segunda-feira, 12 de junho de 2017

ATENÇÃO TURMAS 22, 23, 31, 32 E 33

AVALIAÇÕES DO SEGUNDO TRIMESTRE
Prof. Gilvan
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


TURMA
PROVA TRIMESTRAL
PROVA DE RECUPERAÇÃO
TRABALHO
22
14/08
28/08
07/08
23
15/08
29/08
08/08
31
16/08
30/08
09/08
32
17/08
31/08
10/08
33
15/08
29/08
08/08


TRABALHO DO SEGUNDO TRIMESTRE

                Tudo bem? Vamos ao Trabalho do Segundo trimestre? A ideia é trabalharmos alguns temas bastante atuais e preocupantes que, direta ou indiretamente, atinge a cada um de nós. O Trabalho será individual ou em grupo (máximo seis integrantes) e versará sobre um dos assuntos abaixo, conforme determinação do Professor.
01. A corrupção no Brasil: aspectos históricos, causas, dados, consequências e perspectivas?
02. Formas e Sistemas de governo no mundo: quais são? Distinção entre eles? Características? Vantagens e desvantagens? Exemplos? Brasil: passado e presente?
03. Reforma da Previdência no Brasil: o que é Previdência Social? Alegações favoráveis e contrárias à Reforma? Dados? Perspectivas?
04. Reforma Trabalhista no Brasil: o que é a CLT, sua história e importância? Alegações favoráveis e contrárias à Reforma? Dados? Perspectivas?
05. Os partidos políticos no Brasil: o que é um partido? Importância? História político-partidária no país? Unipartidarismo, bipartidarismo e pluripartidarismo? Principais partidos políticos brasileiros? Perspectivas?
06. Redes Sociais: histórico? Impacto e uso? Ciberbullying: o que é, desdobramentos sociais e jurídicos? Limites da liberdade de expressão? Perspectivas?
07. A violência contra a criança no Brasil: causas? Tipos? Consequências? Dados? Legislação? Perspectivas?
08. A precariedade do ensino (público e privado) no Brasil: história, causas, consequências, dados, perspectivas? 
09. A precariedade do sistema prisional no Brasil: histórico? Causas? Dados? Consequências? Perspectivas?
                O Trabalho será apresentado em aula, conforme datas estabelecidas pelo Professor. O tempo de apresentação será, no máximo, de 15 (quinze) minutos, incluindo a apresentação do vídeo (entrevistas). A seguir, os critérios de avaliação:
a) apresentação individual – até 4,0 (quatro) pontos;
b) criatividade do grupo – até 3,0 (três) pontos;
c) organização do grupo – até 1,0 (um) ponto;
d) vídeo com entrevistas – até 2,0 (dois) pontos. 
                Quanto às “entrevistas”, deverão ser feitas em vídeo, contando com a participação de, no mínimo: um professor, um pai (mãe) e um aluno da escola. As perguntas deverão versar sobre o respectivo tema, devendo constar, ainda, a identificação dos entrevistados (nome, profissão, etc.). O vídeo não poderá ultrapassar os 05 (cinco) minutos.


Bom trabalho! 

segunda-feira, 5 de junho de 2017

ATIVIDADE PARA AS TURMAS 22 E 23


                Tudo bem? No dia 07 de junho terás o privilégio de visitar a região de Bento Gonçalves, área esta de colonização italiana. Prestes muita atenção nos aspectos naturais (clima e relevo, por exemplo), humanos (formação étnico-cultural) e econômicos. A partir disso, deves montar um “dossiê” (pasta) com as seguintes informações:
a) nome, número e turma;
b) Quando e como vieram as famílias que colonizaram a região de Bento Gonçalves?
c) Quais as principais causas da referida imigração?
d) Aponte algumas curiosidades acerca da arquitetura da região.
e) Aponte algumas curiosidades acerca da culinária da região.
f) Aponte algumas curiosidades acerca da religiosidade da região.
g) O que mais chamou tua atenção na visita a Bento Gonçalves?
h) Anexe ao presente Trabalho fotos tiradas por ti que ilustrem uma ou mais das respostas acima. Deves aparecer, no mínimo, numa das fotos.
                Esta Atividade valerá até 3,0 (três) pontos, devendo ser entregue ao Professor até, no máximo, dia 14 de junho de 2017. Bom passeio!

quarta-feira, 31 de maio de 2017

ATIVIDADE PARA AS TURMAS 31, 32 E 33



Tudo bem? Assista ao documentário acima e ao "trailer" a seguir: https://youtu.be/2xb9Ty-1frw
Após, respondas ao que se pede:
01. O que os vídeos têm em comum?
02. Analise a afirmação: "a religião alimenta a violência".
03. Pesquise acerca de um dos conflitos atuais no continente africano, observando:
a) local do conflito;
b) causas do conflito;
c) curiosidades acerca do conflito;
d) consequências do conflito;
e) opinião pessoal.
04. O que mais chamou tua atenção no "trailer" do filme "Beasts of No Nation"? Por quê?
A presente Atividade valerá até 1,5 (um ponto e meio), devendo ser apresentada (corrigida) em aula no próximo encontro de Geografia.
Bom trabalho!





terça-feira, 4 de abril de 2017

AS MURALHAS DE JERICÓ

AS MURALHAS DE JERICÓ
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br

Gritou, pois, o povo, e os sacerdotes tocaram as trombetas. Tendo ouvido o povo o sonido da trombeta e levantado grande grito, ruíram as muralhas, e o povo subiu à cidade, cada qual em frente de si, e a tomaram. (Josué 6; 20).

            Jericó fica aqui. Encravada no meio de Cachoeirinha, bem que poderia estar em Brasília, São Luís, Recife, Porto Alegre... Marcada pelo pecado, há muito a Câmara da cidade busca esconder suas vergonhas por detrás das muralhas, como se estas fossem capazes de escamotear o fétido cheiro exalado por tamanha imundície. Corre solta, ali, a pior espécie de prostituição, aquela onde são vendidas consciências, negociadas em nome de uma pretensa governabilidade. Como moeda de troca, alguns cargos em comissão, alimentando um ignóbil círculo vicioso, onde quem mais perde é o cidadão comum. Jericó é um lugar contaminado, vingando nela a falsidade e o narcisismo doentio. Apesar de muito feios, os que nela habitam, pavoneiam-se, buscando amainar a imagem bizarra por meio de trajes, penteados e perfumes que vão do caro ao cafona, do exagerado ao ridículo. Jericó custa caro, muito caro, ao contribuinte. Enquanto este convive com a violência, o desemprego, o ônibus lotado, a precariedade do ensino e a falência da saúde, Jericó esbanja suntuosidade. Bela arquitetura, veículos caros, ambiente climatizado, papel higiênico de invejável textura... Parece outro mundo. Jura ser o centro do universo, a Casa do Povo. Não surpreende, pois que risível e pífia a inteligência de sua gente. Quiçá, por isso, tamanha indiferença com o destino da educação para além de suas muralhas. Sim, outro mundo, aquele de um passado marcado pelo coronelismo e troca de favores. Apesar de ínfima no tamanho, os arredores de Jericó servem de latifúndio aos que tomaram assento (ou será de “assalto”?) no lugar. Elegem-se e reelegem-se com a dor e sofrimento alheios. Para os habitantes de Jericó, o fracasso dos serviços públicos, feito cabeleira de Sansão, representa força. Faltou remédio? Adivinha, lá está o coronel para consegui-lo. Faltou a lâmpada na rua, sobrou entulho na frente de casa, precisou de vaga na creche? O coronel, como que num passe de mágica, logo aparece. Feito vampiros, alimentam-se do sangue da gente desgraçada e pobre. Inebriados por um misto de gratidão e profunda ignorância, o eleitor faz de Jericó um lugar de privilégios eternos, onde viceja o nepotismo e a relação promíscua entre interesses público e privado. Pode sair algo bom de Jericó? Como quadrilha, os demais Poderes comungam à mesa de Jericó, restando ao povo não mais do que míseras migalhas. Comum é o viajante confundi-la com Babel, tamanha é a confusão de siglas a formarem o triste mosaico. Não passam de letrinhas mortas, destituídas de sentido e carentes de ideologia. Outros, a confundem com Sodoma, tal a impureza de Jericó. A leitura da Bíblia, junto a seus portões, há de livrá-la da ira divina? Servirá de carranca contra a fúria do povo? Certo é que hoje tem soado como deboche aos que, naquele lugar, ainda buscam algum socorro. A fé em Jericó é protocolar, não mais do que mero e insuportável formalismo. Ouve-se, a todo instante, feito mantra, os nomes de seus senhores. “Presente, presente, presente...”. Pudera, é um dos raros momentos em que parecem existir. Buscam, talvez, dar significado à própria insignificância. Jericó parece enferma, combalida, moribunda. Suas muralhas parecem ruir. Ouvem-se as trombetas anunciando novos tempos. Jericó chegou ao fim (!?)

domingo, 2 de abril de 2017

ATIVIDADE PARA AS TURMAS 22, 23, 31, 32 E 33



Tudo bem? Peço que assistas ao vídeo acima com teu responsável (pai, mãe, etc.), discutindo a "letra" da música com ele (ela). Após, respondas:
01. Nome, número e turma do aluno;
02. Nome do responsável;
03. O que, no ponto de vista de teu responsável, mudou daquela época (1987) em relação a hoje? A crítica expressa na música ainda é válida? Por quê?
04. O que, no ponto de vista de teu responsável, deve e pode ser mudado para melhorar este país? Concordas com ele? Justifique.
A presente Atividade valerá até 1,5 (um ponto e meio), devendo ser respondida no próprio Blog, no máximo até o dia 16 de abril de 2017. Desde já, agradeço a participação de todos e lembro a importância da família no processo ensino-aprendizagem

terça-feira, 28 de março de 2017

FRATERNIDADE: BIOMAS BRASILEIROS E DEFESA DA VIDA


FRATERNIDADE: BIOMAS BRASILEIROS E DEFESA DA VIDA
Gilvan Teixeira
 Blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br
 
 
            A Campanha da Fraternidade 2017, assim como a do ano anterior, vem ao encontro não apenas de nosso componente curricular, a Geografia, mas de todos os demais. É um convite à reflexão propositiva. O tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” ultrapassa a mera questão teórica e sacode a consciência de cada um de nós, queridos ouvintes. Longe de ser uma discussão “pedante” e “acadêmica”, a preocupação com nossos biomas é, sobretudo, a preocupação com o próprio homem. Diz respeito à minha e à tua vida, meu amado. Diz respeito à nossa família e à nossa comunidade. Diz respeito, ainda às futuras gerações. O que temos feito com o espaço onde nascemos, trilhamos e descansamos nossa cabeça? Qual é o tratamento que temos dispensado ao meio em que vivemos? O que temos feito das maravilhosas dádivas que, ao longo da história, Deus tem colocado a nossa disposição? Como tem sido a relação da maior obra-prima divina, o homem, com seu espaço? Formados à semelhança de Deus, contudo, ao contrário do Criador, temos agido temerária, irresponsável e despotamente. Muito comumente, colocamos nossa razão a serviço de um hedonismo doentio, narcísico e materialista, nos distanciando dos mais elementares ensinamentos de Deus. Nosso olhar estrábico há muito vem se rendendo à catarata da indiferença, fazendo pouco caso dos frutos do amor. Dom Jaime, num encontro de escolas católicas, foi enfático ao lembrar que a maior crise da atualidade é de ordem “antropológica”, ou seja, uma crise de valores. O pano de fundo, sombrio e funesto, por detrás da “coisificação” do ser humano é o mesmo que tangencia a perversa relação entre o homem e seu espaço. Sofrem os biomas brasileiros, de norte a sul, do nascente ao poente. Ameaçados estão não apenas os recursos naturais, a fauna e a flora, mas também o próprio homem e suas mais diferentes culturas. Afinal, homem e meio são indissociáveis. Há como que uma imbricação necessária entre ambos. Pensar em dignidade da pessoa humana sem perpassar pela questão “espacial” soa como estranho e nada inteligente. Grandes ações são necessárias? Sim. Políticas de Estado e de governo são, por certo, bem-vindas. Investimentos em educação, saneamento, mobilidade urbana, reflorestamento, uso racional dos recursos naturais, etc.. Contudo, a mais urgente e eficaz mudança é “cultural”, comunitária, familiar, individual. Começa por mim, por ti, por nós, caros ouvintes. Façamos a nossa parte. Comecemos por nossa casa, trabalho, escola. Comecemos, sobretudo, pela forma como nos relacionamos com o outro, amando, valorizando, respeitando... Ao fazê-lo, aí sim estaremos prontos a compreender o verdadeiro significado dos biomas, bem como nossa inserção e relação com os mesmos.

sexta-feira, 17 de março de 2017

ATIVIDADE PARA TURMAS 31, 32 E 33



Atividade:

01. Aponte algumas causas e consequências do maior crescimento demográfico da África.
02. Qual é a tendência demográfica do Brasil?
03. Aponte causas e consequências do envelhecimento da população brasileira.
04. Pesquise acerca da Reforma da Previdência proposta pelo governo, observando argumentos favoráveis e contrários. 

domingo, 12 de março de 2017

ATENÇÃO TURMAS 22, 23, 31, 32 E 33


TRABALHO DE GEOGRAFIA DO PRIMEIRO TRIMESTRE (2017)
Prof. Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br
 
Tudo bem? A Campanha da Fraternidade de 2017, tendo como tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e como lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15), é um convite à reflexão propositiva. A ideia é trabalharmos no Primeiro Trimestre algumas questões relevantes que estão na “pauta” de nosso dia-a-dia. A partir do enunciado acima, o Professor sorteará, para cada grupo, um dos assuntos abaixo:
a) bioma Amazônia;
b) bioma Caatinga;
c) bioma Cerrado;
d) bioma Pantanal;
e) bioma Mata Atlântica;
f) bioma Pampa.
                Todos os assuntos acima deverão trazer, no mínimo, localização do bioma (uso obrigatório de mapa), características do clima e da vegetação, degradação ambiental, aspectos culturais da região, bem como aspectos socioeconômicos, com ênfase em questões como desigualdade social, violência e precariedade dos serviços públicos (saúde, educação, segurança, transporte, etc.).
                Uma vez sorteado o assunto, deverá ser produzido um vídeo (DVD) contendo uma paródia, telejornal ou documentário, totalmente original (inédito). O vídeo deverá obedecer ao que segue:
a) tempo máximo de 05 (cinco) minutos;
b) todos os integrantes do grupo deverão aparecer no vídeo;
c) a “abertura” do vídeo deverá apresentar: nome da Escola, nome do Professor, nome da disciplina, nome(s) e número(s) do(s) aluno(s).
d) Após apresentação em aula, material deverá ser entregue ao Professor para eventual publicação no Blog. O referido material deverá trazer, também, na capa, os dados de identificação elencados acima.
                Além do vídeo acima, o aluno (ou grupo de, no máximo, seis integrantes) deverá apresentar em aula o respectivo tema. Tal apresentação não poderá ultrapassar 15 (quinze) minutos, incluindo a apresentação do DVD. Sendo em grupo, todos os membros deverão falar, sendo vedada a leitura.
                O presente Trabalho valerá até 10 (dez) pontos, conforme critérios a seguir:
a) vídeo (DVD) – até 05 (cinco) pontos, levando-se em conta conteúdo (3,0) e criatividade (2,0);
b) apresentação em aula – até 05 (cinco) pontos, levando-se em conta conteúdo (3,0), organização (1,0) e criatividade (1,0);
                A nota da “apresentação em aula”, ainda que feita em grupo, será individual, conforme a participação do(s) aluno(s). Trabalhos entregues fora do prazo estipulado pelo Professor valerão até 07 (sete) pontos.

Bom Trabalho!

sábado, 4 de março de 2017

O ESTADO CAFETÃO


O ESTADO CAFETÃO
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


Para que serve, ou deveria servir, o Estado no mundo moderno? O Estado no Brasil há muito tem se convertido num grande cafetão, onde a maioria de nós – populacho, assalariados, servidores públicos mal pagos –, feito prostitutas, vemos nossos corpos serem explorados e maltratados pela aspereza da vida. Como vis mercadorias, somos lançados nos porões escuros e abjetos, até que a morte – pois que, cada vez mais, a parca aposentadoria tarda em chegar... – usurpe o último suspiro. Somos vilipendiados, abusados, extorquidos diuturnamente pelo Estado. Enquanto este último se apropria dos vinténs, resta às marafonas as tristes marcas do coito forçado. Sob o olhar indiferente e cúmplice do Judiciário, as raparigas são enganadas e judiadas. Poderia ser diferente, uma vez que a toga é garantidora de privilégios e deferências? Enquanto fede o prostíbulo, resultado de uma história de descaso, a dita Casa do Povo vê desfilar parlamentares em seus ternos alinhados, cercados de um exército de puxa-sacos que pouco mais sabem do que balbuciarem algumas palavras e tremularem suas bandeirinhas em período de campanha. Faltam às rameiras verdadeiros representantes. Como cafetão, o Estado acredita ser dono de nossos corpos. É sustentado por nós, sem nenhuma contrapartida, salvo algumas migalhas travestidas em hospitais, escolas, estradas e presídios sucateados. Como cafetão, o Estado bebe e come às custas do suor de “suas” vadias. Não satisfeito, sem parcimônia, usa da brutalidade sempre que as putas resolvem protestar. Cassetete, gás lacrimogênio, bala de borracha... Vez por outra, o algoz muda de estratégia. Usa a propaganda, paga, ironicamente, pelas próprias vítimas. Tenta confundir o público, buscando fazê-lo acreditar que “cidade” e “prostíbulo” são coisas distintas. O Estado, no Brasil, definitivamente, não nos representa! Somos um país acéfalo, sem verdadeira governança. O “Poder” não é público, mas atende a interesses privados. Executivo, Legislativo e Judiciário não passam de redutos de interesses espúrios e corporativos, tendo se tornado um fim em si mesmo. É a “casa” balançar, sob as intempéries de uma famigerada e duvidosa “crise”, o cafetão lança a culpa sobre as prostitutas. Usa de alguns jargões como se fossem mágicos e capazes de reverterem a incompetência crônica. “Meritocracia”, “gabinete popular”, “enxugamento da máquina”... Eufemismos a escamotearem a perversa intenção de estourar a corda do lado mais frágil. Enquanto o Estado cafetão se lambuza com seus privilégios e fartos manjares, perpetuados pela promíscua troca de favores partidários, as prostitutas lutam contra a desesperança e, muito comumente, se deixam levar pela lábia cafetina. Existem, ainda, aquelas que, numa espécie de “síndrome de Estocolmo”, desenvolvem uma doentia admiração pelo cafetão, deixando-se cooptar por um prato de lentilhas. Vadias, uni-vos! Rompamos os atávicos grilhões que amordaçam nossos sonhos. Subvertamos o status quo asqueroso que sustenta o cafetão, enfraquecendo-o e levando-o à míngua. Tomemos o prostíbulo e façamos dele um lugar limpo, justo e decente, onde todos sejam, de fato, iguais perante a lei, togados ou não, letrados ou não, alinhados ou não. Construamos um Estado, de fato, democrático, avesso a privilégios injustificados e intolerante com toda espécie de larápio, ainda que sob a forma de um cafetão.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

BORRA BOSTA BRASILIENSIS



BORRA BOSTA BRASILIENSIS
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br


                Nossa terra tem sido pródiga em gerar borra bostas de toda espécie. Não apenas em gerá-los, mas em sustentá-los. Pare-se borra bostas a todo instante. Centenas e centenas, todos os dias. É facilmente identificável um borra bosta em potencial. Mimado, indisciplinado, avesso a compromissos. Incapaz de mirar além do próprio umbigo, cresce e se fortalece em meio à permissividade, omissão e condescendência familiares. A frouxidão paterna e/ou materna, como seiva, alimenta o borra bosta que, como câncer em metástase, irônica e impiedosamente, compromete o próprio berço que lhe abriga. Egocêntrico, insensível à dor alheia, narcisicamente contempla o mundo como se este fosse sua própria selfie. Zomba da autoridade, viola os mais elementares princípios éticos, desconhece a hierarquia e espezinha quem o contradiz. Como déspota, dita regras e vira as costas às leis, ainda que morais. Adolescente, segue no caminho do hedonismo desenfreado, mantendo seu castelo, ora por meio do baseado malcheiroso ou do consumismo doentio, ora, ainda, através de pichações, vandalismo e outros malfeitos. O "barato” e adrenalina – a custo do sofrimento de terceiros – alimentam o prazer descabido e escamoteiam um profundo vazio. O borra bosta, já adulto, carece dos pressupostos indispensáveis ao convívio social. Mesmo que diplomado, togado e titulado, o borra bosta mal consegue disfarçar o fétido odor do próprio estrume. Perfumes caros, charutos cubanos, bebidas famosas ou “milhas” de viagem são insuficientes para transformarem o borra bosta num cidadão de respeito. Mais vale a mão calejada do que a do gatuno. Mais vale o linguajar simples do que a verborreia jurídica do magistrado corrupto. O que são os dentes perfeitos da madame sustentada pelo dinheiro sujo, comparados à gargalhada sincera da camponesa banguela? Ética, honestidade, respeito, amor, são virtudes sem preço. O borra bosta, acostumado a levar vantagem em tudo (certo?), não esconde seu indescritível prazer em receber, sobre si, os holofotes de uma sociedade acostumada a privilegiar a aparência. A mesma sociedade que, logo ali adiante, engrossa o coro criticando o desvio de conduta do borra bosta. Triste contradição. O borra bosta é não um ponto fora da curva, mas produto da própria curva. Urge olharmos para as próprias entranhas, dissecá-las, compreendê-las. As condenáveis práticas do borra bosta resultam, sobretudo, do caldo cultural que nós construímos. Corrupção, privilégios espúrios, narcisismo doentio, insensibilidade social são pragas nascidas, criadas e cevadas, primeiro, no seio familiar. Sim, é a família a grande incubadora do borra bosta. Serve ela de casulo à erva daninha. A conivência dos genitores, como placenta, envolve o borra bosta, colocando-o a salvo de eventuais sanções. Mostrando-se insuficiente, apela-se à judicialização. A ideia da hipossuficiência, muito comumente, esconde outra inversão, que não apenas a da “prova”, mas a de valores. É quando, então, a sentença proferida fere de morte a esperança numa sociedade melhor. Reajamos, portanto. Lutemos contra a pérfida tendência de transformação de nossas crianças e jovens em borra bostas. Tiremos o “não” do breu do esquecimento, resgatemos a disciplina e hierarquia, verticalizemos as relações entre os “desiguais”, sem jamais perder de vista, é claro, o amor e o respeito. Deixemos claro os “papeis” de cada um, com seus respectivos ônus e bônus. Combatamos a falácia da pretensa “democracia” que, perdida em seu relativismo inconsequente, tem carcomido a já combalida teia social. Controlemos o que nossos pequenos veem, escutam, vestem, consomem. Fiscalizemos como e o que aprendem. Dialoguemos com a escola, participando ativamente do processo ensino-aprendizagem. Jamais façamos vistas grossas à indisciplina e desobediência dos pupilos, usando da correção necessária e adequada. O amor é exigente, compromissado, cúmplice. Amar é educar, vigiar, cuidar, corrigir. É ele, o amor, o grande antídoto no combate à proliferação do borra bosta.  

domingo, 4 de dezembro de 2016

A BASTILHA



A BASTILHA
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br

                Menos pomposa e conhecida do que a de Paris, a Bastilha do Planalto Central quiçá tenha um destino parecido com a da capital francesa. Tomada pelos ratos da República, a Bastilha tupiniquim tem servido de palco não apenas a longos discursos vazios e mal escritos, mas à aprovação de leis que reforçam o status quo perverso, marginalizando a maior parte de nossa gente. Historicamente usurpada por uma classe política eleita, muitas vezes, por meios espúrios, a Bastilha do Planalto Central tem sido não fonte de esperança de um povo, mas de vergonha e descrédito no presente e no porvir. Não por acaso, na calada da noite, leis são gestadas e aprovadas, escarnecendo o interesse público e violentando, despudoradamente, a vontade popular. Acastelados em seus interesses inconfessáveis, acostumados a ardis e mesquinhas práticas, escondidas sob a máscara do foro privilegiado, larápios de toda espécie infestam a Bastilha. Enfiados em seus ternos bem alinhados, fajardos lotam os gabinetes. Estes, como bueiros, exalam o mau cheiro das consciências corrompidas pela ganância. A mesa farta da Bastilha, a contrastar com a fome do povo, só faz recrudescer a ignominiosa contradição. Enquanto o contribuinte, o trabalhador, o produtor e o empresário honesto veem o próprio suor escorrer pelo rosto e os vinténs fugirem pelo sumidouro da insana carga tributária, facínoras regurgitam seus dólares em contas secretas nos paraísos fiscais. Feito piranhas, os ocupantes da Bastilha, com maestria e invejável agilidade, unem-se para rasgarem a carne do brasileiro, num frenesi doentio e sem limite. É duvidar, sequer ficam os ossos para contarem a história. Ideologias e siglas partidárias são postas de lado, revelando o instinto assassino da bandalheira da Bastilha. Desdenham e traem o eleitor, fazendo pouco caso das promessas de campanha. Feito vermes, não têm palavra. Desonestos, indignos, repugnantes. Ao morrerem, não deixarão saudade e a história há de sepultá-los na vala comum dos indigentes, não daqueles sem posses, mas dos destituídos do maior patrimônio da pessoa humana, a saber, os valores universais e atemporais da ética, verdade e hombridade. Fazem lembrar não homens, mas moscas em torno da própria imundice. Seus perfumes caros, automóveis potentes, coberturas luxuosas e rechonchudos saldos bancários são insuficientes para torna-los verdadeiros homens e mulheres. Desmerecem a Bastilha. Esta não é para eles. Desratizemos seus corredores e usemos de todos os meios para torná-la um símbolo nacional. Pelo voto ou pelo fórceps, extirpemos a praga que tomou conta da Bastilha. Esta é patrimônio do povo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

UNIPARTIDARISMO: DEMOCRACIA A PIQUE

UNIPARTIDARISMO: DEMOCRACIA A PIQUE
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Dentre as marcas de um governo totalitário, merece destaque a inexistência de partidos políticos ou, na melhor (pior?) das hipóteses, o unipartidarismo. As ditaduras, ao que tudo indica, preferem esta última “saída” à primeira. Assim, acreditam conseguir esconder suas práticas espúrias por detrás de uma falsa imagem de democracia. Mantém-se o formalismo e, sob seu teto, esconde-se a repressão a toda e qualquer espécie de oposição. O último pleito, em muitos municípios gaúchos, revelou o que já sabíamos, a saber, a flagrante tentativa de alguns setores em acabar com a dita “esquerda”. Para tanto, há algum tempo, tem sido recorrente uma poderosa e milionária propaganda midiática contra grupos políticos ideologicamente identificados com o marxismo, por exemplo. O fracasso de tais partidos nas urnas, por certo, é resultado, em parte, dos equívocos por eles praticados, traindo a esperança de grande parcela da população, especialmente a mais pobre. Contudo, inegável é, também, a orquestração de grupos políticos e econômicos com intuito de espezinharem projetos alternativos que pudessem ou possam colocar em risco o pérfido status quo. Para os “donos do poder”, algumas plataformas soam como inaceitáveis, especialmente aquelas que visam a distribuição de renda e o fortalecimento de políticas afirmativas. Demoniza-se a “esquerda”, como se a “direita” fosse o repositório da solução à violência, desemprego, precariedade da educação e saúde públicas. Ora, a história é reveladora: foram os setores que hoje fazem apologia da moralidade e da ética os que, ainda ontem, se locupletaram com os benesses da República Velha, do voto de cabresto, do populismo, da ditadura... Como apregoar equidade e justiça social com um passado maculado pela perfídia e insensibilidade em relação aos desvalidos? Como discursar em favor da probidade frente a um passado improbo? Como falar em esperança diante de uma história marcada pelo descaso quanto aos mais necessitados? Respaldados, por vezes, num Judiciário falido e sem crédito, alguns grupos políticos não conseguem disfarçar um misto de alegria orgástica e doentia com o insucesso dos “adversários”. Estamos a caminhar em direção a uma espécie de “unipartidarismo”, não literal obviamente. Ao contrário, nunca tivemos uma miríade tão grande, confusa e insana de agremiações partidárias, a maioria, verdadeiros balcões de negócio. São partidos ideologicamente vazios, voltados à obtenção e/ou manutenção de privilégios individuais ou de grupos. A pretensa “governabilidade” – comprada a preço de compadrios regados a cargos de confiança, funções gratificadas e outras trocas de favores – é garantidora, sobretudo, de vis privilégios e mesquinhos projetos pessoais de poder, em detrimento do interesse coletivo. Ganham alguns poucos, enquanto perde a sociedade como um todo. Tende-se a outra forma de “unipartidarismo”, travestido de “base governamental”. A “governabilidade” é o pretexto favorito, apesar de surrado, para incontáveis conchavos e troca de favores. À luz do dia, o interesse público é violentado sob o olhar complacente daqueles que, por força de lei (já que desconhecem a ética...), deveriam zelar pelo Estado democrático de Direito. Serve a quem e para quem o arcabouço jurídico? Ao que tudo indica, expressões como “impessoalidade” não passam de verbetes acadêmicos, indigestos no mundo dos fatos. Caminhamos em direção a uma ditadura “branca”, sutil, mas não menos cruel e danosa do que aquela que nos atormentou ao longo de duas décadas. É sôfrega nossa democracia e combalida, apesar de teimosa, nossa esperança. O futuro incerto aponta em direção às brumas, restando a desconfiança de que marchamos em direção ao precipício. 

domingo, 11 de setembro de 2016

À MINGUA

À MINGUA
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Morrer à mingua. Conhecem a expressão? Certamente. O problema é vivenciá-la, levá-la à literalidade. Seria, quem sabe, à letalidade? É, o governo de Cachoeirinha, assim como do estado do Rio Grande do Sul, tem conseguido dar vida às mais fúnebres expressões. Antes, cidade “dormitório”. Hoje, cidade “pesadelo”. As aves que por aqui gorjeiam são as da pior espécie. Sujam as ruas com suas fezes mal cheirosas, robustecendo o chorume da perfídia e da vileza. O arrulho que soltam por entre os bicos lembram uma espécie de insuportável mantra. Os mesmos bicos que não cansam de arrancar enormes nacos da pouca carne que ainda resta do mísero contribuinte. Enquanto sobre a tribuna da Casa do Povo pavoneiam-se algumas aves de rapina com aqueles discursos mal elaborados, a denunciarem a fragilidade intelectual das mesmas, paira sobre a cidade uma profunda escassez ética. Daí, talvez, tantas diárias gastas em viagens obscuras e destituídas do mínimo pudor quanto ao dinheiro público. Qual a intenção? Apagar as digitais e pegadas de práticas indecorosas? Por que tantos cursos, seminários e simpósios? A ignorância não as abandona. Mal conseguem articular meia dúzia de palavras. Por que tantas idas e vindas à capital federal? Identificam-se, quiçá, com o ambiente daquela que é o maior símbolo de nossa débil e fracassada República. Cachoeirinha está jogada às moscas. Homicídios, latrocínios, roubos, estupros... Nada vale uma vida por aqui. Buracos nas ruas confundem-se com os dos cachimbos do crack. O tráfico se alastra, multiplicando o exército de zumbis que assombra a cidade e põe por terra qualquer faísca de esperança. A sujeira das ruas entope não apenas as bocas-de-lobo, mas, ao que parece, também as veias e artérias que alimentam a (in)consciência de quem governa. Os já caóticos serviços públicos conseguem piorar dia após dia. Crianças, mulheres e idosos veem suas dores sendo agravadas pelo nefasto descaso do Poder Público em relação à saúde. Sobram filas, faltam médicos, leitos e medicamentos. Sobra incompetência, falta humanidade. Alunos aprendem cada vez menos. Entra ano, sai ano, e nossos pupilos seguem à margem do conhecimento minimamente razoável. Quanto potencial desperdiçado em meio à tamanha mediocridade. Enquanto recursos públicos esvaem pelo ralo – em parte, para alimentar os “cortesãos” a mamarem nas tetas do Poder –, servidores públicos concursados minguam. Homens e mulheres que, apesar de terem ingressado pela “porta da frente”, seguem alijados dos “manjares” servidos à mesa. Sobram-lhes menos do que as migalhas. Parcelam-lhes o salário e esfacelam sua dignidade. Não bastasse, exigem deles abnegação e estoica resignação, numa brutal inversão de valores, onde a vítima torna-se algoz. É duvidar, a dívida social recai sobre o colo dos municipários, como se estes fossem os responsáveis pelos desmandos da cidade. Cachoeirinha precisa reagir, expurgar os larápios de toda ordem e de todas as espécies, inclusive aqueles que têm na lábia sua principal arma de manutenção do poder e dos privilégios. Sirva teu voto na urna, como fogo na pira, para queimar os cadáveres que teimam em levantar a cada pleito, infestando nossa cidade com seu cheiro nauseabundo. Morram eles à mingua, e não os valentes servidores que, como titãs, garantem alguma dignidade à Cachoeirinha. 

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

INDEPENDÊNCIA, PARA QUEM?


INDEPENDÊNCIA, PARA QUEM?
Prof. Gilvan Teixeira
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                Cento e noventa e quatro anos! Sonho duradouro este, não é mesmo? Quase dois séculos de história, desde a dita “independência” e continuamos como que a sonhar. A ideia de um país verdadeiramente livre, justo e solidário segue ainda no plano do discurso, vez por outra inflamado pela disputa eleitoral. A prosperidade até que deu as caras por aqui, mas apenas para uma minoria. Enquanto isso, a maioria de nossa gente – assim como os escravos de outrora – segue à margem da boa qualidade de vida. Nossa pátria tem sido “gentil” apenas para alguns poucos. Educação, saúde, segurança, assim como a renda, têm faltado à maioria. A grandeza do território e a pujança do subsolo contrastam com a esperança esfarrapada de nosso povo. Enormes clareiras, impulsionadas pela ganância, vêm acabando com o verde da bandeira, enquanto o amarelo tem sido surrupiado pela corrupção endêmica que contamina todas as esferas do Poder. O azul, há horas sombreado pelas brumas do egoísmo, ostenta não mais estrelas, mas pontas de baseados embebidas no cheiro nauseante saído de cachimbos tomados de pedra que levam à morte. O que antes era branco, agora é luto. Ouve-se, por toda parte, gritos de socorro. Mães desesperadas veem seus rebentos serem tragados pelo tráfico e por toda sorte de violência. Para elas, filhos. Para o Estado, números. Para elas, a tristeza e saudade eternas. Para o Estado, estatísticas. O que vale a vida por estas terras? Um par de tênis, um boné, um celular, um carro ou, quem sabe, um punhado de reais? Como bastardos, não temos sido reconhecidos por este país. A Constituição, feito letra morta, pouco mais serve do que carne putrefata aos vermes e abutres vestidos em suas togas a pousarem em tribunais asseados e astronomicamente distantes da realidade de quem os sustenta. É, o tempo passou e a real independência não veio. Por que então comemorar? Há razões para fazê-lo? Sim e não são poucas. Muitos são os que ainda teimam em crer no amanhã. Mais do que “crer”, levantam todo dia dispostos a “agir”, transformando mera intenção em ação. Estudantes, professores, serventes, porteiros, operários, empresários, médicos, advogados, servidores públicos... Empregados, patrões, desempregados, aposentados, pensionistas... Letrados, analfabetos, atletas, enfermos... Enfim, um universo de crianças, jovens, homens e mulheres que teimam em fazer “seu melhor”. Não titubeiam em optar pelo caminho da ética, da alteridade e da resiliência, esta jamais confundida com subserviência. Amigos que são da verdade e da justiça, enjeitam o dinheiro fácil e desonesto. Trilham o caminho da (auto)disciplina e do interesse coletivo, sem perder de vista o respeito às diferenças, ainda que incômodas. Não menor do que o Brasil, é o senso de justiça que brota em meio à indiferença e desesperança. No interior das casas, escolas, fábricas, hospitais, quarteis, igrejas e canteiros de obra pulsa uma esperança propositiva, irrequieta, explosiva, capaz de subverter qualquer status quo, ainda que com aparência atávica. Ora, que a fajuta independência registrada nos livros didáticos possa dar lugar à verdadeira, a saber, uma independência construída no dia-a-dia, nas relações de poder estabelecidas entre pais e filhos, homens e mulheres, governantes e governados, professores e educandos. País independente é aquele que prima pelo respeito à dignidade da pessoa humana, pela proteção e valorização da vida, pela educação fundada na qualidade, pela aplicação impessoal da lei, pela garantia de oportunidades iguais a todos, pela manutenção da ordem respaldada na soberania popular e pela capacidade de manter acesa a tão necessária esperança. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

ROSAS, AINDA QUE COM ESPINHOS

ROSAS, AINDA QUE COM ESPINHOS...
Gilvan Teixeira
blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br



                Há muito, nossa cidade sente falta do frescor das rosas. Estas, sufocadas pela insensibilidade fria do concreto e do asfalto, parecem ter sucumbido. Contudo, feito a esperança, ainda que tênue, o perfume das rosas resiste à maldade humana e teimosamente borrifa o ar com seu inigualável cheiro. Mesmo o mais forte odor do chorume, resultante do  engodo e da falta de ética, se mostra incapaz de liquidar, por completo, a simples – mas poderosa – fragrância das rosas. Insuperáveis na capacidade de encantarem, não são poucos os que tentam criar artifícios com o vão intuito de imitá-las. Imbecis. Não sabem eles que a beleza das rosas reside na simplicidade? Esta não tem preço. Rosas são belas não por serem caras, mas por serem tão-somente rosas. Ao contrário dos vermes camaleônicos que mudam de tez partidária conforme a direção do vento e de acordo com os interesses espúrios e inconfessáveis, consubstanciados em projetos de poder, as rosas permanecem firmes e resolutas. Esperam e querem ser aceitas como são: rosas. Os espinhos são tidos por elas não como empecilho ou vergonha, mas como virtude. Através deles, as rosas falam e sentem-se vivas. Como porta-vozes, os espinhos nos fazem lembrar que somos homens, portanto mortais. Daí, quem sabe, serem as rosas mal quistas pelos ditadores e por aqueles que se veem como eternos. Impérios são desnudos ante o poder avassalador dos espinhos. Pode alguém resistir à imperiosa verdade revelada pelas rosas? Cachoeirinha precisa mais de rosas. As ruas escuras e tomadas pelo medo, enlameadas pelas drogas que entorpecem e transformam gente em trapo, gritam por socorro. Indigentes, prostitutas, trabalhadores e toda sorte de gente esquecida pela “mãe gentil”, feito gado no abatedouro, lutam contra um destino aparentemente selado. O sorriso forçado e o impecável traje do candidato estampado na foto ao fundo só faz esgaçar o vergonhoso fosso entre governantes e governados. A quem pertence a cidade? Assim como as rosas, homens e mulheres de bem foram perdendo espaço para homicidas, estupradores, estelionatários, corruptos, traficantes e falsos políticos. Falsos porque fazem da política ferramenta para enriquecimento próprio. Sevem-se do eleitor e locupletam-se, fazendo do Estado meio para obtenção de vantagens sórdidas e mesquinhas. Tamanho egocentrismo e ganância mal cabem no interior do terno alinhado. Brincam e zombam da lei, sob o olhar embasbacado de um Judiciário pífio. Assim como as rosas, homens e mulheres de bem existem não para serem ardilosamente manipulados. Cachoeirinha precisa mais de rosas. Contagiem a cidade com sua beleza! Jamais seja a delicadeza das rosas confundida com subserviência. Rosas são pétalas, mas também espinhos! Afagam, mas também espetam! Fazem-se presentes entre apaixonados e debutantes, mas também entre seguidores do féretro. Aparecem no altar, mas também sobre a lápide. Invadam as rosas os espaços públicos! Ocupem a Câmara e demais repartições públicas! Espalhem seu bálsamo sobre a política da cidade, dando-lhe real significado e fazendo ressurgir a necessária e indispensável esperança. Cachoeirinha precisa mais de rosas!