqui, nem praia,
nem paraíso, nem sequer sombra ou água fresca. Esta última, além de quente, é
cara. Muito cara. Como o é a luz, o combustível, o transporte (de novo!), o
pão, o leite... Por aqui, na Ponte, paga-se caro, come-se mal e vive-se pior
ainda. Só não se mora, ainda, embaixo da Ponte porque não dá. Faltaria lugar. Quem
vai à Punta tem o Puerto, Casapueblo, Playa Mansa, Museo del Mar... Quem fica tem... tem...
tem o quê mesmo? Ah, tem o Parcão e o Shopping
do Vale (caso não tenha fechado). Tá bom, cinco dias no ano tem, ainda, a Casa
do Leite! Punta e a Ponte. O que é a
distância física comparada à distância de qualidade de vida, infraestrutura,
lazer, segurança, hotelaria, paisagística? O que são pouco mais de setecentos
quilômetros comparado à estratosférica diferença entre o que se tem por lá e o
que se tem por aqui? Por lá, o Rio da Prata, por aqui o Gravataí. Querem mais?
É, o balneário no departamento de Maldonado parece coisa de outro planeta. Os “descendentes”
de Don Francisco Aguilar, eles são os “ETs”. Os de cá, os da Ponte, somos – ao
contrário – o centro do universo. Ironias à parte, ao que parece os “herdeiros”
do Coronel João Baptista Soares da Silveira e Souza Sobrinho ficaram com a
lentilha, enquanto os de lá, os de Punta
ficaram com tudo o mais. Eles, Jacó. Nós, Esaú. Eles, Punta. Nós, bom... só nos resta a Ponte. Boa viagem minha amiga!
Nenhum comentário:
Postar um comentário